Notas iniciais
Guardian: eh... Este capítulo contém lemon e... Bom, peguem leve, sim? Esse é o meu segundo e o primeiro da Bee ó.ò (ela está morrendo de vergonha Hahuahuahahua)
Bee: :$ omg, que vergonha. como eu sou safadaaaa! Culpa da Cris u.u

Ao todo, eram em torno de 300 homens que estavam sendo enviados naquele trem. Os vagões dianteiros eram ocupados pelos soldados comuns, e os três últimos pelo tenente e sargentos. Na verdade, em um vagão ficaram os sargentos, no outro, o tenente, e o último ficou vazio. Geralmente aquele era o vagão de carga, mas como nesta viagem em particular cada um era responsável por sua própria bagagem, a vagão acabou ficando desocupado.

— Mail, já é hora de parar com isso, não acha? — Mello disse impaciente, não aguentando mais aquele silêncio desconfortável. Estava sentado defronte ao ruivo, e desta vez o encarou diretamente.

Já era de noite, e uma forte nevasca impedia que a paisagem, que mudava gradualmente mas sem alterações muito notáveis, fosse vista através das embaçadas janelas do trem.

Deviam chegar em Paris até a metade do dia seguinte ou um pouco depois.

— Será que a idéia de eu odiar a perspectiva de você se ferir nunca passou pela sua mente? — Matt perguntou sem alterar sua expressão, falando pela primeira vez desde a partida da estação.

— Pois é exatamente o mesmo comigo — Mello retrucou — Você é quem está sendo teimoso em não aceitar isso.

— Eu? Teimoso? — era um tanto quanto hilário ser chamado de teimoso por Mihael Keehl — Quer saber? Vou dar uma volta... — e levantou-se, já enfiando a mão no bolso para pegar o maço de cigarros.Porém não deu mais de dois passos.

— Você não vai a lugar algum — pela segunda vez, Mello impediu que Matt cruzasse a porta, segurando-o pelo braço.

Mas desta vez Matt não se deixou levar, forçando o loiro a soltá-lo.

— Não é assim que você vai mudar minha opinião — Matt disse antes de sair pela porta, antes que Mello tentasse impedí-lo de novo.

Queria ficar longe de Mello um pouco, para conseguir pensar. Atravessou o vagão e passou direto pelo do Tenente Otto, ficando satisfeito por ele se mostrar adormecido em seu banco. E antes mesmo de alcançar o último vagão, vazio, já estava acendendo um cigarro e o colocando na boca com certa ansiedade.

Chegando lá, fechou a porta e postou-se encostado em uma das paredes frias, próximo à pequena e única janela lá existente. A abriu minimamente, apenas para a fumaça ter por onde escapar, e sentiu com estranha satisfação o vento frio bater em seu rosto. Alguns flocos de neve vinham junto, mas ele não se importou.

Não conseguia se conformar. Mello era um soldado extremamente competente, sabia perfeitamente disto, mas mesmo que a possibilidade de uma batalha no território francês fosse remota, ela ainda existia, e ir de livre e espontânea vontade até lá era demais!

— Matt — sobressaltou-se um pouco ao ouvir seu nome sendo chamado.

Não tinha ouvido a porta se abrir, mas quando olhou, Mello vinha andando até ele.

Matt apagou o cigarro na parede, amassando-o, e fechou por completo a janela, isolando mais uma vez a nevasca do lado de fora.

Mello se aproximou até ficar frente a frente com o ruivo, que por sua vez não fez nenhum movimento para se afastar. Sustentava sem piscar o olhar do loiro.

— Matt... Mail, eu não vou me desculpar por me importar com você — Mihael falou em voz baixa, mas suficientemente audível — Eu te amo e me recuso a me sentir culpado por isso — seus dedos longos, calejados e frios, tocaram a bochecha esquerda de Matt, deslizando lentamente até o pescoço e adentrando a rubridão da nuca deste. Um arrepio evoluiu pela medula espinhal de Mail, partindo de sua lombar até alcançar o exato ponto em contato com a mão de Mihael.

E Matt não resistiu. Fora vencido mais uma vez, e desta vez em definitivo. Não tanto pelo toque, mas sim pelas palavras.

— Você joga sujo — Matt sussurrou, apoiando suas mãos nos ombros de Mello, os olhos fechados. Ainda sentia um leve arrepio o percorrer.

— Algo contra? — Mello revidou no mesmo tom, com um leve sorriso nos lábios. Puxou-o para mais perto, fazendo um pouco de pressão em sua nuca para isso.

Com certeza era curioso. Apesar de estarem "juntos" há praticamente três anos, cada toque era algo novo, cada beijo parecia ser o primeiro, e cada sensação era inédita e vinha com uma intensidade surpreendente.

Talvez fosse em decorrência do ambiente incerto da guerra, ou talvez pelo fato deles terem demorado até a formatura para finalmente fazerem e dizerem o que desejavam íntima e profundamente desde muito antes, mas o sentimento de "novidade" não os abandonava. Era como se seus próprios corpos dissessem que eles deveriam aproveitar cada momento o tanto quanto fosse possível enquanto ainda podiam.

Lentamente, mas com mãos hábeis, Mihael soltou cada um dos botões da casaca da farda do ruivo, que não demorou a imitá-lo.

Os lábios de Matt não queria separar-se dos de Mello, o que atrapalhava um pouco este na tornada difícil tarefa de abrir a braguilha dos cintos dos dois. Até mesmo algumas poucas risadas lhes eram arrancadas por causa das então trêmulas e atrapalhadas mãos de Mello.

Quando finalmente as pernas de Mail enfrentaram o choque térmico ao sentir o toque quase congelante de Mello, o ruivo mordeu e puxou levemente o lábio inferior do parceiro, incentivando-o a pressionar com força as palmas nas coxas brancas de Matt.

Não muito depois as calças de Mello despencaram também, e o roçar dos membros — culpa do quase inexistente espaço entre eles — conseguiu fazer com que ambos ficassem mais excitados, por mais impossível que pudesse parecer.

O loiro envolveu o membro de Matt nos dedos e apertou levemente. Mail não saberia explicar se lhe fosse perguntado, mas a ardência da frieza da pele de Mello em seu ponto sensível era imensuravelmente bom.

Mihael não estava se importando com a pressa, a famosa inimiga da perfeição. Queria sentir o deleite de cada momento e queria fazer Matt sentir também.

O ruivo liberava vapor pela boca a cada vez que seu danificado pulmão de fumante se esforçava para respirar e abafar um gemido ao mesmo tempo. Podia jurar que Mello fizera algum treinamento em tortura, pois já não estava mais aguentando. E tudo o que Mello fazia, fazia bem e para ser o melhor.

E Mello era o melhor naquilo; o melhor em fazer Matt implorar. Os pedidos saíam quase que por vontade própria de sua garganta, roucos. Piores ainda quando o loiro pô-se a beijar com vontade o pescoço alvo de Mail. Não seria possível, Matt não aguentaria...

Então Mello o virou, soltando a excitação de Matt por um único segundo apenas e logo voltando com os movimentos. Beijou a nuca do ruivo, e o dedo indicador de sua mão desocupada começou a tracejar um caminho, através da camisa semi-aberta, pelo tórax de Matt, passando também pelo abdômen e pela lombar dele. Dava a impressão de deixar um caminho marcado por onde passava.

Mello não conseguiu completar o trajeto, porque o próprio Matt se virou de volta, mordendo de leve o lóbulo da orelha do loiro, ganhando um baixo gemido em troca. Foi descendo com leves mordidas até o pescoço alvo, dando uma com um pouco mais de força no ombro parcialmente desnudo, enquanto suas mãos seguravam, sem impor força, os cabelos loiros, os dedos enroscando-se nos fios claros e puxando-os para trás.

Nesse meio-tempo, Mello aumentava os movimentos com as mãos, juntando os gemidos abafados de Matt com os seus próprios. Foram deslizando gradativamente até o chão, e apesar de ainda estar usando sua camisa, Matt estremeceu ao entrar em contato, mesmo que indiretamente, com o piso gélido.

Mas o frio, antes de qualquer outra coisa, os estimulava. Causava uma sensação estranha, e somando com o sacolejar do trem abaixo deles, tornava a espera cada vez mais difícil de suportar.

E então Mello o fez.

Direcionou-se para o membro de Matt e passou a lígua quente por ele, abocanhando-o em seguida, arrancando um gemido mais longo e profundo por parte do ruivo.

Matt, por sua vez, puxou a mão de Mello, colocando cada um de seus dedos na boca. Ao terminar, Mihael aproximou esta mesma mão da entrada do outro, introduzindo o primeiro dedo.

Mail contraiu-se involuntariamente, mas assim que se acostumou, mais um dedo foi introduzido. Mello preparava a região para o que viria depois, e ouvia com deleite os gemido que Matt soltava, por mais que ele tentasse contê-los. Os dedos entravam e saíam sem parar, e quando eles saíram e não entraram mais, algo bem maior entrou.

Matt contraiu um pouco as costas, sentindo a dor que o invadiu com aquele ato.

Mello esperou absolutamente imóvel, ou pelo menos o tanto quanto o trem em movimento permitia, até que o ruivo se acostumasse com o membro dentro dele. A dor, tão grande no início, foi as poucos sendo substituída por puro prazer.

Ao sentir Mail relaxando abaixo de si, Mihael julgou que já podia começar a se mover. Conhecia muito bem o ponto mais sensível do outro, e ao atingí-lo após algumas estocadas, Matt não possuía mais qualquer esperança de conter os sons que escapavam por seus lábios. Se não estivessem disfarçados pelo barulho dos trilhos e da nevasca, a voz rouca e os gemidos de ambos correriam o risco de serem ouvidos no vagão dianteiro.

Os quadris de Mello acompanhavam os movimentos do trem, acelerando-os à vontade de seu prazer. Cada vez mais forte e mais rápido.

Até que ambos alcançaram o pico. Aproveitaram ao máximo aqueles poucos momentos de mais alto prazer e se deixaram cair lado a lado no chão gelado.

Recuperaram o fôlego abraçados por alguns minutos, e ao finalmente normalizarem as respirações, levantaram-se sem muita vontade e vestiram-se de volta. Deveriam voltar ao vagão deles; não seria nada bom se alguém encontrasse os dois ali naquelas condições.

Deram as mãos. O frio já não incomodava tanto e no momento, toda e qualquer preocupação não ousava incomodar-lhes. Sentiam- se leves, felizes.

Mesmo que estivessem caminhando para a morte, mesmo que estivessem no meio de uma guerra, mesmo se se encontrassem embaixo de uma chuva de alvejadas, esse bem-estar não poderia ser esquecido ou ignorado.

Notas finais
Guardian: e então?
Bee: ain, não quero ver...