Terra, desligando
7 Grupo Katrina - dia 17
Já era noite. Policiais andavam pelas ruas com suas metralhadoras de assalto. Viaturas passavam em silêncio. Era raro ver uma alma penada pelas ruas. Havia um banco onde Ayumi poderia pegar seu dinheiro e finalmente fugir para Carrietta com George, mas estava fechado por causa da rebelião do dia seguinte. Andavam apressados, com certo medo. George estava com seu braço por trás de Ayumi e segurava em seu ombro deixando o corpo da oriental encostado ao seu, como se quisesse protegê-la de alguma forma de toda aquela atmosfera de inicio de violência.
– Onde estamos indo? – perguntou Ayumi.
– Queria chegar a alguma área residencial. Corremos menos perigo. Se uma rebelião for tão ruim como você diz, aqui no centro de Aquarius talvez vire uma zona.
– Você vai ver zona que vai virar independente de onde estivermos. Os anos fez das pessoas mais egoístas. Hoje em dia ninguém gosta de ser roubado, e tudo é motivo para violência. Não lê jornais George? Rebeliões acontecem com certa frequência pelo mundo.
– Não me interesso nem pela minha chata vida, quem dirá por essa merda de planeta...
– E depois? O que faremos? Não temos dinheiro.
– Vamos pensar em algo...
Atravessaram grande parte da cidade. Receberam olhares tortos de policiais e alguns até ameaçaram apontando suas armas. Por fim, conseguiram chegar a uma área concentrações de casas. Sentaram-se em um banco de madeira em uma rua qualquer. George sentiu-se frustrado. Ayumi o obrigou a ir para Carrietta e encontrar sua mãe. No começo odiou o plano, mas com o tempo, com a presença de Ayumi, começou a aceitar a ideia. Agora estava longe do seu objetivo e longe de sua zona de conforto. Ayumi havia dito que a Terra morreria dentro de um mês, mas não contou a George como. Agora o mendigo sentia um aperto no coração com o desperdício de tempo. Um jornal trazido pelo vento enroscou em sua perna. A primeira página era sobre Lumus.
“Graças a nossa tecnologia avançada, Lumus foi construída. Um novo começo, uma nova história, um novo marco. Uma nova era, a melhor de todas, será prestigiada por nós seres humanos. Lumus, pronta para construir um mundo melhor.”
Começava a amanhecer. Ayumi fingiu que cochilou, mas na verdade chorou em silencio para livrar os sentimentos pesados dentro de si. Sentiu George mexer em seu ombro para chamar sua atenção.
– O que aqueles babacas ali na esquina estão usando máscaras com rostos felizes?
– O que?
A oriental viu o grupo que George mencionou. Usavam roupas escuras e realmente usavam máscaras amarelas com desenho de rosto feliz, um smiley.
– Oh meu Deus George! São os Katrinas.
– Que porcaria é essa?
– São anarquistas! Já encontrei com vários desses quando fazia protestos pacíficos contra derrubada de árvores e outras coisas. Eles saqueiam e destroem as coisas, além de agredir as pessoas por pura diversão. Oro tanto a Deus para que esse tipo de coisa acabe...
– Certo, vamos embora daqui – sugeriu George.
Levantaram e seguiram as pressas sentido oposto aos Katrinas. Ouviram um estrondo bem longe, alguns pássaros passaram voando. Uma caminhonete com militares passou pela rua. Um dele atirou na calçada para amedrontar Ayumi e George. George assustou-se no ato.
– Eu avisei – disse Ayumi.
Subitamente George caiu ao lado da oriental. Virou-se para olhar para trás, e aquele rosto feliz foi o suficiente para fazê-la cair sentada no chão em um susto. Eram os Katrinas. Dois tinham imobilizado George.
– Pensou que não tínhamos visto vocês é? – perguntou um deles.
– Corre Ayumi! – gritou George.
Ayumi chutou-o no joelho, levantou-se e seguiu a sugestão de George. Seguiu desesperada e virou a primeira rua que viu. Queria encontrar algum policial ou militar, embora houvesse chances deles ignorarem os pedidos da moça, principalmente se estivessem passando com algum veículo. Gritou por ajuda, mas a cidade parecia abandonada. Sentiu mãos agarrando suas roupas e em seus cabelos. Virou-se brutalmente, desferindo um tapa no rosto de um dos Katrinas. Os dois caíram no chão, Ayumi lutando como podia. Então surgiram mais dois e a renderam. Ayumi apagou logo após colocarem um saco em sua cabeça.
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