Testamento de juventude
1 Capítulo 1
1914 – Mansão Haddock
Merida POV
Éramos apenas umas simples crianças, brincando sem saber como o mundo iria retirar a nossa juventude num dia para o outro.
Era verão e estavamos todos na mansão Haddock, fazendo o piquenique anual que as nossas familias faziam. Era algo rotativo e este ano, era a vez da familia Haddock fazer o pequeno piquenique.
Rapunzel estava sentada debaixo de uma árvore, lendo um livro em voz alta para Soluço que estava deitado ao lado dela. Os nomes deles não são realmente esses, porém, preferimos chamar esses porque fomos apresentados dessa maneira quando tinhamos apenas 3 anos e nunca mais nos separados.
Eu andava atrás de Jack que tinha o meu chapéu. Ele adorava me irritar, porque sabia que ao contrário de Rapunzel, não ficava quieta e irritada, eu iria atrás dele. –Jack! Devolve-me o chapeu!- Gritava para ele, que corria há minha frente descalço e rindo.
Acho melhor apresentar-me e aos meus companheiros já que irão ler muito sobre eles. Rachel Corona, conhecida como Rapunzel, tinha longos cabelos loiros que faziam inveja a qualquer dama naquela altura. Ela tinha uma pele cor de pérola, pequenas sardas no nariz e enormes olhos verdes. Amava livros e pintura e naquele dia usava um vestido branco com detalhes de fitas cor de rosa e um laço no cabelo da mesma cor. Henrik Haddock III, mais conhecido como Soluço, era o mais pequeno de nós os quatro naquela época. Tinha cabelos castanhos, enormes olhos verdes e sardas. Era magrinho e tal como Rapunzel amava ler e por causa disso, estavam quase todo o tempo juntos lendo um para o outro e falando sobre livros e desenhos.
Depois temos Jackson Frost, mas todos lhe chamam de Jack. Ele tinha cabelo branco, era pálido e olhos azuis como o lago quando estava congelado. Jack tinha uma doença rara que lhe afetava a aparência.Ele teve sorte de não ter ficado cego ou com alguma incapacidade física! Apenas tem de ter muito cuidado com o sol porque uma queimadura é mais cruel na pele dele do que na nossa.
Meu nome é Merida Dunbroch, sou escocêsa. Meus pais são descendentes do clã Dunbroch e protetores da mesma cidade com o mesmo nome. Eu tenho cabelos ruivos e encaracolados, que a maioria da sociedade odeia por serem rebeldes e indomáveis. A minha pele é pálida e com sardas espalhadas por todo o corpo. Minha mãe odiava o meu cabelo, porque dizia que nunca poderia ser uma dama com um cabelo tão rebelde daquela forma, mostrava que não dava importância há minha imagem o suficiente mas eu não tinha culpa de ele ser assim.
Jack correu até Hiccup e Rapunzel e sem abrir os olhos, o moreno logo perguntou –O que você tirou há Merida desta vez?- Uma risada saiu dos lábios de Jack, enquanto que este tentava recuperar o seu fôlego e limpar o suor há manga da sua camisa. Ele realmente seria julgado pela minha mãe por aquilo. – O meu chapéu!- Respondi aparecendo por detrás, irritada como sempre quando ele retirava-me alguma coisa. Hiccup apenas suspirou, abrindo os olhos e dizendo num tom como se até ele estivesse exausto da atitude de Jack como eu –Jackson…Devolve o chapéu a Merida.- Agora era sério, quando Hiccup dizia o nome todo do Frost, significava que estava irritado. Sem pensar duas vezes, o garoto devolveu-me o chapéu e eu coloquei na minha cabeça.
—Hiccup? Algo se passou?- Perguntou Rapunzel, com o seu livro, fechado ao seu lado e olhando preocupada para o Haddock. Até ela tinha percebido que algo se passava. Conheciamos-nos muito bem para deixar algo assim passar –Nada importar…- Suspirou entre as palavras –Apenas um bocado exausto com este dia.- E foi aí que todos nós relembramos que dia era. Era o dia em que a mãe de Henrik tinha falecido.
Ela faleceu quando Hiccup tinha apenas 3 anos, com uma febre que durou dias até a levar. O pai nunca mais foi o mesmo e Hiccup teve sempre o coração partido desde aí, especialmente por não ter muitas lembranças com ela.
Rapunzel e eu éramos as únicas que tinhamos os nossos pais juntos. Os de Jack tinham sido assasinados quando ele tinha onze, indo viver com o seu tio e ser o herdeiro do mesmo já que este não tinha filhos. Jack tinha uma irmã mais nova, chamada Emma e ela amava os meus irmãos mais novos, os trigémeos diabos.
Quando esses dias chegavam, todos tentavam fazer esse dia passar o mais rápido possivel e destraí-los da dor. Deve ser errado, mas muitas vezes precisamos seguir em frente e pensar que devem estar num lugar melhor.
—Crianças! Venham para a mesa!- Gritou a mãe de Rapunzel já se dirigindo para a mesa de piquenique posta no jardim. Os empregados estavam se preparar para servir aos convidados e os nossos pais começavam a sentarem-se das cadeiras.
Dirigimo-nos para a mesa e começa-mos a sentar –Merida! Olhe o seu rosto! Parece uma selvagem!- Disse a minha mãe em um tom de choque ao ver uma pequena sujidade no meu rosto. Ela rapidamente agarrou no guardanapo que estava em cima da mesa e começou a limpar a minha boceja –Como irá encontrar um marido dessa maneira?- Um suspiro saiu dos meus lábios e respondi-lhe –E se não quiser ter um marido?- O olhar da minha mãe a seguir foi de aniquilar e eu logo engoli em seco –Deixe de brincadeiras Merida, todas as damas querem se casar! Você não queria um homem charmoso e atlético como Jackson?- Minha mãe adorava Jack mas odiava em outros pontos. Jack tinha charme o que fazia sempre virar a volta há minha mãe e ela esquecer os lados negativos, que ele não tinha nenhuma educação em geral. Ele não era nenhum animal…Mas ele não era tão cuidadoso como os outros homens da nossa classe –Não. Se for para casar, prefiro um homem como Henrik. Educado e que me entenda.- De canto vi Soluço a corar e a dar uma tossidela. Mas era a verdade, se for para seguir essa teoria preferia alguém como Soluço que não me julgue ou que não me deixa a cabeça a ferver.
Isso é o que pensava naquela altura. De quando achava realmente que a minha teria esse infeliz destino…Mas a guerra retirou-nos isso, retirou a nossa juventude e mudou a sociedade. E posso dizer que tenho muitas saudades dessa época…
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