The Amazing Chronicles

4 Capítulo 2.1: O detetive


Notas iniciais
Olá pessoal. Primeiramente queria pedir desculpas a vocês por demorar a postar mais um capítulo da FIC. Aconteceu que eu senti certa dificuldades no quesito detalhe da história. Tentei detalhar um pouco mais conforme o Andylydon sugeriu. Eu acho que está bom o suficiente, mas não sei quanto vocês. Então tchurminha, vocês devem estar se perguntando: "por que capítulo 2.1?" Então. O capítulo 2.1 é uma extensão do capítulo 2. Sempre que vocês virem um capítulo como, por exemplo "11.1, 11.2" quer dizer que ele é um pequeno epílogo, cenas românticas narradas por Peter ou por suas namoradas ou até a narração de um vilão que começa se formar. É legal que dá um estilo diferente para a história, já que se tudo for narrado pelo Peter não saberemos como funciona a origem dos heróis. Agora vamos falar desse capítulo. Ele traz a origem do primeiro vilão do homem aranha nos quadrinhos. Ele foi um pouco difícil de fazer porque ele é um vilão que hoje em dia não é dada tanta importância, exceto os fãs claro. Mesmo assim procurei bastante saber dele para dar a origem ao personagem e o porquê dele escolher vida de crimes. Tive de adaptar muita coisa, então espero que vocês entendam. Bem, é isso. Aproveitem.

O Queens todo sempre foi muito tranquilo. Foi uma dor no coração muito grande para mim, ter de aterrorizar esse bairro no qual passei parte da minha adolescência.

Quando pequeno, morei na Rússia junto com meu primo Sergei Kravinoff nos anos 80. Mas a guerra fria me obrigou a mudar sozinho para o inimigo: EUA. Apesar das adversidades de sair do comunismo e ir para o capitalismo, fui bem recebido no país ‘inimigo’ ao meu em 1988, quando eu tinha 14 anos. O primeiro lugar que fui morar foi o Queens e logo consegui uma pequena quitinete de uma moça que nunca me esqueço: Katherine. Devia ter uns 27 anos na época e era mãe solteira de dois filhos da minha idade. Katherine era tão pobre quanto eu, mas parece que a vida fora lhe bondosa e ela tinha uma quitinete como herança do seu pai, colocada como locação, sendo o único dinheiro que dava para comprar o leite dos filhos.

Sergei sempre enviava o dinheiro que ele conseguia como caçador para eu pagar o aluguel já que eu estudava. O dinheiro para alimentação e transporte eu consegui trabalhando como entregador de jornais e vivi assim durante alguns anos.

Em 1992 quando eu tinha 18 anos, era conhecido como o rapaz das imitações. Sempre tive uma grande capacidade para imitar vozes e até para fazer maquiagens semelhantes à qualquer pessoa, independente da cor, altura, tamanho e estilo de andar. Logo fui apelidado com a palavra de um animal na qual usaria pelo resto da vida: camaleão.

No ano seguinte o camaleão atacou pela primeira vez. Era uma época fria de Dezembro e eu passava muita fome em casa todos os dias, principalmente pela manhã. Resolvi sair de casa naquele dia. Os primeiros flocos de neve começavam a cair. Quando havia saído para o trabalho ainda de entregador de jornais, vi uma padaria aberta e o dono do estabelecimento não estava. Num ato desesperado de fome resolvi entrar e roubar dois pães. Eu era apenas um jovem passando fome. Mas o dono do lugar não teve pena de mim e saiu detrás da caixa registradora com um taco de beisebol na mão.

Eu vou contar até 3 para você ir embora daqui, seu moleque — Disse o homem com raiva nos olhos.

— Eu estou com fome, senhor. Por favor...

— Não quero saber. Vai embora desgraçado.

Sem explicação uma fúria subiu dentro de mim e peguei a caixa registradora, jogando no rosto do padeiro, que morreu na hora. Pela primeira vez o camaleão assassinou alguém.

Usando minhas habilidades, me disfarcei de padeiro, escondi o corpo do padeiro e virei o dono do lugar. Tive também de forjar minha morte e criar uma máscara para que ninguém soubesse onde foi parar o menino russo do Queens. Foi dali em diante que minha vida como o mestre dos disfarces começou.

9 de Janeiro de 2014, 7:00 AM

Eu nunca fui de acreditar em maré de sorte e azar e pode até parecer contraditório o que vou falar, mas elas – as tais marés – me sobrevieram de forma muito rápida e mostraram que eu tenho de tomar cuidado e ter planos mais cautelosos se quero realmente coloca-los em prática. A maré de sorte veio quando o plano 1 de apagar Forest Hills e que serviria como um experimental para quando eu dominasse todo o submundo do crime, deu certo e funcionou conforme o planejado, mostrando a grande fraqueza da policia em termos de patrulha nos bairros ao redor da grande Manhattan e que eu poderia explorar tal fraqueza. Mas a maré de azar veio horas depois quando eu soube que um vigilante mascarado atacou meus ‘funcionários’ contratados, Montana, Dan Pomposo e Touro na companhia de energia na madrugada, atrapalhando parte dos meus planos.

Mesmo assim não fiquei por baixo ou com medo. Era necessário tomar uma atitude drástica antes que eu fosse descoberto. Era preciso ir até a companhia de energia, o campo de batalha entre o vigilante e os meus ‘funcionários’ e descobrir algum possível rastro desse ‘herói’.

Logo de manhã bem cedo, eu já estava sentado na cama. As preocupações quase me deixaram impossibilitado de dormir na noite anterior e me virei muito durante a madrugada, indo beber água na cozinha várias vezes. Fique imaginando diversas vezes eu sendo preso e a policia levando-me para a penitenciária. O camaleão. Preso antes mesmo de alavancar sua carreira de crimes.

E se eu for pego? Vou ficar a vida inteira na cadeia?

Tentei ignorar esses pensamentos negativos e fui até meu guarda roupa pegar tudo o que eu precisava para usar em minha missão investigativa. Um sobretudo cargo, camisa e calça preta, chapéu combinando com sobretudo, máscara de cera e um distintivo de detetive com o nome de Kevin Langton. Vesti todos esses trajes e apetrechos e fiquei praticando minha voz o máximo possível para quando chegar ao meu destino interpretar muito bem o personagem. Eu tinha de ser o mais perfeito possível.

Pouco antes de sair de casa, fui até a janela e olhei para o dia lá fora. Neve e mais neve tornavam quase impossível a minha visão das ruas de Hudson Heights e a ideia ‘trabalhar’ num final de semana causava-me um cansaço quase instantâneo. Isso tudo piorava quando vento batia com firmeza na janela que juntamente com seu barulho fazia uma sinfonia de terror.

— O dia vai ser longo — Sussurrei desejando que o frio não fosse tão intenso no Queens.

Optei por sair mais cedo do meu pífio apartamento na Rua 181 em Hudson Heights afim de chegar antes da investigação criminal que iria apurar todos os acontecimentos naquele terreno da companhia de energia e descobrir quem poderia ser o vigilante mascarado. Felizmente as ruas daquele sábado de manha estavam bastante vazias. Parte se dava por causa da neve e do frio que desanimavam as pessoas de saírem de casa e parte pelo terror tocado na madrugada anterior que até o clarim diário relatou, incluindo o ataque do maldito vigilante mascarado.

O já citado desanimo das pessoas para saírem naquela manhã me ajudou muito a chegar mais rápido até Rua 23 no Queens, onde estava o campo de batalha. Peguei a avenida Amsterdã e segui a rua do rio Harlem até sair na I-278W. Andei por três quilômetros pela não tão vazia (passei por uns 10 carros e um caminhão)estrada da I-278W e por fim cheguei nas ruas do Queens que estavam mais vazias ainda em comparação com as de Manhattan.

A neve de Janeiro apesar de não ser tão pior quanto a de Dezembro, cai com grande severidade sobre todo a Manhattan, deixando toda a cidade sobre um frio excessivo e fazendo as autoridades de impedir os carros de andarem nas ruas. Isso atrapalhou muito na minha busca pela Rua 21 e os limpa neves não haviam passado ainda naquele horário o que tornava tudo muito difícil, ainda mais com um carro sem correntes nas rodas como o meu.

Para piorar fiquei preso na Rua 21 durante quase quinze minutos. Um caminhão com um grande carregamento ficou parado bem no meio da rua, que por sinal era estreita, impossibilitando a passagem para a Rua 23. Era uma rua bem pequenina, cercada de prédios de apenas 3 andares para todos os lados da calçada. Era possível até ver fumaça sendo expelida pelas chaminés. A neve piorava tudo e meu carro não possuía aquecedor, deixando-me num frio sem fim.

— Como é que é? — Perguntei, buzinando com o carro — Vamos logo com isso.

Menos de dez segundos após ter reclamado, a porta do caminhão se abriu e me fora revelada a visão de um caminhoneiro barrigudo e bastante desleixado, que saiu do automóvel e andou em minha direção, olhando com uma expressão de bêbado e como quem trocando as pernas. Devia ter torno de uns 45 anos, era barbudo, usava casacos sujos, fedorentos e bem desleixados. Assim que começou a falar comigo, notei logo que o homem não era de Manhattan porque ele tinha um sotaque vindo do Texas.

— Olha aqui, rapaz — Falou o homem se debruçando sobre a porta do carro e exalando um hálito esplêndido — Nós está fazendo trabalho aqui e eu preciso entregar uns carregamentos pá essa empresa.

— Sim, senhor. Entendo perfeitamente. Mas é que eu sou detetive e preciso chegar a Rua 23 aqui perto para investigar um possível crime.

— Ah, sinhô, então tudo bem. Vou abrir caminho para o sinhô.

— Eu lhe agradeço.

O caminhoneiro caipira voltou para dentro do caminhão, ligou ele e dirigiu até a bifurcação que tinha entre a rua 22 e a 23, entrando na esquerda, na Rua 22. Eu segui meu caminho pela direita e entrei na Rua 23 que por sinal era tão parecida quanto a 21 com exceção da companhia de energia elétrica ao final da rua, na esquina com a avenida principal. Passei por toda aquela neve com o carro deslizando devida a falta de corrente e fui até o final da rua com bastante atitude e coragem.

Quando cheguei à companhia de energia elétrica, logo notei que a área estava interditada por dois simples policiais que faziam uma pequena patrulha pelo grande terreno. Havia apenas um carro de policia, o que facilita muito meu serviço de entrar no lugar e procurar por rastros do tal vigilante.

Estacionei o carro em frente ao meu destino, numa vaga entre a viatura e um carro comum e saí do carro. Os policiais olharam para mim, suspeitando de minhas intenções. Que cara chegaria ali naquela hora justamente em frente à companhia de energia? Atravessei a rua com a maior naturalidade, esboçando sorriso o máximo possível para evitar qualquer suspeita e mostrei meu distintivo de detetive.

— Pois não? — Perguntou um dos policiais colocando a mão sobre a arma.

Olhei rapidamente para o crachá de ambos e para suas expressões faciais. O nome do que colocou a mão sobre a arma, era Waters e o que apenas observou, Jacob. Ambos pareciam bastante desconfiados e assustados, esperando uma emboscada a qualquer hora. Waters era mais velho e consequentemente experiente. Jacob parecia ser menos experiente e mais impulsivo. Tanto é que quando apareci ele deu dois passos para trás

— Detetive Kevin Langton — Esbocei um sorriso enquanto tentava enxergá-los de tanto que ventava.

— Por que o senhor veio aqui? — Perguntou Waters um pouco mais tranquilo.

— Sou de NYPD e vim com objetivo de analisar algumas coisas do crime de ontem aqui na companhia de energia elétrica. Então..

— Tudo bem.

Que imbecis!

— Obrigado.

Pedi licença aos policiais e entrei no terreno. Era uma área muito grande com várias torres de energia que levavam milhares de cabos para debaixo do chão e ficava quase impossível encontrar algum rastro do vigilante já que as torres estavam ativas novamente e eu não podia entrar nas cabines onde controlavam tais torres. Então fui caminhando com as mãos nas costas e olhando para os dois lados. Aproximei-me de muitos contêineres de energia para observar alguma coisa que pudesse revelar a identidade do anti herói, mas não encontrei nada. Até tentei tirar um pouco de neve que estava sobre o chão, mas nenhuma evidencia fora encontrada. Resolvi voltar até próximo à entrada do terreno e vi uma parte do muro parcialmente depredada. Cheguei perto daquela destruição e procurei observar bem, que além de destruída mostrara bastante quebrado, como se um touro tivesse tentado quebrar o muro.

Touro

A fim de observar o muro há uma longa distancia, dei três passos ­– quase quatro – para trás. “quase quatro” porque no terceiro passo escutei um barulho e senti que havia pisado em algo.

Mas o que é isso?

Olhei para baixo e deparei-me com uma teia quase totalmente dissolvida no chão. Senti uma certa dificuldade em ver por causa da neve, mas consegui após forçar bem a visão. Agachei-me para poder pegar a tal teia, mas assim que toquei nela dissolvera por completo. Ainda sim foi o suficiente para mostrar tudo o que eu queria saber.

— Teia — Falei dando uma pausa para refletir — Isso me lembra aquele cara que fez sucesso durante alguns meses em Manhattan. Qual o nome dele?

— Falando sozinho, Senhor Langton?

Fui surpreendido pelo policial Waters que estava atrás de mim, observando-me com um sorriso levemente desconfiado e com mão na cintura, enquanto Jacobs estava bem longe, próximo a viatura que era possível ver de onde estávamos. Podia ser até um ótimo momento para matar aquele oficial chato, mas não teria como fugir do jovem rapaz que estava com uma arma na cintura. Levantei e procurei dar uma desculpa convincente àquele policial na minha cola.

— Pois é, policial Waters. Fui dar uma olhada aqui numa provável evidência de quem poderia ser o vigilante — Falei, olhando para chão e fingindo uma frustração — mas não vi nada.

— Mas, que pena — Lamentou o policial, cruzando os braços.

— Pois é.

— O senhor já acabou por aqui?

— Acho que já.

— Então é melhor o senhor ir logo. Daqui a pouco a imprensa estará aqui e acho que o senhor não gostaria de dar satisfações aos policiais locais do Queens.

Droga, não me lembro nome do cara que soltava teias.

Andei de volta para meu carro juntamente com Waters e fomos conversando naqueles poucos minutos que antecediam a minha ida para casa. Tenho de confessar que o cara deu-me uma ajuda incrível.

— Sabe — Fez uma pausa — andei pensando esses dias. Poxa, bem que aquele cara fantasiado podia ajudar a policia de Nova Iorque.

— “Cara fantasiado?”

— É. Que foi celebridade durante um tempinho há alguns anos atrás. Acho que o nome do cara é homem aranha.

Homem aranha. Deus lhe pague, Waters.

Durante um segundo meus olhos brilharam, tamanha a satisfação que tive quando Waters ajudou-me a lembrar o nome do vigilante mascarado. Cheguei a esboçar um sorriso de tamanha alegria.

— Olha, Waters. Muito obrigado por me ajudar nessa investigação.

— Ajudei?

— Sim. Você nem imagina tanto. Agora preciso ir — Disse apertando a mão do policial com muita satisfação — Continue com esse trabalho.

O policial teve uma miscelânea de sentimentos. Ficou confuso ao mesmo tempo dando sorrisos, achando que tinha feito um ótimo trabalho ao ajudar sem querer um detetive da polícia.

Agradeci mais uma vez ao policial, mas dessa vez fazendo um sinal de positivo para fora do carro e segui caminho de volta para Hudson Heights. Todas as informações que eu precisava, foram colhidas.

A teia desse palhaço fantasiada e a mesma do vigilante. Na certa ele usa o nome de Vigilante por causa da vergonha que passou dois anos atrás. Ah, mas esse aranha vai ver o poder do mestre dos disfarces.

Notas finais
Então, leitores. O que acharam desse capítulo? Comentem e digam o que achou. Me esforcei o máximo possível para melhorar esse capítulo. O que será que o Camaleão fará? Dou apenas uma dica para vocês. Leiam Amazing Spider Man #1, o primeiro quadrinho do homem aranha. E para quem não sabia disso, o camaleão sim é parente do Kraven o caçador. Ele também é russo. Só não consegui encontrar o nome dele para poder colocar no capítulo. Bem pessoal, espero que tenham gostado de verdade e se preparem que teremos outro capítulo logo logo Abraços :D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.