Tenebrous: Flower of Death
6 Tenebrous: Flower of Death 06# THE LAST AMONG ALL
Notas iniciais
ANDRESSA:
Eu e Braw encontramos uma pequena e velha barraca a beira de um lago, chegamos à conclusão de que: Se aquele jardineiro estivesse em algum lugar, esse lugar seria a barraca.
-Andressa, tem certeza?
Andávamos com cuidado até a porta de entrada, era difícil carregar Braw, mas era minha obrigação ajuda-lo.
-Tenho absoluta certeza! –Coloquei a mão na maçaneta da porta, que para nossa sorte e surpresa, estava meio aberta. –Ele deve estar se borrando, até esqueceu de fechar a porta.
-Ou talvez achou que não seriamos loucos de segui-lo até aqui.
Braw tinha razão, o risco de morte era algo muito obvio se ultrapassássemos a porta. –Vamos desistir? ...
-Não! –Disse ele ao empurrar a porta com o é.
Após aberta, notamos que era praticamente vazia, sem cômodos ou objetos, apenas as quatro paredes de madeira velha e uma lâmpada pendurada no telhado.
-Não tem nada! –Fiquei assustada por um instante até que Braw me acalmou ao mostrar uma passagem que deixei de ver devido ao escuro.
-Olha. –Ele andou até uma abertura no chão da casa. –Parece uma passagem, tem até uma escada.
Braw começou a descer pela escada, não parecia que faltava um braço pois ele desceu tranquilamente.
-Vem. –Ele fez sinal de “ok” com seu polegar.
Segui seus movimentos e logo estava junto dele, em um túnel escuro e gelado. Sabe a sensação de estar em uma daquelas cavernas úmidas que existem atrás de cachoeiras e quedas d’água? Era exatamente essa a sensação!
-É frio aqui! –exclamou Braw. –Vamos indo, o responsável por isso deve estar no final desse túnel.
Mesmo estando um breu, nós andamos juntos durante um longo tempo. O túnel parecia eterno, e como estava um silencio. Lembrei de contar algo para meu companheiro.
-Amor?
-O que foi? Quer voltar?!
-Não e isso! –O som de gotas caindo e água escorrendo entra as pedras dava um toque mais sombrio para tudo ao redor. –Sabe... quando estava vindo para a escola, perto da entrada, do lado de fora do carro do meu pai... –Dei uma leve pausa e pensei se deveria ou não falar sobre o que vi...
-O que tem? –Eu podia ver silhueta do rosto dele me encarando.
-Bem... parada do lado de fora, à beira da estrada, eu vi uma “coisa” praticamente igual a mim. Comentei isso com o Will, e ele falou que era um Doppelganger.
-Doppel? ... –Acho que Braw estava confuso.
-Sim! Ele falou que quando uma pessoa vê seu Doppelganger, ela está prestes a morrer.
-Você acreditou nisso? Esse assunto e bem estranho.
-Acredita em mim?
Braw passou o polegar nos meus lábios. –Claro que sim! Depois de tudo que vimos, e difícil não acreditar em mais nada.
Um som estranho de algo vindo em nossa direção ecoava alto na caverna. –O que é isso?! –Parecia um assovio que ficava mais alto a medida que se aproximava.
-Eu não sei o que é. –Braw me abraçou e apertou sua mão em meu ombro. Ele soava gelado e tremia um pouco.
-Está perto! –O assovio agora era mais alto e parecia se aproximar rapidamente.
Forcei a vista na direção do escuro no túnel, mas apenas vi algo passar voando rapidamente, e escutei um forte som de estouro, seguido da sensação de algo quente escorrendo pelo meu rosto e ombro.
Braw me soltou lentamente a despencou inerte no chão húmido.
-Braw! –O “algo quente” que senti, era sangue e pedaços de carne. Que ao ver o corpo de Braw no chão, notei que a cabeça fora praticamente decepada. –NÃO! –Gritei em desespero.
-BRAW! NÃO!!! –Agora eu estava sozinha. Sozinha em meio a escuridão.
Mais um assovio que aumentava de forma rápida vinha em minha direção. Apenas me escorei na parede e a frente de meu rosto, vi passa um espinho exageradamente grande.
-Não pode ser! –Senti raiva, ira, fúria. Senti muita coisa correr por todo meu corpo e apenas me levantei e corri em linha reta em meio a escuridão. Era perigoso, mas a única coisa que eu poderia fazer, era rezar para mais nenhum daqueles espinhos resolver dar as caras.
-Ninguém deveria estar vivo! Porque enciste em adiar o obvio! –Essa palavras, o tom de voz. Só podia ser jardineiro!
Quando finalmente cheguei um local mais claro, la estava ele, de pé. O maldito jardineiro. –Você! –A fúria estava me movendo, a raiva corria em meu sangue. –Maldito!
-Pirralha imunda! Humana imunda! Eu queria testar meu experimento nesta escola. –Ele estava diferente, digo. Estava com a mesma aparência de antes, mas sem os dois braços. –Humanos são apenas uma doença nesse mundo! Meu experimento mostrou-se perfeito!
Eu apenas continuava calada deixando-o falar. –Criei essas plantas para exterminar a humanidade e tornar o planeta puro novamente! Mas claro... Eu precisava de uma mãe para comandar tudo. –Ele deu as costas pra mim e gritou de forma ensurdecedora. –Veja! A MÃE DE UM NOVO MUNDO!!!
E então somente depois disso, eu notei a monstruosa “coisa” que estava presa na parede rochosa da caverna. Uma grande planta e monstruosa planta que lembrava muito as flores estranhas da escola, grandes longas raízes passavam por todas as paredes da caverna, as pétalas gigantescas de coloração rocha se mexiam como se tivessem vida própria. E também, dois ramos, ou galhos, ou algo parecidos com tentáculos se mexiam como braços moles.
Senti muito medo, mas eu tive que ficar firme.
-Acho que terei que podar essa planta! –Eu não tinha ideia da besteira que acabara de falar, me senti idiota e completamente nula diante a situação. Porém, essa fala fez o jardineiro focar seus olhos enraivecidos em mim.
— “podar” –Ele deu um sorriso torto que ficou assustador em seu rosto envelhecido. –Acha mesmo que pode matar a futura governante deste mundo?
A mais pura verdade, eu não fazia ideia de como deter a monstruosa planta.
-Eu tenho certeza que posso. –Minha boca falava sozinha, meus pensamentos não estavam certos. Eu devia estar maluca, mesma parecendo visivelmente firme, eu podia sentir meus corpo inteiro tremer.
Dei passo em direção a planta.
-Você só pode estar brincando comigo!
Enquanto ele falava eu continuava a andar em sua direção.
-Você e louca! Está traçando seu destino para a morte!
Pronto, eu estava razoavelmente perto do jardineiro, e desta distancia eu não poderia errar. –Cala boca... –sussurrei ao apontar a arma para sua testa. Seus olhos se esbugalharão e ele ficou mais branco do que costumava ser.
-Você não pode! NÃO ENTENDE QUE O SER HUMANO É UMA DOENÇA...
-A ÚNICA DOENÇA AQUI É VOCÊ!!! –Gritei a puxei o gatilho e vi a testa dele se abrir com um furo acima de sua “sobrancelha” direita.
E agora? Deixei ser tomada pela fúria e não pensei direito, acabei matando a porcaria do jardineiro! E agora eu estava diante de uma tremenda planta monstruosa. Oque eu faria com isso?!
“A serra elétrica!” –Pensei rapidamente.
Mas é uma boa ideia? É obvio que é! Pois a julgar pela aparência dessa coisa, creio que se cortar esses dois ramos gigantes ele deve morrer. Sim, farei isso.
Deixei a planta para traz e sai em disparada até a cabine onde estava a serra, senti um aperto no coração ao passar pelo corpo de Braw estendido no chão húmido da caverna, quando consegui subir as escadas e sair pela porta, percebi que o dia estava quase raiando.
“A noite foi longa...” -Senti o ar fresco da manhã bater em meu rosto enquanto corria, deveria ser algo tranquilizante porem eu não via razões para ficar tranquila depois de tudo que passei nessa conturbada noite.
-Desculpe por tudo Valeria... –Falei ao apanhar a serra na cabana onde antes deixamos o corpo de nosso falecida amiga. –E agora! Que a sorte esteja do meu lado!
Sem pensar em mais nada enquanto o sol dava seus primeiros “oi” entre as folhas de árvore, sai correndo e em questão de instantes eu estava novamente de frente com a grande planta.
-Se prepara sua porcaria crescida! Vai pagar pelo o que fez a meus amigos!
Eu não sabia como fazer a serra funcionar, apenas fiz o que pensei que daria certo e os “dentes” começaram a girar. Aproximei ela de um dos grandes ramos e comecei a cortar, para minha surpresa a planta não fez absolutamente nada, apenas ficou ali esperando eu terminar de retalhar cada um dos tentáculos, e no final, ela soltou um grande rugido e sua coloração mudou pouco a pouco ficando seca e caindo aos pedaços.
Fiquei olhando perplexa para o que estava acontecendo. –Isso não foi sorte... isso foi fácil demais... – Ao mesmo tempo que eu desacreditava, eu dava graças por ser tão fácil acabar com ela. — ...A mãe de todos esses monstros que fui obrigada a ver, é tão frágil e bosta a ponto de morrer por qualquer coisa... –Senti um leve sorriso surgir em meu rosto. –Acabou...
Depois de tudo, eu apenas deixei tudo para traz e sai andando, do lado de fora o sol já iluminava tudo, e agora ver os cadáveres de alunos, as manchas de sangue e aquela poeira estranha que todos os monstros se tornaram, me fazia pensar, se tudo aquilo que vivi em uma noite, poderia ser contado de forma convincente.
-...Farei papel de louca... –Respirei fundo e sai andando em direção ao portão de entrada da escola e fiquei lá esperando.
Demorou algum tempo para o socorro dar as caras, mas quando chegou, bombeiros, policiais, médicos, todos sem exceção, pareciam não acreditar em nada do que contei. Eu não os culpava, afinal não sobrou vestígio algum, até mesmo a grande planta se desfez em forma de areia.
Podiam me chamar de louca, mas eu sei a verdade! Eu sei o que passei, eu sei de cada horror que enfrentei. E nada vai me fazer esquecer disso...
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