Terra Morta

9 Capítulo 9


Notas iniciais
Pessoal, tenho um aviso urgente a fazer: Como voces devem ter notado, eu demorei muito para postar esse capítulo e, infelizmente, durante o mês de dezembro e o de janeiro do ano que vem (2016) também vai ser assim. Me desculpem pelo transtorno, mas estão havendo alguns problemas aqui em casa. Apartir de 04 de fevereiro (2016) mais ou menos, as coisas vão voltar ao normal. Espero que não abandonem a fic, lembrem-se, eu não vou parar com ela, terão apenas intervalos de tempo maiores entre os capítulos. Muito obrigada pela atenção, um beijo pra todos vocês e boa leitura! Atenciosamente, Mafê (ou Dark Angel se preferirem).

Senti-me petrificada, apesar de meus joelhos estarem bambos.

Parecia que algo tipo uma bolha crescia em meu peito enquanto eu observava as coisas se aproximando. Meu tio e Andrew gritavam, mas as vozes eram ecos em minha cabeça. Mãos fortes me viraram me tirando de meu devaneio e me vi encarando Andrew.

–Temos que ir! – ele gritou acima dos gemidos e dos tiros da espingarda de Joe.

Engoli em seco e começamos a correr. Como eu não tinha nenhuma arma, tudo o que podia fazer era desviar de tudo, desde arvores e criaturas. As lágrimas começaram a rolar mornas pelo meu rosto, e meus soluços engasgados eram encobertos pelos gritos e tiros.

Eu não enxergava direito e acabei tropeçando em uma pedra. Sentia-me um saco de batatas rolando barranco abaixo, sem poder fazer nada e com meu corpo batendo em tudo. No fim da descida, bati o braço em um galho pontiagudo, fazendo um talho profundo.

Sentei-me desesperada, agarrando o braço direito ferido. Não via sinal de Andrew ou Joe em lugar algum.

–Angel – chamei, a voz embargada. Normalmente a cadela viria correndo ao meu encontro, mas ela não apareceu – Joe?! – recomecei a soluçar e me levantei.

Não ia morrer daquele jeito.

Eu ia encontra-los.

Continuei a correr, seguindo o som dos tiros. Eu estava em uma pequena trilha com árvores grossas e espaçadas, os galhos se curvando para mim como garras. À minha esquerda, havia a continuação do barranco no qual escorreguei. À direita, a floresta esparsa e silenciosa.

Um farfalhar nas copas das árvores me chamou a atenção e olhei para cima, esbarrando em alguma coisa e caindo sentada. Enxuguei as lágrimas furiosamente, temendo que fosse uma criatura, mas quando abri os olhos vi que era algo bem pior.

Eu encarava um rapaz nos seus vinte anos, mais ou menos. Tinha cabelo caramelo aparado bem curto e olhos cor de avelã intimidadores. Ele mantinha a expressão severa enquanto me apontava uma escopeta, os lábios rígidos em uma linha fina. O porte musculoso, mas não exagerado, se erguia muito mais alto que eu, formando uma sombra.

Aquela era a primeira vez em meses que eu via um ser humano além de Joe e Andrew, e da última vez não foi nada agradável. Porém, estranhamente, a primeira coisa que me veio à cabeça foi que eu devia estar parecendo uma selvagem.

Ouvi o som de duas armas sendo destravadas atrás de mim, junto com um rosnado baixo e enfurecido.

–Afaste-se dela – a voz era de Joe, ríspida.

O rapaz ergueu a arma, me ignorando. Me arrastei ainda sentada e minhas costas bateram em algo. Ergui a cabeça e vi Andrew, austero, a arma trêmula em suas mãos.

–Abaixem as armas – disse o rapaz calmamente.

–Você primeiro – dessa vez foi Andrew que falou, e o medo transpareceu um pouco em sua voz.

O rapaz sorriu provocador e franziu as sobrancelhas claras enquanto examinava nós quatro, incluindo Angel que tinhas as orelhas abaixadas e os pelos das costas magras eriçados.

–Estão sozinhos?

–Porque quer saber?

–Há quanto tempo? – insistiu o rapaz. O jeito que ele respondia com outras perguntas era irritante, e ainda assim me intrigava.

–Nove anos – murmurei. Minha garganta estava seca então minha voz saiu rouca. O rapaz olhou para mim, o sorriso desapareceu e senti meu rosto corando, um calafrio percorrendo minha espinha.

–Nove? – ele baixou a arma, apontando para o chão. Então ele sorriu simpático, não parecia mais tão assustador – Isso parece... improvável.

–Nunca mais nos juntamos a outro grupo – disse Joe. Havia uma pontada de amargura na voz dele.

–Tem espaço sobrando no meu grupo – o rapaz parecia estar fazendo um convite. Ele guardou a arma, pendurando-a nas costas da correia que passava pelo seu peito – E temos um cachorro – essa última frase ele disse olhando para Angel.

–Como vamos saber que está falando sério?

–Se eu quisesse matar vocês, já o teria feito – ele voltou os olhos para mim e meu rosto esquentou, meu estômago ficou embrulhado.

–Péssima ideia – murmurou Andrew. Joe tinha os olhos semicerrados, encarando o rapaz como se tentasse ler suas intenções.

–Podemos tentar. Mike? – ele me chamou e levei um susto, ainda olhando para o rapaz – A decisão é sua.

Engoli em seco. Como ele podia deixar isso nas minhas mãos? Senti meu peito sufocando, eu não conseguia respirar direito, até que, sem pensar, eu disse:

–Ok.

O rapaz sorriu e estendeu a mão para mim. Relutantemente a peguei e me ergui com a sua ajuda. Ele franziu a testa e olhou para o meu braço, notando-o pela primeira vez.

–Isso é uma mordida?

Andrew e Joe me encararam de olhos arregalados.

–Eu caí – comecei a ficar desesperada – Eu juro!

O rapaz estreitou os olhos. Angel se aproximou e lambeu a mão dele, farejando as pernas dele. Parecia ter sentido o cheiro de outro cão.

–Meu nome é Charlie – disse o rapaz acariciando a cabeça de Angel – E é melhor irmos logo antes que aquelas coisas nos alcancem.

Então ele começou a andar na mesma direção que eu estava indo antes, olhando para trás de vez em quando para ver se o estávamos seguindo.

Senti uma pequena pontinha de esperança em mim, uma chance de que talvez pudéssemos sobreviver por mais tempo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.