Teste do Sofá
1 Uma proposta irrecusável
Notas iniciais
Hollywood, Los Angeles
Fox Studios, Galpão 7
04 de dezembro de 2014, 10h 07m AM
Merda!
No exato instante em que Logan avistara-o vagando pelo set de filmagens e sentando-se próximo ao buffet, ele sabia, no mais profundo íntimo de seus pensamentos, que aquilo tudo iria terminar em enrascada. E das grandes; afinal, nada pode ocorrer bem se Wade Wilson está presente.
Bryan Singer havia acabado de encerrar o primeiro turno de gravação. Logan seguiu para sua cadeira marcada e recebeu prontamente uma cerveja de um servente qualquer. Um assistente executivo logo se aprochegou e falou alguma coisa sobre sua performance nas filmagens; além, é claro, de pedir para pegar mais leve com os pobres figurantes durante as cenas de ação. Se o mutante nunca dava a menor atenção a estes puxões de orelha quando parecia estar atento, agora — que não tirava os olhos desconfiados da presença de Deadpool — é que o carcaju não conseguia sequer fingir dar ouvidos ao que lho era dito. O mercenário tagarela, que indicava não reparar estar sendo observado, atracava-se com um prato de chimichangas retiradas do buffet.
“Que por sinal estão impressionantes! Talvez tenham exagerado um pouquinho no alho, mas ainda estão boas. Preciso procurar a receita com o chef dessa bagunça aqui!”
— Você está me ouvindo, Logan?! — O auxiliar executivo asseverou. Todavia, Wolverine, desatento, azedava a expressão ao perceber Wade acenando escandalosamente para si. — Logan! Você está me escutando?
Somente então encarou-o de volta. Deu uma longa golada na garrafa. Em sequência, deu de ombros.
— Estou falando sério! Spencer já é o terceiro esta semana que você deixa hospitalizado. Não podemos gastar todo o dinheiro da produção com contas hospitalares! Então trate de maneirar com a figuração, ou vou passar a reduzir do seu cachê as dívidas com hospitais!
— Tanto faz… — rebateu entediado e bebeu outro gole de cerveja.
— Não trate isso como um conselho! E se o dinheiro continuar caindo assim, você bem sabe, não é? Alguns cortes de custo podem ser feitos para encaixarmos tudo no orçamento. Mas, se você não se importar em trocarmos a sua cerveja preferida por cervejas lights e sem álcool, ou quiçá umas limonadas, sinta-se à vontade para continuar me ignorando.
“Eita! O boyzinho aí pegou pesado, ameaçar as cervas do Wolvie é pedir para morrer… Vou até colocar mais pimenta nas minhas chimichangas!”
— Grr… — A borracha das luvas do carcaju rangeram quando ele apertou a garrafa com força extrema. — Eu posso tentar pegar mais leve, chefia... mas é tudo que posso prometer, — respondeu com os dentes apertados.
— Obrigado, Logan. Isso é tudo o que peço. — Sorriu sardônico e saiu dali com peito vitorioso.
Wolverine resmungou alguma coisa e terminou sua bebida. Os cacos de vidro espalharam-se pelo chão quando jogou o casco vazio próximo dali.
— Cadê o moleque da cerveja quando a gente precisa dele? — Observou os arredores atrás de um assistente qualquer que lhe pudesse trazer mais uma bebida gelada, mas não encontrou ninguém à vista. — Humf… — Suspirou conformado e pôs-se a retirar as luvas e a máscara do uniforme-X, também tratou de abrir o zíper do colante apertado e deixou seu tórax peludo à mostra; aquele traje justo sempre o deixava sufocado. Acendeu um charuto e tentou relaxar ali.
Logan mal teve tempo para fechar os olhos e respirar fundo, logo sentiu o cheiro da merda se aproximando. Os dentes rangeram e a expressão retorquiu-se antes mesmo da voz entoar. Ao que tudo indicava, seria um longo dia.
— Olá, Wolvie! Uma geladinha vai bem? — Wade segurava uma garrafa perto do carcaju.
Wolverine afiou o olhar. Encarou a máscara rubro-negra do homem à frente e teve a certeza de que, atrás do tecido, o maldito mercenário tagarela deveria estar com um sorriso amarelo estampado na cara. Na vã e descrente esperança de que se o ignorasse por tempo o suficiente ele pudesse achar outra pessoa para importunar, Logan concentrou-se em sentir o fumo quente preenchendo os pulmões. Baforou a fumaça contra o rosto de Wade.
— Qual é, Wolvie?! Você não é de negar uma dessas bem geladinha. Eu te conheço. Tá no ponto, olha só! — Cutucou o casco frio contra a têmpora do outro. O adamantium tiniu com as batidas. — Não é porque tem a cabeça dura que precisa ser sempre tão cabeça dura.
— Wade… — suspirou revirando os olhos.
— Jimmy...— rebateu energético enquanto ainda batucava o vidro contra o penteado estiloso.
— O quê que ‘cê quer, miolo mole? — perguntou irritado e pegou a bebida num puxão violento. Não demorou a dar um demorado gole. Estava realmente gelada a ponto de quase se sentir relaxado apesar de ter Wade ali, mas somente quase.
— Assim você me ofende, tampinha. — Sentou-se ao lado do carcaju e começou a comer mais um burrito. — Eu só... estava passando... por aqui por Hollywood... e resolvi passar... para fazer uma visita... ao meu baixinho peludo e marrento favorito — explicava entremordidas e de boca cheia.
— O quê que ‘cê quer, Wade? — Encarou-o com o olhar exausto.
— Nada… Só visitar os amigos importantes da minha vida — insistiu.
— E você não tinha gente mais interessante para visitar? O cabeça de teia, ou o caolho do futuro?
— O Parker não tá gravando nada na Sonny estes dias. O Cable, quem sabe por onde se enfia? E... até que eles são gostosos, mas não têm o seu charme animal, sabe? — rebateu numa malícia forjada.
Wolverine revirou os olhos de novo antes de virar toda a cerveja numa golada só. Outra vez jogou o casco para longe e começou a se levantar.
— Já que ‘cê não quer nada. Tenho coisa mais importante para fazer…
— Aff, Wolvie… Eu também tenho sentimentos, sabia? — Levantou-se apressado e impediu que Logan desgrudasse a bunda do assento. — Mas, certo, certo… você venceu. Eu vim aqui para fazer a você duas propostas irrecusáveis… — Encurralou Logan, que mostrou os dentes em desafio, contra a cadeira.
— Wade, eu juro que, se ‘cê me propor me juntar ao Team Red mais uma vez, eu faço questão de arrancar tua espinha e usar ela p’ra te empalar. — interrompeu-lo numa ameaça trincada.
“Droga, seria muito mais fácil convencer o Parker e o Murdock a entrar no time dos vermelhos com o Wolvie do meu lado, mas prioridades...”
— Hmmm… Okay, então eu acho que só tenho uma proposta irrecusável para fazer... Eu vim aqui lhe propor uma ajuda de benefício mútuo. Eu te ajudo, você me ajuda de volta, nós nos ajudamos…
— Desembucha antes que eu perca o pouco de paciência que eu não tenho, miolo mole.
— Wolviezinho, meu lindo. — Deadpool sentou-se nas pernas de Logan, enlaçando um braço em volta do pescoço do carcaju; o contraste entre o tamanho dos dois era evidente. — Eu queria propor que você me ajudasse, sabe, a levar, quem sabe, o meu filme pra frente. A coisa tá engavetada desde 2004… E você, que é uma figura tãããão importante aqui na Fox, podia mexer uns pauzinhos; cobrar, quem sabe, uns favorezinhos… e fazer o Wadezinho felizinho, quem sabezinho? — Começou a alisar o tórax peludo de Logan, provocante.
Por alguns instantes, as sobrancelhas de Wolverine curvaram-se perigosamente enquanto ele mordia o charuto preso entre os lábios. Encarou Deadpool confuso e, então, um sorriso de canto de boca — “Que daria inveja até mesmo ao Batman.”— deslizou-lhe pela barba. O que deveria ser uma risada engasgou-se-lhe como um grunhido à garganta.
Mais algumas engasgadas e Wolverine começou a gargalhar discretamente com Wade enroscado em seus braços. O outro, mesmo que estranhando a reação do carcaju, decidiu acompanhá-lo no coro de risos.
— Até que ‘cê consegue ser engraçado de vez em quando, miolo mole… Mas não acredito que ‘cê veio de Nova Iorque até aqui só para fazer essa piada. — Logan sorria. — Então, primeiro, ‘cê sai do meu colo antes que eu te despedace… E depois ‘cê me diz logo o quê que ‘cê quer, que eu posso ver o que eu faço… Aproveita o meu bom humor do dia.
— Errr… — Wade coçou a cabeça, desconcertado.
— ‘Cê não 'tava brincando?
— Errr… nope. — Se James pudesse ver através daquela máscara, teria visto um enorme sorriso amarelo de orelha a orelha.
Logan levantou-se e derrubou Wade no chão. Suspirou fundo e massageou os sobrolhos.
— Eu não sei como ainda me proponho a perder tempo tentando escutar as suas conversas, xará. — Deu as costas e começou a seguir para fora do galpão. — Nós já discutimos isto! Depois daquele fiasco, não dá para te ajudar, cara. Foi mal aí.
— Por favor, Wolvie! Eu nunca te pedi nada! — Atirou-se no chão e agarrou-se a uma das pernas do carcaju, que o ignorou e continuou caminhando, arrastando Deadpool à passadas desalinhadas.
— Nós já conversamos sobre isso antes, Wade! Da última vez que eu tentei te ajudar na tua carreira cinematográfica, ‘cê, sozinho, quase que fodeu meu filme por completo! Sem chance de eu deixar isso acontecer de novo! 2009 não pode e nem vai se repetir!
— Qual é, Wolvie! Me dá uma segunda chance! Eu juro juradinho que não te deixo na mão. Não precisa nem ser uma aparição num filme seu… Pode ser um filme só pra mim, mesmo. Eu não me importo. Se eu estragar tudo de novo, ‘cê pode dar um tiro na minha cara.
— Um filme todo só para você?! — Logan repetiu sarcástico. — A falta de noção de algumas pessoas realmente me constrange.
— Por favor, tampinha! Se você quiser, a gente pode até fazer como da última vez! — Deadpool escandalizava e todos escutavam e observavam a estranha cena no Galpão 7.
Logan parou de andar e olhou para baixo, fitou Wade com ferocidade armada.
— Que última vez? — Destilava fúria em cada nota.
— Ah, você sabe. Aquela vez que a gente tava bêbado na mansão do Chuck, em 2008, eu pedi uma palhinha no seu filme e você me deixou se eu…
— ‘Cê tá inventando coisas, camarada! — Logan interrompeu-lo, enrubescido. — Não lembro de história nenhuma na Mansão-X! — Os dentes bem poderiam trincar, tão apertados estavam.
“Ele fica tão fofo quando está envergonhado… Ou ele está só com raiva? Ahh… Mas ele fica assim fofo de qualquer jeito.”
Wade levantou-se e peitou Wolverine, impondo todos os quase trinta centímetros de diferença de altura entre os dois e fazendo o baixinho olhar para cima… Sabia que ele odiava isso com todas as suas forças, o que o fizera ficar ainda mais vermelho.
— Ah… Não, não, não… Não me venha com esse joguinho de amnésia não, Bilbo Bolseiro. Que eu não sou teus alunos, não, para ficar caindo nesses papinhos de eu esqueci toda a minha vida… As minhas merdas, eu faço; mas eu as assumo também.
— Grr… ‘Cê só pode estar ficando ainda mais maluquinho da cabeça, miolo mole! — As garras deslizaram ameaçadoramente para fora dos punhos.
— Isto é sempre uma ótima possibilidade... Mas você realmente acha que eu esqueceria daquela marquinha de nascença em forma de banana que você tem entre as bolas? Hein?
— Grr… — Wolverine ficou ainda mais ruborizado, bufava tão quente e tão pesado que era possível ouvir-lhe a respiração sem qualquer dificuldade.
— Mas, olha só, você tá tão vermelhinho que já dá até pra fazer parte do Team Red. — Wade apertou uma das bochechas de Logan. — Tão cute-cute.
Um arco prateado reluziu em tríplice no ar e Wade não teve qualquer tempo de reação. A mão que tocava a face de James, tanto como o antebraço ao qual pertencia, estava espasmando no chão. Um jorro de sangue pintara o piso cimentado do galpão. As lâminas de adamantium gotejavam o vermelho.
— Ouch! Isso foi completamente desnecessário, Jimmy! Não há do que se envergonhar! Suas bolas são lindas, grandes e macias, eu já havia dito isso antes! — Deadpool abaixou-se e pegou o braço amputado.
— Calado, Wade! — O animal praticamente espumava irado.
Deadpool segurou o braço decepado e estapeou Logan com a mão amolecida.
— Isso não são modos de tratar os coleguinhas, mocinho! — Dava uma bronca enquanto hasteava o membro mutilado fronte as fuças do carcaju, que iria iniciar um xingamento, mas outro tabefe da mão mutilada interrompeu-o. — Nada de palavrões em público, por favor. Chuck não o ensinou assim.
— Grrr...— Logan aproximou as lâminas do pescoço alheio numa clara ameaça.
— Calminha, Wolvie. — Suava frio. — Não precisa de toda essa violência com seu chapa aqui. Não com toda essa gente olhando.
Wolverine observou os arredores e o silêncio no set era palpável, todos estavam de olhos arregalados e estáticos, amedrontados, observando-o com as garras armadas ainda gotejando o sangue de Wade.
— Se ‘cê quer continuar essa conversa, vamos p’ro meu camarim. — Deu as costas sem nem sequer esperar uma resposta. Direcionou-se para fora do galpão.
— Humm… Então já está querendo me levar para um lugar mais íntimo, onde não possam ver sua marquinha de nascença?— Deadpool seguia-o ainda pendurando o braço decepado contra o coto para tentar cicatrizá-lo mais rápido.
— Ou um lugar onde eu possa te esquartejar sem ser interrompido — respondeu entredentes.
— Humm… Delícia! Então já começamos com a dirtytalk? Assim você me deixa duro… Não que eu já não estivesse desde que você decepou meu braço…
— Cala a boca, Wade!
“Por motivos de cortes orçamentários teremos um pulo de cena.”
“Escolhi uma coisinha para escutarem nessa passagem. Aproveitem esta música para relaxar.”
Hollywood, Los Angeles
Fox Studios, Trailer de Logan
10h 31m AM
— Então este aqui é o camarim da grande estrela dos X-men? — Wade adentrava no trailer apertado. — Que cheiro de sovaco! Mas fede menos que você, Jimmy. E é... aconchegante...
— Feche a porta. — Logan falou seco ao tempo em que se despia da jaqueta do uniforme-X.
“Ó, finalmente! Eu sinto muito, pessoal. Mas este momento é importante demais para que eu deixe nas mãos de um narradorzinho narrar o meu grande dia. O exato momento em que finalmente conseguirei um filme solo no cinema. Portanto tomarei as rédeas da narração...
É muito bom saber que depois de tanto, tanto, tempo, eu finalmente vou poder provar deste baixinho atarracado e birrento de novo. Não havia outro motivo para ele me chamar aqui, ele vai aceitar a proposta mais uma vez. E agora que ele tirou a jaqueta. Ó, tudo faz sentido. Seu corpo musculoso está suado, que vontade de lamber cada gota. É completamente másculo e peludo.
(Sabe, de vez em quando eu ainda sinto falta dos meus pelos, queria ter pelo menos as sobrancelhas e os cílios, talvez eu consiga arrancar alguns do peito dele e fazer uma par de sobrancelhas para mim… quiçá até uma peruca).
Ele abre a boca e fala alguma coisa. Acho que é algo importante, mas eu não estou prestando atenção na voz dele (pensar na narração e escutar os outros é mais difícil do que parece). E quem se importa com o que ele está dizendo quando eu posso estudar aquele traseiro grande e redondo apertado dentro de uma calça de colante? Vamos cortar todos os diálogos dele daqui para frente, okay? É mais interessante.
Ele parece bravo, mas ele sempre parece bravo, então acho que deve estar tudo de boa. E ele fica fofinho quando parece estar com raiva. Acho que ele está falando das maneiras que quer me foder aqui dentro. É tudo um pouco bagunçado. Fede a suor, a testosterona, a álcool. Fede a Logan, afinal este é o território dele. E isso me deixa realmente excitado…
(Queria saber onde é botão de avançar essa joça, li que tem lemon nas categorias marcadas, mas poderia chegar logo… As outras partes são blergh! Fui contratado para um PWP, não para esse lengalenga aqui!)
Agora ele me encara de revesguete e tira o charuto da boca. Blá blá blá… Continua a falar, mas eu não ligo. Aqueles olhos predadores me devoram. Hmmm… Vem cá, tigrão, me pega logo de jeito. Então Jamezinho me olha como se pudesse me matar a qualquer instante. Seu tórax definido e parrudo sobe e desce poderoso enquanto ele aproxima-se de mim. (Ai, meu senhor, eu já tô todo molhadinho. Meu cu pisca só de imaginar ele me pegando de jeito). Aquele baixinho maldito ainda lambe levemente os beiços e morde o lábio inferior. Era agora… Só poderia ser.
Está tão próximo que sinto o hálito fumacento dele. Intimidante, me prensa em uma das paredes. Puxa minha máscara e joga-a em um quanto qualquer. Uma de suas mãos segue até o meu cangote e aperta-o com mais força do que acho necessário, mas o Wolvie é assim, bastante bruto. Acho que ele vai me fazer ficar de joelhos e chupar ele, mas melhor esperar pelas ordens; gosto disso. A outra mão ele põe em cima do meu pau, acho que ele já pode sentir o quão duro estou. Sorrio faceiro para ele, que me aperta de leve. Hmmm… Sinto todo o tesão incrível dele.
Não dá para aguentar calado, eu preciso provocá-lo de alguma forma.
— Isso, garotão, me pega de jeito… — Wolverine aperta ainda mais o meu pênis. Adoro isso! — Hmm… gosta de apertar assim, não é? — A força aumenta.... demais! — Ouch, okay Wolvie, pode maneirar um pouc… Ai ai ai… — Espreme ainda minhas pobres bolinhas. — Já chega, tampinha, se continuar… ai ai ai ai… — Penico! Penico! Penico! — Assim, eu não vou poder usar elas.
Okay… tô suando frio aqui... não… n-nã… não dá pra narrar com as bolas esmagadas assim, não... vou devolver o microfone.”
Deadpool gritou fino e perdeu o ar quando o aperto foi levado ao estremo.
“Isso tudo é para se vingar de mim, narrador escroto?”
— Grr… — Logan continuava fervendo de raiva. Puxou-o pelo pescoço e, antes que Wade pudesse perceber o que realmente acontecia ali, acertou uma cabeçada contra ele.
“Vai precisar de mais que isso para me fazer implorar.”
Deadpool teve certeza de que escutara seu crânio rachar com o impacto. As costas escorreram pela parede metálica e ele prostrou-se de quatro completamente zonzo no chão.
“‘Tá legal. Foi mal, guri. Desculpa por assumir a narração sem mais nem menos.”
— Cara, eu sabia que você deveria curtir um sexo pesado, mas isso daqui é mais do que eu fantasiava, jurava que iria rolar só um pouco de couro e uns chicot…
Antes que pudesse terminar de falar, o mercenário tagarela era interrompido por um soco.
“Eu já pedi desculpas, caralho! (Mas pelo menos ele recolheu as garras. Isso é mais uma prova de amor.)”
— Certo, Wolvie, acho que a trilha sonora confundiu as minhas impressões. Melhor parar ela por aqui antes de continuarmos a conversa... — Tentava levantar-se, mas sempre que estava prestes a conseguir, levava mais um golpe que o fazia ceder.
“Você só pode estar de sacanagem!”
— ‘Cê prometeu, Wade! Prometeu que aquilo era assunto morto! Te dei o papel que ‘cê queria em Origens, ‘cê fodeu tudo e se queimou sozinho! Não ponha a culpa em mim! ‘Cê ia ficar em silêncio e pronto, nunca mais ia tocar no que aconteceu naquela noite. — Esbravejou e por fim afastou-se de Deadpool, que continuou derrotado no chão, esperando seus ossos e suas entranhas consertarem-se.
“Obrigado! Filho da puta...”
James puxou mais um charuto e sentou-se no sofá, mostrava-se sutilmente mais calmo, ainda que sua respiração estivesse descompassada.
— Acabou, Jéssica? — Tossiu e uma golfada de sangue sujou o carpete. — Então, Wolvie, me fala a verdade. Ou eu que chupo muito mal e você ficou traumatizado, ou você que é muito homofóbico a ponto de negar que gostou do meu boquete?
— Hã? Homofóbico? Quê que ‘cê tá dizendo, miolo mole? — Além de bravo, agora, estava confuso.
— Ué, você não tá assim porque ficou com medo de todo mundo saber que você curte homens? Ainda mais homens como o Wade Gostosão Wilson aqui?
— ‘Cê é surdo? O que foi que eu acabei de te falar? — Encarou-o perdido. — E todo mundo já sabe que andei ordenhando o Hércules nuns universos paralelos por aí, camarada. Não é nada público, mas também não quer dizer que seja algo secreto. Não acredito que ‘cê tá me chamando de homofóbico, xará.
— Ah, então você me espancou só pela vontade de me espancar? É um nível de sadismo que explica tudo! E agora eu já estou de pau duro de novo, por sinal.
As sobrancelhas de Wolverine enrolaram-se em dúvida.
— Xará, eu te bati forte na cabeça o suficiente para ‘cê esquecer a conversa toda que a gente teve nos últimos cinco minutos, é isso? — Questionava impaciente, beirando o enfurecido.
— Err… Na verdade... Eu meio que estava ocupado demais desejando este teu traseiro (que por sinal fica Incrível neste traje) para prestar atenção no que você dizia… Foi mal... — desculpou-se.
Logan, descrente, observou-o com um olhar vazio por alguns segundos; ponderando internamente o que faria com aquela informação. Parecia algo completamente fora da realidade a maneira como aquela criatura nociva se comportava. Então, quando enfim pareceu retornar ao seu corpo, respirou fundo e massageou as têmporas.
— Eu ainda não sei o porquê de eu simplesmente não te despedaçar e te colocar em vários frascos com nitrogênio líquido, ferinha.
— Qual é, Wolvie. Você sabe que essa sua bunda é irresistível. Não sabe?
— Cala a boca, Wade, antes que eu corte tua língua — bufava.
— Certo, certo… Mas, então, por que você fica todo estressadinho se eu falar daquele dia em que eu lambi essas tuas bolotas deliciosas?
O mutante peludo contou mentalmente até três, tentando buscar paciência em algum universo paralelo antes de dar continuidade ao papo.
— ‘Cê, por algum acaso, já ouviu falar de ética de trabalho, Wade?
— É… — ponderou por alguns segundos. — É aquela coisa de… Err… Eu tenho certeza que tem algo a ver com não matar colegas de trabalho, não é?
— Quase... — Tentava manter calma.
— E me espancar até a morte dentro do seu trailer está de acordo com essas éticas? — Cuspiu um dente para longe ao tempo em que se erguia.
— ‘Cê fala como se pudesse morrer.
— Detalhes, detalhes…. — Mancou dolorosamente até o sofá.
Logan baforou enfadonho.
— Então... Se vazar na imprensa que eu te ofereci um trabalho, uma palhinha, a merda que for, por favores sexuais; os burocratas de plantão e os juízes de facebook vão cair de pau em mim com multas, advertências e textões na timeline.
— E desde quando o tampinha tem medo de advertências e textões? — Tentava encaixar melhor o maxilar quebrado.
— Medo? Não é pra tanto. Mas já tô cansado dessa merda toda. Acho até que o meu próximo filme solo vai ser o último — desabafava. — Odeio politicagens e burocracia, não aguento mais todo mundo puxando meu saco pra fazer isso ou aquilo, fanbase torrando a paciência, e milhares de merdas que não me valem nem a memória. Tô de saco cheio disso tudo!
“Nossa! Será que essas bolas estão mais cheias do que já são normalmente?"
— Pobre pequenino Wolvie. Está sob tanta pressão — rebateu com tom infantil e despenteou a cabeleira dele.
Logan revirou os olhos.
— Não preciso de mais reclamações pro meu lado. Eu acho até que mato o próximo executivo metido a chefia que vier tentar me dar ordens… Então, Wade, se esses rumores ficarem evidentes, vai pegar mal para mim, para a empresa e, no final, também afeta você. Por isso, fica de bico calado! Entendeu tudo agora?
— Acho que sim… Tá me dizendo que eu tenho que te chantagear com a nossa noite de 2008 para te convencer a me ajudar a produzir o meu filme. É isso?
— Wade?! — asseverou enfurecido. Tenso, mostrava um pouco de preocupação.
— Qual é, Jota? Você sabe que jamais faria isso com você. Wade Winston Wilson é capaz de muitas coisas, mas nunca de quebrar o Código dos Brothers. — Estendeu o braço e apoiou a mão no ombro de Logan, apertando com certa docilidade. — Eu provavelmente vou continuar tirando sarro dessa história por muito tempo, mas ela ficará entre nós, afinal, não há nenhuma prova concreta dela, não é mesmo?
Por mais incrível e inacreditável que fosse aquilo, havia certa lógica no que ele dizia.
O silêncio interditou a conversa por alguns instantes constrangedores para Logan, que finalmente conseguia ver um lado confiável naquele mercenário maníaco. Outra vez, um pesado sorriso de canto de boca alinhou-se naquela barba rabugenta. Perguntou-se mentalmente o que o professor-X faria se estivesse ali naquela hora.
— Foi mal... pelo estrago nas tuas fuças. — Usou o tom mais sutil que conhecia.
— Ah, que é isso? Relaxa. Não tem como ficar pior do que já sou, não é mesmo?
Ponderou.
— Não é tão grotesco depois que a gente se acostuma. — Desviou o olhar.
— Isso foi um elogio, Wolvie? — Sorriu malicioso.
— Sei lá... — rebateu, corado, com mais um sopro fumacento para o alto.
— “O Wolviezinho fica tão tão fofo quando está tentando fazer elogios, não é, gente?”
— Hã… O quê? Com quem que ‘cê ‘tá falando? — Logan retorquiu o nariz.
— Er… Eu falei isso em voz alta? Foi mal.
— Qual diabos é o problema contigo, miolo mole?
— Ainda estão tentando descobrir. Mas eu te aviso se tiverem algum resultado.
Logan, bufando desnorteado com aquilo tudo, levantou-se e dirigiu-se a um pequeno frigobar que havia no trailer. Retirou duas garrafas de cerveja e voltou para o sofá. Entregou uma a Wade, que aceitou de bom grado.
— Por que este interesse repentino em estrelar um filme, miolo mole?
— Eu fiquei meio frustrado com minha última (e única) aparição. E ultimamente estamos com tantos filmes e séries protagonizados pela galera de trabalho que eu fico boladão por ter jogado fora a minha chance.
— Entendo. — Bebericou a gelada.
— Você com sua saga. O cabeça de teia já na segunda saga dele. Até o cegueta com um filme (tudo bem que foi um fiasco) e uma série no currículo... E eu aqui! Com uma péssima e terrível participação num filme teu. Fica complicado ser o único membro do Team Red a não ter fama nas telonas. — Um muxoxo mirrado alinhou-se-lhe na boca deformada.
Wolverine observou a expressão abatida de Wade. Mais uma vez, conseguiu perceber aquela sensação estranha de insegurança incomodando dentro do peito, mas ousou ignorá-la; mesmo farejando toda a merda que fedia no horizonte. Lembrou-se outra vez da positividade de Charles Xavier.
— Tá certo, miolo mole. — Suspirou profundamente no que poderia ser o maior arrependimento de sua carreira.
— Como é?! — Os olhos arregalaram-se brilhantes.
— Tá certo, vou te ajudar. — Apagou o charuto num cinzeiro próximo.
— Ah, Wolvie, não brinca com meus sentimentos assim, cara. Se você estiver de sacanagem eu vou ficar realmente triste! — O coração entalava na garganta.
— Tem um ferinha aí que eu conheço, um tal de Tim Miller. Ele meio que está querendo entrar no mundo da direção, mas ninguém ‘tá dando uma chance p’ro cara. O Reese e o Wernick ‘tão me devendo uns favores, também... Vou ver o que posso fazer. Não prometo nada grandioso, mas acho que dá para sair algu…
Deadpool interrompeu James, enroscando-se em seu pescoço num abraço impetuoso. Segurou a cabeça dura dele, depositando beijos por todos lados; testa, bochechas, queixo, nariz, pescoço…
— Tampinha, alguém já disse que você é o maior? — Wade não parava de abraçar, beijar e esfregar-se contra Logan.
— Algumas vezes… — Tentava dissolver o sorriso que se desenhou no próprio rosto, mas se flagrou contagiado pelo humor inabalável do companheiro. Afagou a cabeça careca de Wade numa carícia fraternal.
— Eu acho que estou apaixonado por você, agora!
Logan desdenhou com um chiado esquisito; e todo o mau-humor retornara para suas fuças amargas.
— Ainda tenho tempo para me arrepender disso, Wade. Não força a barra. — O mutante estava claramente incomodado com aquela situação, mas não de uma maneira certeira.
“Forçar que barra? Essa dura entre as minhas pernas? Ou a entre as suas? Faça a piada, Wade. Faça a piada. Faça a piada...”
Mas ela não veio.
— Obrigado, tampinha. Muito obrigado. — Foi tudo que pôde dizer naquela hora.
Abraçou-o da maneira mais carinhosa que conseguiu. Então aconchegou-se no tórax largo de Logan, o coração forte dele batia vigoroso dentro do peito. Wade explodia-se de felicidade por dentro. Deveria estar saltando e atirando para todos os lados, procurando miolos para estourar, ou estourando os seus próprios, mas não sabia como reagir àquilo tudo… James era um cara sério, rígido e muitas vezes mostrava indisposição para tratar de assuntos alheios; mas, independentemente disso, ele sempre acabava ajudando quando alguém pedia por seu auxílio. Fazia-se de indisposto, é verdade, de aborrecido, de estressado, martirizava-se e detestava receber agradecimentos exagerados… mas, no fundo, todos sabiam, ele sentia-se bem ajudando mutantes — " Principalmente se esta ajuda envolvesse matar outras pessoas". Chuck havia mudado-o de verdade, afinal de contas.
O mercenário tagarela estava tão, mas tão, bem que queria somente fechar os olhos e aproveitar aquela sensação de sonho realizado. As mãos ásperas do carcaju alisando-lhe a cabeça — de uma maneira mais grosseira do que poderia ser considerado agradável, mas ele fazia o seu melhor ali — confortavam-no ainda mais. Numa resposta (quase) involuntária, Deadpool enroscou os dedos na pelagem escura do peito alheio e começou a alisar Wolverine. Velejava no subir e descer da respiração vigorosa. Era uma sensação pacífica.
Todavia, como não poderia ser diferente em se tratando daquele mercenário tarado — “Adoro elogios cafajestes”—, Wade logo começou a sentir um familiar e agradável formigamento pesando entre as virilhas… E as ideias capciosas surgiram.
Não ponderou muito antes de reagir aos pensamentos. Afinal, pensar muito não fazia parte de sua essência. Mexer com Logan era sempre um ofício perigoso, e os riscos de ser estripado, esquartejado, decapitado e mutilado somente aumentavam o tesão daquele instante. Era raro encontrar aquela criatura feroz e selvagem tão dócil e acessível como naquele dia. Como ele bem já havia dito, Deadpool tinha que aproveitar o fato de Wolverine ter acordado de bom humor. Não poderia desperdiçar uma oportunidade como esta… jamais.
— Ó, mas para o que será que serve este botãozinho aqui? — Descaradamente, apertou um dos mamilos de Logan.
James olhou para o peito com estranheza e demorou a acreditar que aquilo acontecia de fato.
— Wade? — Wolverine parou de afagar-lhe a careca e chamou-lhe a atenção, mas foi devidamente ignorado. — Wade… — Os dedos enluvados do mercenário continuaram a acariciar o bico rosado, repuxando-o com certa audácia. — Wade!
— O que foi? — Fez-se de desentendido.
— Será que ‘cê poderia parar de fazer isso antes que eu te despedace? — Já bufando, tentou ser o mais delicado possível.
— Ué, mas e o nosso acordo? — Deadpool largou o mamilo e tornou somente a acariciar o tórax peludo. A mão, faceira e intrépida, deslizou pelo tanquinho e pelo baixo ventre de James, acendendo e eriçando os pelos e os poros dele, que se remexeu trêmulo e engoliu em seco. — Agora que você prometeu cumprir com a sua parte, eu posso cumprir a minha. — Mirou o rosto barbado e afiou um olhar malicioso para o mutante corado e sério.
— Já disse que ia te ajudar, Wade. Não precisa desse tipo de… favor em troca. — O carcaju segurou com força a mão de Deadpool, que quase conseguira adentrar por dentro da calça justa.
— Tem certeza, Wolviezinho? — Forjou um muxoxo tristonho e aproximou a face da dele, voltando a sussurrar-lhe aos ouvidos. — Lembra o que eu posso fazer, não lembra? Você adorou os dedinhos mágicos da últimas vez, não foi mesmo? — Aproximou indicador e dedo médio e tamborilou-os contra os lábios de Logan.
— Humf… — James azedou a expressão, aparentemente aborrecido, e afastou o rosto. — Essa não é a questão. É antiético! E não estou bêbado o suficiente para isso... Agora já pode ir embora, Wade. Eu marquei de almoçar com o Magrão Summers hoje. — Tentou desenroscar Deadpool de si e levantar-se, mas não conseguiu.
“Ele nem está se esforçando para me afastar.”
— Bêbado o suficiente? Não fale como se o seu fator de cura te deixasse ficar bêbado, baixinho malandro… Antiético? Parece que esse tempo ao lado do Chuck mudou mesmo você, hein, tigrão? — Ainda por cima do colante, pousou a mão sobre a virilidade de Logan e alisou a dureza que estava evidente. — Humm… parece que o nosso amiguinho mutante aqui embaixo não apoia tanto assim a sua ética trabalhista… Ou isso, ou andaram injetando adamantium no seu pau também, para ele ficar durinho assim. — Apertou a carne com vontade.
Wolverine, carrancudo, fitou-o reprovador, mas não antes de trancar um grunhido entredentes. Mesmo com todo o mau humor demonstrado, ele não interrompeu os toques libidinosos sobre sua ereção; como tanto, não impediu quando Wade abriu as pernas e encaixou-se em cima de si.
— Pobre pequenino Wolvie, tão tenso, não é mesmo? Wade Winston Wilson não é de deixar amigos na mão depois de receber favores. — Deadpool massageava os ombros duros e largos do cara marrento, que o observava passivamente diante do avanço. — Não é lá um sacrifício dos piores ter que aliviar seu estresse.
O carcaju permaneceu com aquela típica expressão de muitos inimigos. Entretanto, mesmo se esforçando para não demonstrar qualquer reação, a respiração tornou-se visivelmente mais pesada e o corpo começou a suar em ansiedade.
— ‘Cê não precisa fazer isso, miolo mole... — A voz saiu num fio fragilizado. Contradizendo-lhe as palavras, suas mãos ásperas encaixaram-se à cintura do mercenário.
Wade abriu um riso manhoso e avançou luxurioso contra o pescoço suado. Não foi parado quando iniciou os trabalhos com os lábios. Os beijos deslizaram pescoço acima ao som arfante de um James excitado.
— Tampinha, seu bobinho. Só porque não preciso, não significa que eu não quero — cochichou-lhe aos ouvidos, depois mordiscou-lhe o lóbulo auricular; recebeu um grunhido de aprovação como resposta.
Deadpool tornou a lambuzar o pescoço parrudo, além de começar a mover-se voluptuoso, roçando as ereções ao atrito dos colantes. Logan deixou-se inflamar pelas carícias ao tempo em que as mãos seguiram para a bunda do mercenário. Os dedos grossos morderam as nádegas e as palmas duras fartaram-se da carne macia.
Agora que a merda toda havia iniciado, não tinha mais volta... Era engraçado aquilo, sempre achara que, com o tempo e a idade, deixaria de dar impulso aos seus instintos selvagens e seguir ao chamado da razão. Certamente a razão florescera com o tempo, mas só o suficiente para saber os instintos que não conseguiria impedir. E Logan era isso, uma miscelânea de instintos indômitos.
Feroz. Bruto. Possessivo.
Logo James tomou as rédeas da situação. Levantou o uniforme do mercenário até deixar-lhe o tórax às vistas. Uma palma grossa intrometeu-se nas calças de Deadpool pela retaguarda e um dedo igualmente grosseiro coçou-lhe carinhosamente as pregas. Logan puxou-o ainda para mais próximo de si. Sem qualquer hesitação, avançou contra o peitoral despido, ignorando por completo a aparência e a textura grotescas daquela pele... Já vivera e vira coisas demais para que aquilo o afetasse.
A criatura selvagem era exatamente como o mercenário recordava.
Wade sentia-se como uma presa indefesa nas mãos de um predador inescrupuloso. Todavia, uma coisa que ele certamente não queria naquele instante era fugir... Os dentes fortes devoravam-lhe o juízo, a barba espinhenta atiçava-lhe o desejo, a língua viscosa banhava-lhe de luxúria, as mãos quentes e duras incendiavam-lhe a promiscuidade… Wade gemia arfante enquanto Logan mamava, ou mesmo mordia, seus mamilos. Rebolava-se ainda mais e, a cada vez, sentia o dedo dele amaciando-lhe mais a entrada. Wolverine deixava marcas de mordidas e arroxeados por onde passava, mas logo a regeneração acelerada do mercenário tratava de apagar os vestígios deixados pelo carcaju selvagem.
Os colantes rangiam com todo aquele movimento, as molas do sofá reclamavam da conturbação.
Passada a ferocidade inicial, Wolverine apaziguou a selvageria interior. O que abriu espaço para, finalmente, Wade domesticá-lo com um beijo cândido. O mercenário pousou as mãos na face rústica e fê-lo encará-lo nos olhos. A expressão ferina continuava ali, afinal, tratava-se de Logan, mas os olhos reluziam em desejo inexpugnável.
— Então, Wolvie, que tal me ensinar uns truques da sua terra e me mostrar como se faz um beijo australiano? — As palavras malandras roçavam contra os lábios do carcaju.
— ‘Cê sabe que eu sou tão canadense quanto tu, não sabe, miolo mole?
— Err… Claro! — mentiu. — Deixa que eu ensino então.
As bocas, então, encontraram-se noutro beijo selado. Rude e grosseiro, Logan não se demorou; tratou de mordiscar e sugar o lábio inferior do mercenário gemebundo.
— ‘Cê andou comendo alho demais. — Wolverine brincou quando as línguas distanciaram-se.
— Então espero que Anna Marie não resolva cair de boca em você hoje — disse desatento.
A boca de Deadpool explorou o corpo musculoso e peludo de Logan, que arfava ou grunhia a cada chupada ou mordida mais incisiva. A língua deslizou pelo pescoço, os beiços percorreram o caminho da clavícula, os dentes atiçaram o peitoral poderoso — e James revirou-se duro quando o mercenário parou a descida para mamar e mordiscar seus mamilos enrijecidos. Quando deu por si, Wade já estava ajoelhado no chão enquanto lambia, por cima da calça, o membro de Wolverine. O carcaju jogou a cabeça para trás e rosnou excitado quando o mutante desfigurado encontrou-lhe a glande com uma dentada segura.
Não houvera muitas cerimônias. O mercenário despira-se rapidamente. Sedicioso, logo tratara de puxar fora as calças apertadas e a cueca de Wolverine, que ainda fizera menção em retirar as botinas, mas fora impedido.
— Eu tenho fetiche por caras peludos de botas — explicou traiçoeiro.
As sobrancelhas grossas de Wolverine curvaram-se, mas, para não acabar com o tênue clima, o mutante optou por não processar aquela informação e simplesmente se manteve com os calçados.
Wade pousou as mãos nas pernas de Logan, acariciando-o sutil em vários vaivéns dos joelhos às virilhas. James, com os pelos eriçando ao contato, continuou a observá-lo com certo desafio implantado nos olhos famintos. O membro veiudo hasteado entre as coxas grossas.
— Hmmm… É hora da bananada!... — Deadpool provocou, umedecendo os lábios com a língua.
A expressão dura de Wolverine finalmente começou a amolecer quando o desmiolado trilhou-lhe o caminho das coxas com chupadas e mordidelas. A respiração quente de Wade contra suas virilhas faziam-no salivar. As mãos desfiguradas fizeram-no trincar os dentes quando puxaram-lhe os pelos pubianos… Mas James não conseguiu conter-se quando o mercenário segurou-lhe os testículos em concha e beijou cada um deles, ainda sobrando espaço para um terceiro beijo na marca de nascença. Não bastando, Deadpool ainda tratou de sugar tudo para o interior de sua boca. Logan grunhiu incontido ao tempo em que a língua anfitriã recebia-lhe as bolas; passou a afagar a careca dele em agradecimento aos carinhos.
Chupou o saco com toda a força que pôde — e o carcaju revirou-se alvoroçado no sofá — antes de finalmente liberá-lo. Na sequência, roçou o nariz e distribuiu beijos pela extensão do pênis salgado. James tinha um cheiro estimulante. Deadpool encarava o outro com uma desconfiança matreira, e neste instante, seu parceiro soube o que se sucederia.
A língua quente deu as boas vindas à glande igualmente vermelha. Wolverine cruzou os braços atrás da cabeça, fechou os olhos e suspirou profundamente, realizado, entregando-se por completo à felação… Somente então se lembrou de o quão bom o mercenário tagarela era naquilo que fazia. Quase não dava para sentir que ele tinha dentes dentro da boca.
“Afinal, falar não seria minha única qualidade, com licença.”
— ‘Cê não é tão desagradável quando fica de boca calada, miolo mole — balbuciou enlevado, outro de seus raros sorrisos reluzindo na face.
Deadpool ainda resmungou uma resposta, mas estava com a boca cheia demais para aquilo fazer sentido.
Logan tinha um cheiro intenso e excitante. E ver aquela criatura animalesca, ranzinza e tão violentamente instável, agora mansa, calma e extasiada fazia Wade querer ainda mais todo aquele momento. O gosto forte e salgado era saboroso em sua boca. Era particularmente delicioso ver Wolverine remexer-se de deleite, devolvendo-lhe olhares esmorecidos pelo prazer quando conseguia deixar as pálpebras levantadas. Logan sempre grunhia incontido quando a língua viscosa roçava-lhe as laterais da glande. O mutante tagarela optou por masturbar-se enquanto seus lábios trabalhavam o carcaju.
Wade continuou sentindo a carne dura invadindo-lhe a boca e a cabeça vermelha roçando vez ou outra contra o palato. Somente quando percebeu o mutante parrudo arreganhar-se e deslizar no sofá cada vez mais, foi que Deadpool ponderou em avançar com os dedinhos mágicos. Talvez fosse um movimento perigoso, mas não trouxera muitos problemas da última vez, não deveria ser diferente agora.
Wolverine até chegou a sentir a mão grotesca do mercenário alisando-lhe os pelos do períneo, numa carícia mais do que bem vinda, mas somente percebeu as intenções quando o indicador coçou-lhe as pregas e uma desconfortável dor despontou quando ele tentou invadir. Por rápidos instantes pensou em fechar as pernas e impedi-lo de continuar aquilo. Não que não que tivesse gostado da última vez, longe disso; mas pensar na possibilidade de o tanto que Wade iria ficar de piadinhas depois daquilo fazia o repensar... Se após o incidente de 2008 o mercenário ficou fazendo piadas sobre os dedinhos mágicos até 2012 — e isto porque teve uma aparição terrível e sentiu-se culpado por quase estragar o filme —, caso dessa vez ele tivesse algum sucesso, provavelmente ficaria fazendo pilhérias pela eternidade sobre o que precisou fazer para conseguir o filme.
“E aqui, meus caros, está um dos problemas de se pensar demais antes de fazer algo.”
Antes que Logan pudesse fazer qualquer protesto diante das carícias em sua entrada, Wade, agora, já beijava, e lambia, e chupava, e mordia com vontade toda a fenda entre aquelas nádegas. Os olhos de James reviraram esmorecidos ao tempo em que o mercenário tagarela masturbou-lhe o pênis e estimulou-lhe as pregas. Não tardou muito e Wolverine, num reflexo involuntariamente voluntário, sentiu a entrada contraindo e descontraindo.
“Dedinhos mágicos, aí vamos nós...”
Wolverine emitiu um resmungo dolorido quando o primeiro dedo molhado adentrou; revirou-se de dor e, não fosse a mão firmes de Deadpool, bem teria escapulido dali. Sorte que não o fez, logo o vaivém tornou-se bom, e era uma sensação relaxante a de ter suas entranhas apertando o dedo fino do mercenário… E onde era um logo tornou-se dois. Wade tornou a chupar-lhe o falo rijo com vontade. Logan, perdido no meio de tudo aquilo, remexia-se orgástico: as mãos percorriam o próprio corpo, desesperadas, queria masturbar, contudo, o local estava ocupado, e tudo o que o carcaju pôde fazer foi alisar-se os pelos e brincar com os próprios mamilos.
A língua quente. Os dedos habilidosos. A mente desnorteada enlevada. O branco…
Wade foi pego de surpresa com uma estocada profunda e um jato morno que lhe encheu a boca; continuou por alguns instantes com a mamada, não querendo perder nenhuma gota. Wolverine parou de remexer-se, ficando de olhos fechados e com as pernas ainda arreganhadas, aproveitando que os dedos ainda moviam-se prazerosamente em seu interior. Mesmo com uma cara ainda atarracada com o humor de uma esfinge, havia certa paz em sua respiração.
Os olhos abriram-se vagarosamente a tempo de verem o mercenário tentando falar de boca cheia sem tentar derramar o gozo. O mutante parrudo ainda tentou compreender o que lho era dito, mas não conseguiu destilar nenhuma lógica naqueles sons.
— ‘Cê pode cuspir aí do lado, se quiser. Depois alguém limpa. — James voltava com aquela feição tempestiva. Cruzou os braços atrás da cabeça e continuou a curtir os dedinhos mágicos.
Wade pareceu degustar o sêmen por alguns instantes. Era salgado e pastoso como se lembrava. Engoliu sem qualquer hesitação.
— Hmmm… Delicioso! E fique sabendo, tampinha, que eu nunca cuspo! — debochou.
Os sobrolhos de Logan enrolaram-se desconfiados.
— Cê é muito nojento, miolo mole. — Retorquiu a cara.
— Ó, então eu sou nojento? — Os dedos escaparam das entranhas apertadas. — E se eu pedisse um beijinho agora? — A cara deformada, com um biquinho pilhérico e infantil, seguiu de encontro a face de James.
Wolverine, com a expressão azeda, tentara afastar o rosto da boca do mercenário. Todavia, uma mão forte segurara-lhe o maxilar e impedira-o de virar-se para o outro lado. Tudo que tivera tempo de fazer fora balbuciar entredentes algo que pôde ser traduzido como: Se ‘cê não parar eu juro que te mato, miolo mole desgraçado… Esforço jogado fora. Os lábios de Wade insistiram contra os seus. Não tentou mais escapar, beijou-o do seu jeito carrancudo, mordendo-lhe mais os beiços do que qualquer outra coisa.
Os amassos prolongaram-se. Em algum momento deste meio tempo, o dedo de Wade tornou a invadi-lo com menos fervor que antes.
— O quê que ‘cê ‘tava querendo dizer, desmiolado?
— Eu queria errr… — Deadpool hesitou e, nesta ação, farejava-se claramente problemas surgindo no horizonte.
— Desembucha, Wade.
— Err… Esse gostinho delicioso na minha boca me fez pensar… Será que você se importaria de emprestar alguns X-men para participarem do meu filme? Sabe como é, fazer um enxamezinho. Não precisa nem ser muitos, não. Uns três ou quatro. — Sorriu pidão.
O mutante peludo revirou os olhos.
— Sem chance — rebateu seco.
Logan fez menção a levantar-se, mas o dedo faceiro de Deadpool invadiu-o mais fundo, fazendo-o estancar numa sensação estranha de prazer fora de hora.
— Por favor, Wolvie. Pode ser o azulão felpudo, a fantasminha e a chupadora de poderes! Eles nem são lá tão importantes.
— Sem chance, eles são muito importantes. Além disso, o Fera não vai sair da biblioteca. A Kitty nem fodendo que eu deixo na tua companhia. E Anna Marie, depois do fim daquela série de vampiros da HBO, resolveu tirar umas férias de gravações.
— Humf… — Fez um bico entristecido. — E o cara grandão de metal?
— O Colossus também não, ele é da equipe principal.
— Ah, não vem com essa, não! Se juntar os três filmes da franquia original o cara teve menos falas que o tio Stanley em um só.
Logan ainda abriu a boca e pensou em desmenti-lo, mas sabia que aquilo era verdade. Havia sido derrotado em seu próprio jogo de negações.
— Certo, certo… Vou tentar falar com ele e (se ele topar!) não deixo ninguém impedir.
O mutante tagarela emudeceu surpreso por breves segundos.
— Caraca, baixinho! Como alguém consegue ser tão sexy quanto você fazendo favores? — Wade abraçou o tórax peludo e distribuiu beijos inocentes em agradecimento. — Eu até me ofereceria para chupar você de novo, mas parece que o fator de cura não é tão aprimorado nesse guerreiro aqui na Austrália… — Olhou para o pênis ainda flácido entre as pernas grossas.
— Se ‘cê tá insistindo tanto em pagar esse favor, há outras formas de fazer isso — dizia com malícia disfarçada em descaso. — Afinal, tem um negócio aí embaixo que parece ainda estar tenso.
Deadpool parou para raciocinar, mas somente quando olhou para baixo percebeu sua ereção ainda à pino cutucando as nádegas de Logan. Era tão complicado associar a expressão mal-humorada dele ao tom de voz irônico. Maliciou um riso em resposta.
— Já provou da magia dos dedos e agora quer conhecer a da varinha? Que baixinho safadinho, aprendeu com a rainha Xuxa?
Logan não respondeu, outra vez cruzou os braços fortes atrás da cabeça, a cara carrancuda continuava tempestiva. Wade cobriu o corpo do carcaju com o seu, e sentiu o aperto forte das pernas dele enroscando-se-lhe ao corpo. Mordeu-lhe o peito peludo e caçou-lhe beijos ao longo do pescoço suado.
— E o que eu ganho com isso? — Cochichou entrebeijos. Movia a pélvis contra a de James, e sua carne dura começava a despertar novamente a dele.
— Deixe-me ver… Talvez eu possa convencer o Colossus a participar do teu filme, xará… E, quem sabe, posso emprestar mais algum dos estudantes do Chuck… Se ‘cê for realmente bom no que faz. — O semblante rígido causava um contraste dúbio com o sarcasmo imposto no tom.
— Acho que só tem um jeito de descobrir.
Foi a vez do tagarela deformado mordiscar com vontade os beiços do baixinho troncudo. Na sequência, Deadpool deu algumas cuspidelas contra sua mão e tratou de umedecer as pregas do carcaju, outrossim, melou o próprio falo rijo com saliva. Esfregou-se à entrada; e Logan remexeu-se ao contanto, o convite estava feito.
Wolverine tremeu-se de dor e abocanhou o queixo de Wade numa mordida forte quando a glande penetrou. O restante do comprimento avançou moroso o suficiente para não causar grande incômodo. O mercenário ainda esperou que a respiração do companheiro ficasse menos corrida, deslizando vagarosamente no interior dele.
— Quando quiser, já pode começar a brincadeira — provocou irritado.
— Já que você pediu…
Logan gemeu alto quando uma estocada acertou-o profundamente.
E então o vaivém tomou proporções mais energéticas. O carcaju abraçava com força o homem deitado sobre si. Mordia-lhe o peito, chupava-lhe o pescoço, dentava-lhe os beiços. As unhas cravaram-se na pele alheia. As entranhas aqueciam-se com todo aquele movimento da invasão; as paredes contraiam-se rapidamente, tentando comprimir a carne dura que deslizava com velocidade e vigor… Tudo aquilo era tão quente, tão cru e tão agressivo que Logan via-se na difícil missão de controlar suas garras, que pareciam querer saltar-lhe fora dos punhos e responder àquele instinto animalesco.
Feroz. Bruto. Possessivo.
Era difícil para Wade concentrar-se nas estocadas dentro daquele corpo apertado enquanto o carcaju arranhava-o, mordia-o, machucava-o com tanta selvageria. Entretanto, toda aquela dor e toda aquela impetuosidade deixavam-no ainda mais violento e incontido. E o mutante que tinha entre os braços grunhia e rosnava quanto mais insaciável e impiedoso Wade se mostrava. Ao perceber a ereção dele roçando em seu baixo ventre no meio de toda aquela movimentação, o mercenário não hesitou e tratou de masturbá-lo durante toda aquela agitação orgástica.
E então, diante de todo aquele ardor lascivo, Wolverine sentiu um frio abrasar e revirar-lhe as entranhas.
O branco jorrou e sujou completamente a mão de Wade. Como num passe de mágica, toda a selvageria sexual do carcaju havia se dissolvido. Logan, assim sendo, passou a esfregar, com certo carinho, a barba contra o rosto de Deadpool, a beijar-lhe e a lamber-lhe com docilidade alienígena. O animal, outrora agressivo, indomável e bárbaro, agora parecia como um cachorro doméstico qualquer clamando por carinho e atenção.
Mesmo bastante confuso com aquela transição inesperada, o mercenário não parou de deslizar dentro de Wolverine. Também não demorou muito mais no que fazia. Logo o calor transmutou-se em frio e o gozo preencheu o mutante secular.
— E aí, Wolvie. Mereço um x-men ou dois no meu time? — Arfava e tentava restaurar o fôlego.
Logan estava banhado em suor e também respirava com pressa. Um sorriso enlevado não lhe desgrudava das fuças por mais que ele tentasse. Era a primeira vez que o via sorrindo pleno e satisfeito, sem qualquer descor ou ironia nos lábios. Outra vez, havia sido derrotado.
— Vou falar com o Peter.
— Qual é, só o homem de lata? Tenho certeza de que o meu desempenho valeu pelo menos mais um — suplicou convencido de si.
Wolverine revirou os olhos, mas não fez objeções.
— Certo, certo. Vou ver o que eu posso fazer. Mas eu escolherei quem vai ser, vou atrás de algum estagiário.
— Você é o maior, tampinha! — Abraçou-o com força. — Mas escolhe alguém com um nome bem maneiro, por favor.
— Não inventa, miolo mole. Vou escolher quem der para escolher e ponto — asseverou intransigente.
— Okay, okay. — Optou por não insistir mais.
— Wade? — chama a atenção com certo desconforto.
— O que foi?
— Será que ‘cê podia tirar o pau daí logo? — Irritava-se.
— Mas por quê? O Wolviezinho é tão quentinho e aconchegante!
— ‘Cê já tá ficando mole — rebateu desdenhoso.
— Humf… Okay. Só um instante. — O mercenário esticou a mão e buscou suas calças. Começou a procurar alguma coisa dentro dos bolsos.
— Um instante para o quê, desmi…
— Diga xis! — gritou energético.
Antes que Wolverine pudesse compreender o que estava se sucedendo ali, um flash incendiou-lhe a visão por alguns instantes.
— Mas o que diabos? — Confuso, pressionava os olhos tentando restaurar a vista.
Wade finalmente se afastou de James.
— Ó… O Wolvie fica tão fotogênico com meu pau atolado nesse traseiro peludo. A foto ficou ótima! — Segurava o iphone e mostrava a imagem, de longe, para Logan.
— Grr… Apaga já isso, Wade! Quê que ‘cê ‘tá pensando? — enfurecia-se.
*A imagem foi enviada para w3deadpooldickmaster69@gmail.com com sucesso,* o aparelho nas mãos do mercenário apitou.
— Ooops! — Alinhou um sorriso amarelo no meio da cara deformada. — Foi mal, Wolvie. Mas eu realmente precisava de uma garantia de que eu teria uma sequência. Me entende? — Deu de ombros e tratou de começar a caçar suas roupas espalhadas pelo trailer. — Mas veja o lado positivo, você ao menos saiu bem na foto, se ela chegar a vazar. ‘Tá super sexy e super valorizando seu corpo peludo, o ângulo que peguei foi Incrível.
E ali estava a merda que sabia que chegaria desde o instante que vira Deadpool entupindo-se de chimichangas no set. Logan tentava ser uma pessoa positiva, um ouvinte atencioso e um amigo para as horas necessitadas. Xavier o havia ensinado muitas coisas para que se tornasse um homem melhor, e sempre que possível o carcaju seguia os ensinamentos desse grande homem. Ajudar mutantes passara a ser sua filosofia de vida. Que mal haveria em mexer uns pauzinhos para um conhecido ter seu próprio filme? Os mutantes deveriam se unir, cooperar, se ajudar... Mas, incrivelmente, sempre que Wolverine tentava ajudar alguém em uma tarefa que não envolvesse matar, trucidar ou exterminar pessoas… este tipo de merda acontecia. E quem saía fodido — “Literalmente para os dois sentidos da palavra” — era ele.
Logan tentou, ninguém poderia negar isto. Respirou fundo uma, duas, vinte vezes… mas a calma não veio. O sangue ferveu e o corpo peludo começava a ficar extremamente vermelho de raiva. Os dentes trincados adornavam uma carranca de fúria encarnada.
— Eu tentei, Chuck, eu juro que tentei — resmungou silenciosamente para si ao descarregar um suspiro de fúria.
— Wolvie, você viu as minhas luvas? — Já completamente vestido, Wade somente buscava suas luvas para ir embora numa calma irritante.
— Grr… — O corpo avermelhava-se.
— Wolvie?
— Grr… — Tentara balbuciar algo, mas as palavras enrolaram-se pela ira.
— Err… Wolvie? Você pode me ajudar a procurar minhas luvas?
— ‘Cê tem três segundos pra vazar antes que eu arranque a tua cabeça e soque ela no teu cu, ferinha. — Finalmente a frase conseguiu tecer sentido.
— Relaxa, cara eu só vou pegar minhas luv...
— Um… — Os dentes rangiam.
— Qual é, Wolv…
— Dois… — A respiração ficava pesada e sonora.
— Err… Wolvie, não vamos nos precipitar. — Wade suava frio sob a máscara. — Chuck não aprovaria.
— Três…
As garras refletiram um perigo mordaz ao deslizarem para fora dos punhos do mutante atarracado. A barriga de Deadpool parecia o inverno, tamanho medo instaurado. Não havia mais fúria ou selvageria na expressão dele. Apenas um aspecto sombrio, vazio e invernal. A mente parecia ter abandonado o corpo parrudo.
— Wolvie… Você ‘tá bem? — Coçou a cabeça, duvidoso.
Não houve resposta.
— Logan? — Aproximou-se e acenou próximo das fuças dele, buscando algum reflexo do olhar vago.
Um riso sádico e maníaco despontou através da barba. O terror incrustado neste sorriso fez um raio de gelo lamber a espinha do mercenário tagarela. Já sabia o que se sucederia ali.
— Puta que pariu… Eu ‘tô tão fodidamente fodido… — suspirou resignado.
“Infelizmente as cenas a seguir são pesadas demais para serem exibidas... Mentira, tivemos foi mais corte de orçamento mesmo. Portanto, teremos mais um pulo de cena, caros leitores.”
Hollywood, Los Angeles
Fox Studios, arredores do camarim de Logan
11h 47m AM
Scott Summers estava aborrecido, esperara por mais de quarenta minutos sentado à lanchonete do saguão e nada do maldito Logan aparecer. A reserva no restaurante era para o meio dia, se saíssem dos estúdios da Fox naquele exato instante, talvez pudessem chegar no local a tempo de não pegarem fila comum. Não era a primeira vez que James lhe dava um bolo, mas, como não tinha nada melhor para fazer, resolvera ir ao trailer dele e ver se o encontrava por lá.
Para sua completa surpresa, quando já conseguia avistar o veículo sem rodas, Ciclope avistou um vulto rubro-negro — “Não que ele possa enxergar um espectro de cores mais complexo que este.” — mancando para fora do trailer.
— Wade? — perguntou confuso. — Mas o que diabos aconteceu?
A aparência do mercenário não era nada boa. Seu uniforme estava aos frangalhos, com marcas de garras, pedaços faltando, tiras penduradas, e até mesmo manchas de sangue escuro que conseguiam se destacar no pano vermelho que ainda restava. Alguns cortes rasos e lanhos profundos ainda fechavam-se em sua pele.
— Fala aí, sogrão! — Sorriu, através de um rasgo em sua máscara, como se nada demais tivesse acontecido. — Ah, não foi nada não. Eu e o Wolvie estávamos tomando umas cervejas e jogando conversa fora. — Estendeu a mão para cumprimentar o mutante. — Vocês tinham marcado de almoçar juntos, não é? Acho que ele está te esperando.
Scott cumprimentou Deadpool por puro reflexo da educação.
— Mas que merda é essa? — Percebeu uma textura esquisita nas mãos e logo viu que estava melada. Supôs que fosse sangue apesar das diferenças visuais nos tons de vermelho.
— Ó… Saí de lá tão afobado sem achar as luvas que esqueci de limpar a mão. — Wade lambeu a própria palma e deliciou-se com a gosma. — E isto, sogrão, é o gosto do trabalho duro de um homem para ter seu próprio filme! — completava orgulhoso.
Ciclope retorquira os sobrolhos e não entendera muita coisa do que o mercenário dissera. Antes que pudesse levantar qualquer outra questão, o mutante tagarela já havia retirado um iphone de um dos bolsos e começara a digitar um tweet. Deu as costas para Scott e começou a se distanciar sem despedidas.
— Que cara louco… — resmungou enquanto enxugava a gosma melequenta na calça.
O x-men optou por seguir para o camarim de Logan. A porta entreaberta configurava-se num convite de que poderia entrar sem bater.
Adentrou.
— Mas que porra? — surpreendeu-se.
O lugar estava completamente sujo de sangue. Até mesmo um pedaço de intestino estava pendurado no ventilador do teto. Mas aquilo que mais se fazia evidente ali era um Wolverine emburrado, sujo de sangue, completamente nu — se desconsiderado o cômico fato de ele ainda estar de botas — que enxugava o traseiro sujo do que parecia ser sêmen com uma toalha. Ciclope demorou alguns segundos para processar e perceber tudo que havia acontecido. Caiu em gargalhas quando conseguiu compreender a magnitude do momento.
— Scott? — Logan parecia ainda mais surpreso e, como sempre, irritado. — Eu não quero uma palavra sobre o que ‘cê ‘tá vendo! Entendeu!?
Ciclope continuou gargalhando sem falar por alguns instantes, todavia, como num estalo de uma ficha tinindo contra o chão, ele olhou para a própria mão suja e então tudo fez sentido. Seu sangue ferveu nas veias e olhos poderosos bem poderiam explodir nas órbitas.
O mutante saiu do trailer enfurecido e apressado.
— WADE!
***
Naquele dia, os noticiários de televisão repassaram milhares de vezes o vídeo de um feixe de luz vermelho concentrado destruindo parte do gigantesco e icônico letreiro de Hollywood no que as autoridades catalogaram como mais um incidente mutante. Mas, nas redes sociais geeks e nerds, tudo do que se falava era de um tweet de um super-herói nada convencional…
Deadpool chegaria às telonas, afinal.

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