The A Team
1 And they say she's in the class A Team
Notas iniciais
Não vou irritar ninguém com as notas, quero que vocês leiam a história.
Essa é uma one bem levinha, diferente de Wipe Your Eyes, essa tem um final feliz ♥
Bom, taí o link da música:
http://www.youtube.com/watch?v=UAWcs5H-qgQ
Escutem, é muito linda.
White lips, pale face (Lábios brancos, rosto pálido).
Breathing in snowflakes (Respirando em flocos de neve).
Burnt lungs, sour taste (Pulmões queimados, gosto azedo).
Light’s gone, day’s end (A luz se foi, fim do dia).
Struggling to pay rent (Lutando para pagar o aluguel).
Long nights, strange men (Longas noites, homens estranhos).
Assisto a luz do dia sumir e dar lugar ao céu sem estrelas da noite. Seis e meia, hora de ir pro trabalho, se bem que isso para mim não é uma profissão, não uma profissão digna.
Vejo meu pai, Tristan McLean, largado no sofá, com um antigo jornal aberto largado sobre seu corpo, do tempo que sua cara estava estampada em todas as primeiras páginas por um novo sucesso no cinema. Meu pai tem um olhar triste e vazio desde que a sua carreira foi destruída.
Ele era um ator muito famoso, e era ótimo no que fazia. Porém um site de fofocas qualquer, disse que ele tinha se envolvido com as drogas e bebidas, e como todos acreditam no que a mídia mostra... Bem, já da pra saber o que aconteceu certo?
Depois disso ninguém o contratou para mais nenhum trabalho.
Teríamos dinheiro de sobra somente com os seus trabalhos, ele já tinha acumulado milhões apenas com dois filmes. O problema, é que meu pai ficou tão arrasado que se envolveu de verdade com drogas e a bebida.
Ele acabou com todo dinheiro que tínhamos, apenas com isso.
Tudo estava na medida do possível para sobrevivermos, porém a alguns anos atrás meu pai foi jurado de morte por ter uma divida com um pessoal do tráfico.
Ele ficou tão assombrado que largou o emprego, e agora está confinado em casa desde aquele dia. Às vezes eu o vejo sentado no sofá, com os olhos ligeiramente arregalados e amedrontados, com eles fixos na porta, com medo de que a qualquer momento alguém invada nossa casa e nos mate sem dó.
Por isso eu trabalho, todos os dias. Com o pouco que eu ganho, eu tento pagar todas as dividas do meu pai, apenas para eles nos deixarem em paz.
E claro trabalho também para ajudar as coisas aqui em casa. Meus dois irmãos mais novos, Percy e Tyson, estudam em uma escola aqui perto, e são motivo de sarro dos colegas por minha causa.
Termino de me maquiar e encaro meu reflexo no espelho.
Normal, olhar triste e cansado cobertos de maquiagem. Como qualquer outro dia de trabalho.
Caminho até a sala e ao chegar lá, vejo Tyson e Percy pintando alguma revistinha qualquer.
– Você já vai pro trabalho, Piper? – perguntou Tyson.
– Vou – respondi me agachando para ficar na altura deles.
– Vai trazer alguma coisa pra gente? – perguntou Percy me dando um beijinho na bochecha.
– Vocês sabem que é meio complicado, mas se sobrar algo hoje, eu trago – respondi.
– Promete? – perguntaram os dois em uníssono me estendendo o dedo mindinho.
– Prometo – respondi entrelaçando nossos dedos mindinhos.
Eles sorriram e voltaram à atenção para a revista que estavam pintando.
– Já vai Piper? – perguntou meu pai.
– Já – respondi pegando meu casaco.
Andei até ele e lhe dei um beijo na cabeça.
– Você é um anjo, Piper – disse ele com os olhos brilhando.
Dei um meio sorriso e caminhei até a porta.
As ruas eram iluminadas pela luz fraca dos postes, a neve tingia tudo de branco. As pessoas passavam apressadas e me empurravam às vezes.
Cheguei à esquina e fiquei ali, apenas esperando o tempo passar ou ver se alguém vinha aqui.
Cerca de vinte minutos depois, umas mulheres semicerraram os olhos para mim e vieram em minha direção, decidi ignorar isso e continuar olhando para a rua.
– Ei você! – disse uma delas puxando meu braço.
– Pode largar o meu braço? – perguntei arqueando uma sobrancelha.
Ela soltou o meu braço e fez sinal para que as outras se aproximassem. Quando as mesmas chegaram, ficaram me encarando de braços cruzados.
– Quem são e o que querem? – perguntei.
– Eu sou Drew – disse uma delas – Essa aqui é a Calipso, e essa a Rachel.
– Nossa bom saber. E eu com isso?
– Você está com isso porque você – disse ela apontando o dedo na minha cara – Está no nosso ponto queridinha, e isso não é permitido. Saia!
– Não mesmo, a esquina é pública, fica aqui quem quer!
Ela bufou e depois olhou para as outras duas.
Elas assentiram e vieram em minha direção, me segurando pelos dois braços.
– Me solta!
Drew se aproximou mais de nós e me deu um tapa no rosto. As outras duas me jogaram no chão e começaram a puxar meus cabelos.
Três contra uma, não tinha como revidar.
Uma puxava meus cabelos, outra me arranhava e outra me dava vários tapas consecutivos no rosto.
Eu já estava tonta. Percebendo isso elas me largaram no chão frio e começaram a rir.
Senti meus olhos pinicarem, mas eu não ia chorar não na frente delas.
– Nunca mais apareça aqui, entendeu? – perguntou Drew.
Permaneci imóvel e vi ela desaparecer no escuro com Rachel e Calipso.
Me levantei do chão assim que me recuperei um pouco e segui caminho para uma rua um pouco deserta. Me sentei na calçada e deixei as lágrimas caírem.
Sai do meu transe quando uma buzina soou perto de mim.
Me levantei e cheguei perto do vidro.
– Garota de programa? – perguntou o homem.
– Sou.
– Entra ai.
Assenti e dei meia volta no seu carro, abrindo a porta do passageiro e me acomodando no banco.
– Quanta a princesinha cobra? – perguntou ele pousando a mão na minha coxa.
– Saberá na hora... – respondi mordendo o lábio.
Odeio fazer isso, mas é a única maneira de acabar com isso de uma maneira mais rápida.
Ele assentiu sorrindo maliciosamente e ligou o carro, me levando para algum local, onde ficaríamos por no máximo duas horas, e depois nunca nos veríamos de novo.
And they say (E eles dizem que)
She’s in the class A Team (Que ela é da primeira classe)
Stuck in her daydream (Presa em seu devaneio)
Been this way since eighteen (Tem sido assim desde os dezoito)
But lately her face seems (Mas ultimamente seu rosto parece)
Slowly sinking, wasting (Está afundando, se desperdiçando)
Crumbling like pastries (Desmoronando como doces)
And they scream (E eles gritam)
The worst things in life come free to us (As piores coisas na vida vem de graça para nós)
Pov Jason.
– INFERNO, JASON! JÁ FALEI PARA NÃO FAZER ISSO! – berrava Reyna andando de um lado para o outro.
– EU JÁ FALEI QUE NÃO FIZ ISSO! – berrei de volta.
– Ah jura? Não foi o que pareceu!
– Pelo menos eu não fico me agarrando com outra mulher como você se agarra com o Octavian quando eu fico trabalhando na empresa até tarde.
Vi ela empalidecer e seus olhos ganharem um pouco de pavor.
– Pensa que eu não sei é? – perguntei erguendo as sobrancelhas.
– Você só abre a boca pra falar besteira! – exclamou ela.
Cansado de discutir sabendo que aquilo não levaria a lugar nenhum, peguei meu paletó e as chaves do carro.
– Onde você vai?
Ignorei sua pergunta e fui até a porta.
– Jason! Jason!
Deixei Reyna gritando meu nome dentro do quarto e fui até o outro quarto pegar uma mala.
– Jason Grace! – gritou ela entrando no quarto como um furacão.
Ignorei seus protestos e continuei socando as roupas dentro de uma pequena mala.
Passei por ela e fui até a saída
– Pra onde você vai papai? – perguntou Frank, meu filho.
Ele já estava com os olhos banhado em lágrimas, provavelmente por ter ouvido a discussão que ainda a pouco estava acontecendo.
– Eu vou passar um tempo fora, Frank – respondi lhe dando um beijo no topo da cabeça – Papai ama você.
Ele assentiu e me abraçou forte.
Desci as escadas com Reyna no meu encalço.
– Jason, onde você vai? – perguntou ela agarrando meu braço.
Fiz com que ela o soltasse e caminhei para o carro a passos largos.
– Isso não é da sua conta, Reyna.
Coloquei a mala atrás e liguei o carro.
– Vai me deixar sozinha aqui? – perguntou ela fingindo mágoa.
Ela se apoiou na janela e eu liguei o carro.
Acelerei e como ela estava com os braços na janela, ela caiu.
Ficou largada no chão gritando o meu nome até me perder de vista.
Dirigi sem rumo por horas a fio, pensando em algum lugar onde eu poderia ir para passar a noite. Na casa da minha família não, eles iam fazer minha cabeça para voltar lá e pedir desculpas a Reyna, e eu não quero isso.
Continuei dirigindo sem rumo, até que um ponto em especial me chamou a atenção.
Uma rua deserta e pouco iluminada. Tinha umas lojas ali, e na calçada de uma delas, havia uma mulher com a cabeça apoiada nos joelhos, provavelmente chorando.
Resolvi parar o carro, e ir até ela.
Pov Piper
Depois que tudo acabou e eu ia embora, ele não deixou.
– Ow, onde pensa que vai princesinha? – perguntou ele puxando meu braço.
– Embora.
– Ah, não. Vai ficar aqui, eu paguei por você...
– Você pagou por uma hora comigo – o cortei.
– Quê? De jeito nenhum!
O ignorei e me vesti.
Sai correndo para a porta com ele logo atrás de mim.
Cheguei ao primeiro andar, e ele agarrou meu braço com uma força desnecessária.
– Me solta!
– Não mesmo!
Comecei a gritar por socorro e algumas pessoas vieram me ajudar. Conseguiram me separar dele e eu corri desesperada para a saída daquele lugar asqueroso.
– Você não sabe com quem se meteu garota! – gritou ele.
– Sim, eu sei com quem eu me meti, e não tenho medo de você!
– Você não... Mas quer uma dica?
Ignorei sua pergunta e segui calmamente para a saída.
– Manda o seu papaizinho ter cuidado! – gritou ele com um tom ameaçador.
Congelei no lugar e o encarei por cima do ombro.
– Meu pai?
– Você acha que eu ia pagar duzentos reais para você se eu não soubesse quem você é? Eu sei sobre você garota, e sei que seu pai se meteu com o meu pessoal e tem uma divida enorme pra pagar. Só que... Acho que do jeito que você me tratou irei mata-lo da mesma maneira, mesmo se ele conseguir pagar tudo – disse ele dando um meio sorriso – Lembre-se, se seu pai aparecer morto e seus irmãos também, pode se sentir culpada.
Ele se soltou do aperto dos dois homens sem nenhuma dificuldade e virou as costas para mim.
Segui caminho até a saída e caminhei pelas ruas frias de Nova York, sentindo as lágrimas banharem as minhas bochechas.
Comecei a soluçar e me sentei em uma calçada que tinha ali e comecei a chorar de verdade. Coloquei a cabeça nos meus joelhos e abracei os mesmos, sentindo meu corpo balançar a cada soluço que escapava.
Escutei o barulho de um carro e passos se aproximando.
– Por que está chorando? – perguntou uma voz grossa.
Ergui minha cabeça e vi um homem lindo na minha frente.
Alto, forte, cabelos loiros um pouco bagunçados e lindos olhos azuis elétricos. Tinha um pequeno sorriso brincando nos lábios e um olhar meio aborrecido.
– Assuntos – respondi esfregando os olhos.
– E eu posso saber que assuntos são esses? – perguntou ele se sentando ao meu lado.
– Não sei. Não sei se posso confiar em você, nem te conheço.
– Isso não é problema – respondeu ele levantando e me ajudando a levantar também.
– O quê?
– Jason Grace, presidente das Empresas Grace, vinte e dois anos – disse ele divertido apertando a minha mão.
– Piper McLean, acho que pelo jeito que estou já da para saber o que eu faço, vinte anos – falei divertida apertando sua mão de volta.
– Piper... É um prazer – disse ele depositando um beijo na minha mão.
Soltei um pequeno riso e ele se sentou na calçada comigo.
– E agora? Já nos conhecemos, que tal me contar o que aconteceu?
– Aqui na rua?
– Tem razão. Venha, vamos para algum lugar.
– Tudo bem.
– Só uma confirmação... Por acaso você é...? – tentou perguntar meio encabulado.
– Garota de programa? Sim.
– Deve ser meio difícil para você... Ok vou pagar pela nossa conversa!
– Quê? Não! Não precisa.
– Eu faço questão, e não aceito um não como resposta.
Assenti e ele me puxou para seu carro.
Ele abriu a porta do passageiro para mim e depois se sentou no banco do motorista. Ligou o carro e saímos dirigindo pela cidade.
Ele dirigiu em silêncio e parou em frente a uma construção bem luxuosa. Luxuosa até demais para ser um dos locais que me trariam.
– Bom, vamos?
– Vamos.
Caminhamos até a recepção onde Jason pegou um quarto para nós e subimos. A mulher da recepção me olhou de uma maneira meio estranha, mas eu resolvi ignorar esse mero detalhe.
– Então... Que tal me falar um pouco sobre você e por que estava chorando?
Suspirei e me sentei em uma poltrona que tinha ali.
– Bom, a alguns anos o meu pai trabalhava como ator... Acho que você não conhece Tristan McLean...
– Nossa, eu adoro os filmes do seu pai!
– Adorava. Me deixe contar o resto, sim? Ok. Como você sabe que as pessoas da mídia influenciam muito em qualquer coisa, meu pai foi “chutado” pra fora das telas do cinema. Ele não era mais contratado para nada, como todos diziam ele estava “queimado”. Ele ficou tão arrasado com o que disseram dele que buscava consolo na minha mãe, só que ela morreu no parto do meu irmão mais novo, Percy. Ai sim, meu pai ficou arrasado. Ele andava cabisbaixo e chorando o tempo inteiro, as crianças estavam com meu avô, que morreu recentemente também. Mas naquele tempo, eu disse pro meu pai sair e arrumar alguma coisa que o distraísse. Ele saiu naquela noite e voltou com um cheiro forte de bebida alcóolica, e um comportamento meio estranho. Como eu era um pouco ingênua e achava que o mundo era perfeito, eu achava que tudo aquilo era relacionado à felicidade. Ele começou a sair todas as noites, e só voltava de manhã pra casa. Meu avô sabendo disso descobriu que meu pai tinha se metido com as drogas e com a bebida, se bem que a bebida não era o maior problema. Enfim, meu avô o amarrou na cadeira para evitar que ele saísse à noite e usasse as drogas, e isso funcionou. Foram seis meses de pura paz, ele arranjou um emprego e conseguia sustentar a gente tranquilamente com a ajuda do meu avô. Um tempo depois quando achávamos que estava tudo bem, eu vi meu pai chegar em casa correndo, trancar todas as portas e janelas com uma rapidez nunca vista. Naquele dia, meu pai mandou que eu fosse dormir...
– A quanto tempo isso aconteceu? – perguntou Jason.
– Hum... Uns dois anos.
– Oh, sim. Continue.
–... Eu tinha dezoito anos na época e atendi o pedido do meu pai. Quando eu levantei de madrugada, vi ele chorando e conversando com meu avô, dizendo que tinha uma divida enorme com o pessoal do trafico e que toda a família estava marcada para morrer se ele não pagasse tudo. Mas ele disse que não podia voltar para o emprego porque estava com muito medo, e meu avô disse que ia ajudar a gente. Meu pai suspirou aliviado e deu um abraço no meu avô. Na mesma noite, quando meu pai foi acompanha-lo no caminho de volta pra casa, os traficantes apareceram e mataram meu avô na frente do meu pai. Meu pai disse que eles falaram que “Se não pagar a divida, mataremos todos que são próximos a você”. Ele não tinha como voltar ao emprego e procurava uma solução para isso todos os dias. Até que eu dei a ideia de virar garota de programa para ajuda-lo a pagar tudo e até mesmo com o pouco que eu ganharia, sustentar a casa. Naquele dia ele disse que eu era um anjo na vida dele – contei com um meio sorriso – Enfim, tudo tem sido assim desde os meus dezoito anos. E agora, quando eu estava trabalhando, eu vi um homem que me chamou para ir com ele e eu fui. Fiz tudo que tinha que fazer... Enfim, na hora de ir embora, ele não me deixou ir. Comecei a espernear e xinga-lo e quando consegui escapar, ele disse que era do tráfico e que não ia deixar meu pai nem meus irmãos escaparem, mesmo se nós conseguíssemos pagar todas as dividas que meu pai tinha.
Ele ouvia tudo atentamente, de tempos em tempos assentia para mostrar que estava entendo tudo.
Quando eu acabei, ele me olhava com um misto de pena e admiração.
– Eu sinto...
– Nem complete essa frase.
– Tudo bem então.
– Mas e você? Por que esta tão... Sei lá, aborrecido?
– Dá pra notar? – perguntou ele dando um sorriso triste.
– Sim.
– Ok. Eu estava em casa, e quando minha esposa chegou ela começou a gritar comigo dizendo que eu tinha um caso com alguém por ai, e segundo ela eu não devia fazer isso. Me aborreci e joguei na cara dela que eu sabia que quando trabalhava até tarde na empresa, ela estava se agarrando com o Octavian pelos cantos, pensando em me enganar e ainda se fingir de anjo, eu já estou cansado disso, a muito tempo. Cansado de ser traído e ser motivo de piada para todo mundo.
Ele me encarou e viu que eu estava com uma pergunta no olhar.
– Sim, todos sabem.
– Ah.
Ficamos conversando por um tempo e eu vi que já eram duas da manhã.
– Ei, já esta tarde... – comentou Jason.
– Muito – falei.
– Vem, eu te levo pra casa.
– Ah, não precisa. Eu já vou indo.
– Espera – disse ele mexendo na carteira.
– Jason não precisa...
Ele me estendeu o dinheiro... Quinhentos?
– Quinhentos?
– Sim, quinhentos.
– Ah... Obrigada – disse encabulada.
– Eu vou te deixar onde te encontrei ok? Vou passar a noite aqui.
– Ok.
Chegamos ao térreo rapidamente e entramos no seu carro. Conversamos e rimos muito pelo caminho. Ele me contou mais sobre ele e eu contei mais sobre mim.
– Obrigada Jason – agradeci abrindo a porta.
– Ei, Piper! – chamou ele quando eu já estava indo embora.
– Oi?
– Seria pedir demais... Se eu quisesse te ver de novo?
– Não é uma má ideia – comentei sorrindo.
– Ok... Aqui de novo?
– Sim, mesmo horário, ok?
– Ok – disse ele rindo e dando partida no carro.
Continuei andando com um pequeno sorriso brincando em meus lábios. Ele era uma boa pessoa. Inteligente, legal, era um doce de pessoa. Não seria má ideia virar amiga de Jason... Seria?
Cause we’re just under the upperheand (Porque nós estamos sob a direção certa)
And go mad for a couple of grams (E ficamos por um pouco de gramas)
And she don’t want go outside tonight (E ela não quer ir lá for a hoje à noite)
And in a pipe she flies to the Motherland (E em um tubo ela voa para a terra-mãe)
Or sells love to another man (Ou vende amor para outro homem)
It’s too cold outside (Está muito frio lá fora)
For angels to fly (Para os anjos voarem)
Angels to fly (Anjos voarem)
– Oi pai! – falei sorrindo dando um beijo em sua cabeça.
– Oi meninos – cumprimentei meus irmãos que estavam entretidos brincando com um carrinho velho.
– Oi Piper! – responderam eles correndo para me abraçar.
– Eu trouxe uma coisa pra vocês – falei puxando dois carrinhos que havia comprado na rua.
Eles gritaram de felicidade e saíram correndo para a sala para brincar com os carrinhos novos.
Fiquei conversando com o meu pai por um tempo e fui me deitar, ansiosa para o dia seguinte, ou melhor, noite seguinte.
À noite...
Acho que era a primeira vez em anos que eu não ia para o trabalho com uma cara amarrada. Pela primeira vez em anos que eu estou feliz e sorrindo. Sorrindo de verdade.
Caminhei pelas ruas mal iluminadas, sabia que tinha que aturar vários homens grotescos no decorrer da noite, mas no final dela eu sei que valeria a pena.
Assim espero.
Chegando a onde eu sempre fico, sentei e fiquei encarando o céu sem estrelas da cidade. Tudo vem se encaixando nesse tempo, exceto por aquele cara que ameaçou minha família de morte por eu não ter ficado com ele por uma noite.
Mas eu acho que ele já se esqueceu disso.
Voei tanto que nem percebi um homem encapuzado vindo em minha direção. Não consegui ver quem era, pois ele estava com o capuz e cabeça baixa.
– Piper McLean? – perguntou ele.
– Sim?
– Hum... – murmurou ele chutando uma pedrinha.
Dei de ombros e virei às costas para ele.
Foi o pior erro da minha vida.
Assim que eu virei de costas ele encostou uma faca em mim.
– Andando garota, nem pense em gritar, entendeu? – murmurou ele atrás de mim, encostando a faca superficialmente para me fazer andar.
Ele fez sinal com as mãos para que um carro se aproximasse.
O carro se aproximou e ele me jogou dentro dele.
– O que é isso? – perguntei apavorada.
– Não lembra de mim, princesinha? – perguntou uma voz familiar.
Lembre-se, se seu pai aparecer morto e seus irmãos também, pode se sentir culpada.
Oh não!
– Você... Você é...
– Sou eu mesmo, lembra quando eu disse que você ia pagar? Então, está pronta? – perguntou ele dando um sorriso malicioso.
O cara que encapuzado ainda estava aqui, pressionando a lâmina contra minhas costas, para me impedir de qualquer ato de fuga. Que não vai acontecer porque não tem como.
Pov Jason
Piper era uma ótima pessoa. E era linda também. Ela parece um anjo e além de tudo ainda é batalhadora e ajuda em casa como pode, e eu admiro muito isso.
Estava contando as horas para vê-la, ela é uma das poucas pessoas que me entende. Ok que eu mal a conheço, mas ela se mostrou uma pessoa tão incrível, que foi impossível não gostar um pouquinho dela.
Pego meu casaco e as chaves do meu carro e desço até a recepção.
– Sr.Grace, vai se encontrar com aquela senhorita... Piper? – perguntou Quiron, o gerente do hotel.
– Vou sim, por quê? – perguntei.
– Por nada – respondeu ele sorrindo – Ela parece ser uma boa moça.
Assenti dando um meio sorriso e corri para meu carro.
***
Chegando lá, não vi Piper sentada ou parada no local combinado. Olhei ao redor e não a vi, não tinha nenhum ruído, tudo estava muito calmo.
Ela deve estar com algum cliente.
Esse pensamento me incomodou de alguma forma, mas resolvi ignorar.
***
Duas horas aqui esperando e nada dela. Sabia que isso nunca ia dar certo.
Quando eu ia dar partida no carro, vejo Tristan McLean correndo desesperadamente gritando o nome de sua filha.
Quando ele vê que não tem ninguém ali, seus joelhos cedem e ele cai no chão, possivelmente chorando.
– Sr.McLean! – chamei
Ele ergueu os olhos para mim e se levantou com um salto.
– Você, viu minha filha? Piper? Estatura mediana, cabelos castanhos, linda, parece um anjo.
– Não, eu não a vi. Vim aqui atrás dela também.
– Minha filha... Pegaram a minha filha – murmurou ele desesperado quase arrancando os cabelos.
– O quê?
Ele não me disse nada, apenas estendeu um papelzinho amassado.
Tem que aprender a educar a sua filha, Tristan. Como você não soube fazer isso, faremos esse farvozinho a você.
Ethan Nakamura.
Eu li o bilhete uma, duas, até três vezes sem acreditar no que eu estava lendo.
– Minha filha... Minha filha! – murmurava Tristan.
– Sr.McLean, se acalme, nós iremos atrás dela.
Ele assentiu e começou a passar a mão nos cabelos em sinal de nervosismo.
– Agora, onde o senhor acha que esconderam ela?
– Bom... Na época em que eu fazia parte daquilo eles sempre iam em uma montanha fora da cidade... – ele disse e seu rosto se iluminou – A montanha!
– Ótimo, vamos até lá então. Onde fica isso?
– Eu te mostro.
Pov Piper
Eles dirigiram por várias horas até chegarem a uma montanha. Não me perguntem como eles conseguiram subir aquilo de carro.
– Aqui, lindinha – disse um dos homens – Vai ficar aqui até conseguirmos atrair o seu papaizinho.
– O que vocês querem com ele? Meu problema é com você! – gritei enquanto eles me amarravam na cadeira.
– Hum... Se eu fizesse isso só com você, não teria graça.
Atrás dele tinha diversas facas e tudo que se pode imaginar que tenha alguma relação com a morte. Ou ferimentos graves.
– Agora, você fique aqui, eu tenho que resolver umas coisinhas – disse ele me dando um selinho.
Assim que ele virou as costas eu cuspi.
Vontade de vomitar. Cara do tapa olho nojento!
Ripped gloves, raincoat (Luvas rasgadas, capa de chuva)
Tried to swim and stay afloat (Tentou nadar e continuou flutuando)
Dry house, wet clothes (Casa seca, roupas molhadas)
Loose change, bank notes (Trocados, notas de banco)
Weary-eyed, dry throat (Olhos cansados, garganta seca)
Call girl, no phone (Garota de programa, sem telefone)
***
Pov Jason
– É ali! – disse Tristan apontando para uma montanha logo a frente.
– Dá pra subir de carro? – perguntei.
– Não sei.
– Ótimo, descubro agora.
Acelerei o carro e mesmo depois de quase despencarmos, eu consegui subir.
O local era enorme. Repleto de árvores em todos os lugares, o chão era de terra bem úmida, o que facilitava o silêncio. Logo a frente, atrás de muitas árvores, tinha uma cabana coberta pelo lodo nas paredes, e algumas manchas de limo também faziam parte da cabana.
– Bom, vamos lá – disse Tristan correndo.
Ele disparou por entre as árvores comigo logo atrás dele, chegando mais ou menos perto da cabana, não havia ninguém na frente, apenas dois homens que estavam dentro da cabana.
– Eles estão armados? – perguntei.
– Não faço a mínima ideia – respondeu ele – Mas por precaução, pega aqueles dois pedaços de pau ali.
– Parecem dois bastões de beisebol – comentei.
– Por isso são úteis, bom, vamos lá.
Entramos na cabana e ela tinha apenas um quartinho, era tudo muito mal iluminado, mas vinha uma luz fraca de um quartinho perto dali.
Vi duas silhuetas nas sombras e avancei um passo, com Tristan em meu encalço.
– Espera, temos que ter certeza de que eles estão com a Piper – murmurou Tristan.
Cinco segundos depois escutamos um grito fino, muito parecido com o de Piper.
– É eles estão com ela.
Tristan entrou na sala correndo, e eu não vi o resto porque estava tirando as amarras de Piper.
– Que tipo de traficante não tem arma? – perguntei.
– Sei lá – respondeu Tristan – Que bom que está bem Pips.
– É, pois é.
– Bom e esses ai? – perguntei me referindo a Ethan e o outro.
– Deixa eles ai – respondeu Tristan dando de ombros.
Voltamos para o carro e deixamos Piper em casa. Ela ficou olhando a janela com um olhar apavorado o tempo inteiro, e agora tem medo de tudo.
Chegando lá, Tristan me pede para levar a Piper para o quarto e assim o faço.
– Jason – chamou ela com uma voz fraca – Fica aqui?
– Tem certeza? – perguntei meio receoso – Você está tão... Frágil e fraca agora.
– Tenho.
Me sentei em uma cadeira que tinha ali e segurei sua mão.
– Que bom que está bem agora.
– É, foi assustador!
– Imagino.
Ficamos encarando o teto por alguns minutos que mais pareceram horas, até ela quebrar o silêncio.
– Você não é tão ruim – comentou ela.
– Hum?
– É o único cara de primeira classe que não me julgou pelo que eu faço, e o único que não me julgou pela minha história e pelo meu pai... Você sabe.
– Ah, sim. Obrigado.
– Por nada, só disse a verdade – disse ela sorrindo.
Aproximei meu rosto do seu, e assim que nossos narizes se tocaram, ela sorriu.
– Você também é uma mulher incrível – sussurrei.
Ela quebrou a distância que nos separava com um beijo.
Diferente dos beijos que eu trocava com Reyna, os de Piper são... Não sei, eles só despertam algo em mim, algo bom, que eu não vou deixar escapar.
An angel will die (Um anjo vai morrer)
Covered in White, closed eyed (Coberta de branco, olhos fechados)
And hoping for a better life (E esperando por uma vida melhor)
This time will fade out tonight (Dessa vez vai desaparecer a noite)
Straight down the line (Direto para baixo da linha)
(...)
And they say (E eles dizem que)
She’s in the class A Team (Que ela é da primeira classe)
Stuck in her daydream (Presa em seu devaneio)
Been this way since eighteen (Tem sido assim desde os dezoito)
But lately her face seems (Mas ultimamente seu rosto parece)
Slowly sinking, wasting (Está afundando, se desperdiçando)
Crumbling like pastries (Desmoronando como doces)
And they scream (E eles gritam)
The worst things in life come free to us (As piores coisas na vida vem de graça para nós)
Cause we’re just under the upperheand (Porque nós estamos sob a direção certa)
And go mad for a couple of grams (E ficamos por um pouco de gramas)
And she don’t want go outside tonight (E ela não quer ir lá for a hoje à noite)
And in a pipe she flies to the Motherland (E em um tubo ela voa para a terra-mãe)
Or sells love to another man (Ou vende amor para outro homem)
It’s too cold outside (Está muito frio lá fora)
For angels to fly (Para os anjos voarem)
Angels to fly, fly, fly (Anjos voarem, voarem, voarem).
For angels to fly, to fly, to fly (Para os anjos voarem, voarem, voarem).
For angels to die (Para os anjos morrerem)
Notas finais
Bom comentem, recomendem!
Ow people, eu cortei umas partes da música porque repetia, ok?
Bjos na testa :3
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