Terra-11: Os Melhores do Mundo
1 A Máscara, a Repórter e o Visitante
Notas iniciais
Estava escuro... Fazia há muito tempo que sempre parecia escuro. Não importava o dia, não importava o inimigo, a única diferença que poderia existir era se estava chovendo ou não... Que bom que hoje não começara a chover! Afinal, aquela era uma noite que ela era a ameaça. Afinal, ela parecia ser a única pessoa, fora Rachel, que conseguia me tirar do sério.
Nem importava mais o que ela tinha feito direito. Era sempre a mesma coisa. Um roubo, umas vítimas e umas pessoas horrivelmente desfiguradas. Não aguento mais aquele sorriso que ela deixa. Toda vez que alcanço ela dá vontade de bater até tirar aquela coisa da cara dela. Ás vezes sonho que ela morreu de tanto que eu bati, como se não houvesse mais nada que nos diferenciasse.
– Corre, corre morceguinha!! Vem me pegar!!
Aquela voz odiável, esganiçada, feita para irritar qualquer um, com certeza. Estava a poucos metros na frente. Corríamos sobre telhados, por sinal. Era aberto demais para preparar qualquer emboscada e alto demais pra ela fazer qualquer curva sem eu perceber seu caminho. Mesmo assim, parecia que hoje ela ia conseguir escapar, nem que fosse só pelo fato de que ela sempre escapava.
Hoje não. Estava cansada desse gato e rato sem fim. Procurei entre os compartimentos de meu cinto, sem tirar meus olhos daquela criatura. O bat-rangue era muito óbvio para a situação, com certeza ela já esperava algo do tipo. Lancei.
Ela se abaixou, esquivando do meu lançamento. Ótimo. Agora é só eu—
– Srta. Bridgit! — era a voz de Aida em minha cabeça.
– O que foi agora?! — ela estava ali, na minha frente, esperando eu acionar meu novo dispositivo rastreador no bat-rangue que ela estava prestes a pisar. Não podia ter erros, tudo seria sincronizado.
– Estamos sendo convocados. — dizia ela, calma como uma morta — Um tal de sr. Waller — ela sempre estava calma como uma morta.
– Waller?! — perdi a sincronia!
– Tchau, tchau morceguinha! — ela dizia novamente acenando, sumindo de novo sobre a sombra entre os prédios.
Droga! Ela tinha de escapar de novo?
– Devo ignorá-lo? — continuava ela no meu ouvido, como se nada tivesse acontecido.
– Não! Mande ele esperar que já estou a caminho.
E agora? Concentra. Qual o caminho mais rápido de volta a Batcaverna? Melhor chamar o Carro. Ah, como eu adoro aquele carro!
O batmóvel chegou menos de um minuto depois. O bom de tudo estar escuro é que não tem ninguém para atrapalhar um carro a quase 200km por hora. Faço o possível para ignorar tudo que passa a minha volta pelas ruas escuras de Gotham. Waller era problema, daqueles que não esperam muito para mostrar consequências.
***
Convencer a Pamela a me mandar junto com Louie para a Washington não foi fácil. Não sei porque ela ainda acha que sou uma principiante... Tudo bem, até entendo que comparada com a experiência do Louie sou novata mesmo, mas, nossa, já faz mais de um ano que tô trabalhando pro Planeta Diário! Ela bem que podia dar um voto de confiança.
– Claire, acorda! Tô falando com você!
– O quê?!
– Você é tão desligada! Nem sei como consegue ter um bom faro pra notícias...
Ele dirigia o carro. Já eram... Que horas eram? Quase seis da manhã. A comitiva com a presidenta ia ser lá pra hora do almoço.
– Você diz como se eu fosse o grande nariz do Planeta...
– Claro que é, menina... — dizia ele. — Não sei... Parece que você sabe exatamente onde o problema tá... Ou tem uma sorte do caramba! — Louie apontou pra estrada. — olha isso que a gente tá fazendo, por exemplo. Você foi a primeira a falar dessa bomba de novo super-herói na Casa Branca.
Até gostaria que isso também fosse resultado de minha super audição, mas, na verdade, o Waller entrou em contato comigo ontem e, bem, a Superwoman tinha de dar um jeito de chegar na Casa Branca sem ninguém estranhar a ausência de Claire Kent. Só não achei que a presidenta marcaria uma comitiva pro dia seguinte... Veio bem a calhar!
Não que eu obedecesse cegamente ao Waller, por sinal. Na verdade, se não fosse por ele, eu estaria numa daquelas super instalações de prisão do exército. Fiquei devendo uns favores. Sorte que essa foi a primeira vez que ele foi me cobrar alguma coisa.
– Foi só uma coincidência, Louie...
– É o que você sempre diz.
Passamos um tempo sem falar nada.
Olhar pela janela é algo muito estranho! Ainda mais se você consegue voar muito mais rápido que 80km por hora. E esse cenário... Lembra tanto Smallville! Não a paisagem em si, mas o vazio de gente. Tem tantas pessoas em Metrópolis que é fácil se sentir tonto... Imagina meus pais nessa confusão diária da cidade grande? Seria engraçado...
Ainda na estrada, Louie falou:
– É íncrivel, não é?
– O quê? — respondi, confusa.
– Toda essa história de novo super-herói. Imagina? Nós destemunharmos uma futura Superwoman? — os olhos dele brilhavam enquanto ele falava — É fantástico! Alguém que pode salvar tantas vidas só porque consegue... Inspira a gente a ser uma pessoa melhor, né?
Eu sorri, nem sabia o que dizer. Era em momentos como este que eu me sentia completamente despreparada pra ser uma super-heroína. Fiz o possível para não mostrar a surpresa em minha reação, respondendo vagamente:
– É... Inspira sim...
***
Era um lugar engraçado, o mundo patriarcal. Faziam você esperar em uma cadeira para falar com alguém que eles acham importante, mesmo que você tenha quase esbarrado nessa pessoa poucos minutos atrás.
E ainda tinham aquelas pessoas de preto que guardavam tudo quanto é porta ou pessoa considerada importante. Eu devia estar sendo importante, porque tinham dois — um homem e uma mulher — que não tiravam os olhos de mim desde que sentei. Sem contar no que estava do meu lado, como ele disse que se chamava mesmo?
– Adam Waller — respondeu ele, assim que perguntei de novo.
Dos três, ele era o que tinha a cara mais desconfiada. Lembrava um pouco a figura de Hera depois de um passeio de Zeus. Se bem que era difícil Hera mostrar um rosto agradável, afinal Zeus sempre estava envolvido em alguma coisa.
– O que estou exatamente esperando, sr. Waller?
– O senhor está esperando a chegada do que deve conhecer como as "campeãs" de nossa região — ele fez uma pequena pausa e apertou a testa, deveria estar bem estressado — Assim elas te mostram como funcionam as coisas aqui.
– Não era para falar com a mulher em que eu esbarrei — apontava para a porta fortificada por dois guardas.
– Não, ela já falou o que tinha de falar com você.
Duro. Seco. Bruto. Sem qualquer floreio ou mediação no tom de voz ou falsa cortesia. Que nem em Themyscira. Quem diria que o mundo patriarcal poderia lembrar a ilha das amazonas?
Um barulho encheu o lugar. Era um pequeno sino que retumbava pelas pardes. Waller levou a mão ao bolso e tirou um bloquinho preto que parecia ser a fonte do som. Levando o objeto a orelha disse:
– Já chegaram?! — ficou alguns segundos em silêncio — Ótimo — deveria estar falando com alguém por meio do artefato — Não, não! Pode ficar aí mesmo que eu levo ele — ele fez aquele movimento de apertar a testa novamente — Tudo bem... Só não deixa ninguém da conferência ver as duas, PELO AMOR DE DEUS! — depois de voltar o objeto ao bolso, virou-se para mim:
– E então, vamos?
Andamos pelo lado oposto ao que eu achei que iríamos, acompanhados pelas pessoas de preto. Fizemos várias curvas ainda dentro do prédio, até entrar em uma porta que, curiosamente, não estava fortificada. Apenas eu e Adam Waller entramos.
– Muito bem, estas são suas mentoras — dizia ele, esticando uma das mãos para frente — Superwoman e Batwoman.
Na minha opinião, pareciam pessoas engraçadas. As duas vestiam um material justo que não parecia ser muito apropriado para batalhas, sem contar naquelas estranhas capas e na máscara preta de uma delas. Só sabia que esta não era uma serva de Hades porque nenhum servo de Hades teria aquela altura.
– Meu nome, Campeãs, é Daimon de Themyscira — o jeito era logo me apresentar — emissário e príncipe da Ilha de Themyscira. Venho como embaixador da paz entre meu mundo e o vosso mundo. — fiz uma reverência por parecer apropriado.
As duas campeãs olharam para mim e, por um instante, pareciam não saber o que fazer. Estava começando a ficar preocupado.
CONTINUA...
E agora? Como nossas super-heroínas lidarão com este novo super-humano? Quais são os verdadeiros objetivos de Adam Waller? E como justo um homem foi escolhido como emissário de uma ilha de amazonas?
Logo mais no próximo capítulo: O Pássaro, a Vigia e a Conspiração
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