“Vem, que o tempo pode afastar nós dois. Não deixe tanta vida pra depois eu só preciso saber. Como vai você?”
Ela quis se afastar, mas eu puxei sua cintura novamente aprofundando o beijo que dava nela. Mas, não demorou para que eu separasse minha boca dela por falta de ar e rir por ela também ter perdido o dela.
Mordi o lábio e juntei minha testa na dela rindo.
:- Louco se Luisillo nos pega aqui. – ela falou sussurrando esperando o ar voltar.
:- Ele nem chegou no país. – afirmei.
Estávamos aos beijos num corredor de Televisa, ela assim que terminou um show em Los Angeles pegou um voo e veio me encontrar, ela somente chegaria depois de amanhã. Assim que sai de uma entrevista a vi no corredor encostada me esperando, não resisti à saudade e numa pausa como essa para recuperar o ar, ela me contou sua fuga.
:- Eu não tenho certeza, mas essa altura ele já deve ter descoberto que eu decidi passar minha folga aqui. – ela riu. – Sabe que eu não poderia perder essa noite. – eu sorri e selei os lábios dela uma vez mais.
Estávamos em meados de Outubro de 2013 e eu aquela noite faria uma participação numa peça de Teatro em homenagem à cultura mexicana, não tinha uma mega produção, nem nada do tipo, na realidade a iniciativa desse projeto governamental para que o povo mexicano não esquecesse nossa cultura indígena. Eu propositalmente faço uma peça sobre os Maias.
Na verdade, eu quando soube desse projeto e me ofereci para o papel, os idealizadores não entenderam e tive que explicar o meu fascínio e até fixação pelos Maias, a minha participação trouxe mais divulgação o que fez com que outros artistas se envolvessem nesse projeto. Transformando-o num dos mais esperados por todos.
El misterio de los Maias é o nome da peça que eu passei muito tempo ensaiando por mais que a peça não era um musical em si, prometia surpreender pela trilha sonora composta por Jesse y Joy, Camila e a minha favorita, Dulce Maria. Dulce me surpreendeu ao me dizer que faria a música, ela entrará quando ocorre minha morte na peça, um dos meus momentos favoritos e mais desgastantes também.
:- Vocês dois, se desgrudem por um momento. – nos separamos ao ouvir a voz de Marisol – Depois vocês terão tempo para isso. Agora Poncho, você tem uma rápida entrevista antes de voltar para casa e se arrumar, ok. – ela se aproximou explicando. – E Dulce, não sabia que você estava aqui?
:- Na verdade é minha folga e eu deveria estar em LA. – ela falou sorrindo.
:- Entendi, agora vamos Poncho, dessa vez vai ser mais rápida que as outras. – ela falou aliviada. – E já que está aqui Dulce, pelo menos tenho alguém para me fazer companhia. – ela deu o braço para Dulce que aceitou, as duas começaram a andar, mas pararam no caminho.
:- Você não vem Poncho? — Dulce olhou para trás rindo e me deu a mão livre.
Corri para alcançá-las e assim fomos andando em direção ao local da entrevista, as duas de braços dados e fofocando e eu de mãos entrelaçadas com a Dulce, ouvindo tudo rindo.
Estava tudo pronto para começar a entrevista eu e Andrea Legarreta estávamos conversando animadamente com direito a algumas brincadeirinhas, de fundo eu ouvia a voz de Dulce que fofocava feliz com Marisol, essa cena se tornou comum no meu cotidiano de novo.
:- Tudo pronto. – O câmera nos avisou.
:- Ok, vamos começar. – Andrea ficou séria, arrumando o microfone e se concentrando.
Ao sinal do câmera ela voltou a sorrir.
:- Oi, para a você, jovem que está em casa mal, deprimida por conta de um namorado que não te liga – ela estava falando e olhava para a câmera – Eu estou aqui, muito, muito, muito bem. Ao lado do lindo e talentoso do – um suspiro falsamente apaixonado que me fez rir — Alfonso Herrera. – ela me olhou piscando e sorrindo.
:- Olá, como estão? — Olhei para a câmera e sorri.
:- Bem, eu estou muito bem. – ela sorriu – E você? Como vai você?
Eu desviei o olhar para onde Dulce estava e vi que ela deixou de conversar para ver como seria a entrevista. Voltei a olhar para Andrea.
:- Muito bem também – sorri mais aberto e ela riu por que acompanhou meu olhar também.
:- Então, hoje à noite você vai estrear numa nova peça, que é um incentivo do governo para que não esquecemos da nossa cultura. Como foi a preparação e está nervoso pela estreia?
:- Exatamente, é um projeto muito bonito e esse e outros fatores que me fizeram participar dele. – olhei rápido para a câmera – Hãn, e a preparação não foi difícil eu tenho uma obsessão pelos Maias. Acredito que até tudo muito fácil.
:- Algum plano para 2014?
:- Nada concreto. Existe um plano para... – Olhei para Berlinda que passou por todo mundo cumprimentando e fazendo careta para mim. Depois de rir dela. – Para que o Rbd faça uma tour especial, em homenagem aos 10 anos, Não? Que foi tão marcante, não só para minha vida, como também para a de muita gente. – falei mais sério com cautela sobre o que dizia.
:- Pois, obviamente. – ela sorriu para mim. – E falando das pessoas, dos fãs. Como foi a repercussão e cobranças de algumas fãs nesses últimos tempos? Como é lidar com isso?
Eu fechei um pouco a cara, olhei para Dulce e depois para Marisol, que pediu calma com o olhar, que eu tomasse cuidado ao responder. Andrea se referia as traumadas que ainda chiavam por eu e Dulce estávamos juntos.
:- Olha Andrea, é uma questão complicada. – eu fiz uma careta, tentando me repreender ao falar – Eu não posso fazer muito com relação a isso, o que sei é que tenho 30 anos e não posso deixar que as pessoas ainda confundam minha vida profissional com a pessoal. Acredito que sou grandinho para tomar minhas decisões, verdade? — sorri pela minha brincadeira. E olhei para a câmera esperando que depois quando assistissem vissem que eu falo da realidade. – Eu estou num dos momentos mais felizes da minha vida, tudo está muito bem e assim pretendo seguir nessa plenitude. – finalizei piscando para Dulce que me olhava, ignorei a careta de Marisol fazia por eu não ter sido tão diplomático.
:- Estão vendo. – ela olhou para a câmera – ele está feliz e é isso que todos nós queremos, ser feliz. – ela me abraçou – falando nisso, o coração está muito bem, não? — ela desviou o olhar para Dulce que riu.
:- Sim. Batendo aqui – coloquei a mão no peito esquerdo. – Firme e forte. – eu e ela rimos.
:- Sendo assim, Eu sou Andréa Legarreta aqui com Alfonso Herrera diretamente para Hoy. – ela me olhou ainda abraçada comigo – E aproveitando que a sua namorada não está aqui e que eu não tenho ciúmes. Me da um beijo aqui na bochecha para finalizar. – ela riu da sua provocação. Mas, antes que eu tivesse alguma reação Dulce se aproximou da gente e o câmera foi deu um passo para trás para focar todos.
:- Não tem beijo nenhum não. – ela riu se colocando no meio entre eu e Andrea. – ela levantou uma das mãos e fez um sinal de corte com os dedos. – Corta!!
A finalização da matéria foi eu e Andréa dando um beijo na bochecha de Dulce a cada lado. O que fez todos rirem.
:- Pronto casal, agora vocês vão se separar por um tempo tudo bem? – Marisol olhou para nós dois. – Cada um para sua casa e nos vemos a noite!
Nós estávamos no estacionamento de Televisa e Dulce fez bico por ter que se separar de mim.
:- Marisol fica tranquila eu só vou levar Dulce em casa e ir para minha me preparar. – levantei as mãos como sinal de uma promessa.
:- Vou confiar em vocês! Poncho às 6 em ponto nos encontramos lá ok. Ou você quer que eu vá para sua casa e vamos juntos?
:- Passa em casa antes. – eu disse agora abraçando Dulce. – Certo! Agora eu vou, por favor se comportem, vou confiar em vocês! – Marisol apertou os olhos em sinal de ameaça e foi andando para o seu carro.
Dulce e eu rimos e fomos em direção para o meu.
...
Os aplausos estavam por toda à parte e se faziam presentes no Teatro, eu agradecia junto com o elenco de atores desconhecidos pela mídia, mas com um talento enorme. A felicidade por ter tudo dado certo estava correndo pelas minhas veias e após aplaudir junto com o público, finalmente olhei para ela.
Dulce estava na primeira fileira do Teatro, estava de pé e sorria me aplaudindo com os olhos lacrimejando, eles estavam assim desde que eu morri, aliás a minha personagem que era um indígena maia, morreu ao salvar sua amada donzela espanhola de um tiro de um seu ex-noivo que não se conformava com o fim do relacionamento, toda a cena foi embalada pela voz de Dulce, acho que isso causou mais emoção.
Sempre que eu podia olhava para ela rapidamente e me reprimia seriamente para não rir nas suas caretas quando tinha alguma cena de beijo. Naquele momento o orgulho me dominava ao ver ela ali me apoiando.
Chegamos separados no evento, vim mais cedo com Marisol à chegada não teve tumulto, mas conforme o tempo passava escutava burburinhos sobre o evento se tornando cada vez mais tumultuoso e concorrido. Eu fiquei todo o tempo no meu camarim improvisado e conversava com os outros autores, havia algumas entrevistas marcadas. Fui ficando nervoso à medida que chegava a hora da estreia e pior ao saber que Dulce não tinha chegado, eu queria tanto que ela me visse.
A hora de estrear estava cada vez mais próxima e eu fiquei mais isolado para me concentrar, porém tudo que fiz foi refletir sobre os últimos anos, e principalmente, sobre minha paranoia com o fim do mundo. Rindo chegou o momento de ir ao palco, Marisol foi me desejar um boa sorte e comentou sobre a presença de uma certa baixinha atrasada na plateia. Tudo que fiz foi sorri e relaxar por que o motivo do meu nervosismo foi embora ela estava ali e por mim.
Antes de entrar no palco, meu pensamento era vou dar o melhor de mim. E acredito que deu certo por que ainda podia escutar os aplausos quando as cortinas fecharam e que todo o elenco foram comemorar no camarim.
Agradeci a todos e me troquei às pressas, tirando toda maquiagem e figurino. Todos riam do meu modo desajeitado, ao contrário da forma segura que representei no palco. Tudo que eu queria naquele momento era encontrar com Dulce, por isso recusei todos os convites de comemoração, os convencendo a todos que festejaria depois que teríamos tempo para isso.
Marisol apareceu no camarim para me auxiliar e quando perguntei por Dulce ela apenas riu, dizendo que ela estava dando entrevistas lá fora, me contou sobre uma estratégia para eu sair, sem ter que passar pela multidão de repórteres lá fora e eu suspirei aliviado, afinal acima de tudo eu estava cansado.
:- Poncho fique aqui, que eu vou buscar o carro e deixá-lo estacionado próximo para irmos ok! – Marisol estava falando comigo e no celular ao mesmo tempo. Apenas assenti. – Sol? – chamei antes que ela sumisse, ela parou e olhou para trás. – Chama Dulce para vir até aqui? – Apenas sorriu e eu entendi como um sim.
Enquanto esperava por Dulce, num lugar reservado apenas para atores, vi um repórter e um câmera se aproximando.
:- Poncho, com licença? Pode falar rapidamente?
Eu suspirei cansado, mas resolvi dar a entrevista enquanto esperava por Dulce, além do mais estava tão feliz.
:- Claro, se for rápido.
:- Tudo bem. – ele olhou para o câmera confirmou que já estavam gravando – Primeiro, felicitações você esteve surpreendente no palco. – o homem sorriu.
:- Muito obrigado. – eu correspondi o sorriso.
:- Como se sente, agora após ter se apresentado? Nesse evento que foi único.
:- Na realidade muito bem, muito feliz! Eu senti como se estivesse no começo da minha carreira que foi no teatro, eu senti aquele Alfonso ali comigo. Enfim, são tantas sensações ao mesmo tempo. Estou muito orgulhoso de todos que fizeram parte desse projeto. – eu olhei para câmera sorrindo.
:- Se sentiu nervoso antes de se apresentar?
:- Não. – eu ri- na verdade eu me senti tão seguro, dei o melhor de mim. Assim, como os meus colegas de elenco que são tão talentosos, me senti muito a vontade com tudo.
:- Como foi ver sua namorada, a cantora e também atriz Dulce María, na plateia? Ela também participou da trilha sonora, verdade?
:- Sim, ela compôs uma música que acredito que tenha superado as expectativas das pessoas. – eu fiquei confuso ao responder a pergunta sabia que não deveria falar alguma bobagem. – Eu fiquei emocionado ao vê-la ali e muito feliz, sabendo que ela estava ali me apoiando e me aplaudindo, fiquei orgulhoso. Nos apoiamos e nos queremos muito. – foi nesse momento em que a vi chegando sorrindo abertamente.
:- Então para terminar deixe uma mensagem para as pessoas.
:- Desculpem pelo meu estado, estou aéreo ainda. – e ri tentando me acalma para falar palavras coerentes. – Obrigada pelo apoio, muito obrigada eu estou muito feliz! E esse ano de 2012 que passou me fez reforçar uma filosofia minha de vida. Vivam o agora, não deixem de viver aproveitem tudo ao máximo, não sabemos o que pode acontecer amanhã. Vai que amanhã é o fim do mundo? – eu fiz uma brincadeira rindo.
:- Esse foi Alfonso Herrera, o ator que brilhou nesse evento... – eu deixei de escutar a finalização do repórter e fui em direção onde Dulce estava.
Nem cheguei e ela correu para me abraçar.
:- Que orgulho eu estou de você, Poncho! – ela apertou o abraço – Eu sempre soube o quanto você é talentoso, mas hoje você se superou, amor! Que felicidade, eu não sei descrever tudo que estou sentindo em palavras! – ela se afastou sorrindo.
:- Obrigada, muito obrigada! E você também superou com sua música, estava linda demais descreveu o sentimento da cena, me ajudou muito. – eu sorri para ela. – Agora, já que eu não recebi um beijo de boa sorte posso receber vários beijos como forma de agradecimento? – me aproximei.
:- Poncho, ainda estão nos filmando. – ela indicou com a cabeça para câmera que antes filmava a minha entrevista. Olhei para trás e dei um aceno com a cabeça rindo – E por isso não vai me beijar? – fiz uma cara de ofendido.
Ela mordeu os lábios e se aproximou tímida eu encurtei o espaço que existia para cobri a boca dela. Dulce colocou uma mão na minha bochecha fazendo um carinho. Não aprofundei o beijo vendo que Dulce estava sem graça e me afastei, olhando nos seus olhos compreensivo.
:- Casal? Já podemos ir. – Marisol apareceu. – Você vai parar para dar entrevista, Poncho?
:- Não, eu quero ir para casa logo.
:- Ok, então vamos sair por aqui.
Fomos por um outro caminho onde tinha uma saída de emergência no fim do corredor, tudo para desviar de toda a imprensa que eu imagino está eufórica lá fora.
Sai de mãos dadas com Dulce e Marisol na frente nos guiando, o carro já estava próximo, mas um paparazzi nos viu e começou a tirar fotos minha e Dulce, chamando a atenção do resto da imprensa. Abracei ela e puxei em direção ao meu carro.
Antes de saímos com o carro uma chuva de flashes das câmeras nos flagraram, tive que responder algumas perguntas dentro do carro. Marisol do lado de fora deu um tchau, se despedindo. A face dela demonstrava alivio por tudo ter dado certo na medida do possível.
E quando conseguir sair, dirigi contente por voltar para casa, porque finalmente comemoraria a noite com ela.
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