Tempos de Guerra
1 A convocação
Notas iniciais
Bee: daqui a pouco? Você tá de brinks, né? Hahahaha, MENTIRA. Não dá pra me cansar de você *-* Sem falar que sua animação pra escrever a fic passou pra mim.
Antes de mais nada: Me desculpe, leitor. As partes horríveis foram de minha autoria ):
Em novembro de 1943, ao invés da população da grande Alemanha desfrutar do tempo frio e da neve que caía incessantemente, ela enfrentava o caos que a guerra trazia ao país. Uma grave crise econômica preocupava os mais ricos e castigava os mais pobres; crianças não mais podiam brincar livremente nas ruas e um clima de tensão e ansiedade estava presente em todos os dias e em todos os lugares.
E em uma das diversas ruas cobertas por uma grossa camada acizentada, andava um jovem soldado, que deixava a marca de seu coturno para trás ao pisar firme para sustentar a postura ereta. Seu semblante impassível completava sua farda com honras de sargento harmoniosamente. Os fios vermelhos embaixo do quepe escuro caíam escassos no rosto e uma massa de vapor insistia em escapar de seus lábios a cada expiração.
Chegou ao Quartel General de Frankfurt e cumprimentou o soldado de plantão na portaria com um simples e breve aceno de cabeça. Adentrou o local parcialmente movimentado. O trabalho não estava a 100% por causa daquele frio que fazia até o brutamontes mais violento da Alemanha tremer o queixo.
O jovem, que atende pelo nome de Mail Jeevas, ou Matt, para os mais próximos, caminhou pelos longos corredores até alcançar o gabinete de seu superior. O sargento possuía profundos olhos verdes que se destacavam tanto quanto seus cabelos ruivos, em contraste com a pele alva e a farda marrom escura.
Parou em frente à porta e bateu duas vezes.
— Entre — a voz alta e autoritária mandou.
— Com licença, General Yohannes — Mail adentrou a sala e o saudou, estendendo o braço direito assim que fechou a porta, sendo retribuído. Ainda estava frio, mas dentro da sala estava mais suportável. Pelo menos sua respiração não se condensava mais.
— Sargento Jeevas, há um assunto que eu gostaria de discutir com você — o general falou, fazendo um gesto para o ruivo se aproximar.
Yohannes era um homem de meia-idade e possuidor de uma aparência severa que combinava muito bem com seu cargo. Seu cabelo loiro, tão claro que chegava a parecer prateado, penteado cuidadosamente para trás, de modo que era possível visualizar as marcas deixadas pelo pente, e a clara cicatriz no canto superior de seu olho direito, realçavam ainda mais a imagem de general rígido. Na verdade, foi na batalha em que ganhou a cicatriz, que Yohannes conquistou a patente de general.
Sem mencionar que mesmo sentado atrás da imensa mesa de madeira, seus ombros largos denunciavam sua postura forte.
— Diga-me, você sabe sobre a atual situação no território francês?
— Há uma ameaça por parte do exército aliado para recuperar o território — Mail respondeu prontamente.
— Exato. E é por isso que estou mandando você e seus homens para a fronteira, dizimar aqueles yankees e aqueles ingleses malditos. Estejam prontos para partir amanhã.
Fora uma surpresa tão forte para o Sargento Jeevas, que seus olhos até saltaram levemente e a hesitação moveu seu corpo. Um "por quê" ficou preso em sua garganta, mas quem ele pensava que era para questionar as ordens do general?
- Sim, senhor — falou obedientemente, e mais uma vez estendeu o braço direito com o usual "Heil Hitler", se retirando em seguida.
Sabia que não possuía tal direito, mas gostaria de se negar a ir. Não se sentia nem um pouco tentado a viajar até a França. Ainda mais com esse tempo.
Andou por mais algumas ruas, e não demorou para avistar um outro soldado, de patente igual à sua, vindo em sua direção.
Este soldado, chamado Mihael Keehl, ou simplesmente Mello, de fato parecia bem mais um militar do que Mail. Não que o ruivo aparentasse fraqueza, muito pelo contrário, mas Mihael Keehl possuía uma presença marcante e de certa forma, imponente. Seus cabelos loiros, quase na altura dos ombros, não conseguiam cobrir a grande cicatriz que ocupava parcialmente o lado esquerdo de seu rosto. E para completar sua aparência, havia os olhos. Olhos de um azul-elétrico que se destacavam e impressionavam tanto quanto sua cicatriz.
Matt ainda lembrava nitidamente como os dois, amigos de infância e um pouco mais, haviam ingressado nesse mundo.
Mail e Mihael, assim como todo garoto alemão de 14 anos de idade, ingressaram na Juventude Hitlerista. Antes, até alguns anos depois de sua formação, a ida ou não à esta instituição era opcional. Mas depois que o partido nazista começou a ganhar força, e principalmente, despois que a guerra tornou-se certa de ser declarada, tornou-se obrigatório e os jovens alemães não tinham outra escolha a não ser ir.
Durante quatro anos os rapazes eram submetidos a um regime semi-militar e aprendiam a viver sob os preceitos nazistas, até que aos 18 anos eles ingressavam de vez no exército.
Matt e Mello eram amigos de infância, e neste momento em específico, em 1940, os dois estavam se formando e ingressando em definitivo nas tropas alemãs.
Um misto de apreensão, orgulho e determinação preenchia o peito dos dois, impedindo-os de dormir. Estavam ansiosos demais para a formatura do dia seguinte para pegarem no sono.
— Ei, Mello, está dormindo? — Matt sussurrou para que os outros homens do dormitório não ouvissem e não acordassem. Todos estavam exaustos pelo último dia de treinamento e teriam que acordar dispostos para o evento do dia seguinte.
— Não, não consigo — respondeu virando-se na cama para ver o ruivo na cama à direita.
— Eu também não. Está quente demais, e pensar que a partir de amanhã seremos soldados me tira o sono.
— Sei, não consigo acreditar também... — Mello suspirou — Quatro anos neste lugar, mas mesmo assim tenho certeza de que não vou sentir falta daqui — os dois riram levemente.
— Há uma coisa de que eu vou sentir falta — Matt confessou depois que as risadas foram cessadas.
— Do quê? — era meio surreal para Mihael que houvesse algo ali digno de se saudade.
— De ficar aqui com você — então o silêncio se instaurou. Não um constrangedor, longe disso, mas um reflexivo. Eles se encaravam, o azul encontrando o verde como o mais límpido dos lagos europeus. E era isso que se via na íris de ambos: sentimentos puros.
— Nós vamos para o mesmo batalhão, Matt — alguns segundos depois, Mello quebrou a quietude. Matt revirou os olhos.
— Vem, vamos dar um volta — os fios ruivos foram balançados quando Matt levantou-se da supetão, já vestindo sua camiseta e suas calças do uniforme.
— Vamos aonde? — Mello sentou-se na cama também, totalmente perdido.
— Vamos aproveitar o último dia na instituição. aliás, o único dia que podemos aproveitar...
"Por que não?", Mello pensou e dando de ombros, imitou-o.
Matt andava na frente, decidindo o caminho, e quando Mello se deu ocnta, eles se encontravam no imenso campo que costumavam usar para treinar.
— Aqui? — Mello perguntou erguendo uma sombrancelha — E você disse "aproveitar"?
— Admita, este é um bom lugar para se passar o tempo. Quero dizer, sem os gritos do tenente, as pessoas se enfrentando e o barulho dos tiros.
— Qualquer lugar que não tenha isso é um bom lugar para se passar o tempo — Mello comentou e, cansado pela caminhada, sentou-se em um dos tocos de tora onde eles geralmente tinham que correr em cima, para treinar equilíbrio.
Já Matt segurou a barra de flexão depois de um salto para alcançá-la e puxou-se para cima, repetindo o movimento que mais praticou nos últimos quatro anos.
Aquele ato não passou despercebido pelos olhos de Mello. O rapaz observava Mail minuciosamente, decorando traços desdes as pernas pendentes até o rosto contorcido pelo esforço.
Em um salto, Mello se levantou e foi até onde estava o ruivo, segurando a barra também.
Matt ficou levamente surpreso quando Mello segurou a barra, ficando lado a lado com ele, e também começou a se puxar para cima, sua mão direita quase encostando na esquerda de Matt. Repetiram o movimento algumas vezes, até que Mello de repente parou. Continuava suspenso do chão, mas ficou simplesmente pendurado na barra, impondo força suficiente nos braços apenas para se manter ali.
Ao perceber, ou melhor, ao deixar de perceber qualquer movimento ao seu lado, Matt parou também, ficando no mesmo estado de suspensão de Mello. Mais uma vez o verde encontrou e encarou o azul. Mas desta vez, o azul foi ficando cada vez mais próximo, até que...
Um beijo. Um leve roçar de lábios, na verdade. Mas este pequeno contato foi o suficiente para desencadear todo o resto.
Como se tivessem ensaiado, os dois se soltaram da barra e cairam no chão com um baque surdo, flexionando os joelhos. Não desperdiçaram um segundo do resto de tempo que teriam ali e chocaram os corpos — principalmente os lábios — com urgência, prendendo um ao outro com os braços fortes e com seus perfumes inibriantes.
Nunca se soube se fora por causa do verão, mas Matt e Mello estavam pegando fogo. A cada centímetro de pele tocada pelo outro era um foco de incêndio, e uma vez que as mãos não paravam quietas...
Mais afobadas que as mãos eras as línguas. Elas estavam empenhadas em decorar cada espaço da boca do parceiro, memorizar os gradientes de sabores e aromas. Os corações aceleravam os batimentos como se quisessem escapar da caixa toráxica e os pulmões quase não sentiam necessidade de inalar oxigênio. Ora, quem precisa de oxigênio se tudo o que você queria, o que você sempre quis, finalmente, está com você?
— Agora você pode falar — Mello falou fechando a porta atrás de si — O que o general queria com você?
As lembranças nas quais Matt esteve mergulhado, desencadeadas por aquela súbita ordem, durante o meio-tempo que eles levaram andando até a casa que usavam há quase três anos, foram interompidos pela pergunta de Mello.
Ele não poderiam simplesmente falar sobre os assuntos do exército no meio da rua.
Matt não respondeu de imediato. tirou o quepe que usava, deixando os fios vermelhos caírem por sobre o rosto, e o largou em cima do sofá velho que tinha na pequena sala de estar. Não sabia muito bem como contar à Mello.
Mas como Mihael nunca foi um exemplo de paciência, ele não aceitou aquele silêncio de bom grado.
— Mail, desembucha — a educação mandou lembranças a Mello.
— Eu vou para a França — ele escondeu seus olhos sobre o cabelo, já prevendo a reação de Mello.
— Repete? — o loiro falou, e como Matt esperava, com um tom de voz que deixava clara a grande, e falha, tentativa de se controlar.
Mail respirou fundo um vez antes de repetir — Eu vou ser mandado para a França por causa dos rumores de ataque Aliado.
Matt se surpeendeu quando, ao invés de protestar e ter um ataque de fúria, Mello falou com a mesma voz forçosamente controlada:
— Está bem. quando nós vamos?
— Mello, apenas a minha companhia foi convocada — Matt devia ter previsto essa reação de Mello, mas não estava devidamente preparado para ela.
— Por enquanto — foi tudo o que o loiro disse antes de virar as costas para o outro, com um brilho de determinação nos olhos azuis.
Matt tentou impedí-lo, mas devido à surpresa, fez isso com alguns segundos de atraso e Mello já batia a porta da casa ao deixá-la.
Notas finais
Bee: UHAISH, verdade. Alías, precisamos arrumar um ruivo militar pra se casar com a Cris. Vocês conhecem algum? UAHISH. Obrigada por (perder seu tempo e) ler!
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