Com o tempo, Armando começa admirar também aquele jeito forte dela de jamais se dar por vencida e enfrentar com coragem e dignidade qualquer desafio ou contrariedade. A confiança de Armando em Betty é tanta que ele já nem mais se dá ao trabalho de ler o que ela lhe pede para assinar. Armando a considera sua cúmplice em tudo. Ela sabe praticamente tudo o que acontece na vida profissional e pessoal dele. Pouco a pouco, ele começa a notar que ela não é apenas muito inteligente e competente no trabalho, mas tem também presença de espírito em quaisquer circunstâncias. Ou seja, ela o salva não apenas das enrascadas empresariais, mas também das suas trapalhadas “amorosas”. Ele não esquece que, por duas vezes, Betty se adiantou e o salvou de situações embaraçosas com Marcela por causa de suas constantes “escapadas” e do assédio escancarado de muitas mulheres.

?dc=4675418729134454664

Mario, é claro, percebe toda aquela “aproximação” entre os dois e começa a atiçar Armando para se aproveitar e “dar o bote”, como ele costuma dizer ...

M – Meu irmão, eu não estou te reconhecendo! O que você está esperando para atacar a Beatriz? Minha nossa, uma deusa, um monumento desses! Não vê como ela se derrete toda quando está com você? Ah! se fosse comigo...!

A (um pouco cético) – Pois eu acho que você está vendo coisas, Mario. Ela jamais deu qualquer sinal que estaria interessada em mim. E em você, menos ainda!

No seu íntimo, Armando se recusa a admitir que, pela primeira vez, uma mulher não caiu rendida a seus pés ao primeiro olhar ...

M – Aaahh, não! Não me venha com essa de que não percebeu, eu te conheço muito bem! Ou você está dando uma que nem está assim tão interessado, só para ela ficar ainda mais a fim, hein?

A (irônico) – Porque você não tenta Mario, já que se julga tão irresistível!

M – Aaaah, Armando, pára com isso, por favor! Até um cego consegue enxergar que ela está louquinha por você e não por mim. E você aí desprezando um bombom como esse. Sinceramente, não estou te reconhecendo... Para mim você está mentindo, seu safado. Algo me diz que você está tramando alguma coisa em relação a ela...

O telefone de Armando toca e ele no fundo agradece por ter que encerrar aquela conversa do Mario pela enésima vez, desde que o amigo viu Betty. Mario vai para a sua sala dançando e cantarolando com biquinho e tudo: “oh! monamouuuur ... rrrá, tchará, tchará ...”

Terminada a ligação, Armando está com um ar sério e pensativo. Em seguida chega Betty, para lembra-lo que já está na hora de sair para a visita agendada com uma importante fábrica de tecidos finos da cidade. Armando sorri e convida Betty para ir junto.

B (surpresa) – Mas não será necessário, Doctor! É só uma visita de primeiros contatos... E as informações que eu tirei desta empresa são as melhores possíveis ...

A (desapontado) – Eu sei, Beatriz! Mas qual é o problema de você vir junto? Está tão sobrecarregada assim de trabalho ou o quê? Ou será que a minha companhia é assim tão chata?

B (sem jeito) – Ai nããão, Doctor! Não diga isso ...

A – Então me diga, Beatriz! Eu sou um chefe assim tão insuportável, que você quer logo se livrar de mim?

B – Não é nada disso, Doctor...

A (sorrindo vitorioso) – Então chega de desculpas! Vá pegar o seu casaco e a sua bolsa e venha comigo. É uma ordem Beatriz!

Quando descem para a garagem Betty se dirige ao seu carro, mas Armando protesta:

A – Não Beatriz, nós vamos no meu carro!

B – Mas porquê isso, Doctor?!!

A – E porquê dois carros, Beatriz, se vamos para o mesmo lugar? É um pouco absurdo isso, você não acha? Mais um carro na rua congestionando o trânsito e poluindo o ar?

Betty se contém para não cair na risada ali mesmo. Definitivamente aquele homem é estranho. Ela olha para ele com um ar meio divertido, ele interpreta aquilo como um “sim” e estampa no rosto o mais encantador e sedutor sorriso de vitória.

Mas ela, de repente se recompõe e fica séria:

B (com um ar admirado) – O que é isso, Doctor? O meu carro é novinho, bem regulado e não polui nada!

A – Mesmo assim não faz sentido, você concorda? E além disso, indo no meu carro você se poupa o trabalho de dirigir no trânsito infernal a esta hora, certo?

Betty sorri levemente e entra no carro dele (E quem resistiria a tais “argumentos”??)

Armando dirige pelas ruas de trânsito intenso naquela tarde ensolarada de Bogotá. Ele tenta sintonizar o rádio, mas mal o sinal abriu e já tem um louco buzinando furioso atrás. Ele arranca e Betty se encarrega do rádio. Mas ela logo vê um CD no meio de tantos e fica surpresa por descobrir que ele também ouve aquelas músicas. Coloca o CD e programa para tocar uma determinada faixa. Agora o carro roda por uma rua mais tranqüila e aquela canção linda começa a tocar. Ele disfarça, mas também está surpreso por ele ter escolhido exatamente aquela. E pergunta se ela também gosta daquela música...

B – Simplesmente é uma das minhas preferidas, senão a mais. Eu também a ouço sempre quando estou dirigindo.

Armando sorri imperceptivelmente e finge estar prestando atenção no trânsito. Betty recosta a cabeça no banco, vira o rosto para a janela e de olhos fechados “viaja” naquela música.

Mas nesta noite, mais uma vez e com a ajuda de Betty, ele consegue driblar Marcela e sai com uma das modelitos da empresa. Depois volta para o apartamento da noiva, mas hoje ele parece frio e distante. Marcela percebe e redobra as investidas, todavia ele não se entusiasma. Sem dúvida algo parece preocupá-lo. Diz a Marce que tem estado muito estressado com o lançamento da próxima coleção, que será o verdadeiro teste de fogo para ele desde que assumiu a Presidência, que as exigências e a histeria do Hugo estão acabando com os seus nervos, etc, etc... Marcela desiste. Armando vira para o lado e tenta dormir, mas continua perdido nos próprios pensamentos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.