Terra do Ontem

7 O dia depois, Chapeuzinho Vermelho


Notas iniciais
Essa pequena historia não tem como intenção causar terror, horror ou algum tipo de repulsa como é proposto na coletânea de contos, mas se trata do dia após a um evento trágico e traumático.

Chapeuzinho Vermelho havia acordado no meio da noite e não sabia como tinha conseguido dormir naquele dia; no dia em que foi engolida por um lobo.

Aquilo latejava na cabeça dela: ter sido engolida por um lobo, o mesmo lobo que engoliu sua avó, e depois ter visto esse mesmo lobo com a barriga rasgada e depois costurada, com algumas pedras dentro.

Junto com essas lembranças, a imagem do lobo caindo no córrego e não retornando.

“Aquele lobo morreu”, pensou Chapeuzinho. Chapeuzinho havia feito um pacto com a vovó e o lenhador: “ Essa história não deve ser contada”, lembrou Chapeuzinho.

“Queria poder contar para o papai e a mamãe”, pensou Chapeuzinho, que realmente gostaria de poder contar a história para sues pais e em seguida, ganhar um afago dos dois.

“Mas, e a vovó?”, pensou Chapeuzinho, que continuou a pensar: “A vovó me disse para não contar aos meus pais sobre a história, ela disse que eles iriam fazer um alarde desnecessário, que iria proibir meus passeios, fazê-la morar conosco, criar uma divida com o lenhador, algo que ele provavelmente não iria querer, e que existia varias coisas que eles poderiam fazer, alem do mais, a vovó disse que eu aprenderia com tudo isso, que não voltaria a falar com estranhos, nunca ir por aquele lado da floresta e nunca mais desobedecer aos meus pais”.

Chapeuzinho rolou para um lado e lembrou do abraço de sua avó, lembrou das palavras que o lenhador proferiu : “irei vigiar sua avó”, e aquilo para a Chapeuzinho não bastava, mas já era o suficiente, afinal, ele havia matado um lobo.

A tranquilidade de Chapeuzinho havia voltado, assim como seu sono.

Lembrou do lenhador indo embora contente, da vovozinha comendo as broas; de tudo que aprendeu.