That Feeling Called Love
6 Sexto capítulo
Notas iniciais
A pele branca do rapaz era atingida por um fio de sol que escapava para dentro do quarto pela cortina mal fechada, já era dia e Stiles não fazia ideia de como havia ido parar ali – Scott talvez o trouxera pra casa, mas nem ele nem seu pai seriam capazes de o carregar escadaria acima e o colocar tão bem e confortável em sua cama – e foi ai que se lembrou de Derek. A noite anterior ainda estava clara em sua cabeça, agora doída devido a ressaca já esperada. Sitiles sempre bebera bastante quando pretendia se divertir, mas nunca havia esquecido nada que havia feito.
Tomou coragem, levantando da cama e indo em direção ao banheiro em busca de alguns comprimidos de aspirina, a cartela estava vazia. Levou a mão esquerda até o braço direito, coçando onde tinha ficado uma pequena listra vermelha devido ao sol. Calçou os chinelos, e ainda sonolento desceu as escadas.
Chegando na cozinha encontrou um Xerife preparando uma caneca bem grande de café, que quando viu o menino adentrando o local, arqueou uma sobrancelha pra ele. Stiles não entendeu muito o olhar do pai, então decidiu ignora-lo, indo em direção à geladeira cinza – que depois de anos ainda tinha alguns desenhos de um pequeno e relaxado Stiles colados. – pegou a caixa de leite o bebendo na sem copo mesmo, o menino nunca foi muito com o gosto do café. E foi então que percebera que a feição do Xerife, agora sentado a grande mesa da cozinha, continuava a mesma.
– Ele é só meu amigo! – gritou logo em seguida sentindo a cabeça doer mais uma vez – Ai!
– Eu não tinha perguntado nada.
– Você estava pensando. – passou a mão nas têmporas e começou a massagea-las.
– Você pode ler pensamentos agora?
– Quando eles são seguidos de uma expressão facial tão obvia, sim.
Agora o Homem jogava o resto do café na pia, lavando a xícara. Deu a volta na mesa, ficando atrás do filho que agora se sentava na cadeira do canto direito – era a cadeira de sua mãe, ela sempre sentava ali, o Xerife pensou – e colocou a mão direita sobre o ombro esquerdo do menino.
– Você sabe que você é meu único filho, e, apesar de tudo eu te amo, certo?
– Certo?! – Stiles respondeu meio que em dúvida, esperando pra ver onde o pai queria chegar com aquilo.
– E que você pode me contar tudo, exceto os detalhes que farão eu me arrepender de ter dito isso, e que eu vou te apoiar?
– Sim, pai, eu sei.
– Ok, agora eu tenho que ir. – depositou um beijo na cabeça do filho. – não me espere acordado. E ah! As aspirinas acabaram, tem dinheiro em cima do meu criado mudo.
#-#
Derek acordara bem, com dois pezinhos cobertos por meia fazendo cócegas em suas pernas, ele não precisava abrir os olhos para saber quem era, só uma pessoa que ele conhecia era dona daquele par de pés tão pequenos. Ele se virou para a coisinha miúda deitada ao seu lado, ainda de olhos fechados, a abraçando.
– O que foi meu amor?
– Minha barriguinha ta dodói papai.
As palavras soaram como um susto para o homem, ele em um segundo abriu os olhos se sentando na cama, jogando toda sua atenção para menina. A verdade era que quase não sentia os resultados da noite anterior, o máximo que sentia era fome, muita fome, por não ter comido nada em muitas horas. Mas isso não importava agora, ele havia voltado toda a sua preocupação para a menininha e sua dor.
– Que parte da barriguinha ta doendo, meu anjo?
– Aqui, ó. – a menina apontou para a barriga, o lugar indicava o intestino, provavelmente uma diarreia ou algo do tipo.
Derek levou rapidamente as costas da sua mão direita para a testa da menina, que deu uma risadinha de leve quando sentiu a mão gelada do pai. Logo depois fechando a cara, mas o que chamou a atenção de Derek, além da visível febre dela, foi um barulho – semelhante a um pum, só que maior – vindo da menina, e depois o mal cheiro.
– Ah meu bebe. – jogou uma mecha da franja da menina para trás da orelha dela. – vem, vamos tomar um banho.
Ele prendeu os cabelos lisos e curtos da filha, não havia necessidade de lava-lo, mas estava claro que o que a menina sem querer havia feito em suas calças, então precisava de um banho. Ela começou a chorar, disse que tava doendo demais, e que ela não tinha culpa, ela não era mais um bebezinho que fazia sujeira nas calças, mas que mais uma vez ela não teve culpa.
– Você me perdoa papai? – a menina perguntava entre soluços.
– Perdoar o que amor? Você não fez nada, não é culpa sua que você ta dodói, mas papai vai cuidar de você. – o homem segurou para não derramar algumas lagrimas também, não porque era algo muito grave, mas porque partia o coração dele ver seu anjinho daquele jeito.
Após o banho, Derek a vestiu apenas com uma camiseta dele, que a servia como um vestido, e uma calcinha. Levou ela até a cozinha, precisava agora hidrata-la. Fez um soro caseiro, e mandou a menina tomar “tudinho” como ele mesmo dissera. Não pode evitar uma risada vendo a careta que ela fez quando terminou de tomar aquilo.
– Tem gosto ruim papai, muito ruim!
– EU sei, mas é pra você ficar melhor, ta bom? – agora descia a menina de cima do balcão. – vai acordar sua tia, preciso ir comprar um remédio pra você.
Cora acordou, hoje, bem humorada. Desceu com Sarah no colo, contando uma piada sobre cachorros e tamanduás que Derek não conseguiu entender muito, sentou com a menina no sofá ligando no canal de desenho infantil.
Quando ajeitou a menina lá, enrolando-a numa coberta e fazendo um casulo, foi para a cozinha pegar alguma coisa pra comer. Queria de fato alguma coisa substancial, mas já ciente que a sobrinha não passava bem, pegou um maçã mesmo.
– Você pode olhar ela um pouco? Eu volto em meia hora. – perguntou, já pegando chaves, jaqueta e colocando a mão sobre a maçaneta.
– Sim senhor! – fez continência, o que soltou um sorriso da menininha em meio a coberta.
#-#
A farmácia estava lotada, claro, a única aberta em um domingo frio. Stiles, estava com o pijama ainda, uma calça xadrez, e uma blusa branca sendo coberta apenas por uma jaqueta marrom claro, que com certeza era do pai – provavelmente deve ter pegado no cabideiro antes de sair de casa sem prestar muita atenção. – o carro não foi necessário já que o estabelecimento ficava a apenas uma quadra de sua casa, e pelo cansaço e dor de cabeça que estava sentindo achou melhor não dirigir mesmo.
Suas mãos grandes e brancas foram em direção a prateleira, onde achou um pote de aspirina e o pegou, não sem antes derruba-lo no chão tendo que abaixar para pegá-lo. – “Droga Stiles, Droga!” – pensou assim que percebeu que aquilo apenas aumentara sua dor insuportável na cabeça.
Foi andando em direção ao caixa, tropeçando em algumas pessoas, a verdade é que um Stiles cansado era ainda pior que um Stiles bêbado. Esfregou as mãos no rosto, fazendo um barulho engraçado com os lábios antes de bocejar.
Estava se sentindo um belo de um lixo, na verdade até um lixo estaria se sentindo melhor pois ele não teria uma cabeça que poderia explodir a qualquer momento. – riu assim que viu até onde sua imaginação o levara – Algo na sua frente o chamou atenção, como ele não havia percebido antes?
– Derek Hale, deixe-me adivinhar, veio atrás de alguma coisa para curar a ressaca?
– Stiles? – o homem perguntou inutilmente, arqueando as sobrancelhas. Stiles não sabia, mas as vezes achava que aquelas duas lagartas na cara de Derek tinham vida própria.
– Eu reconheceria essa bunda em qualquer lugar. – apontou para a bunda do mais velho o fazendo, mesmo sem tirar a cara amarrada, corar.
Ignorou a piada do menor, afinal, não estava fim de cair nas provocações de Stiles, de novo. Sabia que era inútil, pois o menino apenas acharia graça da situação. Ele chamava o Derek de “Zangado” e de “Lobo Mau”, porque estava sempre de mau humor, e quando o Hale não sentia vontade de matar o menino, sentia vontade de beija-lo. Era uma constante agonia, então preferia simplesmente ignora-lo e continuar a fazer cara feia.
– Sarah está passando mal, dor de barriga. Eu só vim comprar alguma coisa para amenizar a dor e segurar a diarreia.
– Oh, — a expressão de Stiles agora mudou para uma expressão completamente preocupada, ele realmente se importava com o bem estar da menina. – e ela está bem?
– Melhor que você, eu acho. – riu do estado do rapaz. – Você quer ir vê-la?
– Ah Derek, não precisa, eu gostaria muito, mas não quero estragar “O Domingo Em Família” de vocês.
– Ta tudo bem. Agora passa cá essa aspirina, eu acho que isso custa um pouco mais de um dólar. – riu preparando na nota amassada que Stiles carregava na mão esquerda. Fazendo agora, o mais novo corar.
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Derek girou a chave abrindo a fechadura de casa, Stiles logo atrás – agora não parecia mais tão atingido pela ressaca, ele estava animado de volta a hiperatividade comum – e assim que o maior abriu a porta, ele saiu em disparada atrás da pequena que agora estava dormindo no sofá.
– Ela estava com febre, eu deu um remédio pra ver se passava e ela dormiu, ela parece melhor. – a adolescente quem falou assim que notou o olhar preocupado de Derek. – Oi Stiles.
– Oi, Cora! Quando tempo! – ele disse sem dar muita atenção para a adolescente, logo em seguida olhou para o moreno ainda parado perto da porta, ele estava triste, os olhos verdes agora quase azuis por pura culpa de um olho cheio de lagrimas que não desciam.
Ele agora se aproximou dos três no sofá, se ajoelhando em frente a coisinha pequena que mesmo esticada mal ocupava metade do lugar. – Ei meu amor, vamos tomar um remedinho? – agora acariciava a pele macia, levemente avermelhada por conta da febre que agora passava.
– Papai! – exclamou ainda abatida, mas não conseguiu evitar se animar quando viu o jovem pintado com um olhar carinhoso sentado ao seu lado. – Stiles, você veio me ver!
– Mas é claro que eu vim coisa linda, você acha mesmo que eu ia perder a maratona de Barbie hoje a noite? Lá em casa não tem esse canal maravilhoso, tenho que me lembrar de assina-lo.
A menina riu, mas logo depois se sentindo cansada esticou os braços para que o pai a pegasse no colo. Ele o fez, levando-a até a bancada da cozinha, mais uma vez, agora jogando os remédio sobre lá, e indo até a geladeira para buscar água.
Stiles estava ao seu lado, ajudando a cuidar da menina, e mesmo a dor de cabeça dele parecendo ter acabado, Derek pegou o pote de aspirina e entregou para o menino, que sorriu em retribuição e logo em seguida pegou o pote.
Sarah após tomar os remédios e fazer uma série de caretas em reclamação ao gosto deles, pareceu ficar molenga e sonolenta, sendo então, carregada por Derek até seu quarto. A cabeça dela em seu ombro, com os bracinhos rodeando o pescoço grosso do homem, a camiseta de Derek que ela usava, agora subia até a calcinha por causa da posição que Derek a segurava.
– Papai, não deixa Stiles ver minha calcinha. – disse agora mais sonolenta, coçando os olhos e virando a cabeça no ombro do pai, para ver o menino. – Stiles, você me espera para ver a maratona de Barbie?
– Sim senhorita, palavra de escoteiro. – e deu um beijo na testa na menor.
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Sarah agora estava dormindo em seu quarto como um anjinho, não parecia que iria acordar tão cedo, Cora aproveitando o ultimo dia do fim de semana para sair com Isaac, enquanto Derek e Stiles disputavam o controle remoto, sentados na cama do Hale, dividindo o mesmo cobertor.
– Não Stiles, nada de Star Wars ou qualquer outra coisa de nerd que você goste! – o moreno agora puxava o controle e mudava de canal.
– Claro, porque noticiário realmente é muito interessante. – desistiu, agora deitando na cama e virando de lado. Derek não pode evitar um sorriso vitorioso.
– Uau. – disse – eu realmente consegui perder uma discussão com Stiles Stilinski sem precisar usar ameaça física.
– Me dê uma folga, eu estou de ressaca. – agora escondia o rosto na coberta.
Eles ficaram por um tempo assim, o mais velho sentado, assistindo o noticiário, e o mais novo se mordendo para não levantar de debaixo da coberta e começar com a tagarelice. Estava ficando cada vez mais difícil para o jovem ficar assim parado e calado por tanto tempo.
– Você ta vivo ai em baixo?
– Sim, lobo mau, eu estou. – colocou só os olhos pra fora da coberta, procurando agora os olhos verdes do moreno.
“Puta merda” – Derek pensou – aquele magrelo, hiperativo, irritante, incrivelmente branco, de olhos cor de chocolate e sorriso que chegava a ser insuportável de tão perfeito. Ele queria socar Stiles, a cada segundo que ele passava com o mais novo e via aquela fofura, ele ficava ainda mais emburrado e o sangue subia em sua cabeça.
É claro que toda aquela raiva que ele sentia quando estava perto do menino era porque não queria se permitir amar ninguém assim de novo, e Stiles tornava isso tão difícil. Porque, como não se apaixonar por aquela coisinha ali, — que agora o olhava por debaixo da coberta, tão perto de si que pode até sentir sua pele arrepiando.- Sim, era disso que o ódio era sobre, Stiles ser tão amável quando Derek não queria alguém para amar. Não mais.
– Toma. – cedeu o controle para o mais novo, que agora levantou se sentando novamente. – Assiste o que você quiser, tudo bem por mim.
– Derek- Eu- Sou- Foda- E- Mando- Em- Tudo- Hale está me deixando escolher o filme?
– Não abusa. – fechou a cara, olhando mau humorado pro menino, novamente, erguendo as sobrancelhas.
– E se eu abusar?
Stiles, viu Derek se aproximando e pensou que a hora que o moreno finalmente perdera a paciência com ele havia chegado, ele estava ferrado, iria apanhar do grandalhão ali sem poder fazer nada pra se defender, afinal era um magricela sem forma física nenhuma e o máximo que conseguia fazer era encher o saco das pessoas até esgotar a paciência delas. – e foi o que aconteceu com Derek – pensou.
Mas foi surpreendido quando invés de um soco no olho (agora já fechado), sentiu lábios quentes encostando nos seus, o que o fez abrir os olhos de imediato, e assim que entendeu do que se tratava os fechou novamente e tomou a frente do beijo. Subiu por cima do moreno, colocando cada perna em cada lado dele, e assim que começou a penetrar com a língua foi muito bem correspondido. Aquele não era um beijo calmo e terno, mas sim um beijo desesperado da parte de ambos que já o queriam a tempo. Passou os braços pelo pescoço de Derek, que agora segurava sua cintura. O beijo quente e apaixonado foi apenas rompido pela falta de ar vinda mais pela parte de Stiles, e assim, fazendo os dois caírem em uma imensa gargalhada.
– O filho de Rosemary é um clássico e está começando agora. – olhou pedindo permissão ao mais velho que apenas o olhou sério em afirmativa.
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