Tenebrous: Flower of Death
1 Tenebrous: Flower of Death 01# DOPPELGANGER
Notas iniciais
ANDRESSA:
“TREWOR WOOD HIGH SCHOOL” –A escola mais consagrada da cidade onde moro, lembrando um castelo medieval com todo o esplendor da época, ela se localiza afastada da cidade em um grande gramado com flores brancas levemente roxas que lembram a rosas.
O gramado é cercado por um grande muro que se estende em quilômetros e dá uma volta fechando um círculo perfeito igual a uma muralha. Essa é a escola onde estudo, tenho amigos que junto de mim e meu atual namorado, formamos uma banda.
—Andressa! Vamos logo, suas aulas estão prestes a começar!
—Estou indo mãe! –Fechei o zíper de minha mala, sai pela porta de meu quarto e enquanto descia as escadas indo em direção porta, me despedia da minha casa e das férias de verão que praticamente já haviam acabado.
—Você está pronta querida? –Serena, minha mãe, estava com um vestido vermelho e com seus cabelos louros amarrados em forma de coque.
—Sempre! mesmo que toda vez que comece as aulas em Trewor, eu seja abandonada lá. Eu ainda estou ansiosa. –Mesmo sendo uma escola como as outras, em Trewor wood os alunos e professores moram na escola durante o ano letivo. A única exceção são as férias de verão, pois nelas podemos escolher em visitar nossa família ou permanecer na escola.
—Então vamos logo! –Gritou o Sr. Aldemir do banco de motorista.
—Dei-me essa mala e entre no carro, não vamos mais perder tempo. Afinal, você tem um show marcado no retorno das aulas esta noite.
Como sempre, sentei-me no banco de traz e logo após guardar minha mala mamãe sentou-se ao lado de papai, o homem com cabelos que alteram entre preto e branco combinando com o bigode grisalhos. –Podemos ir?
—Vai logo pai! Não podemos perder tempo, tenho um show para fazer. –Claro, o show da minha banda é algo que a diretor da escola deixou marcado a dias, para dar as boas-vindas ao pessoal, mas estou com saudades do garoto que me conquistou, pele clara, olhos azuis iguais aos meus, loiro igual a mim, e gosta de rock! Igual a mim.
—Então filha! Já arranjou um pretendente? –Não sei como ela me pergunta isso na frente do papai. Ela sabe que ele é ciumento.
—Não. Não arranjei! –Esqueci de mencionar o fato de que não contei ainda a eles que estou namorando. –E porque pergunta algo assim na frente do papai? Quer que ele me mate?
Enquanto dirigia nas ruas da cidade papai olhou no meu rosto pelo espelho interno. –Se você não tem namorado, porque ficou vermelha?
—Não fiquei vermelha! –Retruquei. –Porque você e a mamãe gostão de complicar as coisas!
Depois de muito tempo rodando pela estrada de concreto, finalmente entramos no chão de terra que leva até o portão de entrada de Trewor Wood. Enquanto o carro seguia, eu vi parada no canto da estrada de terra, uma pessoa, que enquanto o carro andava mais familiar a silhueta se tornava.
Fiquei olhando atentamente e quando finalmente passamos e pude ver o rosto da pessoa, senti um arrepio na minha espinha e minha cabeça pareceu se torcer em um nó!
“-Como?!” –Pensei, do lado de fora do carro, a pessoa era eu! Ali parada e ficando cada vez mais longe conforme seguíamos, o mesmo cabelo loiro e olhos azuis, pele clara levemente rosada. Até mesmo a roupa semelhante, e a expressão no rosto era triste, profundamente vazia como se faltasse um coração. “-O que foi isso?” –Não podia ser eu! Mas era idêntica a mim como se fosse uma foto repetida.
—Filha? Que cara é essa?
Eu estava muito assustada, uma grande neblina rondava por todos os meus pensamentos.
—Você não viu aquilo Mãe?!
—Aquilo oque filha? E porque esse desespero todo?
—A pessoa parada abeira da estrada! Que era idêntica a mim!
Papai soltou uma gargalhada.
—Idêntica a você! –Ele continuava rindo ao volante. –Você bebeu tudo ou ainda sobrou um pouco pra mim!
—Querido para de rir! Preste atenção na estrada.
Bem no fim, acabei passando por bêbada. –Eu não estou bêbada! –Por alguma razão acabei sentindo um frio no estomago e meu coração parecia querer pular para fora do meu peito.
—Olhe filha, chegamos! –Acabávamos de passar pelos portões de madeira da grande muralha de Trewor wood, e as grandes árvores que se espalham por todo o gramado interno nos davam as boas vindas enquanto o vento acariciava suas folhas.
—Finalmente! –Conclui alegre.
Mamãe olhou para os arbustos de flores que mencionei antes. –Não canso de dizer que são lindas! Qual o nome dessa flor filha?
—Não sei, eu chamo de rosas-branca-e-roxa.
—Chega de papo furado! Chegamos! –Papai estacionou o carro ao lado de muitos outros que estavam parados em frente à entrada do castelo-escola.
—Então vamos descarregar. –Mamãe saltou para fora do carro junto de papai. –Vem logo filha.
Quando sai do carro, a cena era a mesma em todos os lugares. Alunos pegando e levando malas para seus quartos. Olhei em volta para tentar enxergar alguns de meus amigos. –Onde estão? ...
Eu estava no porta-malas pegando uma de minhas três malas quando uma voz sussurrou meu nome. –Andressa ... –Automaticamente recordei do “eu” parado abeira da estrada e isso me fez estremecer.
—Finalmente chegou, cheguei a pensar que estivesse morta. –Disse a voz.
O tom da voz tornou-se familiar, então virei-me em sua direção.
De pé me olhando com as mãos nos bolsos de sua calça jeans larga, vestindo uma camiseta social vermelha e um boné preto. Com esse visual estranho só poderia ser uma pessoa. –Will! –O baterista da banda, ele costuma ser divertido mas também adora assustar as pessoas. Ficou sem poder sair de seu quarto durante uma semana por assustar a escola inteira depois de ter montado um manequim usando balão e carne, cortou em pedaços e espalhou por toda a escola. –Não me assuste mais...já me assustei o suficiente com o “eu” parado na estrada.
—Um Doppelganger. —Will falou de forma tao espontânea que parecia totalmente compreensível para mim.
—... Oque é isso? –Minha pergunta fez surgir no rosto de Will um sorriso que me gelou a alma.
—Um Doppelganger! –O tempo pareceu parar e minha atenção ficou totalmente voltada para as palavras de Will. –Doppelganger é um outro eu ou você que existem ocupando o mesmo espaço no universo, a única diferença é que eles não possuem alma. Por isso dizem que seu rosto é de uma tristeza profunda.
Pela primeira vez em três anos, Will começara a me assustar de verdade. –O ... Oque acontece se eu encontro o “meu” Doppelganger?
—Doppelganger não existem realmente. –senti um alivio no meu peito ao escutar essas palavras. –A parte verdadeira, é que eles são um preludio de sua morte. Se você avista um deles, significa que vai morrer. –Os olhos castanho de Will estão vidrados nos meus.
—Só pode ser brincadeira!
—Claro que é. Assustar meus amigos é um agrado pra mim!
Mamãe apareceu de meu lado e tirou minha segunda mala de dentro do carro. –Olá Will! Tudo bem com você?
—Nunca estive melhor! –Will fez uma carinha de ingênuo e minha mãe automaticamente se apaixonou por ele.
—Que adorável! –Disse ela. –Ele pode ser seu namorado Andressa!
Olhei assustada para Will, ele pareceu não entender e quando abriu a boca para falar aquilo que me condenaria. Eu o interrompi.
—Para com isso mãe!
—É! PARE COM ISSO MÃE! –retrucou papai com um Tom de voz grosso e firme enquanto apanhava a última mala.
—Andressa! –Então ele apareceu, o Braw.
Rapidamente fiz um sinal de negativo com a mão sem que papai nem mamãe notassem. –Oi Braw! –Acho que ele entendeu o sinal porque não me abraçou nem me beijou.
—Entendi –Sussurrou Will.
—Você só tem amigos homens?! –Perguntou papai.
—Não! Tirando o Vandy. Tem a Valeria e a Josi que fazem a segunda e terceira voz na banda. –Tentei não parecer nervosa e acho que consegui.
—Não tem problema! Eles podem lhe ajudar a levar suas malas para seu quarto. Eu e sua mãe se despedimos aqui.
Dito e feito, me despedi de meus pais com um abraço, e Will e Braw me ajudarão a levar as malas até o quarto 115.
—Finalmente aqui! –Disse ao abrir a porta de meu pequeno quarto que estava da mesma forma que deixei, cama do lado direito, minha escrivaninha com meus livros e notebook do lado esquerdo. E o guarda roupas em frente a cama. –Estou de volta!
Fale com o autor