Thank You

5 Capítulo 5


A ultima vez que falei com Kevin foi quando, uma semana depois do dia fatídico, ele foi no meu apartamento atrás de alguns CDs que ele havia me emprestado, por muito pouco não os joguei pela janela para que ele não precisasse subir e eu ter que encará-lo novamente. Eu mesma não entendia toda a raiva que sentia ele naquela época, bem, talvez por eu ter perdido tanto tempo com ele, ou por realmente ter me iludido feio dessa vez.

O Ger ficou bem surpreso quando eu disse que eu tinha acabado tudo, não ele. Porque o roteiro das minhas relações amorosas é: eu me iludir e depois ser chutada e me acabar de chorar por alguém que meses depois eu perceberia que não valia aquele sofrimento. Com Kevin foi diferente, e eu esperava que fosse o primeiro de muitos, não que eu quesesse sempre chutar os meus casos, mas eu queria que algum desse certo e já que agora, pelo menos eu achava isso, eu estava percebendo quando estava perdendo tempo com alguém, seria mais fácil para eu achar alguém realmente ‘bom’ pra mim, em todas as definições possíveis.

E depois desse dia eu pude, finalmente, dizer que minha vida estava calma e boa. Eu trabalhava, saia com meus amigos, me divertia com eles e quando não tinha nada pra fazer eu ficava sem fazer nada com o Gerard. Mas lógico que ele ia junto quando eu saia com meus amigos, porque são os dele também, e lógico que ele se divertia também e lógico que ele trabalhava também, mas eu adorava chegar cansada do trabalho, ligar para o Gerard e chamá-lo para ver um filme, então eu ia tomar banho enquanto ele alugava o filme e vinha pra cá e depois passávamos a noite inteira conversando, calados, dormindo, rindo, fazendo qualquer coisa ou nada, mas era com o Gerard, o que fazia ser especial.

Em uma dessas noites, um mês depois da ultima vez que eu vi o Kevin, Gerard teve a brilhante ideia de comprar comida chinesa ao invés de filme, eu adorei a ideia. Ficamos deitados na minha cama conversando sobre a semana puxada que tivemos, pois quase não tínhamos nos visto naquela semana, ele disse que conheceu uma mulher no trabalho, que seria uma assistente de um cara rico e famoso de uma gravadora rica e famosa, enquanto eu tava no estagio de publicidade em uma multinacional. Então, ele disse que conheceu essa mulher, que era o tipo de mulher linda, bem sucedida financeiramente e solteira, mas que não parecia estar interessada nele, o que me fez resmungar:

- lésbica ou virgem.

Gerard riu alto não dando credito a minha conclusão.

Depois que terminamos de comer, alguma coisa no meu estomago começou a se revoltar lá dentro, sentei e esperei passar, mas ficava cada vez mais forte e corri para o banheiro, tentei fechar a porta antes, mas o Gerard impediu. Enquanto eu colocava todas as minhas vísceras pra fora senti minhas pernas fraquejarem e Gerard, que segurava meus cabelos, me ajudou a ficar de joelhos diante do vaso sanitário.

Pensei que não ia acabar nunca, acho que vomitei tudo que eu comi naquela semana toda. Gerard me ajudou a levantar e a caminhar até a pia, escovei os dentes enquanto ouvia o som da descarga.

- você está bem, Gwen? – ele perguntou baixo e preocupado, só assenti sem parar de jogar água no meu rosto, minhas mãos tremiam levemente e minha garganta ainda ardia. – será que tinha alguma coisa estragada?

- acho que não, se não você também se sentiria mal. – balancei minha cabeça um pouco e meus olhos se focaram na minha imagem no espelho, eu estava pálida e parecia bem abatida.

- tem algum remédio por aqui que você possa tomar? – ele fitava meu reflexo no espelho com o rosto desfigurado pela preocupação, sorri de leve e neguei balançando a cabeça, isso me deixou um pouco tonta.

- já passou, acho que alguma coisa não caiu bem. – virei para ele e dei de ombros, ele me puxou para seus braços.

- tem certeza? Não quer ir ao médico? – ele ainda falava baixo, quase sussurrando, envolvi a cintura dele com meus braços finos e assenti contra seu peito.

Notas finais

espero que gostem