Notas iniciais
Baseado na situação econômica em que os EUA se encontram.

Eu podia ouvir minha própria respiração, pesada, no meio do silêncio daquela sala... Pesada por minha dificuldade para inspirar o ar, sendo necessária a ajuda de uma máquina que dava-me o ar necessário por meio de uma espécie de máscara que cobria a parte inferior de meu rosto.

Fora isso... Oh, havia outra máquina, esta conectada a meu braço esquerdo por alguns fios que nem eu mesmo sabia o que faziam. Mas ela apitava... E, com isso, eu sabia que ainda estava vivo.

Ainda... Hunf... Até quando?

Lancei um olhar para fora de meu quarto. Mesmo as persianas estando parcialmente fechadas, consegui ver as horas no corredor. Meia-Noite... Quase uma hora da manhã.

É, quase uma hora da manhã e meu sono não vinha, abandonando-me aqui com uma sensação horrível de cansaço, tão forte que, junto da fraqueza que sentia, era difícil para mim manter meus olhos abertos... Mas por que precisava abri-los? Eu queria dormir...

Eu sabia exatamente o porquê da ausência de sono.

Medo...

Sim, eu estava com medo.

Eu nunca havia me sentido assim tão... Fraco... Ouvi dizer que Inglaterra, França e até mesmo Rússia já ficaram assim, mas eu nunca imaginei que esse dia também chegaria para mim... E é bem pior do que eu imaginava. Na verdade, é horrível... Como cheguei a esse ponto?

Eu pensava que iria recuperar-me rápido... Mas está acontecendo exatamente o contrário...

E isso me dá medo.

E se eu não conseguir superar? Eu era tão forte...

Desde que foi decidido por Arthur que eu deveria ficar em um hospital em vez de continuar de cama em casa, não vejo mais ninguém. Nem o próprio. Como se não se importassem... E como não? EU SOU UM HERÓI!

... Eu... Eu era... Quem sabe seja por isso?

Mas se algo acontecer...

Eu queria estar junto de alguém... Porque...

Um barulho alto tirou-me de minhas reflexões. Certo, não era alto, mas o suficiente para perturbar toda a atmosfera quieta que reinava até aquele momento. Na verdade, era o apito daquela máquina, que acelerara por algum motivo. Seria melhor parar de pensar naquilo, é...

Tentei arrumar uma posição mais confortável para, novamente, tentar chamar o sono para perto de mim, mas isso era quase impossível, uma vez que tudo o que estava conectado a mim limitava bastante meus movimentos. Como os pacientes conseguiam dormir desse jeito?

Queria ir para casa...

Outro barulho impediu-me de continuar aquela linha de pensamentos. Percebi que até refletir era quase impossível naquele lugar, também.

E novamente tive que fazer um pequeno esforço para olhar para a porta do quarto.

Matthew...

“ Alfred...”, ele parecia um pouco espantado por ver-me acordado àquela hora. Bem, eu sentia o mesmo, só não transparecia.

Canadá aproximava-se de mim com passos um tanto inseguros. Ele estava nervoso, e eu notava isso por causa de suas mãos que, inquietas, entrelaçavam-se.

“ Eu não consigo dormir, bro... Não sabendo que está desse jeito. Eu..... Você me deixa... Dormir com você essa noite?”

Sua voz saía tão trêmula que, se eu já não estivesse acostumado com esse seu jeito de falar, seria obrigado a mandá-lo repetir tudo.

Mas eu entendi e precisava responder. Por isso, levei a mão até a máscara que cobria minha boca, mas Canadá impediu-me de tirá-la colocando sua mão sobre a minha.

“ Eu... já entendi. Nao precisa... Bem, d-desculpe por incomodá-lo.”

Canadá... Você não entendeu.

Matthew virou-se com a intenção de ir embora e eu, empregando o pouco que me restava de força, tentei agarrar seu braço antes que se afastasse, mas minha mão pesou assim que toquei no tecido de seu moletom e eu fui obrigado a abaixá-la e ficar apenas observando-o ir embora.

Na porta, ele deu uma última olhada para mim.

Mattie, eu lhe imploro, preciso que fique aqui comigo, bro... Please...

Era isso o que eu queria dizer. Não, na verdade não sei se teria a coragem, mas de qualquer jeito não foi dito. Porque havia uma coisa na frente de minha boca que limitava minhas ações...!

Percebi que Canadá ainda estava ali, sua cabeça ligeiramente inclinada. Hesitante, ele deu um passo para dentro do quarto, consequentemente para longe da porta.

Um pequeno passo quarto adentro para ele, um grande salto para longe da porta para mim.

“ América...?”

É, esse sou eu. Poderia parar de falar coisas sem sentido e voltar para perto de mim?

Como que lendo meus pensamentos, ele voltou para o lado de minha cama, colocando uma mão sobre meu peito. Não era exatamente o que eu queria fazer, mas inconscientemente também coloquei minha mão sobre a dele. Podia notar a diferença de temperaturas... Seu corpo exalava o calor, ao contrário do meu.

“ Eu... Eu posso ficar?”

Neste momento, neste exato momento, eu comecei a acreditar naquela frase “ Um olhar vale mais que mil palavras “

Quem inventou ela deveria ser mudo. Ou, pelo menos, ter algo cobrindo sua boca que o impedia de falar.

Matthew deu a volta, indo para o outro lado da cama, onde não haviam grades. Com cuidado, deitou seu corpo ao lado do meu e usou meu peito de travesseiro.

Dirigi uma de minhas mãos até suas, que repousavam em minha cintura, enquanto a outra afagava seus cabelos loiros. Pronto, ele era meu e não sairía de perto de mim se eu não lhe permitisse isso.

Esse peso que eu sentia em cima de mim... De alguma forma fez-me sorrir, como se as forças tivessem voltado ao meu corpo e eu fosse capaz de protegê-lo do que quer que fosse, mesmo ciente de que era o contrário que acontecia.

Sua presença espantava meu medo. Chamava meu sono. Quem sabe Matthew pensasse o mesmo sobre mim...

Ele já havia dormido.

E eu também sentia que não permaneceria consciente por tanto tempo.

Canada... Will you stay by my side...

When nobody else recognize me?

Notas finais
Fato engraçado sobre mim: Odeio Fics desse tipo, mas amo escrevê-las .q
Bromance rula O3O~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!