Notas iniciais
Desculpem o atraso, o meu cérebro bugou (alerta de trouxa) e eu pensei já ter postado esse capítulo, então eu escrevi todo um novo capítulo o dia inteiro, e bom aqui estou. Espero que gostem e boa leitura ! Ah, e também comentem, leitores fantasmas. Quero ouvir o que acharam do capitulo.

16

Já tinha se passado uma semana desde a igreja e não consigo descrever a saudade que sinto do pessoal de lá. Principalmente de Carl. Acho que eu estava ficando louca sem ele.

Nos primeiros três dias eu não consegui achar quase nada de comida, água ou algum caminho para voltar a igreja. Então começei a seguir em frente, tentando esquecer tudo.

Agora, de dia andava sem rumo e de noite tentava dormir, sempre sem sucesso. Carl invadia meus sonhos, ás vezes sendo estrangulado, levando um tiro ou uma facada. Todas as vezes ele morria e eu precisava assistir seus olhos azuis se tornando gélidos e opacos, como da primeira vez que os vi. Mas diferente de tudo, a culpada de sua morte era eu. Eu que tinha o sangue nas mãos. Eu havia o matado todas as 21 vezes que tentei dormir, com vinte e uma armas, um sonho mais brutal e agonizante que outro

Voltei aos antigos hábitos. Matar o menor número de zumbis possível, já que só tinha a minha arma. Sempre guardava o máximo de alimentos que podia carregar em uma mochila esfarrapada que achei. E o pior : escrevia JSS, em todos os lugares. Acho que esperava que isso fosse um sinal a alguém que estava viva.

Mas ainda andava com meu colar do Green Day, uma das razões por não me esquecer da minha ‘vida passada’.

(…)

Não posso mais aguentar. Eu não consigo.

Eu não conseguia mais dormir, sempre via Carl. E também quando estava acordada. Na loja de conveniência, atrás de uma pilha de caixas, com seu chapéu esfarrapado. Entre as folhagens da mata, como se estivesse brincando de esconde esconde no meio dos zumbis famintos. Ás vezes via Judith também em seus braços fortes e sorrindo para mim.

Agora, não aguentaria mais. Meus alimentos estavam escassos e meus pés não aguentavam correr. Zumbis estavam atrás de mim e nunca conseguiria me defender. Eu queria tanto morrer.

Meus pés e meu braços falharam e cai no chão mergulhando nos meus sonhos e dando adeus ao mundo.

(…)

— Mãe ! – gritei, chamando ela do ginásio da escola, de onde vários zumbis vinham. Tinha acabado de sair do armário e usava as quatro pernas de uma cadeira para afastar os andantes em volta de mim.

A minivan de meus pais estacionou perto da grade da escola e meus pais correram até a grade. Os cabelos cor de caramelo até o ombro de minha mãe dançavam pelo seu pescoço e meu pai tinha parado e começado a atirar nos zumbis em volta de mim.

Taquei a cadeira em um zumbi para abrir caminho e corri até a grade super alta que me separava da minivan. A pulei rapidamente e cai do outro lado, de costas para o chão. Senti como se todo o ar de meus pulmões tivesse sido sugado e me retorci na grama.

Minha mãe me ajudou a me levantar rápido e entramos no carro. Fiquei no banco de trás, com a cabeça no colo dela.

— Você está bem, querida ? – perguntou ela, massageando meus cabelos. Fitava seus olhos escuros como os meus que estavam cheios de pereocupação.

Sempre me disseram que parecia com a minha mãe, mas todos que me conheciam bem me diziam que era igual ao meu pai. A coragem, a teimosia e muitas vezes, a frieza

— O que está acontecendo, mãe ? – perguntei imediatamente. Eu necessitava respostas.

— Ainda não sabemos, Emis. Durma um pouco. – falou ela e fiz o que ela disse.’

(…)

‘- Atlanta não é segura, Henry, nós não vamos conseguir. – falava minha mãe, mostrando um mapa para meus pai, que discordava. Ele achava que iríamos achar ajuda nas cidades mais populosas. Se é que a ajuda não estivesse morta.

Já haviam se passado meses desde o começo e os zumbis pareciam estar ficando cada vez mais deformados e horríveis.

Tinhamos parado o carro na frente de um muro, onde meus pais discutiam onde nós poderíamos ir.

Meu pai já tinha me ensinado a atirar e a sensação de me defender me deixava cada vez mais segura. Ele também me ensinou a fazer algumas armadilhas para caçar animais e como atirar facas, meu novo vício. Parecia que tinha virado um sobrevivente.

Já estava cansada de desenhar no carro. Tinha conseguido um caderno e lápis de cor há alguns dias e desenhava um pôr do sol, uma típica cena clichê de adolescente americana.

Também tinhamos conseguido algumas roupas e eu vestia uma regata branca, bermuda jeans até os joelhos e botas pretas super confortáveis. Minhas costas estavam um pouco sujas de sangue e meu cabelo parecia palha.

Vi os zumbis vindo do lado oposto dos meus pais e abri a porta do carro para alertá – los.

— Pai, mãe, nós temos que ir. – falei para eles, desesperada. Os zumbis começaram a vir e eu não conseguiria dar conta deles sozinha. Olhava para os dois lados, para garantir que não tivesse nenhum zumbi vindo na direção de meus pais. Mas eu falhei.

Alguns zumbis vieram do lado de meus pais e gritei de medo.

— Pai ! – disse.

Ele se virou para meu lado e um zumbi mordeu seu ombro, fazendo jorrar sangue. Corri para eles, mas não consegui salvá – los. Alguns zumbis já comiam o corpo inconsciente de meu pai, e minha mãe tinha sido mordida no pescoço. Mais zumbis vinham.

Corri até minha mãe e a abraçei.

— Shhh, querida. – falou ela se afastando. – Eu quero que corra para o carro e fique lá. Tente dormir, mas se lembre : JSS. JSS, Emily. Vai.

Corri para o carro e fechei a porta, ouvindo os gritos e os gemidos de minha mãe e dos monstros que comiam sua carne.

(…)

Já tinha se passado muito tempo. Estava encolhida no banco do passageiro, com os joelhos na altura dos braços e as minhas mãos ensanguentadas. Lágrimas corriam por minha face, limpando um pouco do sangue. Meu corpo inteiro tremia como se tivesse levado um choque e não conseguia tirar os olhos da cena do último zumbi comendo o corpo de minha mãe, que estava deformado e irreconhecível.

Eu pensava que era o fim, mas descobri ser o começo de uma nova pessoa, uma nova Emily.

(…)

Estava com muito medo. Enquanto andava pela floresta vi vários zumbis atrás de mim e corri o mais rápido que pude, me lembrando da sensação maravilhosa de sentir o vento contra meu rosto e de liberdade.

Não sabia o que fazer, eles logo chegariam ao meu encalço. Me escondi atrás de uma placa suja do chão, ela pressionada contra minhas costas, me fazendo uma camuflagem.

Apoiei meus braços nos ombros, não deixando nenhuma parte do corpo visível fora da placa. Me obriguei a segurar o choro e os gritos que tentavam aparecer pela minha garganta.

Peguei um graveto na terra com a mão direita e tirei as folhas que não deixavam a terra aparecer. Escrevi o meu lema, que me deixou mais calma e me fez secar as lágrimas com a palma da mão, fazendo meu rosto ficar ainda mais sujo (se é possível). Minha mão esquerda apertava minha faca na cintura.

JSS. JSS. JSS. JSS. JSS…

Repeti até que todos os zumbis estivessem longe.

Continuei andando até achar um carro preto, com a porta aberta e um zumbi pendurado entre o banco e o chão. Segurei seu braço para tirá – lo de lá e ele se mexeu tentando agarrar meu braço, mas sem conseguir levantar.

Depois de tê – lo matado, fechei a porta do carro e tentei dormir, até que me lembrei do que conseguiria me deixar dormir. Desenhei um JSS no vidro do carro, tirando um pouco do bolor do vidro.

Imaginei que meu lema ia me proteger e que quando acordasse tudo estaria certo. Esse foi meu conto de fadas impossivel por meses.

(…)

Nunca pensei que iria comer um animal, ainda mais vivo. Mas lá estava eu, comendo uma tartaruga e com o cara cheia de sangue. Pegava a carne de dentro do casco, não me importando o quanto nojento seria. Eu não tinha tempo para frescuras.

Formei um JSS com os ossos da tartaruga, olhando para ele e pensando em meus pais e como eles reagiriam a pessoa que estou me tornando.

Notas finais
A música desse capítulo é 21 Guns- Green Day, e sinceramente é uma das minhas músicas favoritas de todo o mundo. Ouçam, porque é maravilhosa ! S2