Terra de Cobras

1 A água que levita e o peixe grande


Notas iniciais
Espero que vocês gostem, se é que alguém vai ler isso.
É a primeira vez que uma história minha vai tão longe, então, resolvi postá-la para ver se vocês acham ela tão boa quanto eu e a considero.

Estava mais uma vez em um lugar onde não queria estar, já devia ter aprendido que minhas opiniões não valiam de nada para mamãe, ela nunca escutava meus comentários, mesmo que eu tivesse razão, coisa que ela “sempre” dizia ter.

Lembro de ontem não ter mostrado o folheto sobre o local que dava aulas de natação para minha mãe, mas como de costume ela havia feito mais uma de suas ligações semanais para o colégio, perguntando se tinham novidades, como eles conhecem o jeito impulsivo dela, trataram de logo contar sobre as tais aulas de natação para que ela pagasse, ou seja, não importava se eu mostrasse ou não mostrasse o folheto, o que importava era que mamãe sempre queria saber tudo o que acontecesse ao meu redor.

Tentei demonstrar alegria e ansiedade para que seja quem fosse o professor ou professora me visse e sentisse prazer de ensinar uma aluna feliz, apesar de não querer ser aluna de natação e muito menos estar feliz. Estava sentada aguardando acerca de quinze minutos, quando meu telefone vibrou, não precisei nem pensar duas vezes sobre quem estaria me ligando, afinal era óbvio de quem se tratava.

— Filha, a aula já começou?

— Não, estou apodrecendo aqui a quase meia hora.

— Sem exageros, Moêma. Você está bem?

— Claro que estou. — Respondi como se fosse lógico.

Entendo que a mamãe se preocupe comigo, mas não entendo o porquê da necessidade de me ligar e sempre fazer a mesma pergunta, talvez fosse mais uma vez sua impulsividade querendo saber tudo que me rodeasse.

— Quando faltar uns quinze minutos para a aula acabar, me liga.

— Sim, senhora. — Concordei. — Agora é melhor eu desligar que acho que a treinadora chegou. — Avistei uma mulher com um maiô preto.

— Ok, boa sorte filha, te amo!

Sei que tudo que mamãe faz por mim é para compensar a falta de meu pai, ele morreu antes de eu nascer, então não posso afirmar que gostava dele, só posso afirmar que amo minha mãe e sua louca impulsividade. A treinadora já estava perto suficiente para me ouvir.

— Olá! Sou sua nova aluna. — Falei relembrando o meu pensamento de parecer alegre e ansiosa.

— O quê? — Respondeu ela da forma mais surpresa e raivosa possível. — Depois de anos estudando balé, eu termino aqui, dando aulas e sendo confundida com uma professora de natação! Isso é inacreditável! E olha que eu achava que já tinha alcançado o fundo do poço! — Completou ela virando as costas e saindo em apressados e raivosos passos.

Tentava digerir essa inesperada e vergonhosa situação que havia acabado de se passar, até ouvir umas risadas vindo da direção das arquibancadas. Virei-me e enxerguei um menino e uma menina, eles viram tudo, e riam da minha “pequena” gafe quanto a professora de balé. Era de se esperar que um lugar tão grande, não ensinasse apenas natação, mas também tipos de esportes e variadas danças.

— Olá! — Gritei — Quem são vocês?

Eles se levantaram, desceram as arquibancadas e foram ao meu encontro.

— Somos alunos de natação. — Afirmou o menino que era alto tinha olhos e cabelos negros, com a pele morena. — Você é a novata, não é?

— Sim. — Respondi educadamente e perguntei. — Qual o nome de vocês?

— O meu é Mayara — Respondeu a menina. Ela era muito parecida com o menino, e seu cabelo era de um liso bonito e encantador. — O dele é Cauã — Apontou para o menino que estava ao seu lado. — Antes que você pergunte, quero dizer que sim, nós somos irmãos.

— Nossa como você adivinhou. — Respondi surpreendida.

— É que todos perguntam isso. — Concluiu Mayara.

— Ah sim. É um prazer conhecer vocês. — Falei cumprimentando Cauã e depois Mayara. — Meu nome é Moêma. Só vocês que tem aula esse horário?

— Não, você também. — Disse Cauã rapidamente.

Todos rimos.

Enquanto riamos uma linda mulher com cabelos lisos que alcançavam suas pernas se aproximara, seu maiô era verde limo feito de escamas, por um instante quase acreditei que eram realmente escamas e que faziam parte de seu corpo.

— Olá crianças! Essa é a nova aluna? — Indagou a misteriosa mulher. Fiz que sim com a cabeça e ela estendeu a mão para cumprimentar-me. — Prazer, meu nome é Janaína.

— O meu é Moêma. — Falei apertando sua mão.

— Desculpem-me pelo atraso, estava resolvendo um problema, mas agora que já estou aqui, vamos começar a aula. — Disse a professora entrando na piscina. — Bem, para começar quero que vocês deem duas voltas na piscina. E é para hoje isso!

— Onde tem um banheiro, pra eu trocar de roupa? — Perguntei para Mayara.

— Bem ali, atrás da arquibancada. — Ela respondeu gesticulando.

— Obrigada.

Saí correndo para o banheiro, pois não podia fazer uma inimizade com a professora logo na primeira aula. Me troquei rápido e fui em direção a raia três.

— Prontos? — Disse Janaína.

Mayara estava na raia dois e Cauã na quatro.

— Que tal uma competição, só pra animar? — Sugeriu Cauã.

— Só se a Moêma quiser. — Concluiu Mayara.

— Tá, pode ser. — Assenti.

A professora assoprou o apito. Todos pulamos. Era sombreado o lado da piscina para onde íamos, pois tinha muitas árvores ali próximo. Parei no meio da piscina, porque avistei uma coisa grande vindo em minha direção.

Gritei.

Havia um peixe gigante nadando atrás de mim, comecei a nadar o mais rápido que pude, mas parecia que logo ele me alcançaria. Não restava mais nada a ser feito. Aquele seria meu fim. Engolida por um peixe gigante e fedido.

Vi Janaína fazer um gesto com as mãos e toda a água da piscina levitou. Eu estava sentada no chão e o peixe estava “pulando”. Mayara e Cauã foram me ajudar a sair da piscina, pois eu estava e estado de choque. Queria perguntar. Perguntar sobre tudo isso que havia acabado de acontecer, mas meus dentes não paravam de tremer.

— Mayara, pega um copo de água para ela ficar mais calma. — Pediu a professora.

— Sim, senhora. — Falou e saiu imediatamente a procura de um copo, até encontrá-lo e trazê-lo.

Com um simples estalar de dedos, a professora fez aparecer água dentro do copo.

— Toma, você vai se sentir melhor. — Sugeriu Mayara.

Tomei tudo.

— Você vai ficar bem. — Afirmou Cauã.

Desmaiei.

Acordei no chão ao lado da piscina. Olhei para o lado, e vi minha mãe discutindo com a professora, parecia que elas se conheciam.

— Que bom que você já está bem, Moêma. — Disse Mayara. — Ficamos preocupados quando você desmaiou na piscina, aí a gente ficou tentando te acordar, como anoiteceu sua mãe ficou preocupada e veio aqui.

— Quê? — Perguntei. — E o peixe grande e a água que levitou?

— Você deve ter sonhado isso durante o desmaio, que pode ocasionalmente ter virado um cochilo.

Queria discutir mais, aquele argumento não era o suficiente para me fazer acreditar, mas minha mãe gritou meu nome:

— Moêma! Vamos embora daqui. — Ela veio até mim e me puxou pelo braço.

Não sabia o que fazer, no que acreditar e no que pensar, então, a “senhora impulsiva” me levou sem grande resistência.

Enquanto caminhávamos para o carro, olhei para traz e vi Cauã ao lado de um poste, talvez nunca mais o visse novamente, então, fiz um sinal de adeus.

Ele acenou de volta e se transformou em uma águia.

É. Não tenho mais dúvidas. O peixe grande tentou me matar e a água realmente levitou.

Notas finais
Se chegou até aqui, só tenho a agradecer e pedir que continue acompanhando essa história que tem muitos segredos e curiosidades.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.