Terapia do Amor
18 Até que a morte os Separe...
Notas iniciais
Rin remexeu-se na cama, um vento frio entrava pela porta da varanda do quarto que Sesshoumaru deixara aberta. Ela não estava incomodada com vento, mas seu estomago revirava-se violentamente, estava começando ter certeza de uma dúvida que lhe atormentava a algumas semanas. Empurrou o braço e a perna de Sesshoumaru que lhe prendiam e levantou-se devagar, o quarto girou e ela apoiou-se na mesinha de cabeceira depois correu para o banheiro e curvando-se sobre o vaso pôs todo conteúdo do estômago para fora. A mão apalpou a parede procurando o interruptor no intervalo do enjôo e acendeu a luz acordando Sesshoumaru.
- Querida, o que aconteceu? – perguntou Sesshoumaru segurando sua mão e amarrando seu cabelo.
- Estou me sentindo um pouco mal. – ela tentou sorrir a camisola grudada no corpo pelo suor, levantou-se segurando na parede e desmaiou.
Sesshoumaru amparou-a e colocou-a na cama, gritando por Izayoi.
- Quem está morrendo? – perguntou a mãe entrando no quarto seguida de Inuyasha e Kagome – Oh Rin, vire a cabeça dela de lado para que possa respirar. – ordenou a mãe – Rin pode me ouvir? Rin...
Ela foi voltando ao normal aos poucos vendo os rostos girarem devagar.
- Nossa, o que fazem aqui? – perguntou ela tentando sentar-se, mas sendo detida por Sesshoumaru.
- Fique deitada. – disse ele sério.
- Deixe-a sentar, vai fazer com que se sinta melhor. – disse Kagome.
- É irmãozinho você merece meus parabéns, foi certeiro. – disse Inuyasha.
- O que quer dizer com isso? – perguntou Sesshoumaru.
- Ô boca grande. – resmungou Kagome empurrando o marido para fora do quarto sendo seguida por Izayoi dando cascudos no filho – Boa noite.
- O que ele quis dizer, certeiro? – perguntou Sesshoumaru.
- Vai saber. – escondeu Rin sua suspeita – Vem, deita aqui. – chamou o marido para perto.
Sesshoumaru apagou a luz e deitou-se abraçando novamente a esposa, de costas para Sesshoumaru, Rin sorriu e pôs a mão no ventre. 'Boa noite bebê' pensou.
A vida de Sesshoumaru não estava mais tão alegre nos últimos três meses, o número de quimioterapias aumentaram e ele sentia-se cada vez mais fraco, embora não quisesse admitir para ninguém escondia a fraqueza e as dores que sentia.
- Sesshy, vai se atrasar se não levantar agora. – chamou Rin no pé do ouvido do marido.
- Hum. – ele fez manha disfarçando – Vem cá, deita aqui de novo.
- Não posso, já estou pronta para sair. A Iza está me esperando, temos consultoria com duas noivas bem diferentes hoje. – respondeu ela saltando da cama.
- Não sei para que a Izayoi te meteu nisso. Ela fica te roubando de mim. – reclamou ele ainda deitado, abriu os olhos e deparou-se com a esposa vestida com um vestido branco, justo e sandálias salto alto. – Nessas reuniões também vão os noivos?
- Ás vezes. – respondeu ela.
- Troque de roupa ou vai destruir dois casamentos antes deles começarem.
Ela riu.
- Já vou. – gritou para Izayoi que lhe chamava no andar debaixo – Tchau. Ah Sesshy, vou te ver mais tarde no trabalho viu.
- Não com esse vestido ou vão dizer que a mulher do chefe está fazendo sedução em massa.
Ela tentou beijá-lo rapidamente, mas ele prendeu-a debaixo do edredom se pondo sobre ela.
- Se a Iza subir. – disse entre os beijos de Sesshoumaru – Vou ser demitida.
- Ótimo. – disse ele roucamente as mãos explorando o corpo dela.
A porta foi escancarada e Izayoi entrou vestida de um vermelho vibrante.
- Ah eu não acredito, Rin eu vou deixá-la ai. – disse ela dando meia volta.
- Não Iza, a culpa é dele. – gritou tentando desvencilhar-se do marido e seguindo-a correndo. Parou na porta, soltou um beijo para ele e seguiu para baixo.
Sesshoumaru ficou deitado até sentir-se melhor, estava mesmo piorando.
A visita a primeira noiva foi demorada, mas Rin conseguiu chegar ao consultório no horário. Ficou com dúvida se deveria ter levado Sesshoumaru com ela, mas ele parecia ter esquecido o porquê do casamento, a necessidade de um filho.
- Bem querida. – disse o doutor Terada – Parece que vamos nos ver pelos próximos meses, está com dez semanas de gravidez.
_ xXx _
Trêmula ela chegou ao escritório do Sesshoumaru com um embrulho cuidadosamente escolhido nas semanas de dúvidas.
- Ah... Boa tarde posso falar com o Sesshoumaru? – disse ela a mulher sentada atrás da recepção do último andar, onde ficava a sala de Sesshoumaru.
- Ele está em reunião. Posso ajudar? – perguntou a mulher e só então Rin percebeu que não a conhecia.
- Preciso falar com ele, é urgente.
- Pode sentar-se um dos nossos colaboradores virá atendê-la. – respondeu a mulher.
- Você não entendeu, eu... – ela apoiou-se na mesa, estava sentindo-se mal outra vez.
- Rin, o que está acontecendo?
Ela virou para a voz e viu um dos aprendizes de Sesshoumaru aproximar-se rapidamente apanhando-a no colo. Segundos depois ele adentrava o escritório de Sesshoumaru sem bater, sendo seguido pela secretária.
- Ora, isso é uma invasão. – disse ele levantando os olhos. – Rin. – ele saltou da cadeira tomando-a dos braços do outro homem e deitando-a no sofá. – Acho melhor te levar para o hospital, esse seu mal estar está piorando.
- Não precisa. Acabei de vir de lá. – sorriu ela – Água, por favor.
Parou, respirou e sorveu mais uma vez o conteúdo do copo.
- Estou bem, é sério. – reclamou remexendo-se no colo do marido.
- Vamos ao médico.
- Já disse que vim de lá.
- E o que ele disse? – perguntou ele.
- Algo bom. Mandou-te um presente. – disse ela passando a embalagem um pouco amassada a ele. – Desculpe ter danificado um pouco.
- O Houjo me mandou algo? – perguntou ele surpreso – Jogue fora. Não quero.
- Não, não. Não foi o Houjo. – riu ela.
- E quem foi? – perguntou desconfiado.
- Abre.
Sesshoumaru pegou a embalagem e franziu a testa. Desamarrou as fitas coloridas do embrulho branco e retirou a tampa, engasgou-se sem mesmo falar quando viu uma pequena camiseta dentro. Estava estampado nela: 'Sou do papai', agora ele estava passando mal.
_ xXx _
- Julie, por favor, eu já disse que não foi culpa minha. – disse Rin – Eu não sabia que você queria verde.
- Não Rin, ela não pode fazer a decoração da mesma cor que a minha. – reclamou a noiva – Já basta estarmos casando em dias consecutivos e ser minha irmã.
- Julie, não posso fazê-la mudar. Espera, espera um pouquinho. – disse ela pegando o celular do bolso do macacão – Oi Sesshy. – disse afastando-se da noiva.
- Oi meu anjo, estou atrapalhando? – perguntou Sesshoumaru.
- Não, me livrou do ataque de uma noiva histérica porque sua irmã escolheu a mesma cor da decoração que ela. – disse ela observando a pulseira que ganhara em seu aniversário, havia três medalhinhas escritas: Sesshy, Rin e Sakura cada uma.
- Já disse que você precisa de repouso, mas não me escuta. Já está entrando no sétimo mês Rin.
- Eu disse que esse era o último, só não contava que ele fosse adiado. Passei o da Ivy para a Iza, mas a Julie não abriu mão de mim. – disse acariciando a barriga.
- Que profissional dedicada, boa esposa, vai ser uma maravilhosa mãe. Podemos nos encontrar, não podemos mais adiar a compra do que falta principalmente o carrinho.
- É, tem tempo para almoçar comigo? Tenho a tarde livre.
- Almoçar não dá amor, mas posso te encontrar ás 16:00h pode ser? Tenho reunião com um cliente ás 14:30h.
- Tudo certo então, no lugar de sempre. Beijo amor. – disse ela virando-se para a noiva que lhe esperava com cara de enterro.
- Julie...
_ xXx _
Estava atrasada ela sabia, mas quando o viu soube que ele não se importava. Esperava tranquilamente com uma rosa na mão, acariciou a barriga e falou com o bebê depois seguiram para as compras. Embora não faltasse muita coisa do enxoval, tudo o que tinham sempre parecia pouco, invés de um bebê parecia que eram três. Carinho, cortinas, mantas, sapatinhos, vestidos, gorros, mordedor, chupetas, macacões e mais uma lista não tão curta para um pequeno ser.
- Sesshy, acho que já chega compramos tudo que precisávamos e o que não precisávamos também. Vai demorar alguns meses até que o bebê tenha dentes. – disse ela mostrando o mordedor.
- Mais ainda falta uma loja. – argumentou ele.
- Vou pegar um sorvete, caso queira ir até lá fique a vontade. – ela saiu deixando-o sozinho.
Quando voltou, deparou-se com uma cena e sentiu algo que não poderia descrever. Claro que era ciúme, mas não estava preparada para tal situação, uma mulher esbelta pendurava-se ao pescoço de Sesshoumaru, mais que isso quase o beijava. Não era tão nova, mas alta, sedutora, vestida de preto, trazia um lenço colorido à mão com o qual, enrolado ao pescoço de Sesshoumaru trazia-o tão perto do seu rosto que por alguns centímetros podia beijá-lo. Ele sorria enquanto falava com ela não demonstrando nenhuma vergonha, a conversa durou cinco minutos após Rin ter voltado á mesa onde ele estava, ou deveria, estar esperando. De repente os olhares se encontraram e vendo a cara de descontentamento de Rin, Sesshoumaru despediu-se com um abraço bastante caloroso.
- Espero que tenha ido até a loja. – disse Rin levantando-se com o sorvete numa mão e algumas sacolas na outra – Estou indo para casa. – e seguiu para o elevador antes que ele pudesse replicar.
Quando Sesshoumaru alcançou-a já estavam seguindo para a garagem.
- Rin, espera. – disse segurando em seu braço – O que aconteceu? Por que está tão chateada?
- Porque não tenta descobrir? – respondeu ela encarando ele.
- Desde quando é ciumenta? Não pode me culpar sem me ouvir primeiro.
- Continuo ouvindo.
- Aquela é Janete White, é grande amiga da Izayoi. Ensinou a ela tudo que sabe sobre decorações e Buffet, Janete sempre foi assim com todos os homens, inclusive com meu pai, mas nunca deu em cima dele. – disse ele firme – Até Kagome já se acostumou com ela.
- Não sei se o Inuyasha se deixaria envolver numa cena tão constrangedora. – disse ela seguindo novamente para o carro.
- Não vou discutir com você, me perdoe se estou errado. – disse ele sério – Mas não pense que concordo com sua atitude.
- Então não me servem suas desculpas.
- Ora, porque está brigando comigo? – disse abrindo o porta-malas do carro e empurrando as compras dentro enquanto ela abria a porta traseira para guardar o resto.
O momento seguinte foi tão confuso que quando Sesshoumaru percebeu já estava de mãos para cima mostrando sinal de rendição. Rin estava com a mão no rosto vermelho onde havia sido machucada e o sorvete no chão.
- Entra no carro. – ordenou um dos encapuzados a Rin. Ela obedeceu sem pestanejar.
O outro homem fez sinal para Sesshoumaru assumir a direção, enquanto ele sentava-se no banco de trás com Rin. Já havia uma mulher sentada no banco do carona, provavelmente para não atrair atenção das pessoas, todos estavam armados.
- Dirige. – ordenou o primeiro a Sesshoumaru.
Ele olhou pelo espelho e viu Rin sentada entre os dois homens encapuzados, não esboçava nenhuma reação com as mãos cruzadas sobre a barriga. Um dos homens aproximou-se dela e segurando em seu rosto lambeu a calda de chocolate que havia escorrido em seu queixo, em seguida beijou-a a força. Sesshoumaru apertou o volante com força, nada podia fazer.
- Banco Central de Kingcross. – ordenou o outro. – Kate, não está fazendo seu trabalho. – disse à mulher, que até agora olhava para fora pelo vidro dianteiro.
Ela virou-se na direção de Sesshoumaru sorrindo para ele e pôs a cabeça em seu ombro, fingia-ser sua acompanhante, ás vezes acariciando seu ombro ou rosto. Enquanto isso, Rin continuava sendo assediada pelo outro homem, que tentava acariciá-la sob seus protestos, os olhos já estavam vermelhos demonstrando que a qualquer momento choraria.
- Deixe-a seu idiota, não está vendo que está grávida. – disse o líder ao outro – Ela vai chamar atenção – e estapeou novamente Rin – E você fica quieta. – completou apontando a arma para sua barriga.
Rin prendeu a respiração e deixou as lágrimas escorrerem, logo estava soluçando.
- Deixe-a ir. – disse Sesshoumaru – Por elas, darei tudo que tenho. Não a machuque.
- Cala a boca. – gritou o segundo homem. – Dirige e fica quieto.
- Deixe-a ir, pode ser até pior se ela ficar. Já está passando mal, a pressão deve ter caído. – interferiu Kate.
- Não. Ouça bem as instruções. – disse ele a Sesshoumaru – Você vai descer com a Kate e eu vou assumir o volante, vai entrar e vai fazer o que ela disser. Se fizer algo fora dos planos eu levo o carro e todo conteúdo, se é que me entende. – disse apontando para Rin pálida a ponto de desmaiar – Já vale uma boa grana.
Sesshoumaru assentiu. Kate desceu do carro e esperou que ele fizesse o mesmo, ambos sumiram na multidão voltando quase vinte minutos depois. O líder devolveu o volante a Sesshoumaru.
- Tudo bem Kate? – perguntou ele, ela assentiu mostrando a bolsa – Ótimo. Banco Central de Green Gardens.
Sesshoumaru olhou pelo espelho, Rin suspirava e soava muito, ela soltou um gemido de dor.
- Droga. Eu disse que poderia ser pior, deixe-a aqui Tom, ela pode ter o bebê dentro do carro. – exclamou Kate.
Ele olhou para Rin e em seguida pegou em seu braço.
- Droga, mantenha as coisas sob controle Jimmy. – disse abrindo a porta.
Estavam estacionados em uma viela residencial sem saída, não havia ninguém na rua quando Tom desceu do carro arrastando Rin e a pôs encostada numa parede, ela escorregou pela parede, gemendo com as mãos segurando o ventre. O banco onde estivera no carro estava sujo de sangue, assim como sua roupa. Sesshoumaru observa tudo com um terrível sentimento de culpa, tudo começara pela briga com ela, agora estava abandonando-a ali sem expectativa de socorro, temeu pelo bebê. A vida de sua filha estava em risco.
- Vamos, Banco Central de Green Gardens. É melhor ser rápido se quiser voltar a vê-las. – disse Tom retornando ao carro – Sesshoumaru demorou a sair, Rin chorava muito na calçada – Agora. – disse ele mirando pela janela do carro.
Sesshoumaru deu a partida e saiu. Rin ficou lá sozinha, por mais que vinte minutos quando uma senhora apareceu com seu cachorro, olhou-a de forma curiosa e decidiu se aproximar.
- O que você faz aqui? Não parece moradora de rua. — disse a senhora.
- Meu marido... assalto... meu bebê. – Rin não conseguia pronunciar frases completas por causa da dor, mostrou a senhora a mão suja de sangue.
- Oh meu Deus. – a senhora levantou-se rapidamente indo até o interfone de um dos edifícios – Marco, Stela, Diana preciso de ajuda aqui embaixo. Rápido.
- O que é mãe? – respondeu a voz de uma mulher.
- Tem uma moça tendo um bebê.
_ xXx _
Sesshoumaru demorou a livrar-se dos bandidos, na quarta e ultima agência que pretendiam ir depois de terem rodado a cidade toda e uma metropolitana vizinha, ele e Kate foram abordados por um policial amigo de Inuyasha. Ele havia percebido que Sesshoumaru estava com outra mulher e aproximou-se na intenção de brincar com Sesshoumaru, pois conhecia Rin. Sesshoumaru sinalizou e ele percebeu que era um assalto, primeiro rendeu Kate e depois com reforços, os outros dois bandidos.
- Droga, atende. Atende – dizia Sesshoumaru.
- Kagome, a Rin ela ligou, ela está com você?
- Não Sesshoumaru, aconteceu alguma coisa? Achávamos que ela estava com você.
Ele já havia desligado. Tentou de novo o celular da esposa.
- Atende. Ah, Rin, onde você está? – disse Sesshoumaru aliviado quando finalmente atenderam.
- Meu nome é Diana, eu e minha família socorremos a dona do aparelho. Quem fala? – disse a voz.
- Sou o marido dela, onde ela está? Como está?
- Ela nos indicou este hospital, aqui na Avenida Leste. Não me lembro o nome, ela está sendo atendida não nos deram retorno ainda.
- Estarei ai em minutos Diana. – ele desligou parando um taxi que passava.
Em quinze minutos estava no hospital.
- Houjo. – disse ofegante – Onde está a Rin?
- Sesshoumaru, o doutor Terada precisava da permissão de um familiar. – respondeu Miroku já caminhando na direção do outro médico – Precisa de alguém que assine o termo.
- Termo? – perguntou Sesshoumaru confuso.
- Sesshoumaru. – exclamou Terada agitado – Sinto muito, tem que decidir: sua mulher ou sua filha, a quem quer salvar?
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