Notas iniciais
Esse é o último que eu tenho pronto, leiam as notas finais

Talvez as coisas aconteçam por um motivo, ou talvez simplesmente aconteçam por acontecer. Eu estava pensando qual era o caso quando entrei na casa de Leo na tarde do dia seguinte. Era enorme. Assim que entramos, estávamos em uma sala de TV, com uma tela plana de 60 polegadas e vídeo games de todas as gerações que existem. Depois disso, vinham as escadas. Uma escada de madeira parava em cada um dos quatro andares: o primeiro era a cozinha e o lavabo. O segundo um quarto de hospedes, o terceiro uma área ao ar livre e no último, o quarto dele. Nas paredes das escadas havia varias prateleiras. Algumas com troféus (vários deles) e outras com fotos, moedas, coisas inúteis, etc.

–-- Não liga pra bagunça, eu não estava esperando sua visita.

–--Ah, se você quiser eu posso voltar e a gente se encontra outro dia.

Falei já andando em direção à porta. Ele pegou minha mão, falando pra eu ficar, e me virei pra ele completamente vermelha. Ele olhou pras nossas mãos e também ficou vermelho, soltando elas e se virando pra me mostrar a casa. Enquanto subia as escadas prestei atenção nas estantes: medalhas e troféus de vários esportes e artes marciais diferentes como natação, jiu-jitsu, boxe, corrida entre muitos outros. Todos sempre de primeiro lugar.

–-- Você é bem esportivo hein, quem diria.

Ele riu:

–--Faz parte. Sem querer me gabar, mas era um pouco chato ganhar todas às vezes.

–--Você está se gabando Leo.

Falei rindo quando entramos no quarto de hóspedes. Havia várias coisas em cima da cama, o que comprovava que Leo não tinha muitas visitas.

–-- Eu não venho muito nesse quarto. Era meu antes dos meus pais morrerem.

Fiquei quieta enquanto ele apagava a luz e continuava andando. Alguma coisa me dizia que tinha ouvido algo sobre isso antes. "Ele vem nos causando muitos problemas desde a morte dos pais". O tal de Dux tinha me dito quando fui seqüestrada.

–--Você não vem?

Acordei da minha pequena viagem na maionese e comecei a subir. Leo já estava no terceiro andar, mas como sempre fiquei fuçando as prateleiras. Ele tinha umas cinco bolas de beisebol autografadas, e duas de futebol americano, mas o que mais me chamou atenção foram as minhas fotos. Tinham fotos desde quando eu era pequena, até fotos de mim no shopping e na Starbucks.

–--Você pode me explicar o que exatamente é isso?

Falei gritando para que ele me ouvisse. Ele chegou preocupado com o que eu achei, mas sua expressão se suavizou quando viu que eram só as fotos:

–--Eu tenho um hobby.

–--E exatamente por que eu sou seu hobby?

Perguntei enquanto olhava para uma foto minha dormindo no hospital, e vi uma cicatriz enorme na minha bochecha. Larguei a foto e fui correndo para o banheiro, ver a tal cicatriz. Não podia acreditar que ninguém havia me avisado sobre isso, e eu não ter percebido, todas as vezes que eu me olhei no espelho passaram na minha cabeça, mas nas lembranças a bochecha aparecia como um borrão. Fiquei forçando minha cabeça a ter uma lembrança até que cheguei no banheiro e não tinha nada. Nada. Subi correndo pra onde Leo estava:

–-- Tem alguma coisa que eu deva saber sobre isso?

Falei apontando para minha bochecha. Ele estava sentado em um degrau olhando para a foto do hospital, e simplesmente olhou pra mim e falou:

–-- Não posso falar nada agora Zoe, desculpa.

–--O que? Você não pode simplesmente não me contar. Você chega pra mim e fala um monte de coisas sobre meu passado, que eu resolvi acreditar por causa dessa droga de marca, que tem a inicial do seu nome. SEU NOME, LEO! E VOCÊ SIMPLESMENTE NÃO PODE FALAR?

Fiquei totalmente indignada. Como ele tem coragem de não me contar coisas sobre mim mesma? Achei que nós fossemos uma equipe, achei que ele era diferente, achei que a gente... Sei la o que eu achei. Eu preciso me acalmar, e esperar ele resolver se vamos ser uma dupla, ou se vai ser ele, eu.

–--Zoe, eu não sei a informação completa, não tenho certeza de nada ainda. Você quer se acalmar, por favor?

–--Eu vou ir pra minha casa, e ai de você se você ir lá de noite!

Eu estava descendo as escadas e indo em direção á porta quando ouvi um trovão. E um raio. Então começou a chuva. E era uma senhora chuva. O vento era tão forte, que eu via guarda sois voando desde a praia até a rua da casa de Leo.

–--Acho que você vai ter que passar a noite aqui.

Ouvi Leo falar a trás de mim. Me virei e fui direto para o quarto de hospedes, ignorando quando ele me chamava. Eu tirei o máximo de coisas possíveis de cima da cama, o que eram caixas, mais troféus velhos e mais fotos. Comecei a folhear os álbuns de fotos, e achei uma foto de uma premiação do que eu acho que era muay thai com Leo, o pai, e a mãe.

–--Você hã... Vai jantar? Eu fiz macarrão instantâneo.

Eu já tinha tomado banho e achei uma camiseta de futebol americano de Leo quando era pequeno que ficou até bem em mim e um short que devia ser da mãe dele, sei lá. Sai do quarto e ele sorriu, então continuei andando sem olhar pra ele.

–--Qual é Zozo? Vai, pode me fazer qualquer pergunta sobre mim. Eu sei tudo sobre você, então é justo você saber tudo sobre mim também né?

–--Me conta alguma coisa que ninguém saiba. Talvez eu pense em deixar pra lá essa história dessa coisa horrorosa que estava na minha cara e em dois dias não está mais.

Ele me agradeceu pelos olhos, e levou uns cinco segundos para pensar em alguma coisa:

–--Meus pais morreram.

–--Eu já sei disso. Ok, me conta a história deles. Porque eles morreram, sei la.

–--Ta. Meu pai era um protetor, e o segundo dele virou o melhor amigo e tal. A minha mãe foi a francesa designada para matar o melhor amigo do meu pai, então eles se apaixonaram e meu pai acabou ajudando a minha mãe a matar o melhor amigo. Ele era um traidor. Quando descobri isso fiquei tão bravo que denunciei ele pra organização secreta de soldados especiais, ai eles vieram e mataram ele. Depois os franceses descobriram que eu era um protetor, e isso é completamente imperdoável para os franceses. Moral: minha mãe deu a própria vida pra salvar a minha. Dux matou ela com a arma que ele usou pra atirar em você. As balas têm um veneno feito em laboratório que mesmo não atingindo os órgãos vitais é letal. Mas você não morreu. Sua cicatriz sumiu, e você não tem nenhum hematoma de quando ficou lá. É isso que eu preciso saber Zoe, mas não quero falar coisas que eu não tenho certeza.

Eu meio que parei de prestar atenção nele desde a história dos pais. Um protetor traiu um segundo. O pai dele traiu o melhor amigo. Pode ser que o Leo se apaixone por uma francesa. Pode ser que ele me traia, me mate algum dia. Comecei a me afastar lentamente, e ele percebeu o que estava acontecendo:

–--Zoe, você não esta pensando que eu...

–--Pode ser que aconteça, Leo. Como posso saber que você não esta mentindo pra mim?

–--Me escuta Zoe. Eu nasci para te proteger, e eu vou te proteger. Mesmo que isso signifique matar todos os franceses. Mesmo que isso signifique não poder mais te ver. Mesmo que isso custe a minha vida, eu vou te proteger, por que eu te amo. Incondicionalmente. Totalmente. Minha alma, minha cabeça, meu corpo, meu coração, tudo trabalha por sua causa. Sem você eu não teria nada. Seria um corpo oco, sem função. Realmente não é trabalho de um protetor vir até aqui pra assegurar que você está bem. Não é trabalho de um protetor ir te ver toda noite. Mas é meu trabalho como um garoto que não pode viver sem você. E eu experimentei isso nas três semanas em que você sumiu. Eu não parei de te procurar nem por um segundo Zoe. Quando acabou a segunda semana e eu já estava sem esperanças, quando eu achei que eu nunca ia te ver de novo, eu... Eu...

Ele estava ficando tão angustiado, e eu ficando sem entender nada. Mas eu não precisava entender. Ele me amava. E eu também amava ele. É isso. Talvez as coisas aconteçam por um motivo. E esse é o motivo. Por que eu tive vontade de ver ele hoje? Por que começou a chover e eu não pude ir embora?

–-- Fala alguma coisa. Estou começando a ficar preocupado.

Ele deu uma risada completamente sem graça. E eu continuei olhando pra ele. Tentando pensar no que falar, mas eu sabia o que eu queria. Queria falar que eu o amava, queria falar alguma coisa tão linda quanto o que ele me falou, mas não tinha palavras. Ele olhou para baixo e se virou, indo em direção a cozinha:

–-- Tudo bem, eu... Eu entendo.

Puxei ele pelo braço e o beijei. No inicio, foi um beijo calmo, um pouco pela surpresa dele, um pouco pela minha própria. Depois foi se tornando uma emergência, um beijo que devia ter acontecido há muito tempo, mas não aconteceu. A chuva caia lá fora, o microondas apitava avisando que o macarrão estava pronto, mas nós dois continuávamos ali, matando a saudade que sentíamos um do outro.

Notas finais
HU3 O QUE ACHARAM? Me sinto bem compartilhando essa historia com vocês, mas vamos ao que interessa: como já disse pra vocês, a ideia principal é publicar isso como um livro, mas eu estava ficando desanimada e sem saber se estava bom o bastante ou não, então pode ser que eu demore séculos para postar os próximos porque também tenho vida, escola, pais enfim, e tbm porque tem que ser bem elaborado pra ficar top, e eu poder publicar
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.