Thantophobia

13 Good night , Lydia


Lydia Martin

Aos poucos do lado de fora do carro caíram calmas gotas de chuva que aos poucos se tornaram mais ferozes e ágeis. O céu refletindo a noite escura, com poucas estrelas, e claramente muitas nuvens deixava a estrada com um ar mas melancólico do que o normal. Ou talvez fosse eu. Tudo em minha volta parecia estar preto e branco, quebrado em mil pedaços, e eu não sabia o que fazer para concertar.

— Você quer que eu leve-a pra casa? – Stiles perguntou, me tirando do transe.

Não, obrigada.

— Claro. – espremi os lábios, tentando reprimir que algo a mais saísse da minha boca.

O humano ao meu lado me analisou, por mais alguns longos segundos, dos pés até a cabeça. Pude vê-lo bufar e apertar o volante com mais força do que já apertava. Foi minha vez de encara-lo.

— Lydia, você tem certeza que pode ficar sozinha? – perguntou, olhando para a estrada.

Eu não tinha, e não queria.

— Minha mãe está em casa, Stiles – falei. – Posso me cuidar sozinha.

— É diferente – disse, voltando a me olhar. – Sua mãe não sabe de tudo o que tem acontecido nos últimos dias.

— Você sabe? – perguntei, me mexendo desconfortável no banco. – Se sabe me diz, Stiles, porque eu não tenho a mínima ideia. Todas as pessoas que amamos e nos importamos estão morrendo, e eu só queria saber o porquê.

Ele também não sabia do que estava acontecendo, nenhum de nós sabia. Nossas cabeças e corações carregavam problemas e dor demais para que pudéssemos ser capazes de entender o que se passava à nossa volta.

Vi seu rosto suavizar por um momento e logo seu semblante se tornou rígido, parecia querer trancar a respiração.

— Eu sinto muito – disse. – Prometi que chegaríamos a tempo e falhei.

Arregalei os olhos deixando com que os absurdos que acabaram de sair de sua boca fizessem sentido em minha cabeça. Ele estava se culpando. Conhecia Stiles o suficiente para saber que nada do que eu, ou qualquer outra pessoa no mundo, o faria mudar de ideia.

— Todos nós falhamos – falei. – Eu e essa coisa de Banshee. O Scott por estar de mãos atadas, sem ter a mínima noção do que fazer. E você por prometer algo que não tinha certeza de que iria cumprir. Acredite, Stiles, a ultima pessoa que tem que sentir culpa é você.

Ele negou com a cabeça, olhando para o chão e em seguida voltou a me encarar, lancei um meio sorriso, sem mostrar os dentes, para conforta-lo e pareceu dar certo.

— Pode me levar até em casa? – perguntei.

— Não seria melhor se ficasse aqui hoje?

Sim, seria.

— Não quero incomodar – falei. – Você precisa de uma boa noite de sono.

— E você também – disse. – Vamos ser sinceros e admitir que você não vai conseguir dormir se for pra casa. Não é a única pessoa que precisa de companhia, Lydia.

— Tem certeza disso? – perguntei, vendo-o assentir. – Tudo bem então. Obrigada, mais uma vez.

Ele soltou uma risada abafada.

— Vamos entrar – ele disse. – Antes que essa chuva aumente.

Nos olhamos e corremos juntos para dentro da casa. Não havíamos nos molhado muito, até porque a chuva tinha cessado bastante, e agradeci por isso. Sem trocarmos nenhuma palavra fomos seguimos até o segundo andar e em seguida para o quarto de Stiles. Ambos estavam cansados, mas precisaríamos de um banho antes de finalmente dormir.

— Vou tomar banho lá em baixo – disse. – Você pode ver se tem algo para vestir no meu armário.

Sorri agradecendo e logo ele sumiu do meu campo de visão. Olhei para o instado, deplorável diga-se de passagem, das minhas roupas que estava encharcadas, não pelo pequeno contato que tive com a chuva aquela noite, mas sim por ter segurado Isaac nos braços em quanto o mesmo estava molhado.

Balancei a cabeça para espantar esses pensamentos.

Merecia uma noite de paz e sossego.

Peguei um casaco de moletom qualquer nas coisas de Stiles e segui para dentro do banheiro tomando um banho relaxante, mas que não durou muito. Quando sai do banheiro senti-me sendo puxada para cama, como se a mesma fosse um imã. Me deitei nela até ficar confortável e encarei Stiles entrando na porta do quarto com seus cabelos levemente molhados. Seus olhos denunciavam o cansaço, e suas bochechas que ele não tinha menor ideia do que fazer.

— Stiles, vem cá. – falei, dando espaço para que ele se deitasse na cama.

— Eu não sei se ...

— Anda logo – minha voz saiu um pouco mais grave. – Você está cansado e eu também.

Ele assentiu e andou até mim, ou melhor, até a cama deitando na mesma. Depois de se aconchegar ele virou-se de frente para mim, com nossos rostos quase colados.

— Boa noite, Lydia.