Terapia de sangue
8 Duas Mãos Úmidas
Notas iniciais
Estendi minha mão vazia por tanto tempo que ao relento, quando recebi seu toque, fervi no espanto por dias, sem saber o que dizer. Agora que digo até mais do que deveria, temo que o calor do seu toque vá embora, se canse do meu suor — que você compartilha comigo — e da minha loucura, da minha alucinação compulsória, meu delírio obrigatório, minha arritmia burocrática. Não quero que você encontre nada melhor, até porque eu não sou o ideal, mas eu não sei lidar com isso, eu não sei lidar com nada, nem com temperaturas altas. O que eu experimento é novo, e eu sou uma andarilha covarde, uma armadilha e alarde. Para a sua (e talvez a minha) infelicidade, eu preciso segurar a mão de alguém. Nisso, eu acabo sangrando algo de mim. Sempre consegui manter o toque por um tempo, mas sempre terminava em corte, em rasgo. O toque virava uma nostalgia indigesta. Não quero que seu toque, seu cheiro, sua nostalgia seja indigesta. Não quero que você seja uma nostalgia. Quero sentir o toque. Apenas.
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