Terry
4 Capítulo 4
Notas iniciais

O tempo estava frio. Terry não havia percebido ainda, mas o dia cinzento não era devido apenas à neblina. Estava muito frio também.
Ele vai até o portão daquele onde estava e sai dos fundos da lanchonete, para chegar a um beco. Neste beco, Terry não sabe para qual lado ir, então escolhe qualquer um, pois ele só se importava em chegar logo ao hospital ou algum lugar em que ele pudesse cuidar do ferimento de sua perna. Por um tempo, Terry caminha pelo beco até chegar ao fim dele, e se depara com uma parede. Era uma rua sem saída. Terry percebe que estava bem perdido, mas não se abala muito. Apenas dá meia-volta e segue na outra direção. Caminha mais um pouco, com muita dor na perna. Quando passa pelos fundos da lanchonete, percebe que a porta pela qual ele havia passado mostrava o interior da lanchonete muito escuro. Numa iluminação diferente da de fora. Diferente da que ele se lembra de quando estava lá dentro. Mas Terry não deu importância.
– Com certeza, os donos devem ter chegado. Ainda bem que sai a tempo. Não quero mais encrenca pra minha cabeça — pensou Terry.
E Terry continuou seguindo. Em certo momento, ele não sabia bem o porquê, mas sentia um mal estar estranho. Começou a se sentir mal, como se estivesse muito nervoso. E logo ele conseguiu enxergar um esboço de alguém lá longe, no final daquele beco. À medida que Terry se aproximava, conseguia também ouvir alguns sons. Gemidos. Terry parou por um momento, preocupado de ser um casal fazendo “coisas” às escondidas. O que era bastante bizarro, pois quem em sã consciência estaria interessado em fazer algo do tipo, em um lugar como aquele? Numa situação como aquela? Mas alguma coisa em Terry dizia para ele que deveria seguir em frente. Alguma coisa falava ao seu ouvido que ele devia ver. E bastante incomodado com isso, Terry realmente seguiu em frente, mas foi um pouco escondido, sem deixar que o casal o visse. E quanto mais se aproximava, mais Terry ficava angustiado de novo. Ele reconhecia aquele cabelo. A cena que estava revirando o estômago de Terry, era Laura e outro homem, que não era o mesmo do banheiro, que ele havia visto antes. Laura estava sendo segurada contra a parede, suspensa no ar pelos braços do homem que a segurava pelas nádegas. Laura estava usando uma saia que estava levantada até a sua barriga e o homem estava com as calças arriadas. Mais uma vez, Terry podia ouvir Laura rindo. E novamente, não era uma risada maléfica, sacana nem nada. Era uma risada de alegria. Laura olhava para Terry e sorria, assim como da outra vez. Terry não podia acreditar que estava já pela segunda vez, presenciando uma cena daquele tipo. Por que ele continuava vendo Laura fazendo essas coisas? Terry rangia os dentes, ficava louco! Podia sentir o sangue ferver e a vontade de matar o homem com quem Laura se envolvia. Mas quem eram esses homens? Eles foram casos que Laura teve?
– Será que... Laura me traía? E agora, estou descobrindo a verdade sobre ela? Não, não pode ser possível. Laura nunca foi uma mulher desse tipo! Ela sempre se deu ao respeito. Não pode ser. Isso mesmo, isso tudo é coisa da minha cabeça! É essa insanidade que está mexendo comigo.
Terry então, com muito esforço, dá as costas para aquela cena toda, e volta pelo caminho que veio, já que por ali também não tinha saída, pois se tratava de outro beco sem saída. Então, indignado e irritado, Terry sabia que teria que ir até a lanchonete para tentar sair daquele lugar em que estava, aproveitando que agora tinha gente na lanchonete. Então, Terry caminhou até o portão dos fundos da lanchonete e por ele passou. Ao estar ali nos fundos, Terry percebe que a iluminação dentro da lanchonete estava realmente estranha, porque lá dentro parecia estar tudo tão escuro, que não era normal. A luz do dia deveria iluminar o interior da lanchonete, mas não o fazia. Terry chegou bem próximo da porta e tentou espiar para ver o que estava havendo lá dentro, mas era impossível de enxergar. Então, Terry resolveu tentar entrar na lanchonete, batendo à porta.
– Olá? Alguém poderia me ajudar?
Mas ninguém respondia. Terry bateu de novo na porta.
– Por favor, eu não sei como sair daqui, poderiam me ajudar? Eu... – interrompendo o que Terry estava falando, a porta abre lentamente. Ela não estava fechada nem com o trinco, estava apenas encostada, e por isso, ela se abriu quando Terry bateu na porta. Terry pensa bem antes de entrar, pois estava assustado. Aquilo não lhe parecia ser algo exatamente normal. Mas ele empurra a porta bem de leve, para revelar uma escuridão anormal. Era como se dentro da lanchonete, fosse noite.
– Oi? Tem alguém ai?
Terry já não tinha tanta certeza de que havia alguém ali. Ou se havia alguém que pudesse ajudá-lo. Então, ele se lembra da lanterna que havia achado. Mas ela estava sem pilha, não poderia usá-la. Mas, um fenômeno inexplicável ocorre naquele momento. A lanterna que estava guardada no bolso da blusa de Terry, começa a piscar. Terry percebe os pequenos feixes luminosos da lanterna, e a retira do bolso. Ao retirá-la, ela começa a acender e sua luz fica cada vez mais forte, até estar completamente acesa. Sem entender como aquilo era possível, Terry se preocupou mais em iluminar o lugar onde se encontrava. A cozinha da lanchonete estava do mesmo modo que antes, mas totalmente escura. A luz da lanterna, apesar de forte, parecia intimidar-se com aquela escuridão anormal. As pernas e braços de Terry tremiam de um jeito que ele não conseguia sequer andar com firmeza. E não se ouvia nem um único barulho. O único som que se ouvia, era o das roupas de Terry, quando se movia. Ele então resolve entrar na cozinha, esquecendo-se da porta. Um fato curioso, e que Terry não percebeu naquele momento, é que fora da lanchonete, pelo caminho que ele veio, não era noite.
Terry dá pequenos passos, muito amedrontado com tudo aquilo. Não sabia se teria coragem de continuar ali, mas era o único caminho para poder sair dali. Encostado na pia do lugar, Terry ouve um grito altíssimo!
O susto que Terry tomou foi tão forte, que sua lanterna caiu no chão e Terry também gritou. Seu coração imediatamente acelera e o sangue correu rápido pelas veias. Apavorado pelo grito feminino que ouviu, Terry rapidamente se abaixa para pegar a lanterna que caiu no chão e ilumina a porta que dava para o balcão da lanchonete, a parte frontal do lugar. Terry sabia que o grito vinha dali. A lentos passos, ele vai até perto da porta, que já estava aberta, e de longe, ele ilumina o lugar. Não vê nada de onde estava. Ele apenas vê o mesmo balcão, as mesmas mesas e toda a frente da lanchonete que era de vidro. Com muito medo, Terry então segue em frente e passa pela porta, chegando até o balcão. E de trás do balcão, ele ilumina um lado da lanchonete, e não vê nada. Ao iluminar o outro lado da lanchonete, na mesma mesa em que ele havia conversado com Laura, há uma coisa que Terry não consegue identificar o que era. Talvez pela escuridão ou pela luz fraca da lanterna, ou pela distância que se encontrava ou o medo que Terry sentia. Mas ele sabia que precisava descobrir o que era aquilo. Terry sai de trás do balcão, e lentamente ele vai em direção à mesa.
– Ei! – Terry fala um pouco baixo, sem saber se era alguma coisa que pudesse respondê-lo. À medida que Terry se aproxima da mesa, ele pode entender melhor o que era. Parecia ser uma pessoa que estava ali debruçada na mesa. Mas era algo estranho, pois a pele, o cabelo, as roupas, tudo tinha uma coloração estranha, uma aparência bizarra. Era como se fosse um quadro de Picasso que havia se tornado real. O estômago de Terry se embrulha ao ver que aquele corpo estava já em um estágio avançado de decomposição. Porém, debaixo da mão em que a cabeça daquele corpo estava apoiado, havia um papel. Um papel igualmente podre, como aquele corpo. Obviamente, havia algo escrito no papel, mas que não se podia ler nada, pois o corpo estava encobrindo o papel.
Terry se aproxima mais da mesa e percebe que para ver o que havia naquele papel, ele precisaria retirá-lo debaixo do corpo. Então, respirando bem fundo e tomando muita coragem, decidido a pegar aquele papel, Terry estica seu braço direito, segurando a lanterna com a mão esquerda. O medo que aquele corpo reagisse justamente no momento em que Terry tocasse no papel, era gigantesco. Assim como aconteceria em qualquer filme de terror. Mas para a sorte de Terry, aquele corpo parecia estar realmente inanimado. E ele consegue puxar o papel e então, ler o que estava escrito.
“Por favor, não deixe que ele saiba.”
– Mas... Ele quem? Quem era essa pessoa? E como ela... Como ela veio parar aqui??? Não estava aqui há poucos minutos! E POR QUE ESTÁ TUDO ESCURO???
Terry começa a perder o controle de si mesmo, e toda a indignação pelos fatos que vinham acontecendo se extravasam. Um erro. Ao perder o controle de si mesmo, Terry perde o controle de sua mente. E as coisas que ele já vinha imaginando, com certeza, iriam piorar a partir daquele momento. E ele sabia disso. E logo o arrependimento veio à tona. Numa fração de um milésimo de segundo, aquele corpo que estava debruçado na mesa pôs-se em pé, numa pose assustadoramente bizarra. Era como se ele estivesse em uma pose de dançarina de balé. Mas o estado em que aquele corpo se encontrava, definitivamente, era um espetáculo de horror. O corpo de Terry tem um espasmo ao ver aquela cena. Tão forte, que as suas pernas não conseguem sustentá-lo e Terry cai no chão. A lanterna de sua mão cai e Terry só consegue enxergar as pernas daquela criatura que estava em sua frente. Tremendo como se estivesse nu no meio do Pólo Sul, Terry desesperadamente tateia o chão, em busca de sua lanterna. Sentado mesmo, ele vai se afastando daquela criatura, suando e tremendo, procurando sua lanterna. Porém, o que ele acaba achando com sua mão não era exatamente o que ele queria. Terry coloca a mão em cima de algo gosmento. Parecia ter alguma consistência, mas era mole. No susto, Terry retira sua mão e olha para trás para averiguar o que é que estava ali. E então Terry não pode se conter e soltou um grito desesperado. Havia outra criatura igual aquela que estava atrás da mesa, pelo pouco que ele conseguia enxergar, naquela escuridão. Esta se encontrava no mesmo estado de decomposição, mas sua pose era diferente. Bem mais assustadora. Estava com os braços abertos, de forma assustadora em cima de Terry, parecendo que ia pegá-lo ou atacá-lo. Todo atrapalhado, Terry tenta se levantar correndo em uma direção diferente das criaturas. Mas desesperado, Terry bate em algumas cadeiras, tropeça e rola por cima de uma mesa, terminando por cair no chão. O tombo não havia sido muito forte, mas fraco e machucado como Terry estava, qualquer coisa podia ser considerada um grande esforço. Caído ao chão, Terry tenta se levantar com muitas dores pelo corpo. Exausto. Quando ele levanta a cabeça e lança um olhar pelo lugar, com os olhos já acostumados com a escuridão, Terry percebe que havia mais outras duas criaturas daquelas perto dele. Elas estavam olhando para Terry, ele podia perceber, mesmo que elas não tivessem olhos ou se quer um rosto. Ele sabia que era pra ele. Ele só não conseguia identificar melhor o que eram aquelas criaturas, porque sua lanterna estava jogada bem longe dele. Mas havia algo nelas que as deixava mais assustadoras ainda, mas Terry não conseguia identificar o que era.
– Não... Não... Sai de perto de mim! Me deixem em paz!!! Sai daqui!!! SAI DE PERTO DE MIM!!!
Os gritos de fúria de Terry parecem ter dado energia de volta para ele, pois ele consegue se levantar todo desengonçado e atordoado e vai em direção à porta de vidro da lanchonete. A mesma que antes ele não conseguiu quebrar nem mesmo com uma cadeira. Porta que agora ele quebrou ao ir correndo em direção dela.
Terry nem mesmo se lembra que tivera tentado quebrar aquela porta antes. Nem mesmo percebe os cortes feitos em seu corpo pelos cacos de vidro da porta. Não se lembra do corte profundo em sua coxa ou todas as dores no seu corpo pelo tombo de antes. Terry apenas consegue perceber que tem muita energia pra correr pra bem longe daquele lugar. Não sabe nem para onde está indo, apenas corre. Não olha para frente, muito menos para trás. Não quer saber o que pode vir adiante e nem quer saber do que deixou para trás. Terry apenas corre.
De fato, tudo estava escuro porque era noite. Curiosamente, o lugar havia mudado de horário repentinamente. E Terry não conseguia enxergar nada ao seu redor. Estava correndo às cegas. Tudo que conseguia ver era aquela mesma neblina que enxergava antes, as beiradas das calçadas e algumas árvores, quando havia alguma. Mas o breu da noite era tão forte, que parecia ser alguma anormalidade da natureza.
Já tendo percorrido um bom caminho, Terry diminui o ritmo de sua corrida e olha para trás. A única coisa que ele consegue enxergar são as bordas das calçadas e a escuridão da noite. Nada mais, além disso. Ele então olha ao seu redor e percebe que estava no meio do nada, em uma cidade que parecia não ter luz alguma. Que parecia não ter nenhum habitante. Uma cidade que parecia estar morta. Ofegante e suando, Terry apóia as mãos nos joelhos e tenta recuperar o fôlego. Seu medo de estar sozinho num lugar daqueles era tão grande quanto a incompreensão de tudo aquilo. Perguntava-se o tempo todo porque aquilo tudo estava acontecendo. Como tudo aquilo era possível. E foi então que Terry percebeu. Ele olhou bem para o chão daquele lugar, enquanto caminhava, e viu que não era asfalto, como deveria ser para uma rua. E sim, um tipo de lugar azulejado. E de repente, percebe, já não estava mais no meio de uma rua. Estava dentro de algum lugar, que ele não conseguia entender o que era. À sua frente, havia uma parede enorme, muito alta. Aquilo foi algo inexplicável para Terry, porque não entendia como aquilo havia surgido ali, do nada. Terry então se vira. E a incompreensão dos fatos torna-se maior ainda. Em sua frente, havia túmulos. Vários. Milhares a perder de vista. A neblina que antes se fazia presente, naquele momento, havia se dissipado, e uma luz tímida do sol surge e pode então descer até o lugar e mostrar para Terry o lugar em que ele estava, transformando a noite em dia. Ainda sem saber o que fazer ou o que pensar, Terry dá alguns passos em frente, passando por entre alguns túmulos e seguiu andando. Alguns sentimentos estranhos começaram a acompanhar a lenta caminhada de Terry. Mas entre muitos, o sentimento de abandono... O sentimento de desolamento... O sentimento de que Laura havia ido embora, deixando-o sozinho naquele mundo doente e maluco. Há meses, Terry não sabia o que era receber um abraço. Um carinho. Uma demonstração de afeto. Tudo que ele vinha vivendo até aquele momento era dor. Angustia. Tristezas. Os passos de Terry param, mas não seus pensamentos. Aquele lugar trazia lembranças que Terry não entendia quais eram. Era como se fossem lembranças que não pertencessem a ele.
– Como eu pude fazer isso?
– Não foi sua culpa, você sabe disso.
Terry ouve duas vozes. Estavam em um tom de altura bem baixo. A voz que se perguntava, era de uma mulher. A outra parecia ser de um homem. Ambos jovens.
– Não adianta tentar me animar. Eu sei o que eu fiz. Ele... Ele não merecia isso... – dizia aquela voz, chorando bem baixo, de modo muito sofrido.
– O que você podia fazer? Ele nunca te deu o que você queria!
– ... Não. Ele me deu exatamente o que eu queria. O que eu precisava. E, no entanto... Deus, como eu pude fazer isso?
Terry anda com muito cuidado, para tentar ver quem conversava. Mas apenas ouvia as vozes. Não via ninguém. Terry não conseguia entender como poderia ser possível, mas ele sentia o sofrimento daquela mulher que chorava, mesmo sem vê-la. Era como se ele soubesse quem ela era. Como se fosse um elo tão forte, que todo e qualquer sentimento que um tinha, o outro também tinha.
Imediatamente, veio à memória de Terry, lembranças de um fim de semana em que ele foi convidado para ir até uma cidade próxima da sua. Convite feito por uma garota, que devia ter lá os seus quinze ou dezesseis anos. Ele evitou ir pelas primeiras duas vezes. Por timidez, por vergonha. Mas depois de muita insistência, Terry resolveu ir. Ele também era bem mais jovem e mais novo, naquela época. Ao chegar à cidade que havia sido convidado, ele vê uma garota nas escadas da rodoviária. Neste momento, a memória de Terry tem uma falha, pois não se lembra de mais nada. As memórias voltam quando ele estava com essa garota em um cemitério da cidade. Sentados em uns túmulos do cemitério, eles conversavam. Terry lembra-se de cada detalhe daquela tarde, com tanta perfeição. O sol quente que não era exatamente um agrado para os dois, mas estava completando o cenário perfeito para eles. Terry lembra-se do olhar apaixonado daquela garota para ele. Ele se lembra do quanto aquele momento era especial em sua vida. Ele sabia que aquela cena iria ficar para sempre em sua mente. Terry revive aquele momento novamente. Ele vê aquela garota sentando em seu colo, apoiando-se em seu peito. Roubando-lhe um beijo.
Os dois ficaram abraçados naquele instante. Em silêncio. Tudo que era possível ouvir, era o batimento acelerado dos corações do casal, que estavam sentados naquele chão sujo do cemitério. E tudo era perfeito. Até que Terry começa a ouvir um gemido estranho. E não era um gemido naquela lembrança que Terry estava tendo. Era fora daquilo.
– Não... Por favor, outra vez isso não. – Terry já sabia o que aquilo poderia ser. Não foi diferente das outras duas vezes. E não foi diferente desta vez. Terry apenas precisou andar poucos metros para esquerda, para ver novamente, Laura em uma cena de sexo com outro homem. Diferente dos que já havia visto. Ela estava dentro de uma pequena capela com o homem. Este aparentava ser bem mais jovem que os outros. Deveria ter a mesma idade que Laura ou em torno disso. Ela estava apenas sem as peças de roupa de baixo, ainda vestindo sua blusa. Estava encostada na parede, enquanto o homem estava também nu somente da cintura para baixo. Laura arranhava as costas daquele homem por baixo da blusa, rangia os dentes e sorria, rodeados por imagens de santas, crucifixos e uma imagem de Jesus na cruz, profanando de forma quase satânica aquele lugar sagrado. Mas desta vez, Laura tinha um olhar mais provocante. Mais sensual. Erótico e despudorado. E desta vez, quando ela olhou para Terry, que estava travado com aquela cena que estava presenciando, Laura aponta para ele e diz:
– O que está olhando, verme? Está gostando do que está vendo?
Ao tempo que Laura dizia essas palavras, a luz do sol começa a enfraquecer. A neblina em todo o lugar começa a surgir e a escuridão começa a voltar.
– Seu fraco! Olhe o seu estado, nojento imprestável! Este aqui sim, sabe como tratar uma mulher!
Terry não acreditava que agora, além de ver aquela cena, Laura estava falando com ele. Ao que ela diz isso, o cenário em volta continua se deteriorando. Então, o jovem homem que estava ali, vira seu rosto e olha para Terry, rindo. Este sim sorria sarcasticamente. Terry ficou sem reação. Ele o reconheceu. Terry sabia quem era aquele homem. Ironicamente, era um grande amigo de Laura, que ao passar do tempo, também havia se tornado amigo de Terry. Mas Terry jamais esperava ver algo daquele gênero. Não imaginava que as visões que estava tendo sobre Laura, também acabariam envolvendo outras pessoas.
– Você... Por todo esse tempo... – dizia Terry, cerrando os olhos e fechando as mãos – Me enganou? Vocês dois me enganaram?
– TERRY! NÃO OLHE PRA ELA!!!
– O que?!
Rapidamente, alguém surge por trás de Terry e o segura pela cabeça, baixando seu ângulo de visão. Terry não teve nem tempo de reconhecer a voz de quem falara com ele ou sequer ter alguma reação. Apenas deixou ser levado por aquela pessoa que o agarrou pela cabeça, mesmo que relutando. Terry sentiu o ar ficar mais quente. A neblina que havia no lugar, parecia estar virando vapor de calor, como se houvesse algo fervendo abaixo dos seus pés. O pouco que Terry conseguia enxergar, ele podia ver que o lugar estava mudando. Daquele chão azulejado do cemitério, estava voltando a ser asfalto. Mas era um asfalto diferente. Estava rachado. Velho. Esburacado. Terry não entendeu bem o que era aquilo tudo, mas sentiu que estava correndo menos risco de morte, pois alguém real havia se apresentado para ele. E sem pensar se podia ser alguma ameaça ou algo do tipo, Terry deixou ser guiado. De repente, eles param. Abruptamente a cabeça de Terry é liberada, e ele então tenta ficar ereto, dando alguns passos um pouco atordoado. Ao olhar para frente, Terry se depara com uma garota. Ela parecia ser uma garota pouco mais nova que ele, de baixa estatura. Mas era um rosto desconhecido para Terry.
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