Terceiros
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Notas iniciais
–-- Zoe? Zoe você pode me ouvir?
Abri os olhos e vi a luz forte daquelas lanterninhas de médicos. Olhei para o lado, fugindo da luz e vi Cath olhando para mim com aqueles enormes olhos pretos:
–-- Ah querida, que bom que você acordou! Fiquei tão preocupada com você, depois que passou a primeira semana e ninguém te achou achei que tinha acontecido algo terrivel!
Primeira semana. Eu fiquei fora por quanto tempo?! Tentei perguntar em voz alta, mas não consegui.
–-- E aconteceu, certo?! Você levou um tiro. Nem precisa me pagar, mas eu vou dormir na sua casa todos os dias a partir de amanhã, quando você for liberada.
Cath completou mais rápido do que eu achei que era possível. O médico passou uma pasta fechada para Cath, que guardou na bolsa. Assim que o médico foi embora, tomei coragem e força para abrir a boca:
–-- Obrigada Cath. Mas você vai ficar no apartamento todos os dias? E sua família?
Ela sentou em uma poltrona que claramente foi puxada para mais perto da cama, e deu um suspiro longo, o que significava que eu não deveria ter tocado nesse assunto.
–-- Meu marido e meu filho morreram em um acidente de carro.
–-- Ah... Eu... Eu não sabia. Me desculpa.
–-- Não, está tudo bem querida. Vou arrumar a papelada e amanhã de manhã venho te buscar, pode ser?
Fiz que sim com a cabeça e dei uma olhada no quarto enquanto Cath saía: Nada além de uma bandeja de remédios. Ok, eu fico mais de uma semana fora e ninguém veio me visitar? Bom, as pessoas podem ter vindo me visitar e não terem trago nada. Foi aí que eu me lembrei que eu levei um tiro. Olhei para o meu braço de imediato e vi a gaze branca já meio manchada de sangue, ou pus, sei lá. Uma enfermeira entrou no quarto com um sorriso de pena, o que eu simplesmente detesto. Me lembra a cara das pessoas que acabam de saber que eu sou uma rejeitada.
–-- Vim trazer seus remédios meu bem.
–-- Alguém veio me visitar?
Ela contorceu a boca, tentando fazer um sorriso diferente, o que quer dizer: não, ninguém te visitou.
–-- Ah querida, quase ninguém ficou sabendo dos eu desaparecimento. A mulher que estava com você disse para seu pai colocar algum anúncio por aí, mas ele quis deixar em sigilo. Sem ofenças, mas ele foi burro. Você teria sido achada mais cedo se ele falasse pra todo mundo, ele tem tanto dinheiro... Ah, meu Deus! Desculpa se te ofendi, é que eu falo de mais.
–-- Não... Não ofendeu. Obrigada mesmo assim.
Respondi tomando os remédios. Meu pai quis manter em sigilo. Claro, pra ele seria melhor eu ter morrido. E eu teria se não fosse por Leo. Aliás... Ele me deixou aqui? Ele não tinha que ter ficado comigo? Tipo, vai que os caras me acham e me sufocam com o travesseiro igual os filmes? Espero que ele esteja bem.
–-- Desculpa não poder ficar com você Zozo.
Abri os olhos sabendo que era Leo. Ninguém mais me chama de Zozo.
–-- Tudo bem. O que aconteceu lá? Eu me lembro do tal de Dux bater na minha cabeça com aquela arma e aí eu apaguei.
–-- Isso não importa agora.
Ele disse colocando um pouco da minha franja para trás da orelha, e passou o dedão na minha bochecha, onde doeu um pouco, mas não me lembrava o porque.
–-- Eu preciso ir.
–-- Isso que eu chamo de visita rapida.
Disse puxando o braço dele. Ele riu. Aqueles sorrisos que eu estava sentindo muita saudade e não percebi. Ele se soltou das minhas mãos delicadamente e foi na direção da porta.
Acordei com a mesma enfermeira me chamando:
–-- Bom dia querida! Trouxe a mochila com as roupas que deixaram pra você, já vão vir te dar os remédios e... Ué. Isso não estava aqui ontem.
Ela parou no meio da frase quando bateu os olhos em um cookie embalado para viajem em cima da minha cabeceira. Fui até o pacote e o peguei:
"Para Zozo. Desculpe por você estar no hospital, eu sou um fracasso."
Ri sozinha e me virei para a enfermeira.
–-- Tenho quase certeza que já estava aí antes. Cath deve ter trago pra eu comer alguma coisa além de comida do hospital.
Claro que peguei e o guardei antes que ela pudesse ler. Cath chegou umas onze da manhã para me pegar, então ela pegou a estrada que sai da cidade:
–-- Cath... Onde nós estamos indo? O nosso apartamento fica pro outro lado.
–-- Eu sei Zoe, nós vamos passar um tempo em uma casa de praia. Não é muito cheia, então é perfeita.
–-- Casa de praia. Que casa de praia?
–-- Ela esta à bastante tempo na sua família, e eu achei melhor você sumir por um tempo. Vai que os delinqüentes voltem pra te procurar não é?
–-- Se você ta dizendo, eu acredito.
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