The Angels Take London
2 Capítulo 02
Notas iniciais
Dezembro de 2025
― Você está bem? ― Rose sentou-se ao lado de Caleigh, já dentro da TARDIS.
― É maior do lado de dentro! ― Estava sentada na poltrona do piloto, os olhos arregalados.
― Incrível como humanos são criativos ― O Doctor ironizou, enquanto mexia dos controles de sua nave.
― Eu sei que é perfeitamente possível, mas eu não imaginei que encontraria algo assim tão cedo! ― A garota ainda estava pasma. ― Estupidez minha, é uma máquina de viagem no tempo, lógico que teria que ter tecnologia mais avançada que a nossa.
― O que? ― Doctor teve que se inclinar para ver Caleigh, já que ele estava do lado oposto dos controles.
― Eu estudo física ― esclareceu. ― Principalmente depois de achar esse livro, eu tinha que entender como era possível. O tempo não corre em linha reta, isto é óbvio. Sempre mudando, cada pequena decisão de cada pessoa...
― Você é esperta. ― O Doctor teve que admitir.
― Eu tenho que ser, sendo filha de quem sou.
― Bem, você mencionou anjos. ― Rose retomou o assunto que reuniu os três ali. ― Como assim anjos?
― Não do tipo celestial, pode ter certeza. ― Caleigh cruzou os braços, endireitando a postura. ― Eu não entendi exatamente como eles fazem o que fazem, mas foi à única conclusão que meu pai conseguiu. John Watson foi enviado ao passado depois de cruzar com a estátua de um anjo. Demorou um longo tempo até que meu pai aceitasse essa teoria, que contradizia tanto do que ele acreditava. Eu não entendia quando ele me proibia de brincar naquela praça específica, mas depois que aquelas mesmas estátuas começaram a se espalhar e mais pessoas começaram a desaparecer... Ele teve que admitir.
― Existe uma lenda... não, mais do que isso, uma história sobre uma espécie assim. ― O Doctor se aproximou, parando na frente das duas jovens. ― Os Anjos Lamentadores. Eles desenvolveram o melhor mecanismo de defesa que existe. Quando alguém está olhando para eles, simplesmente, se transformam em pedra. Deixam de existir.
― E quando a pessoa deixa de olhar para eles... ― Rose incentivou.
― Eles enviam a vítima para o passado, se alimentam dessa energia. É preciso apenas piscar. Apenas uma piscada, e pronto. Uma passagem só de ida para o passado. ― Bateu as mãos uma na outra, e deslizou a direita sobre a esquerda para frente, simulando uma decolagem.
― Isso é uma máquina do tempo, certo? ― Caleigh ficou de pé, elétrica. ― Não podemos ir pegar o John? Se formos para a Londres de 1887, eu sei que eu posso acha-lo!
― Caleigh, você só está aqui por que achou esse livro, possivelmente escrito pelo John. Se o retirarmos do passado, ele não vai escrever o livro, você não vai acha-lo e não vai poder saber onde procura-lo.
― Os livros não foram lançados durante toda a vida do autor. Na verdade, os últimos são apenas contos, Sherlock Holmes já era um personagem famoso antes deles. Tem que ter um jeito!
― Lamento, Caleigh, mas não é assim que funciona.
― E como o John me conhece? ― Ela agitou o livro. ― Sério, tem de tudo aqui, até a queda de bicicleta aos meus nove anos que acabou no hospital e a vez que meu pai e eu fomos convidados a nos retirar na escola por causa de... ― hesitou, fazendo uma careta engraçada. ― Razões. Enfim ― falou sacudindo a cabeça, como que para limpar os pensamentos ―, eu posso encontrar uma solução. Eu consigo hackear o sistema de segurança da ONU e de Torchwood quando quero. O da UNIT nem tem graça. E já te rastreei até aqui. ― Sorriu. ― Mas não se engane, sei de outras passagens sua pela terra. Tem sido um passatempo te seguir pela história.
― Leigh, eu não posso fazer o que você está me pedindo. Pelo menos não tudo. Eu quero dar uma olhada nesses anjos.
― Eu pego o que me é oferecido ― Caleigh disse a contragosto. ― Mas pelo menos o segundo livro vocês tem que me ajudar a achar.
― Como sabe que existe um segundo? ― Rose fez a pergunta.
― No final deste fala que continua no próximo volume ― explicou, mostrando a última página com a prova do que dizia. ― Acho que John não quis me falar tudo do futuro de uma só vez, por que a partir desse ponto, tudo seja incerto e mudanças possíveis.
O Doctor ficou calado diante do olhar esperançoso que a garota lhe lançou. Ele conhecia as leis, sabia as consequências do que ela estava pedindo, não podia ajuda-la. Porém, ao menos, buscaria as respostas que Caleigh precisava para entender.
― Onde e quando John desapareceu? ― Perguntou batendo as mãos uma na outra. ― Vamos dar uma olhada. ― Sorriu e começou a mexer nos controles da TARDIS, que começou a fazer seu peculiar som.
― Em 2013, 13 de junho. ― Leigh se apressou em dizer, agarrando um dos corrimãos. ― A praça é perto da Baker Street.
― Oh meu Deus, vamos conhecer a casa do detetive mais famoso do mundo? ― Rose sorriu, seus olhos brilhando de animação.
― Oh, eu vou colocar apresentar um alienígena ao meu pai antes mesmo dele me conhecer. ― Os olhos de Caleigh ficaram vazios, focando um futuro distante. ― A Sra. Hudson vai me matar! ― O barulho parou indicando o fim da viagem.
― Ah, não pode ser tão ruim! ― Doctor abriu a porta da TARDIS e esperou as garotas passarem antes de segui-las para o lado de fora.
― Você definitivamente não faz ideia. ― E foi ao som da risada de Leigh que seguiram até a praça.
–x-
Outubro de 2013
Sherlock passou mais uma noite em claro, com seu violino entre o queixo e o ombro, soando uma triste melodia. Sobre sua mesa, agora estava mais sete telegramas além do primeiro. Três deles continham detalhes que apenas John e ele tinham conhecimento, com certeza enviados para provar a identidade do remetente. Os dois seguintes eram um endereço de um parque de diversões desativado e um número de telefone. Ainda não fora investigar nenhum dos telegramas, por estar tentando por seus pensamentos em ordem, uma vez que não conseguia ver como tudo aquilo se encaixava, como era possível.
E claro, havia os dois últimos telegramas que haviam chegado ainda naquela manhã, com uma hora de diferença, que eram os mais intrigantes. O primeiro, trazia um aviso confuso e sem sentido algum: “Cuidado com as estátuas.” Sherlock chegou a conclusão que se referia as estátuas da praça em que John havia desaparecido, mas não sabia o porquê. E o último era o único que de tão claro, era o mais confuso: “Confie em Caleigh Holmes” seguido por coordenadas geográficas. Não havia ninguém com este nome em sua família e segundo o mapa, as coordenadas eram de um lugar no meio do nada.
Quando a manhã chegou, Sherlock abaixou o violino, levemente consciente dos braços doloridos. Puxou um caderno de cima da mesa, cheio de anotações sobre o caso ― ter feito isso surpreendeu até Sherlock, que sempre se orgulhou de sua memória ― e mais uma vez revisou tudo. Sua chegada ao local com uma descrição precisa de tudo que encontrou, a ligação para Lestrade, a chegada da Scotland Yard, sua conversa com a jovem ruiva que se livrou habilmente de suas perguntas.
Não conseguia parar de pensar que ela sabia mais do que havia dito. Sua postura estava aberta e não parecia estar com medo, mas no instante que Sherlock a abordou, os olhos se arregalaram e a postura mudou, porém não demonstrou medo. Receio, talvez, que no momento Sherlock considerou ser por ela ter sido confrontada por alguém que estava numa investigação policial, mas no final da conversa, ele não tinha mais tanta certeza. A garota demonstrava uma preocupação e uma tristeza tão profunda que não conseguia esconder, por mais que tenha tentado.
Além disso, mesmo para uma noite fria, ela estava agasalhada o suficiente para um dia de neve. Porém, quando ele desviou a atenção por um instante ao atender um chamado de Lestrade, ela desapareceu. Procurou de todas as maneiras, sua rede de mendigos não viu sinal, e mesmo o sistema da polícia não a encontrou.
Chutou, frustrado, uma caixa que ficava em baixo da mesa, e o conteúdo se espalhou pelo chão. Ele não teria dado atenção, se não fosse um livro específico. Um com a capa com a ilustração da garota que encontrara meses atrás.
“O Primeiro Adeus de Caleigh Holmes por Arthur Conan Doyle, baseado nos diários de John Watson”, era o que estava escrito na capa. Abriu o livro, e na contracapa, na caligrafia de John, estava escrito:
“É hora de ligar para ela, Sherlock. Você já deve ter o número a essa altura.”
Ele pegou o celular que estava sobre a mesa e o telegrama, e começou a discar o número.
Junho de 2013
― Acabei de decidir que gosto mais da minha Londres ― Caleigh disse olhando as ruas semidesertas. ― Parece muito mais viva.
― Claro, com o surto de crescimento populacional! ― O Doctor apontava a chave de fenda sônica para o celular de Leigh. ― Vocês humanos são como coelhos! ― Entregou o aparelho a dona. ― Aqui. Eu já apanhei de uma mãe, não vou apanhar de um pai, ligue para o seu.
― E vai funcionar? ― Olhou desconfiada para o aparelho.
― Qual o tamanho da população em 2025, Doctor? ― Rose perguntou.
― Por volta dos oito bilhões, e a tendência é sempre aumentar!
― Esperem! ― Leigh parou de andar em uma esquina. ― Chegamos cedo demais, a Scotland Yard ainda está aqui. ― Os três observaram a movimentação da polícia que não fazia esforço nenhum para esconder sua confusão. ― Estão todos aqui... É estranho ver todos assim, mais jovens.
― Seu pai ainda está aqui? ― Rose perguntou.
― É, ele está. O homem alto com sobretudo escuro. ― Apontou, e sua voz soava triste. ― Sherlock Holmes, meu pai.
― Está tudo bem, Leigh?
― Não se preocupe, Rose. ― Forçou um sorriso. ― É só que eu não sei como agir se eu tiver que falar com ele, mas acho que é um encontro que não poderemos evitar. Vamos nos aproximar da área de isolamento. Tem muita gente ao redor, não vamos chamar a atenção e vamos poder ver os Anjos.
― Vamos, então! ― O Doctor tomou a dianteira e as duas garotas se apressaram em segui-lo.
O Doctor e Rose pararam perto de um dos carros da polícia, mas Caleigh se afastou um pouco mais, enquanto abria seu sobretudo. Apesar de ser uma noite fria para o verão, seu casaco era pesado demais.
― Com licença. ― Caleigh sobressaltou-se ao ouvir a voz rouca de seu pai. ― Você estava nos arredores a cerca de uma hora atrás?
Virou-se lentamente.
― Não ― falou com um sotaque escocês. ― Cheguei a pouco e só quis saber o que aconteceu. Você sabe?
― Um desaparecimento. ― Foi a resposta curta. Sherlock se aproximou, as mãos nos bolsos, e Caleigh sentiu o coração apertar ao ser escaneada daquela maneira, mas preferia mil vezes não ser reconhecida do que o contrário, que podia ser muito mais perigoso. ― Por que está usando essas roupas? Não está tão frio assim.
― Eu costumo sentir muito frio. ― Tentou sorrir. ― Só exagerei. Não é grande coisa. Não vou atrapalhar o seu trabalho, boa noite.
― Realmente não tem nenhuma informação?
― Não ― mentiu.
― Sherlock! ― Lestrade gritou, e Caleigh aproveitou que Sherlock se virou para se afastar e misturar a multidão.
Minutos depois, ela se reuniu com Doctor e Rose na esquina próxima a praça.
― E então, Doctor, o que você descobriu? ― Leigh perguntou.
― Não muito, vamos ter que esperar a multidão ir embora.
― Isso vai levar um tempo, não? ― Rose tomou a palavra.
― É, e ficar por aqui vai levantar suspeitas, já fui interrogada pelo meu pai. ― Caleigh colocou as mãos nos bolsos do casaco. ― E eu nem passei do toque de recolher.
― Você tem um toque de recolher? ― perguntou enquanto os três recomeçaram a andar para longe da praça.
― Eu não tinha, mas depois que Lestrade me pegou mexendo no banco de dados da polícia, meu pai teve que fazer um acordo para que eu não fosse presa.
― Você é mesmo impossível. ― Rose gargalhou.
O Doctor acompanhava a risada das duas garotas, mas parou ao ver uma pessoa do outro lado da rua. Seu rosto estava encoberto pelas sombras, mas a mulher ergueu a mão e fez um movimento para chama-lo antes de se virar e entrar no restaurante.
― Vocês duas vão indo para a TARDIS, eu vou... ― Apontou o restaurante. ― Comprar algo pro jantar. ― Sorriu.
― Então não seria melhor irmos jantar no restaurante? ― A autora da pergunta foi Rose.
― Nah! ― Fez um gesto de pouco caso. ― Comemos na TARDIS e pegamos um atalho, aqueles policiais vão ficar lá por um bom tempo, não estou afim de esperar.
― Ele é assim mesmo. ― Rose revirou os olhos para Caleigh quando as duas recomeçaram a andar.
Doctor esperou que elas estivessem afastadas e entrou no restaurante. O Maitre o guiou até uma mesa isolada, e o Timelord estaria mentindo se dissesse que seu queixo não caiu ao ver quem o esperava.
― Caleigh?
–x-
―... e tinha essa mulher, que mais parecia uma cama elástica, dizendo que era a última humana. ― Rose divertia Leigh com as viagens que já havia feito com o Doctor. ― E o mundo estava acabando e ela colocou Toxic da Britney Spears para tocar! Alias, como ela está em 2025?
― Ah, você sabe. ― Caleigh ainda tinha um tom de riso na voz. ― Lançando coletâneas de antigos sucessos, sendo perseguida por paparazzis e perseguindo eles também... ― Então parou de andar, retirando o celular do bolso. ― Como está tocando? Essa companhia telefônica nem foi criada ainda!
― O Doctor tem seus truques.
― Okay, vou apenas aceitar. ― Riu antes de atender a ligação. ― Alô?
― Caleigh Holmes? ― Ela conhecia muito bem a voz do outro lado da linha.
Retirou o aparelho da orelha para conferir o número. Ela não conhecia. Voltou o telefone a orelha.
― Sim, sou eu.
― Quem é você?
― Como conseguiu meu número? ― perguntou em um tom sério.
― Eu perguntei primeiro.
― Algumas respostas são perigosas, e essa é uma delas. Eu sou Caleigh, isso é tudo que precisa saber por agora.
― Eu recebi um telegrama com seu número. Um telegrama de um amigo que desapareceu.
― John Watson... ― Caleigh murmurou, mal percebendo o olhar preocupado de Rose. ― Primeiro o livro, agora isso!
― Você também sabe do livro? ― Sherlock perguntou com urgência. ― Você é a garota que encontrei na praça no dia do desaparecimento. Eu sabia que você estava escondendo alguma coisa!
― Ei, calma, tigrão! ― Revirou os olhos. ― Espera... o segundo livro está com você! ― Alarmou-se. ― Não leia, nem pense em abrir esse livro!
― Por que não?
― A mensagem não é pra você, é pra mim. Eu estou indo encontrar você e vou explicar tudo. ― Leigh trocou um olhar com Rose. ― A pergunta vai soar estranha, mas preciso que me responda mesmo assim. Que dia é hoje?
― Está me perguntando a data?
― É a forma de eu saber se já está na hora de você saber a verdade ― inventou, fazendo uma careta para Rose, que roía a unha.
― 23 de outubro de 2013.
― Tudo bem. ― Caleigh assentiu pra si mesma. ― Estarei ai assim que puder.
― Onde o John está? ― A pergunta veio apressada. ― E de onde vieram esses livros estúpidos que não existiam até pouco tempo atrás e agora estão aqui desde sempre.
― Você é realmente impressionante. ― Sorriu orgulhosa. ― Eu vou explicar tudo, eu prometo. ― Então, Rose agarrou seu braço, olhando para o beco atrás delas.
Caleigh não precisou pensar muito para saber o que significava.
― Agora, senhor Holmes, tenho que desligar. Não é a melhor hora ― falou com calma. ― Tenho que resolver alguns assuntos, assim que acabar, irei visitá-lo. Não esqueça: não leia o livro. Confie em mim. ― Desligou antes que pudesse haver protesto.
Afinal, ela tinha um Anjo para encarar.
–x-
― Como é possível você estar aqui? ― o Doctor perguntou sentado de frente a Leigh.
Ela sorriu enquanto exibia o Manipulador de Vórtex em seu pulso.
― Pra mim já se passaram dez anos, Doctor ― falou em um tom suave. ― Eu estou aqui porque você me disse que eu estaria. As coisas vão ficar bem bagunçadas daqui a alguns minutos.
―Você conseguiu? O que você queria?
― Uma amiga sua me disse que você era realmente ávido por spoilers. ― Caleigh riu, mas não chegou aos seus olhos. ― Não adianta me perguntar quem é, você ainda não a conheceu. De qualquer maneira, no seu ponto de vista as escolhas não foram feitas. Eu só estou aqui por que eu sou um ponto fixo no tempo, pelo menos desde a semana passada, no meu ponto de vista. Não tenha pressa, um dia você vai chegar aqui também. ― Sorriu. ― Claro que pra você vai demorar bem mais do que dez anos.
― Então, o que vai acontecer a partir de agora...
― Não vai me impedir de chegar aqui. É tudo que eu posso dizer ― afirmou. ― Eu não entendi na época, e não tenho certeza se entendo agora, mas vou desenvolver a minha tese de doutorado sobre isso. Porém, vamos ao que importa. Estou aqui para te dar três recados: primeiro, vai chegar a hora que eu terei que ir a um lugar sozinha e meu pai vai querer me acompanhar. É seu trabalho impedir. Segundo, você precisa pegar Rose e eu em 1881.
― O que?
― A julgar pelo horário... ― Consultou o relógio no outro pulso. ― Acabamos de ser capturadas por um Anjo Lamentador.
― Ah, não! ― Levantou-se, mas Caleigh bloqueou seu caminho com a perna.
― Ainda tem o terceiro recado, Doctor. Primeiro, você tem que ir em 23 de outubro de 2013 pegar o segundo livro com Sherlock Holmes. Eu vou precisar do livro em 1881. Nas primeiras páginas vai ter a data correta, mas não leia mais do que isso. É minha vida pessoal, seria rude! ― Sorriu, retirando a perna. ― Boa viagem, Doctor.
Agosto de 1881
― Onde nós estamos, Caleigh? ― Rose perguntou enquanto as duas se esgueiravam pelos becos.
Leigh revirou uns caixotes e pegou um jornal que não estava tão gasto.
― Como eu pensei... em Londres. Reconheci alguns prédios. O ano é 1881. É, parece que eu realizei meu desejo afinal. Então, Rose, que tal irmos conhecer o melhor amigo do meu pai?
Outubro de 2013
Sherlock estava enrolado apenas no lençol branco de sua cama, se servindo de chá na cozinha quando ouviu um som alto e robusto na sala de estar, acompanhado de uma grande ventania. Seguiu até o local segurando a xícara, e teve que usar de todo o seu alto controle para não derrubá-la no chão ao ver a enorme cabine telefônica azul que se materializou no meio de sua sala.
A porta da frente se abriu, e um homem narigudo e com jaqueta de couro saiu dela.
― Alô! ― exclamou, levantando uma mão em saudação. ― Eu sou o Doctor!
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