That Secret River
1 Único
Notas iniciais
Sei lá gente, eu shippava MuraAka mas aí eu cheguei na Teikou Arc no mangá e olha aí no que deu...
Cloc cloc cloc.
Quando Midorima foi convidado para passar as férias com Akashi em sua propriedade privada, não pensava que seria logo essa a primeira atividade à sua escolha.
Já estavam daquele jeito fazia uma hora. E exatamente uma hora atrás, Seijuro tinha garantido que depois de pegar o jeito, cavalgar era muito fácil. Que os cavalos eram calmos e treinados. Que não havia buracos por onde eles passariam. Que seria apenas um pequeno passeio.
Bom, que ele e suas mentiras queimassem no inferno!
- Shintaro, se você se segurasse direito o cavalo não estaria tão estressado.
Podia até ser verdade, mas o esverdeado não arriscaria. Ele estava agarrado ao pescoço do cavalo e o animal parecia de todo o jeito querer derrubá-lo. E como se não bastasse, a estrada por onde passavam era totalmente irregular.
“Um atalho” disse-lhe Akashi. “A rota convencional não nos leva pra onde eu quero ir”.
Por menor que fosse, podia ver o sorriso cretino no rosto do ruivo. Ele estava se divertindo às suas custas!
Seu cavalo relinchou e levantou um pouco as patas da frente. Não muito, mas o suficiente para fazer Midorima se desesperar. Resolveu aceitar o conselho de Akashi e se desprender do pescoço do animal ainda com um pouco de receio, mas pareceu funcionar.
O que ele mais temia era deixar seu item da sorte cair: um pente artesanal. Ficava o tempo todo checando se ele ainda estava na sua bolsa.
Devia estar ridículo naquelas roupas de hipismo, montando um cavalo ridiculamente grande e irritadiço. Enquanto isso, Akashi parecia um príncipe: sua égua prateada era calma e bela, as roupas lhe caíam bem e seu olhar superior (ao ver de Midorima) era realmente algo da realeza.
- Vamos um pouco mais rápido, agora que já se acostumou. Eles são treinados, para acelerar é só bater bem de leve com os calcanhares na barriga. Assim. – Akashi demonstrou, e sua égua começou a trotar.
Midorima fez o mesmo, mas forte demais. O animal disparou velozmente quase derrubando o esverdeado.
Aquela corrida o fez sentir vontade de vomitar, mas conseguiu contê-la.
“Vou cair” pensou em pânico. Tentou se lembrar qual era o comando para parar e quando se lembrou, imediatamente puxou as rédeas do cavalo.
Ele parou, mas parecia realmente estressado. Midorima não tardou em descer do animal assim que conseguiu clarear sua mente. Sentiu-se tonto e sentou perto de uma árvore.
Respirava fundo, lutando para não vomitar. Alguns instantes depois, Akashi apareceu e graciosamente desceu da sua égua com um olhar preocupadíssimo.
- Ele te derrubou? – disse, se ajoelhando e colocando uma mão sobre o ombro de Shintaro. O mesmo balançou a cabeça.
- Estamos perto de onde você queria ir? – ele perguntou.
- Sim, vamos a pé. Conduza Lua para mim, eu puxo o Guerreiro. – o ruivo respondeu, e assim fizeram os dois.
O caminho agora era praticamente dentro de uma floresta, mas ainda havia uma trilha e apesar de não haver muita luz, era um ambiente convidativo.
Após ter se recuperado do susto, Midorima perguntou com uma pontada de curiosidade:
- Foi você quem escolheu os nomes? Dos cavalos, eu digo.
O ruivo se virou para encará-lo com um pequeno sorriso.
- Da Lua. Minha mãe escolheu o de Guerreiro. Quando passaram a ser de nossos cuidados eram apenas potros, mas ele sempre foi gigante e por isso ela cismava que parecia um cavalo de guerra.
Midorima conhecia a mãe de Akashi apenas por fotos na casa do mesmo, o ruivo geralmente não parecia confortável ao falar sobre ela.
- Chegamos. – a voz cortante de Seijuro percorreu o local.
Os olhos do maior brilharam. Era um lago de água tão limpa que o fundo era completamente visível, em volta a grama era baixa e bem verdinha, a luz do sol entrava pouco por entre as folhas da árvore criando uma sombra confortável e uma brisa suave os refrescava. O único som que podia ser ouvido era o da água se movimentando e do canto dos pássaros.
- Isso... é muito bonito. – o esverdeado disse, ainda meio hipnotizado pela beleza do local.
- Eu trouxe algo para comermos, então se não se importar eu gostaria que passássemos a tarde aqui.
Midorima pensou um pouco, mas estava mais inclinado a ficar. Estava mesmo com fome e não queria ter que montar Guerreiro novamente tão cedo.
- Por mim tudo bem. – respondeu, indiferente.
Eles se sentarem em baixo de uma árvore com tronco grosso e comeram alguns sanduíches com suco de uva. Depois disso, ficaram apenas em silêncio. Aproveitando a presença um do outro e o momento de tranquilidade, fazia tempo que ambos não sentiam tanta paz de espirito.
Shintaro não sabia dizer quanto tempo passaram daquele jeito, mas nem precisou pensar para deduzir que foi bastante; o ruivo deu um bocejo, se espreguiçou e usou o colo do esverdeado como travesseiro.
- Ei. – o mesmo reclamou.
- Estou cansado e você deveria me agradecer por te trazer aqui. – o ruivo respondeu, fechando os olhos vermelhos. – É só um pouquinho, mas de qualquer forma me acorde antes de escurecer...
Midorima não tinha como e não iria recusar. Suspirou e voltou a prestar atenção à sua volta distraidamente, não notou quando inconscientemente levou uma das mãos aos fios avermelhados de Akashi e lhe fez uma leve carícia. O mesmo abriu os olhos na hora e Shintaro se surpreendeu um pouco.
- Desculpa, não gosta? – ele perguntou meio apreensivo.
- Não... eu só não estava esperando por isso. Pode... pode continuar. – o ruivo disse voltando a fechar os olhos.
O esverdeado continuou a brincar com as mechas ruivas do menor, o cabelo dele era tão macio...
Após algum tempo, Midorima percebeu que Akashi já dormia profundamente. Por alguma razão, tocar apenas o cabelo dele o deixava insatisfeito. Gentilmente, ele desceu a mão até a bochecha do ruivo e fez um carinho com o polegar. Desceu mais ainda a mão, tocando os lábios rosados do menor, pareciam tão convidativos...
Shintaro congelou aí. No que diabos estava pensando?! Mesmo se repreendendo mentalmente, não resistiu. Olhou em volta mesmo sabendo que não havia ninguém por perto e se aproximou, juntando os lábios de Seijuro com os seus. Durou muito pouco e em um instante Midorima já estava novamente acariciando os fios de Akashi e fingindo que nada tinha acontecido.
Não demorou mais dois segundos o ruivo abriu seus grandes olhos vermelhos e se sentou. Não parava de encarar o maior, já o deixando desconfortável. Seijuro tocou os próprios lábios com as pontas dos dedos sem entender muito bem, mas quando percebeu o desespero que Shintaro emanava abriu um pequeno sorriso.
Em silêncio, eles deixaram o lugar e só voltaram a se falar quando chegaram na casa onde passavam as noites. De noite, quando já tinham apagados as luzes, a última coisa que Midorima ouviu antes de cair no sono foi:
- Não sabia que você atacava pessoas adormecidas. Que perigo.
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