Notas iniciais
Narrado pela blue

\"\"

Porque aquele menino me seguia por aonde eu ia? Aquilo estava mesmo enjoado desde ontem aquele garoto me seguia, eu não sabia pra que essa insistência, quando ia ao banheiro ele esperava do lado de fora não importava se eram meia hora ou até duas ficava lá até eu sair, e sempre a mesma conversa de ser meu tutor. Estou pouco me lixando se vou passar ou não em geografia, já to ferrada em inglês mesmo. Mas aquilo com certeza era desconfortante as pessoas logo começaram a comentar e eu não queria a uma fama ruim junto a minha turma, e a gang também não ia gostar nada nada.

Com o final das aulas aquela preção acabou, pois ele não podia me seguir até a minha casa. Desde os quatorze anos moro sozinha em um apartamento porque me sentia sufocada em casa tanto pela minha mãe que queria que eu fosse mais femininas, falasse de garotos, e fizesse besteiras fúteis como maquiagem, tanto pelo meu pai que queria que eu me casasse com um filho do sócio dele, eu com certeza não me imagino casada, se eu fosse me casar, me casaria de preto, e não em uma igreja e sim em um lugar escuro e sombrio. Também me sentia sufocada pela minha irmã menor que insistia que era uma princesa sempre usando vestidos cor de rosa e vivia me fazendo assistir aqueles filmes repetidos da Barbie que ela filmou, que eu sempre quis jogá-los no mar, que ficava bem perto da minha antiga casa. Por isso morar naquele apartamento sozinha era melhor opção pode parecer um pouco solitário, mas era melhor assim, eu podia ter liberdade de expressão naquele lugar sem ser julgada. O meu quarto era preto com moveis azul e roxo escuro.

Fui até a penteadeira peguei o brinco e furei minha orelha colocando um brinco em seu lugar. Olhei pra minha cama a única coisa que me lembrava da minha antiga vida quando eu era uma filha perfeita, educada, prendada e entre outras coisas, um bicho de pelúcia rosa que parecia uma bolinha cor-de-rosa com olhos verdes brilhantes, um pequeno microfone na mão esquerda e uma franja também cor-de-rosa, eu o chamava de Jigglypuff. O abracei com força, às vezes também era bom depender de outras pessoas, apesar de eu ter perdido esse luxo.

Coloquei o Jigglypuff na cama e fui tomar meu banho, lembrei-me daquele garoto, porque ele me perseguia tanto? Ele por acaso não sabia que ele podia desistir de ser tutor se quisesse? Era com certeza um menino insistente e interessante.

Sai do banho acompanhada pela fumaça da água quente que adentrou o local. Fui a cozinha preparar algo para comer e depois ir ao meu trabalho de meio período em uma editora de uma revista, era o que pagava a minha alimentação porque o apartamento era meu não alugado, e a escola meus pais pagavam. Arrumei minha pequena mala e fui pra lá. Eu tinha uma coluna famosa em uma revista mas eu deixava o autor como anônimo, era um desastre nos estudos isso eu sei mas em japonês ninguém me superava. Abri a porta do apartamento e do de cara com o lixo.

- AQUELE DESGRASSADO!! QUANTAS VEZES DEVO DIZER PRA DEIXAR O LIXO NA PORTARIA PRO LIXEIRO PEGAR!!

- Bom dia Blue! – Disse Takechi um garoto um ano mais velho que eu, somos bem íntimos tanto que um tem a cópia da chave do outro ele e meu ex-namorado são os únicos que sabem da existência do Jigglypuff.

- O que eu te disse sobre o lixo? – Falei com um olhar de Samara.

- B-bem é que tava tarde ontem e... – Nem esperei ele terminar de falar ele dei um murro que foi parar no final do corredor.

Fomos juntos pra o trabalho, sim ele também trabalha na editora e foi ele que me arrumou o emprego, ele cuida da parte da edição da revista. Sempre conversamos no caminho do trabalho e a bochecha estava bem vermelha do soco. Éramos com certeza bons amigos.

Depois do trabalho voltamos juntos como sempre, eu estava um caco fui logo dormir, ao acordar, me levantei ainda era cinco da manhã acordei antes do despertador, fui tomar banho e arrumar meu cabelo e meus brincos. Tranquei a casa já bocejando, peguei o elevador para portaria qual do sai da porta dou de cara com o menino.

- Quando é que vai parar de me seguir? – Perguntei passando por ele.

- Quando me deixar te ensinar! – Disse me seguindo.

- Você deve estar ganhando algo com isso. – Falei olhando pra ele que me seguia.

- Talvez! – Ele disse em um meio sorriso.

- Então não vai parar de me seguir? – Perguntei parando.

- É! Por que vai fazer alguma coisa? – Falou parando também.

- Vou!

- O que? – Uhh não devia ter perguntado.

- Isso! – Dei um murro nele e sai correndo.

- Isso foi muito infantil!! – O ouvi gritar.

Cheguei na escola correndo, olhei pra as pessoas já tinham varias parece que demorei muito pintando minha franja, eu fui até minha sala. Ainda bem que estudávamos em salas diferentes podia me acalmar um pouco, a aula de japonês começou a única aula que eu levava jeito. Logo após ela foi física.

Logo se ouve o sinal, eu me levanto vagarosamente enquanto os outros alunos correm desesperadamente para pegar lugar na fila do lanche, eu não comia pra poder economizar para o meu notebook. Já estávamos chegando na sala até que vejo o mesmo garoto de antes passei por ele.

- Não vai fugir dessa vez! – Disse me seguindo. – Vamos estudar?

- Eu tenho que... Tenho que... ... Fugir! – Disparei a correr que nem uma condenada.

Minha vida é muito agitada mal sobra tempo para fazer tudo, tenho trabalho, tarefas, trabalhos da gang, e ainda estudar eu não sou de ferro. Eu corria desviando de pessoas batendo em outras, empurrando os livros dos professores no chão, acho que eu derrubei o Ash, sei lá não podia parar, até que avistei uma pessoa sentada isolada, o garoto com certeza não me seguiria até lá, sentei ao lado da pessoa ele se aproximava, mas quando viu o Paul deu meia volta.

- Fugindo de novo? – Ele perguntou virando a pagina do livro que lia.

- É! Obrigada por me ajudar. – Disse suspirando de cansaço e me aconchegando no banco.

- Hun! – Ele apenas grunhiu.

- Sabe? Você é o melhor ex-namorado que existe! – Falei me levantando ele sorriu. Coisa rara pra mim desde que terminamos.

E sai de lá afim de esconder-me no banheiro feminino até o final do intervalo, mas minha barriga não ajudava, coloquei a cabeça ao lado de fora e uma surpresa ele não estava lá, fui indo mas pra frente e o vi em uma sala conversando com uma garota de óculos.

- Então como está indo com a Blue? – Perguntou a garota ajeitando o óculos.

- Nada bem! – Disse suspirando e abaixando a cabeça. – Ela esta decidida a não estudar, falou algo de não ter tempo.

- Sabe que não é obrigado a ensinar né? – Perguntou ela.

- Saber eu sei mas, bimestre passado não passei em primeiro por diferença de cinco décimos, sabe como o povo lá de casa falou na minha cabeça? São muito enjoados por notas. – Suspira. – Acho que vou desistir.

O toque do sinal interrompe a conversa, eles vem vindo em minha direção, escondo até sua passagem, eu com certeza sabia como era ter uma família enjoada com notas, papai sempre me exigia ser a primeira da sala para ser uma “pretendente ideal” como ele gosta de dizer.

Vou para a minha sala, a aula de Inglês foi como todas as outras, bem chata, o relógio parecia andar mais devagar de propósito pra aumentar a minha aflição aquela aula, e ao professor que nem da cara eu gosto. Com muito custo os ponteiros alcançam meio-dia e ouço o soar da sirene tocando, todos se levantam, é eu não era a única afobada naquela sala. Me levanto acompanhando os outros, a hora da saída é sempre assim essa bagunça, e o vejo indo em borá, parece que desistiu mesmo, não acredito que vou fazer isso.

- Ei garoto! – Chamei puxando sua blusa, ele me olha surpreso.

- Hun? – Pergunta.

- Eu decidi! – Exclamei. – Quero que me ensine.

- Por que mudou de idéia? – Perguntou abrindo um sorriso.

- Meus pais também me forçavam muito. – Falei acompanhando seu andar. – A propósito!

- O que? – Perguntou ele.

- Qual o seu nome?

Continua!!