Tessons D'une Ville

3 Je T'aime - capítulo 2


"But I,

I can be everything you need,

If you're the one for me"

— Hero, Sterling Knight

Olivia continuou andando, ignorando os vários assobios e cantadas dos homens enquanto passava. Elliot não havia levado-a de volta, mesmo sabendo que ela não tinha condução para voltar. Checou o relógio para ver se havia algum chamado que ela não percebera. Nada, mas notou o botão S ali ao lado.

Se precisar, disseram a ela, chamará S, que irá salvar-te. Grande coisa. Quem era S? Alguém que nunca ligara para outros, que sempre se vangloriava por chegar nos locais antes dela, por saber mais que ela. E do que adiantava isso? Ela era a mais chamada sempre. Ela era a que se importava com as vítimas. Mal notou quando uma moto foi se aproximando dela.

Um homem alto, de capuz preto e botas de couro, parou ao lado de Olivia. Olhando-a com desejo, ele mexeu na jaqueta de couro que usava. Provavelmente, um conjunto com as botas. Ela sentiu um frio na espinha e todo seu corpo entrou em alerta.

– Oi, docinho.

A morena tentou atravessar a rua, simplesmente, ignorando-o, mas ele a impediu segurando o braço dela. Ela tentou se soltar, mas ele era mais forte.

– Aonde você pensa que vai? — ele apertou-a com mais força.

– Me larga! — ela gritou.

– Não antes de me divertir um pouquinho.

Se, ao menos, ela estivesse com algum dos poderes que sua fantasia a proporcionava, se, ao menos, Elliot estivesse com ela... Agora ela realmente se encontrava em desespero. O que fazer? Não havia ninguém na maldita rua a uma hora dessas e de nada adiantaria gritar. E foi aí que se lembrou. Lembrou-se de S e de todo seu egoísmo. De toda aquela prepotência e arrogância. Mas agora, nada disso importava, a não ser, é claro, a vida de Olivia.

E por isso, por temer sua vida, decidiu apertar o maldito botão e chamá-lo. Não que ela esperasse uma chegada tão rápida, não que esperasse estar completamente intocada pelo homem quando S chegasse. Não que ela esperasse que ele se importasse com ela. Uma luz penetrou o céu, que se encontrava em completo breu até o momento. No instante em que homem tentou leva-la para um beco escuro, ele apareceu.

– Solte-a! Agora, ou, eu garanto, vai se arrepender de ter nascido! — ele gritou enquanto o segurava pelo colarinho e o empurrava no asfalto que estava gelado e úmido por culpa do sereno.

Olivia observava impressionada o super herói agir com tanta destreza. Talvez ele não fosse assim tão ruim. Afinal, havia acabado de salvar a vida dela. Aquilo fazia dele uma boa pessoa, certo? Como podia? De um dia para o outro, de uma hora para outra, estar tão mudado, e se importando tanto com os que lhe pediam ajuda. S colocou o homem preso a um poste no canto da rua e chamou a polícia.

Logo depois voltou seu olhar a morena. Pôs outra pequena pedra ao lado do homem, perto o suficiente para saberem que havia sido ele, porém, longe o suficiente para que ele não empurrasse ou surrupiasse a pedra.

– Olivia, vem. — ele estende a mão para ela.

– "Vem" aonde? — Olivia coloca as mãos na cintura — Wow, espera.

Ela se dá conta de que é a primeira vez que ele a vê. Bom, pelo menos como cidadã indefesa, é. Então, como ele sabe seu nome? Será que tem o poder de ler mentes?

– Como você sabe meu nome? — ela indaga. E ele a encara.

– Se você vier comigo, eu te digo. — ele disse, aproximando-se dela.

– Eu nem o conheço. — ela murmurou, esperando que ele não a reconhecesse. "Cara arrogante, só porque me salvou quer me levar para cama.", pensou.

– Se você não poder confiar nem um super-herói em quem pode confiar, então? — ele indagou, aproximando-se mais ainda. Ela ainda não estava convencida, afinal, será que ele teria algo a ver com a sumida de Elliot?

– Olha, se você quiser ficar aqui e esperar a policia, tudo bem. Mas ele pode acordar e tentar se soltar, o que não vai ser nem um pouco bom para você.

Olivia volta seu olhar para o homem amarrado. Ele realmente está acordando, e ela não quer arriscar estar ali quando ele estiver são.

– Vamos. — a morena diz com má vontade.

••

Quando eles chegam ao local, Olivia parece confusa. É o mesmo lugar que Elliot a havia levado há apenas algumas horas atrás. O grande bosque, com longas árvores e muitas sombras. — Por que me trouxe aqui, S? — ela está tão curiosa que nem nota quando ele tira a máscara que cobria seus olhos azuis.

– Olhe para mim, Liv.

E ela se vira. Logo reconhecendo o homem a sua frente. Seus olhos saltaram das órbitas. Como podia? Enfim, ela não era a única a esconder seus segredos. Elliot é S. Seus olhos não podiam acreditar. Como ela não havia notado? Como pode não reconhecer o homem que ama? Que tipo de pessoa ela é?

– El! — ela exclama, pondo as mãos na frente da boca, completamente surpresa.

– Liv... — ele murmura. Ela se aproxima um pouco mais e toca o rosto dele, sorrindo completamente extasiada.

– Todo esse tempo era você. Eu nunca nem desconfiei que você fosse... — ela começou, ainda em estado abobado pela descoberta recente.

– Um super-herói. É, eu sei. — ele suspirou — Eu não queria te contar, tinha medo de te perder.

Olivia sorriu, negando com a cabeça. Ela sabia que revelar seu segredo seria necessário. Porque ele havia confiado nela, e dizer a verdade era a única coisa que Olivia podia fazer.

– Eu preciso te contar algo também. — a morena se afastou um pouco e pôs uma das mãos num dos bolsos da calça.

Retirando-a de lá, acariciou o objeto, deixando-o completamente curioso. Ela suspirou, e, em seguida, mostrou uma pedrinha com um B desenhado.

– B? Você é ela? — Elliot parecia confuso.

Yeah. Sou eu. — ela suspirou, sorrindo levemente.

Olivia voltou a se aproximar dele, que não recuou, pelo contrário, sorriu e se aproximou ainda mais. Os olhos dele pesavam sobre a boca dela. O céu azul escuro nem se faz notar. Não quando os olhos ficam presos nos olhos dos outros.

– Nós podemos trabalhar juntos. — Elliot está sorrindo, seus olhos indicavam êxtase, seu rosto estava estampado com o prazer de ter contado seu segredo.

– Como uma dupla? — ela pergunta com os olhos brilhantes.

Ele está a um centímetro dos lábios de Olivia e ela fecha os olhos, ligeiramente nervosa pela expectativa de ter os lábios dele colados aos seus.

– Não, Liv. Como um casal. — ele sussurrou, aproximando ainda mais seus rostos.

Segurou-a pelas laterais do rosto, roçando seus lábios. E eles se beijam, ali, no meio da madrugada, no frio, no sereno. Mas, sinceramente? Nada disso importa quando você está beijando a pessoa que ama. Afinal, super-heróis também precisam amar.

Notas finais
"It's so fluffy I'm gonna die!"