Tempos de guerra

13 Quem sou eu... Quem somos nós?


Notas iniciais
Lignite, após voltar do ataque a base rebelde, relata sobre o que ocorreu. Logo após isso ela se encontra com Sugilite, e depois vai conversar com Black.

Havia se passado algum tempo desde que voltamos da missão fracassada. Black havia chamado o resgate como eu havia ordenado e com isso voltamos para o quartel, mas meu tempo lá foi pouco, tive que ir para a Capital, a cidade central de Homeworld, onde iria fazer um relatório da missão.

Quando sai da sala onde relatei todo o ocorrido, encontrei Sugilite. Estava sentada em um dos assentos de espera, devido a sua baixa altura, seus pés não alcançavam o chão, então ela ficava balançando-os para frente e para traz, enquanto olhava distraída para alguma coisa qualquer, e é claro, com aquele sorriso um tanto quanto medonho em seu rosto. Fui andando pelo corredor, indo em direção a saída, até que chamei a atenção de mina companheira, que deixou de lado seus devaneios e me olhou.

—Prazer em revê-la he he. –Disse a Sugilite se dirigindo a mim-

—Digo o mesmo –Disse enquanto me virava para ela- Vejo que já se regenerou.

—Bah, eu não perco tempo com essas bobagens de ficar se mudando toda na hora de regenerar. –Disse ela, enquanto continuava balançando suas pernas- Mas ent...

A porta que eu havia acabado de sair se abriu, e uma Peridot, a mesma para quem eu fiz meu relatório, saiu de lá.

—Sugilite Faceta F2L Corte 8XG –Disse a Peridot-

—Bem, é a minha vez. –Disse Sugilite, que ia fazer seu relatório da missão, enquanto descia do assento- Você já estava voltando para o quartel?

—Sim –Respondi-

—Pode me esperar um pouco? Assim podemos voltar juntas, conversando um pouco... he he.

—B-bem... Tudo bem, eu te espero.

Me sentei no mesmo assento que Sugilite estava sentada, enquanto ela entrava na sala. Eu estava esperando que aquilo fosse demorar mais ou menos o mesmo tempo que eu demorei: não havia sido rápido, mas ainda era “esperável”. Fiquei sentada esperando, enquanto pensava sobre o ocorrido, sobre lutar contra Aquamarine e rever Emerald. Era algo doloroso, ver aquelas que chamei de amigas lutando contra mim, e agora duas delas estavam mortas; restava apenas Emerald, a Gem que por muito tempo foi quem eu mais confiei.

Mas meus pensamentos não duraram muito, pois depois pouco tempo Sugilite saiu da sala. Fiquei espantada com a rapidez de seu relatório, não demorou um décimo do tempo que eu havia gastado.

—Vamos então? –Disse Sugulite-

—Claro... –Respondi-

Fomos andando em direção do teletransportador central, que ficava no meio da capital e tinha ligação com qualquer parte do planeta. Durante o caminho, fui conversando com Sugilite, que por algum motivo, que provavelmente apenas ela sabia, não parava de ziguezaguear, andar de costas e fazer qualquer outra coisa que ninguém mais fazia enquanto caminhava.

—Onde está sua Pearl? –Perguntou ela-

—Ficou no quartel, não queria trazer ela para cá e correr o risco de pedirem um relatório dela... sabe, ela não está pronta para essas coisas.

—Entendo. E você já falou com ela sobre a missão? Sei que foi a primeira vez que ela entrou em combate, talvez ela tenha gostado, talvez não.

—Ainda não. Na verdade a única coisa que disse para ele foi que eu iria vir para que, e por isso pedi que não ficasse andando pelo quartel sozinha... mas agora que parei para pensar, ela estava bem quieta durante a volta, talvez seja bom eu falar com ela, ver como ela está depois de tudo isso.

—He he, espero que ela esteja bem, por algum motivo eu gostei dela.

—Hmmm –Olhei para Sugilite com um olhar meio sério, aquele comentário não havia me agradado- E onde estão os outros? –Perguntei, tentando mudar de assunto-

—T. e Toph ainda não se regeneraram, a General Onix foi conversar diretamente com as Diamonds, e a Jasper foi junto. E eu não faço a mínima ideia de como esta aquela Amethyst... e para falar a verdade nem quero saber he he –Sugilite abriu ainda mais seu sorriso- Confesso que gostei muito de rasgar o rosto daquela cretina, e que não foi tão sem querer assim he he.

—Por que toda essa raiva com ela? –Era uma pergunta com uma resposta um tanto quanto óbvia-

—Por que você acha? Ela não passa de um bonequinho da Jasper. Fica seguindo ela que nem tonta para lá e para cá, e fica abusando disso, pois se alguém mexer com ela, ela corre para de baixo do rabão da brutamontes laranja e fica usando ela de escudo. Por causa disso que ela está nesse pelotão de elite, por que a Jasper faz parecer que ela é forte, mas ela é só um pedaço de lixo. –Mesmo ainda sorrindo, era possível perceber o desprezo e ódio na voz de Sugilite-

Depois de algum tempo caminhando por entre os caminho da Capital, finalmente chegamos no teletransportador. Esperamos em uma fila de Gems até que chegasse nossa vez de usá-lo. Fomos direto para o Quartel. Me despedi de Sugilite, que foi correndo para o pátio principal, enquanto eu ia para meus aposentos.

Quando cheguei, procurei por Black na sala principal, mas ela não estava. Fui até a pequena sala de ferramentas, onde ela também não estava. Por último fui checar a sala de treinos, acreditei que ela estivesse treinando; ela realmente estava lá, mas não estava treinando como eu imaginei que estaria, ela estava sentada no chão, encostada na parede e abraçando as próprias pernas e escondendo seu rosto entre os braços.

—Black... está tudo bem? –Perguntei-

Black não respondeu, apenas se virou, ficando agora de costas para mim. Estranhei aquilo, e então andei até ela e me agachei ao seu lado.

—O que foi Black?

Ela apenas virou o rosto para a parede.

—Se você não me disser qual o problema eu não poderei te ajudar a resolve-lo. –Eu disse enquanto colocava a mão em seu ombro-

—Você disse que iria me deixar lutar, mas me mandou sair da batalha... você mentiu!! –Ela disse, misturando tristeza e um pouco de raiva-

Fiquei surpresa com o que ela havia dito, eu não esperava aquilo.

—B-Black, como assim? Eu fiz aquilo para te proteger.

—Você fez isso porque acha que sou fraca... –Seu tom de voz então mudou, agora ela falava sem raiva, apenas triste- Mas você está certa, eu sou fraca.

—Black, não diga isso, você apenas está... começando. –Eu tentava pensar em alguma maneira de melhorar aquela situação- Ninguém fica forte e habilidoso de um dia para o outro, é preciso muito treino de dedicação para isso.

—Mas eu queria ser como você. –Ela então olhou para mim, seus olhos lacrimejavam- Forte!! Você enfrentou aquela Gem sozinha e venceu.

—Bem... acho que em relação a isso... eu tive sorte –Eu não gostava de dizer aquilo, mas era a verdade- Eu poderia ter sido derrotada facilmente.

—Mas você conseguiu!!

Me ajoelhei e olhei no olhos de Black, ela se virou completamente para mim e também olhou em meus olhos.

—Para ficar forte é necessário dedicação, o que você tem de muito. Mas é algo demorado. Mas eu prometo que continuarei te ajudando ao máximo, para que um dia você não fique igual a mim... você fique melhor!!

Os olhos de Black brilharam neste momento, e ela então me abraçou. Era ótimo receber aquele abraço, era uma sensação estranha, era algo diferente. Retribui o abraço.

—Me desculpe. –Disse Black- Me desculpe por isso.

—Não tem problema.

Nesse momento não havia mais nada que me preocupava, não havia guerra, não havia batalhas, não havia mortes, só havia eu e ela. Eu estava com os olhos fechados, então não via nada, apenas sentia aquela ótima sensação de estar com ela. Depois de um tempo abri os olhos, e me assustei, Black não estava mais lá, e eu estava apenas me abraçando. Com o suste, me levantei, e então outro susto, eu estava mais alta, parecia ter o dobro de minha altura original.

—O que está acontecendo? –Eu disse, como se perguntasse para alguém-

—Eu não sei! –Respondi para mim mesma, mas de um jeito diferente, como se não fosse eu falando-

Me assustei ainda mais, e por impulso coloquei a mão esquerda em meu braço direito, tocando minha pedra, e então, coloquei a mão no pescoço, e para minha surpresa, senti algo que não esperava... ou esperava? Senti outra pedra. Olhei para minhas mãos, elas estavam diferentes, mas ao mesmo tempo iguais. E foi então que percebi o que estava ocorrendo.

—Quem sou eu... Quem somos nós? –Perguntei para mim mesma-

Então consegui sentir, Black estava comigo, ou eu com ela. Nós havíamos nos fundido, nesse instante pensamentos sobre o que podia ocorrer caso alguma Gem ficasse sabendo disso começou a rodear minha (ou devo dizer nossa?) cabeça, eram as minhas preocupações. Mas todos esses pensamentos logo foram interrompidos por uma risada, era a alegria de Black devido a situação. Era incrível, eu podia sentir sua alegria dentro de mim. Começamos a nos olhar, usávamos uma roupa parecida com a de Black, mas um longo sobretudo negro que se estendia até o chão, tínhamos um cabelo longo e preto, que ia até o meio das costas, nosso olho esquerdo era coberto por uma franja. Começamos a rir e nos abraçar, embora quem visse aquilo de fora veria apenas alguém abraçando a si mesmo.

—Somos uma fusão!!!! –Disse, mas com certeza era Black falando aquilo-

—Sim... é muito bom sermos... nós.

Nossa alegria foi interrompida por alguém me chamando, alguém me esperava na porta. Então no mesmo instante começamos a brilhar, e então nos separamos. Olhei para o lado e pude ver Black novamente. Coloquei o indicador em frente à minha boca, fazendo o sinal de silêncio.

—Não conte para ninguém, é o nosso segredo. –Disse para ela-

—Tudo bem hi hi. –Ela respondeu, dando um pequeno sorriso-

Fui até a porta, e então a abri para ver quem era. Era Sugilite, junto com T. e Toph.

—Olá!! Advinha quem já se regenerou? –Disse Sugilite apontando para as duas Topaz-

—Ah... que boa notícia. –Eu disse-

—É um prazer revê-la. –Disse Toph-

—Digo o mesmo. –Respondi-

—Nos desculpe o incomodo... –Disse T.-

—...mas gostaríamos de conversar com você. –Completou a outra-

—Claro, podem entrar. –Eu as convidei-

Sugilite logo pulou para dentro da casa e correu para se sentar em algum lugar. As duas Topaz entraram educadamente, cumprimentando Black, que retribuiu timidamente.

Fechei a porta, e enquanto me dirigia as outras Gems ali presente, olhei para Pearl e pisquei com um dos olhos para ela, que ao ver deu um pequeno sorriso.

Continua...

Notas finais
Mais um capítulo saindo, me desculpem pela demora, mas as coisas ainda estão bem corridas para mim. Que capítulo maravilhoso de se escrever, era um dos capítulos que eu mais estava ansioso para postar, e ele finalmente está aqui. Vocês não imaginam a minha alegria. Mas foi bem difícil escrever pela perspectiva de uma fusão, pois como a história é narrada em primeira pessoa, não sabia se usava "eu" ou "nós", então acabei alternando, e espero que tenha ficado bom. Espero muito que tenham gostado, e obrigado por lerem.