Tentazione
43 Capítulo 42 – A mulher mais feliz do mundo
CAPÍTULO XLII – A MULHER MAIS FELIZ DO MUNDO
BELLA
Diferente dos outros dias em que eu era acordada pelos beijos e caricias do meu marido, hoje o meu toque de despertar foi o ronco alto do meu estômago. Eu era uma verdadeira bagunça, já não me reconhecia mais depois que fiquei grávida, andava emocional demais, cansada demais, com fome demais e terrivelmente excitada demais. Tanto o meu corpo como os meus hormônios estavam loucos, me transformando essa mulher chorona, comilona e uma depravada de marca maior. Bem para ser honesta ser casada com Edward Cullen por si só já era um motivo para viver 24 horas por dia de calcinha molhada, mas as coisas já estavam saindo do controle. Rolei na cama, escondendo meu rosto no travesseiro do meu lindo marido, tentando aplacar tanto a saudade dele como a vergonha das lembranças do meu atual comportamento, causados pelo aumento da minha libido.
O ronco do meu estômago voltou a chamar minha atenção, deixei a preguiça e os pensamentos maliciosos de lado, e fui para o banheiro me arrumar para que eu e o meu bebê, finalmente, pudéssemos comer. Olhei no grande espelho que ficava no closet e sorri ao contemplar a imagem de uma mulher feliz e completa, eu era a mulher mais feliz do mundo. Desde pequena sempre sonhei com o dia em que me tornaria mãe, quando criança, nada mais era, pra mim, do que ter uma boneca de verdade pra brincar comigo o dia todo, depois com a maturidade veio à curiosidade pelas sensações e os medos daquela imensa responsabilidade, mais agora acariciando minha barriga, percebo que nada mensuraria a sensação de carregar dentro de si, um pedaço da pessoa que você ama, ou mesmo, sentir as mãos e os beijos de Edward sobre minha barriga.
– Sonhando acordada Bella, vim lhe chamar para tomar café da manhã, se o menino Edward sabe que você está até essa hora sem comer nada, já estaria aqui tendo mais um dos seus ataques – disse Sue ao entrar no closet. Ela tinha toda razão Edward já era totalmente exagerado ao que se referia minha alimentação, por causa do meu problema de pressão, isso só se agravou com a gravidez.
– E onde está esse menino? Ando com um sonho tão pesado, que nem um trator me acorda, não vi a hora que ele saiu.
– Ah ele saiu bem cedinho, disse que tinha muitas coisas pra fazer no escritório, mas ele me pediu para lhe dizer que você não precisava se preocupar, porque ele conseguiria chegar a tempo da consulta com a Dra. Zafrina – vi Sue rindo ao dar o recado. Ela sabia tanto quanto eu não era com o possível atraso que Edward estava preocupado, o meu possessivo marido ainda não engolia o fato da Dra. Zafrina ser a minha médica, ou como eu sei que ele ainda a chama médica tarada.
Depois da nossa briga pela “saga do obstetra”, Edward realmente vem tentando ser o mais civilizado possível com relação a Dra. Zafrina, mas é impossível não perceber como o corpo dele fica tenso quando entramos no consultório, ou como ele faz questão de acompanhar de “perto” qualquer exame que ela fizesse em mim, claro que ele sempre afirma que está apenas zelando pelo bem da sua família. Meu pai, Jasper, Emmett e Carlisle não se cansavam de ouvir essas aventuras de Edward, o que significa que sempre que temos uma consulta, temos um jantar em família. Hoje nós nos reuniríamos na casa de Alice, afinal Valentina ainda estava muita novinha para tantos passeios.
Minha sobrinha era a menina mais linda do mundo, para desespero do seu pai, Jasper já se reclamava do futuro em relação aos garotos, o que sempre fazia Emmett chamá-lo de Edward, coisa que nem meu marido ou meu irmão achavam muita graça. Nina, como a chamávamos, era linda como a mãe e serena como o pai, todos nós a disputávamos, para ver quem ficaria com ela, mas os seus preferidos eram Edward e Pietro. A família toda estava tomada pela maternidade, a chegada de Nina e do nosso bebê havia deixado às avós e os avôs mais corujas e os pais mais babões, até Rose que vinha resistindo aos pedidos do Emmett por outro filho, tinha me confessado semana passada que tinha suspendido o anticoncepcional, e que segundo ela, eles estavam na melhor parte agora, “a de fazer o bebê”.
Terminei de me arrumar e antes de descer me olhei de novo no espelho, amava que a minha barriga já estivesse aparecendo, eu a empinava toda orgulhosa, tentando mostrar a todos o meu nosso, mesmo que ela não fosse tão grande, afinal eu só tinha quatro meses, mais estava ali, ela era real, uma pequena bolinha que abrigava um serzinho feito por mim e por Edward. Depois do café da manhã e de todas as recomendações de Sue, saí de casa acompanhada de Sam e Paul como sempre a caminho da faculdade. Eu os adorava a convivência diária tinha nos tornado próximo, mesmo sabendo que eles estavam ali, sendo pagos para me defender, no entanto o que me fazia sentir segura de verdade é que eu me sentia entre amigos. Meus planos de hoje eram ir a Camberwell, como já estava quase concluindo o meu curso, tinha que conversar com alguns professores sobre os prazos de entrega dos trabalhos pendentes, almoçar e ir para consulta.
Dentro do carro imperava um silêncio meio constrangedor, o que fazia o clima ficar pesado, geralmente, somos passeios de carros eram sempre cheios de conversas e sorrisos. Percebi que os olhos dos dois, não saia do retrovisor e que a velocidade do carro estava cada vez mais alta, o que me deixou apreensiva.
– O que está acontecendo rapazes? – eu ainda esperava a resposta deles, quando vi que Sam tentava ligar para alguém sem sucesso – Vocês estão me assustando, por favor, alguém, pode me dizer o que está acontecendo aqui?
– Bella, nós ainda estamos verificando, mas assim que tiver certeza do que está acontecendo eu te falo tá. Por favor, todo o eu peço que você confie na gente e tente manter calma, tá? Nada vai acontecer com você, ou com o bebê eu te prometo – Sam olhou pra mim e me viu abraçar minha barriga. Mesmo ele tentando me passar tranquilidade, tudo que vi nele era tensão e nervosismo. Ele segurou minha mão e olhou nos meus olhos, nosso contato foi quebrado quando o telefone de tocou – Jasper?! Estamos com Bella no carro a caminho de Camberwell, sendo seguidos por duas BMW pretas de plac...
Tudo aconteceu muito rápido, em um momento eu estava ouvindo Sam conversar com Jasper e no outro nós estávamos rodando, pois tínhamos sido atingidos por alguma coisa. Senti o cinto de segurança me prender contra o banco, enquanto eu gritava e tentava proteger o meu bebê, minha cabeça bateu forte contra a janela quando o carro finalmente parou, ela estava latejando e o sangue começar a correr pelo meu rosto. Estávamos no meio do caos, à medida que eu tentava encontrar minha voz para responder aos chamados de Sam e Paul, ouvi outras vozes se aproximando cada vez mais, respirei fundo tentado entender o que eles diziam, precisava sair dali, eu tinha que proteger o meu bebê, eu simplesmente tinha que conseguir voltar para Edward.
– Rápido!!! Não sai ninguém vivo!!! – eles gritavam.
– Cuidado nós precisamos da mulher viva, precisamos entregá-la viva para Aro... – ouvir aquilo junto ao nome de Aro fez olhar desesperada para Sam, eles não podiam morrer ali, eles não mereciam isso, por favor, Deus. Senti o pânico tomar conta de mim, se instalar por cada célula do meu corpo, o medo de não ver mais Edward e minha família. Isso não podia estar acontecendo, eu tinha um marido que eu amava mais que tudo, eu estava vivendo os meus sonhos dia após dia, eu era feliz. PORRA!!! Eu era a mulher mais feliz do mundo está manhã, aquilo não podia estar acontecendo.
– Bella olhe pra mim, você vai ficar bem, eu te prometo – sacudi minha cabeça querendo dizer pra ele calar a boca e nós tirar dali, não só a mim, mais eles também. Nós não podíamos morrer ali, eles também tinham família, alguém para quem voltar, mas minha voz foi abafada por sons de tiros, ainda vi Paul tentar pegar sua arma, mas era tarde demais, a primeira bala o atingiu antes mesmo que a porta fosse aberta. Senti meu corpo sendo tirado do carro, sem ao menos ver os rosto daqueles homens, meus olhos estavam presos a Sam, que ainda segurava o telefone onde podia ouvir os gritos de Jasper ficarem mais altos, claros e desesperados, meu irmão chamava por Sam, Paul e por mim, mas tanto Sam como Paul estavam mortos, meus amigos estavam mortos, bem ali na minha frente.
Minha visão foi ficando cada vez mais turva, enquanto minha cabeça parecia que ia explodir, fechei meus olhos e pensei em Edward, momentos nossos juntos passavam em minha mente. Jurei amá-lo todos os dias da minha, queria que ele sentisse esse amor a cada minuto, por isso, eu sempre lhe dizia isso, ao acordar e antes de adormecer, todos os dias, menos hoje. Antes de sucumbir a toda aquela dor, eu sussurrei:
– Eu te amo Edward.
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