Notas iniciais
Oie pessoas, tudo bom? Essa é minha segunda fanfic, mas considero como primeira, já que a anterior não deu muito certo ('*_*)

Conseguia ouvir a chuva caindo lá fora. Sempre gostei de observar a água caindo à medida que o chuvisco se transforma em tempestade. A forma como a calmaria converte-se em relâmpago e trovões. Mas tempestades não duram para sempre e eu não via a hora desta acabar.

Conheci Jonathan enquanto andava pela rua, estava distraída e quase fui atropelada por sua bicicleta. Não foi amor à primeira vista, mas no fim tornou-se amor, logo nos casamos. Fiquei viúva muito cedo, aos 25 anos já chorava pela morte de meu amado enquanto esperava o fruto desse amor: Chaya

Os gritos começaram duas horas após o aniversário de Chaya, os passos apressados em busca de salvação e os múrmuros de sofrimento. Fui acordar a doce garota que tão nova já vivenciaria estes momentos de desespero.

—Vamos querida, acorde!

—Já está de manhã, mamãe?

Seus olhos forçavam-se para abrir e assim permanecer, estava cansava. Mas não havia tempo.

—Não meu amor, ainda não. Está na hora do pique-esconde. Você lembra do que temos que fazer?O sorriso imediatamente aparece em seu rosto fazendo duas covinhas surgirem em suas bochechas.

—Sim mamãe! Temos que ir até o porão da dispensa rápido e nós escondermos

Dei um sorriso fraco e me apressei a pegar o necessário enquanto a ajudava com algumas coisas. Embaixo da caixa de carvão, esta que era fixa na parede em frente às prateleiras, havia um buraco no chão e sua passagem dava para um pequeno abrigo que construí. Na verdade, era uma entrada que já havia na casa e quando criança, costumava esconder-me e brincar naquele pequeno cômodo. Agora ele serviria como nosso refúgio e sobrevivência. A passagem era muito bem escondida, na caixa de carvão havia uma abertura removível atrás e assim poderíamos passar e fechar por dentro com uma tranca que instalei, logo depois bastava descer pela escada. O espaço era bem pequeno mas possuía dois colchões; um pequeno armário com algumas comidas, enquanto outras estavam em um dos cantos; roupas e cobertores; suprimentos médicos e outras necessidades. Se houvesse concentração, daria para escutar todo barulho do combate, para logo depois tudo virar silêncio. —Pronto. Aqui ninguém vai nos achar.

—O que era todo aquele barulho?

—Ahn... As pessoas estavam se escondendo, querida. Agora temos que ficar quietinhas, tá bom?Ela balançou a cabeça e a abracei. A inocência me permitia fazê-la acreditar que tudo não passava de um jogo, uma brincadeira e que se ficássemos quietas iriamos ganhar. Um tempo depois já não era possível ouvir mais nada, nenhum barulho além do silêncio daqueles que enfrentavam o medo e a morte.

—Vai demorar muito, mamãe?

—Sim, claro. Os jogadores são muito bons e sabem se esconder bem. Volte a dormir, logo lhe acordo

Dei-lhe um sorriso fraco e um beijo em sua testa, enquanto seus olhos fechavam-se em busca do conforto presente no mundo dos sonhos.

Já fazia um tempo quando tudo começou. Após a entrada de Hitler no poder, tudo aconteceu rápido. A privacidade virou lembrança e os direitos tornaram-se escassos. O governo foi substituído pelos nazistas. Eles alimentavam-se do terror e todos começaram a ser perseguidos, mortos.Crianças vistas como indesejáveis e perigosas por aqueles que as matavam. Busquei a fuga. Tentei o caminho dos Estados Unidos, mas não obtive sucesso diante das filas em frente ao consulado Norte-Americano. Todos em busca de refúgio. As chances de sobrevivência e esperança foram diminuindo chegando quase a extinção.

Mantive Chaya no porão de casa, esconderijo que me trazia a segurança que ela ficaria bem enquanto jogasse aquele esconde-esconde. Nada de barulho, nenhuma palavra ou som que denunciassem sua existência para aqueles que cortavam o fio dos pequenos aprendizes da vida.Esconder-se em outras casas ou famílias era perigoso. O pensamento passageiro de segurança trazia consigo o medo das descobertas e até mesmo denúncias. Então passei a agir, comecei a secretamente organizar meu próprio esconderijo e em poucos dias já possuía o necessário para o começo da sobrevivência de minha família. Chaya e eu.

Os dias passaram, mas lentos e demorados o bastante para pequenina, esta que já não aguentava esperar que a brincadeira enfim acabasse. E infelizmente esse pique-esconde chegou ao fim, mas não da forma como eu pretendia e almejava.

Eles apareceram com suas armas e fardamentos, além da aparência de eterna escuridão em que suas almas se encontravam. O choro de uma criança foi ouvido e abracei Chaya com força, ao que parece, uma ingênua família se abrigava no porão de nossa casa, o chamado foi feito e não tardou para que os guardas aparecessem. Um tiro foi ouvido e minhas lágrimas caíam levando consigo parte de mim. Resolveram averiguar o restante da casa e assim nos descobriram e com medo que tivéssemos o mesmo fim daquelas pessoas acima não demorei a obedecê-los e formos levadas.

—Para onde vamos, mamãe?

—Estamos indo... Ahn.... Vamos para um lugar muito legal. Jogar um novo jogo.

A viagem de trem foi cansativa. Vagões entulhados com pessoas que já haviam desistido e aceitado que aquele seria o fim. Algumas até sorriam, o sofrimento acabaria e suas mentes encontrariam a paz. Não as conhecia e meu único consolo era minha filha, que ainda encarava tudo como uma brincadeira, uma mentira e que se fosse um jogo, nós iriamos ganhar.

Homens e mulheres foram separados, colocados em lados opostos daquela concentração de terror. Ao longe era possível ver algumas montanhas e paisagens bonitas que me tiravam um pequeno sorriso do rosto, este que logo se apagou. As regras foram ditadas e Chaya estava concentrada em outra coisa para prestar atenção naquelas frases intimidadoras.

Dois dias após a chegada escutei palavras que me fizeram parar e o chão esvaiu-se, as crianças e velhos não serviriam e seriam descartados, suas existências seriam apagadas naquela prisão e só sobrariam lembranças. Não havia o que fazer, nem a quem avisar. Naquele dormitório só possuía uma criança: a minha, e somente eu sentiria a perda daquela vida.

—Isto está chato mamãe, quero ir embora.

—Eu sei querida, eu sei. Logo vamos embora.

A abraçava e chorava enquanto os soluços balançavam meu corpo e o sentimento de desespero fazia-se presente em todo meu ser, mas a paz viria.

A hora chegou. Começaram a chamar os mais velhos e as crianças dos outros quartos para tomar um banho, Chaya estava sorrindo. Segurei sua mão e juntas andamos em direção aquele lugar.

—Vamos para casa?

—Sim meu Amor, vamos para casa

Notas finais
Triste... Na segunda Guerra, crianças e velhos foram queimados no campo de concentração (assisti à um filme em que chamavam as crianças e idosos para tomarem banho, mas na verdade eles eram mortos)... Ambas personagens foram mortas desta forma :(
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!