Temporada de Loucura
11 Oportunidade de vingança
Notas iniciais
Pov Daniela
Nico foi com a gente, com medo de perder Camille. Que o achou fofo e acabou dormindo com ele. É... parece que voltamos a estaca zero. Tudo começou de novo e amanhã o dia será duro.
Pov Nathália
Aquele filho da puta mereceu tudo aquilo, os irrigadores, o feno... e o melhor foi ele achar que eu preferia um tal de Ricardo da faculdade. A ideia de inventar sobre ele foi genial e pra vingança terminar com chave de ouro um chute bem nas partes baixas, tomara que ele não consiga ir no banheiro por semanas.
Depois desse episódio, eu e as meninas fomos para dentro, acompanhadas de Mille e Nico, ele parecia estar do nosso lado, isso era bom. Iríamos fazer ele trabalhar a nosso favor.
Subi para o meu quarto, estava com um sorriso nos lábios até aquele momento. Assim que fechei a porta caiu a ficha, os meninos realmente nos usaram, eu fui tão idiota em pensar que eu iria dar uma chance para aquele babaca. Enquanto pensava em tudo isso, meus olhos começaram a marejar e minha visão embaçar.
Não, você não vai chorar por um garoto, nunca fez isso. Por que começar agora?
Me levantei e fui para o banho. A água quente ajudava a me acalmar. Sai do banheiro e vesti um de meus pijamas.
Estava com sono e fui dormir. Sem sucesso. Rolava de um lado para o outro, mas não conseguia pregar o olho. Peguei meu telefone, tinha algumas mensagens não lidas:
Rebeca: Meninas estão acordadas?
Rebeca: Meninas!!!! L
Daniela: Oie! To sim!
Rebeca: Mais alguém?
Camille: Estou ocupada!
Daniela: Nicolas tbm ta ai?
Camille: Ta. Problema?
Rebeca: haushaushaus nenhum problema, vai se divertir Camille.....
Daniela: haushaushaus
Daniela: E Nath?
Rebeca: Eh, kd vc sua poia!!
Camille: Vocês podem calar a boca? Estão me atrapalhando!
Daniela: Seus gemidos que estão me atrapalhando!
Rebeca: Psé, eu quero dormir Mille, haushaus.
Rebeca: Nathália!!!!!
Você: Q foi sua bbk?
Depois de responder senti uma pontada de inveja de Mille, Nico era o único que queria um compromisso sério, ele não a estava usando.
Rebeca: Nath! Estou esperando uma resposta sua a um tempão!
Daniela: Tava dormindo?
Você: Eu não! N consigo!
Rebeca: Ótimo! Venham conversar aki no meu quarto. Menos Mille, ela ta ocupada... kkk
Desci da minha cama e sai silenciosamente do quarto, passei pela porta do quarto de Camille e ela e Nico estavam se divertindo. Tive que me segurar para não gargalhar.
Bati na porta do quarto de Becky. Ela não abriu e então entrei. Ela estava sentada na cama vendo TV.
– Oi – disse entrando – Insônia também né?
– É, precisava de vocês duas aqui – nesse instante Dani entra – Queria saber uma coisa de vocês.
– Claro, falamos tudo não é? – disse Dani chegando perto de nós duas.
– Vocês se sentem... é... – ela estava bem desconfortável com o assunto – Usadas?
Usada. Ela definiu bem como eu me sentia no momento.
– Sim, completamente usada e jogada fora.- Dani já estava derramando a primeira lágrima.
– Eu também, não sei... É estranho. Eu não acredito que eles fizeram isso conosco. Eu cheguei a gostar do... Eles têm que provar do próprio veneno! – Becky era forte, mas esse assunto a abalava estava a ponto de chorar. – E você Nath?
Estava perdida em meus pensamentos, relembrando em como eu tinha sido idiota, claro que eu me sentia usada, mas nós íamos dar um jeito de nos vingarmos.
– Sim, mas não vamos ficar nos lamentando – disparei – É como você disse Becky, eles têm que provar do próprio veneno, vamos nos vingar deles. Mas não nos deixaremos abalar por causa deles. Vamos mostrar que somos mais fortes, somos muito mais que eles. Não somos brinquedos pra depois sermos jogadas fora.
– Tem razão Nath, não vou ficar aqui me lamentando por que UM garoto me deixou de lado. – disse Becky se levantando. – Somos gostosas e lindas, vários garotos babam por nós, sinto por eles que não querem.
– E então – disse Dani – como vamos nos vingar deles?
Durante a noite ficamos conversando sobre a vingança, pensamos em várias coisas. Tivemos a ideia de fingir que estava tudo bem e que voltarmos a gostar deles para depois só descartá-los. Essa ideia ficou na lista do talvez.
Enquanto bolávamos planos começou a cair uma tempestade. Corremos para fechar as janelas, estava ventando muito. Raios começaram a cair. Estava ficando assustador.
– Aahh raios não! – gritou Becky com as mãos no ouvido – Por favor, não!
– Eu não me importo – disse Dani indiferente – até gosto.
– Não ligo para isso, mas o meu medo é que estamos no descampado. – disse.
Nesse momento um raio ribombou seguido de um trovão estrondoso. Rebeca foi para baixo das cobertas e eu e Dani rimos sentadas na beirada da cama. De repente o som de algo quebrando ecoou pela casa, mas não tinha vindo de dentro, algo lá fora.
– O QUE FOI ISSO?! – Becky já estava se esgoelando – Um monstro!!
– Fala sério Rebeca, monstro? – Dani indagou.
Ela deu de ombros e abraçou um ursinho que estava na cama fazendo Dani soltar um riso abafado. Nesse instante a campainha tocou.
– Quem será a essa hora? São três da manhã! – disse dando um pulo da cama. – Vamos lá em baixo ver...
– Eu não desço lá nem se o Jake Abel me carregasse no colo! – disparou Becky.
– Não sei Nath.... Vai que é um estuprador?
– Qual é Dani, um estuprador? Eu vou vocês fiquem aqui. – disse abrindo a porta e indo em direção às escadas.
Elas me seguiram, estávamos em cima da escada quando a campainha tocou de novo, elas pararam no topo da escada e eu desci correndo. Cheguei perto da porta e toquei a maçaneta, novamente a campainha tocou.
– Já vou abrir!
Abri a porta rapidamente com punho cerrado, pronta para socar quem viesse caso tentasse alguma coisa. Quando olhei melhor tinha um garoto todo encharcado e ferido na minha frente.
– Posso entrar? – disse ele com um sorriso torto.
Ainda estava em choque. O que aconteceu com aquele garoto?
– Claro! Pode! – disse o puxando para dentro. Foi ai que eu pude vê-lo melhor. Tinha cabelos pretos, pele branca e olhos azuis, estava vestindo uma jaqueta de couro e calças jeans. Um gato por sinal.
Olhei para as meninas no topo da escada. Fiz um movimento com a mão para que voltassem para o quarto, elas me olharam com sorrisos sapecas e voltaram cochichando alguma coisa, isso me deixou com raiva. Mas tinha que ajudar esse garoto.
– Obrigada – ele dizia apertando o braço.
– O que houve?
– Bati o meu carro em uma árvore aqui em frente.
– Sente-se ali no sofá, tire primeiro essa roupa encharcada.
– Quer que eu tire a roupa? – sorriu malicioso.
– Quer que eu te ajude ou não?
Ele tirou a jaqueta deixando a mostra seus braços fortes e seu peitoral definido em baixo da camisa regata molhada, ele era realmente gostoso.
Primeiro ajude ele Nathália!
Ele tinha machucado muito o braço e tinha arranhado as pernas e uma das bochechas.
–Nossa! Seu braço está feio. – digo analisando o machucado.
– Eu sei, o vidro do carro quebrou em cima dele.
– Bem, temos que cobrir isso, me acompanhe até a cozinha, lá tem curativos.
– Vamos lá – disse ele. – Hã... meu nome é Nathan. Desculpe não ter me apresentado antes.
– Tudo bem Nathan, meu nome é Nathália, até que combina né? – disse rindo.
– É! Coincidência! – ambos rimos.
Assim que cheguei na cozinha não podia esperar algo melhor para acontecer.
– Willians?! O que você ta fazendo aqui?
– Dã! Eu estou vivendo aqui!
– Sai da cozinha agora!
– Qual é gracinha? Não gosta mais de mim?
– Nunca gostei Willians! Sai daqui AGORA!
Ele se limitou a rir e caminhar até a bancada e pegar uma maçã. Ele reparou que Nathan estava atrás de mim e o olhou dos pés a cabeça. Foi quando lembrei que gritei com Leo na frente dele, corei na hora.
– Quem é esse ai? – disse apontando para Nathan.
– Não é da sua conta. O que importa é que ele é mil vezes o que você não é – disparei – Agora sai da minha frente antes que eu tenha um colapso só de olhar pra você!
Ele abocanhou a maçã e saiu da cozinha depois de bater o ombro com o machucado no braço de Nathan, que arfou de dor.
– Seu puto! – gritei e me voltei para o gato machucado.
– Seu namorado?
– Não! Eca! Quer me amaldiçoar?
– Poxa! Vocês se odeiam.
– É. Fazer o que? – disse dando de ombros – Agora me deixe ver isso.
Peguei o braço dele e passei uma toalha para limpar o machucado. Ele se contorcia vez ou outra, mas estava aguentando. Depois de por remédio e enfaixar o braço dele, comecei a ajudar com os arranhões. Terminei, peguei uma toalha pra ele e estava preparando um café. Cheguei perto e entreguei a xícara para ele.
– Muito obrigada Nathália – disse me dando um beijo na bochecha – Estou com uma dívida enorme com você agora.
– Tá tudo bem, mas então, você não disse para onde estava indo quando bateu na árvore.
– Bem, eu estou fazendo um trabalho pra faculdade. E mandaram eu e onze amigos para uma fazenda a cinco km daqui, temos que conviver por três meses até voltarmos para as aulas.
– Sério?! Eu também, só que aqui sou eu e mais seis amigos e um puto, como pôde ver.
Rimos.
– Olha, já que você também está com seus amigos, que tal irem a uma festa que eu e meus amigos estamos planejando lá na nossa fazenda?
– Adorei a ideia! Vamos sim! Que dia vai ser?
– Amanhã, domingo foi o melhor dia que achamos. Vocês estão livres?
– Sim, conte com a nossa presença, ou pelo menos pode contar com a minha.
– Esperarei ansioso. – um sorriso começou a se formar em meu rosto. – Bem, agora eu tenho que ir. Já gastei muito seu tempo.
– Não! Seu carro não está quebrado? Passe o que restou da noite aqui e depois eu te levo no meu carro. Pode dormir aqui, vou pegar uma coberta pra você.
Depois de deixá-lo à vontade subi para o meu quarto. Adorei conhecer Nathan, pelo menos no tempo em que conversamos esqueci uma certa pessoa.
Dormi por poucas horas só pra depois ser acordada com uma discussão vinda da sala. Lembrei que não havia contado a ninguém sobre ele então desci correndo. Chegando na sala vi Luke empurrando Nathan e o derrubando. Leo queria chutá-lo, mas Nico o segurava. Drake estava arrastando ele pelo braço machucado em direção à porta.
– DRAKE!!! LARGA ELE!!!! – gritei quase botando meus miolos para fora.
– Ele é um ladrão! – resmungou ele – Pegamos ele dormindo no nosso sofá.
– Em primeiro lugar; ladrão é o teu cu arrombado e em segundo; EU o pus no sofá.
– O que? – disse Luke se aproximando com cara de cu com cãibra – Por quê?
– Porque ele bateu o carro e eu ajudei! Ele está na fazenda ao lado!
– Ops! Foi mal! – disse Leo sarcástico.
Foi nessa hora que eu me lembrei. Ele esteve na cozinha ontem à noite. Sabia quem era o suspeito “ladrão”. Que babaca filho da puta.
– Willians seu idiota! Você sabia que era ele! Por que deixou baterem nele?!
– Não me culpe amor, eu achei que fosse outra pessoa, não tenho bola de cristal.
– Mas tem duas que eu posso chutar agora mesmo!
Só não corri para matá-lo porque Nathan estava se contorcendo de dor no chão. O ajudei a levantar e caminhei com ele até a cozinha. Mandando olhares matadores para todos. Chegando na cozinha fiz o nosso café.
– Desculpe pelo o que acabou de acontecer – digo engolindo um pedaço de pão.
– Tá tudo bem Nathália.
– Nath, me chame de Nath.
– Então Nath – disse com uma voz sexy – Você está muito gata nesse pijama.
– Não só com esse pijama, estou sempre gata. – disse jogando os cabelos para trás.
– Convencida.
– Termine de tomar café, eu vou me arrumar e já te levo.
Subi as escadas correndo passando pelas criaturas jogadas no sofá, até as meninas. Vesti minha roupa, peguei as chaves do carro e desci. Nathan estava me esperando do lado de fora com sua jaqueta em mãos.
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– Pronta?
– Sim, vamos.
Chegando do lado de fora tinha um caminhão rebocando o carro dele.
– Tudo bem, está no seguro. Depois eles me devolvem. – ele disse.
Seguimos em direção ao meu carro e entramos.
– Onde é a fazenda?
– Vire à esquerda e siga reto, é a segunda fazenda à direita.
A estrada estava vazia, um carro passava de vez ou outra.
– Como você conseguiu bater na árvore?
– Derrapei na pista e perdi o controle.
Levantei uma sobrancelha.
– Eu não estava bêbado.
– Não disse nada. – disse rindo – Quantos anos você tem?
– Dezenove e você?
– Dezoito. – ficamos em silêncio por alguns segundos.
– Estamos chagando. – anunciou.
Cheguei na fazenda, a que ele estava era maior, devido a quantidade de pessoas que estavam lá, doze. Entrei no gramado com o carro parando perto da porta da casa. Antes de descermos do carro ele se aproximou e beijou minha têmpora.
– Obrigada de novo Nath, serei muito grato a você.
– Bobagem, você estava precisando de ajuda.
Saímos do carro e caminhamos até a porta. Ele bateu e uma garota ruiva abriu. Quando o viu, arregalou os olhos verdes e levou as mãos ao rosto.
– Nathan! Onde você estava?! Quer me matar do coração?
– É... Eu.... – ele parecia nervoso diante da situação. – Eu me machuquei, só isso.
– E quem é essa? – a ruiva apontou pra mim olhando de cima a baixo.
– Ela me ajudou, eu a convidei pra nossa festa de hoje à noite.
– Desculpe, mas não aceitamos estranhos. — disse indiferente apontando para mim, senti meu sangue ferver, quem ela era pra falar assim de mim?
– Gorgie, convidamos metade da cidade e não conhecemos ninguém – disse Nathan com um tom de desafio – E eu a conheço, então ela não é estranha.
– Aff, tanto faz Nathan, vamos entre, os outros querem saber como você está.
E se virou para entrar.
– Simpática né? – disse ele sem jeito – Não liga, você vai ser sempre bem-vinda aqui. Até de noite Nath, estarei te aguardando ansiosamente.
Nos abraçamos e fui embora, no caminho para casa pensei nessa tal Gorgie, o que será que ela tinha contra mim?
Chegando em casa estavam todos prontos. Me esperando para uma explicação. Disse tudo a eles, sobre ele ter aparecido de noite, sobre eu ter ajudado e o posto para dormir em casa. Aos poucos eles estavam começando a se desculpar, menos Willians. Pouco ligava para isso. Contei também sobre a festa. Todos ficaram animados.
– Então o que estamos fazendo aqui parados? – disse Dani – Vamos nos arrumar! Temos uma festa para ir!
Enquanto escolhíamos nossas roupas, voltei a pensar na vingança. Tive uma ótima ideia, mas só contaria para as meninas no caminho para festa. Esse plano quase nunca falha!
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