Temporada de Loucura
21 Labirinto, claustrofobia e eu te amo...
Notas iniciais
POV BECKY
– Tenho ordens do diretor para levar vocês ao local de uma competição. – diz o carinha que vai dirigir a van –Mas garanto que essa competição será diferente...
POV DANIELA
A estrada era esburacada e nós não víamos nada, tivemos de ser vendados, pois poderíamos tentar trapacear ao ver o local que iríamos competir. Paramos num campo completamente vazio, no meio do nada.
Um helicóptero esquisitão, estava parado e nós entramos neles, agora sem a venda.
– Então. Antes de sairmos... – outro carinha apareceu, o piloto. – Devo-lhes explicar como é a competição. Vou deixá-los dentro do lugar que tiver de deixar, vocês terão de achar a saída. Próximas explicações só lá dentro.
O helicóptero subiu e Becky tremeu ao lado de Mille, tinha medo de altura. Me agarrei em Drake, com medo da competição.
– Calma, Dani. – ele sussurrou e beijou minha cabeça. Sorri e percebi que íamos pousar, observei o que estava embaixo de nós, uma espécie de caixa preta.
Pousamos em três aberturas pretas que tinham.
– Podem descer. — o piloto falou e arregalei os olhos.
– Queridinho, está me achando com cara de DORA AVENTUREIRA? Acha mesmo que EUZINHA, vou pular desta bagaça nesta merda preta, que não tenho a mínima ideia de onde dá? – ele me encarou e abriu a porta automática. Exatamente onde eu estava encostada!
Drake segurou minha mão e veio junto comigo. Caímos sentados num chão de espelho. A sala era iluminada apenas por uma lâmpada minúscula, as paredes pretas davam medo e senti minha respiração falhar. Respirei fundo e tentei parecer bem.
– Dani, você... está bem? Se machucou? – quando ele perguntou, mais gritos de pessoas foram ouvidos. Do meu lado apareceram todos os nossos amigos.
Camille ria descontroladamente da cara de Rebeca, estilo buldoguisse bipolar. Becky estava agarrada em Nath que estava com cara abaixada, como quando fica irritada, melancólica ou estranha. Odeio issoooo!
– Queridos alunos. – ouvimos a voz do diretor ecoar. – Trago-lhes para uma nova competição: o Labirinto dos Espelhos, onde só há um jeito de sair... encontrar a saída. – ele riu e senti um calafrio. – Para ganhar, todos da equipe devem ter saído. Bem... Boa sorte para vocês.
Senti a caixa preta se mexer e todos fomos jogados para frente, entrando em uma sala com espelhos em tudo: teto, chão, paredes. Ouvimos todos gritando e correndo. Acordamos do transe e começamos a correr, nos perdendo do grupo. Eu agarrei a mão de Drake e corri com ele, quando percebi que estava sozinha presa em uma saleta de espelhos me desesperei. Como eu entrei ali?
Quando vejo, estou no chão, sentada e tonta, sem conseguir respirar normalmente. “Era só um reflexo do meu namorado, eu estou sozinha”, penso.
POV NATHALIA
Sempre amei espelhos, agora os odeio. Assim que entramos, corri com Becky para tentar encontrar a saída por um caminho alternativo. Andávamos, corríamos e até caíamos. Era muito confuso estar no meio de tudo aquilo, por um estante, ela soltou minha mão e virou a curva errada.
– Nath! Cadê você! – ela estava me gritando e a perdi de vista. Nesse instante, um espelho desceu e me separou da passagem. Droga! Era um Labirinto em mudança constante! Estudei sobre eles, quando fomos falar sobre arquiteturas não tentadas. Nunca conseguiríamos voltar pelo mesmo caminho que viemos, se você gravasse o lugar que passou, se quisesse voltar, ele já teria mudado e isso só piorava as coisas.
Continuei correndo, eu tinha que encontrá-la. Passei por vários lugares, todos os espelhos se moviam o tempo todo, fiquei tonta por um instante, mas voltei a correr. Estava sozinha, eu tinha que encontrar alguém.
Nesse instante, ouvi alguém gritar meu nome, não reconheci a voz, nem de que lugar viera, então comecei a correr. Vi um corredor livre e corri mais rápido antes que o caminho mudasse, quando estava quase chegando no final, fui acertada no rosto e jogada pra trás com muita força.
– Merda de espelhooos! – fui ver como meu rosto estava. Inchado... me desesperei e vi o reflexo de alguém correndo, via vultos, não estava enxergando direito, meu rosto latejava sem parar. Comecei a socar o espelho e andar meio zonza, eu esbarrava em vários deles, tropecei e caí de joelhos.Ouvi passos atrás de mim e senti uma mão puxar meu braço e gritei. Olhei para a pessoa, ainda meio zonza. Leo.
– Nath, você está bem? – ele perguntou me ajudando a levantar e tomando cuidado para eu não cair. Assenti e ele olhou para meu rosto, sua expressão se tornou preocupada. Passou o dedo por cima do machucado e gemi de dor. — Desculpa... — sussurrou. Seu rosto estava muito próximo do meu, seus olhos me encaravam, respirações pesadas. Não havia mais o Labirinto desgraçado. Nossas bocas se juntaram em um beijo calmo, porém quente. Sua língua se encontrou com a minha, e trabalhavam em uma sincronia incrível.
Fomos interrompidos por uma queda. Gritei e prestei atenção no que a voz falava.
– Nathalia Chase e Leo Willians, desclassificados por terem contato demasiadamente próximo durante uma prova. Ah. Olá. – ouvimos a voz do diretor, quando percebemos que estávamos ao seu lado, observando todos por uma TV gigante. Apenas duas me incomodaram, Becky desesperada e Dani jogada no chão.
– Ei. Você não vai fazer nada? Elas estão passando mal ali, se não percebeu. – eu gritei e o diretor deu de ombros. Quando ia caminhar na direção dele, Leo me segurou pela cintura.
– Pode ser truque, Srta. Chase. Nunca se sabe. Agora fiquem quietos. – ele respondeu, fui para perto de Leo e segurei sua mão. O jeito era esperar.
POV BECKY
Eu não aguentava mais ficar ali. Os espelhos perturbavam minha visão e meu nariz doía. Eu estava correndo, e pensei que fosse um corredor mas era um espelho. Bati de cara com tudo. Estava inchado e parecia quebrado. Depois que perdi Nathalia de vista, fiquei sozinha. Até descobrir que ela estava de sacanagem, no sentido literal, com o Leo.
Poxa Nath, não podia esperar?! Fui correndo e achando passagens, ficando presa algumas vezes e esbarrando em espelhos em outra, até dar de cara com alguém e cair no chão, batendo com a cabeça em seguida. Puta que pariu! Não podia ser a loira do banheiro não? Ou sei lá, o Minotauro? Mas não... Luke Castellan me encarava preocupado.
– Wisets. Vejo que não está muito bem. – ele falou levantando e olhando para o chão em seguida. Levantei e o encarei.
– Melhor do que naquele terraço, eu estou, Castellan. Acho melhor eu ir. Te vejo lá... – fui andando até que senti ele puxar meu pulso. Tentei soltar em vão, me virei tentando chutar suas partes baixas, mas ele largou.
– Becky... eu... me desculpa. Eu fui um idiota, eu não devia ter te colocado lá no terraço. Eu... eu preferia estar no seu lugar lá. Posso pelo menos te ajudar? – pensei.
– Depende de como. Se só andarmos e acharmos a saída... Pode sim. – ele assentiu, reprimindo um sorriso. Percebeu que eu o fuzilei com os olhos e deu de ombros. Andamos analisando o espaço, espelhos desciam, outros subiam. Tentávamos não nos separar. Ou seja, tínhamos que ficar muito próximos pro meu gosto...
– Becky! – ele gritou e me empurrou. Caí do outro lado da sala e ele estava um pouco a minha frente. Olhei para o espelho e percebi. Como esse labirinto se movimentava, um espelho ia cair em cima de mim, se Luke não tivesse me empurrado, eu estaria morta agora.
Já ia respirar aliviada, mas quando olhei para ele vi que o espelho, na hora que abaixou, prendeu a ponta da camisa de Luke, que estava com as pernas dobradas, tentando fazer com que a gola de sua camisa ficasse menos apertada em se pescoço, mas não estava adiantando muita coisa. Ele estava começando a ficar vermelho, e logo roxo. Seus olhos pareciam que iam pular.
Entrei em desespero e lembrei-me quem era ele. Luke Castellan, o garoto que me prendeu num terraço, que me fez traumatizar com raios e me deixou a mercê dos mesmos. Tirar ou não, ele dali?
Ele está morrendo, Rebeca! pensei. Se eu não o ajudasse, seria a mesma coisa que assassinato?
– Bec.... Becky. Me... aju... da. – ele pediu e eu dei de ombros. Saí correndo e parei. Voltei e vi uma lágrima escorrer pelo seu rosto. Eu não podia deixá-lo morrer. Apesar de tudo, ele acabou de salvar minha vida. Isso tudo é culpa daquela maldita faculdade! Eles não iam matar ele. Um labirinto idiota não ia matar o Luke! Ele estava de olhos fechados e murmurava coisas sem nexo como: “bem feito”, “você é um idiota”...
Cheguei perto silenciosamente e rasguei a blusa dele, com toda a força que tinha. Ele arregalou os olhos e respirou pesadamente. Me virei e andei calmamente, esperando que ele viesse atrás, lembrando o quanto o odeio.
POV CAMILLE
Espelhos eram legais. Ao contrário do resto, eu e Nico fomos caminhando e conversando.
– Como devem estar os outros? – perguntei.
– Sei lá. Becky deve estar lá fora já. – assenti. Já caminhávamos a séculos e cruzamos com a vaca da Jenn. Paramos para gargalhar quando Nathalia saiu com o Leo daqui. “Contato demasiadamente próximo” aqui dentro, Nath?
Ouvimos um barulho e paramos. Avistamos Becky e Luke, andando, como pessoas civilizadas.
– Mille, vai chover.
– Eu sei, Niquito. – rimos juntos e os dois nos encararam. Becky correu para mim e Luke veio caminhando.
– Dude? O que são essas marcas no seu pescoço? – parece que percebemos juntos, Nico. O pescoço de Luke estava todo marcado e sua blusa estava rasgada. Será que o Furacão Becky passou por ali? (não pensem besteira -_-) Será que ela espancou ele aqui dentro? Não... ela teria sido desclassificada.
– Depois eu falo, Nicolas. – ele disse e continuou andando conosco. Becky estava agarrada no meu braço, que já doía. Resolvi não perguntar sobre o Luke, para não morrer aqui dentro. Vimos uma cortina preta e aceleramos o passo. Abrimos e uma luz quase nos cegou.
–“Atenção alunos, só faltam 2 alunos da equipe 1, 4 da equipe 2 e 3 da equipe 3.”
Raciocinamos e calculamos que faltavam: Daniela e Drake. Uma lembrança deste tempo que não vivemos me veio. Daniela é claustrofóbica.
POV DANIELA
Não consegui andar e entrei em uma crise de choro. Ouvia gritos e me desesperava. O ar faltava e eu caía. A voz de Drake me chamava e eu não conseguia responder. Que tipo de diretor não via nas fichas dos alunos, os problemas que eles tinham?
Meu problema é claustrofobia, ou seja, lugares pequenos e abafados, muita gente e confusão. Descobri isto quando minha memória foi voltando.
Eu tinha 16 anos. Minha mãe me levou para ir ao médico, fazer ressonância magnética. Entrei no tubo e tive um ataque, como o que estou tendo.
Senti meus sentidos adormecerem e ouvi uma voz me chamando. Ela estava próxima.
– Dani. Dani! Vamos acorde! – Drake pedia e sorri fraco. Ele me jogou em seu ombro e foi correndo. Tudo parecia um sonho, por conta da tonteira. Meu namorado me acalmava, dizendo que sairíamos dali o mais rápido possível. Apaguei.
– Eeei! Daniela. – Drake sorriu quando abri os olhos. Onde estávamos? Todos gritaram felizes.
– Oi pra vocês também. – falei sem entender nada.
– Dani, você passou mal. Eu também mas... – Becky falou e parou de repente. Olhei para Luke... Aí tinha coisa.
Nath e Leo discutiam com o diretor que os mandou se afastar e foi para o microfone.
– Alunos. Devido a uma grande parcela de vocês terem passado mal, por descuido da direção, vamos cancelar a competição. Anulando para quando quisermos. Por favor fiquem onde estão que serão retirados de dentro e levados até suas fazendas. Até qualquer dia.
Comemoramos e voltamos para casa tranquilos. Chegamos e todos estavam mortos. Subi para tomar banho e tentei me acalmar. Lugares fechados nunca mais. Labirintos também.
Vesti uma blusa e um short. Saí do banheiro e encontrei meu namorado deitado, sem camisa e limpinho.
– Vejo que já tomou banho, porquinho. – falei rindo e ele riu.
– Não sou mais porquinho, já que tomei banho, Srta. Reese. – peguei a escova para pentear o cabelo e ele me abraçou por trás. Terminei de pentear e me virei. – Fiquei preocupado com você.
– Desculpe por não falar sobre a fobia. – ele beijou minha testa e o olhei. Colei nossos lábios e nossas línguas estavam num ritmo delicioso e calmo. Ouvimos alguém pigarrear.
Olhamos para a porta. Ele estava corado e eu ria.
– Dani, posso falar com você? – era Becky. Assenti e dei um beijo no Drake, mandando-o me esperar aqui.
Fomos para o quarto dela, onde Mille e Nath já estavam. Nath estampava na cara buldoguisse-mor. Mille sorria, com certeza felicidade pós-sexo. Sentei no chão.
– E aí? Qual é a da reunião? – perguntei.
– O Luke me achou e eu tive que ajudar ele. Um espelho ia cair na minha cabeça e ele me empurrou,, eu ia morrer só que a bagaça da blusa dele ficou presa no espelho e ele sufocou. Tive que voltar e ajudar. – eu dei de ombros.
– Becky, você que sabe. – Nath disse. – Valeu por contar. É que eu tenho que fazer umas coisinhas...
– Sua aposta. Eu tenho minhas dúvidas que você ganhe. – disse e ela me fuzilou com os olhos. Levantei e ela saiu correndo atrás de mim. Desci as escadas correndo e vi os garotos rindo.
– Daniela Reese, quem vai ganhar essa bagaça mesmo? – ela gritou e se jogou em cima de mim.
– Você! – gritei, mas Rebeca gritou “o Leo!”. Os garotos entenderam e gargalharam. Drake desceu sem entender nada e riu. Namorado estranho.
Quando a confusão acabou, comemos um lanche e fomos dormir. Drake ficou no meu quarto comigo, vimos Thor e antes de dormir, desci para pegar água. Ouvi sussurros da cozinha e continuei andando. Parei na porta da cozinha e me escondi, ouvindo a conversa.
– Já está melhor? – Luke perguntou.
– Estou. Mas estaria muito melhor, se não tivesse esses pesadelos por sua culpa. Eu sei que peguei pesado, mas você jogou sujo, Castellan. – Becky falou.
– Rebeca. Eu fui ridículo, imbecil e sem noção. Mesmo assim, você me ajudou no Labirinto. Obrigado. E me desculpa. – Luke falou e ouvi passos.
– Espera. Eu não devia fazer isso, Castellan. Mas... Eu te desculpo. – ouvi risos. – Nada é tão fácil, Luke. Te perdoei mas isso não significa que estamos juntos nem nada do tipo. Você tem que reconquistar minha confiança. Porque eu não confio mais em você.
Resolvi entrar na conversa. Entrei na cozinha falando.
– Não é nem um pouco fácil, Luke. Se cuida hein. – gargalhei e peguei minha água. Subindo incrédula. Entrei no quarto e Drake estava sério.
– James? – eu arqueei a sobrancelha. – Há quanto tempo você fala com esse cara? – Ele apontou para o e-mail no meu Notebook.
– Eu nunca fiquei com ele, Drake. Somos apenas amigos de classe. – comecei a ler o e-mail e ... AH! MERDA! O James gosta de mim?
– Não é o que parece! Ele está se declarando, Daniela. Você gosta dele? – deixei o copo cair no chão.
– A pior pergunta de todas, Drake. – engatinhei na cama e o beijei vorazmente. Sua língua lutava contra a minha, por espaço e proximidade.
Arranhei suas costas e ele suspirou. Rebolei em cima de seu membro e ele rápido deu sinal. Levantei e o encarei.
– Nunca mais me pergunte isso de novo. – ele riu.
– Por quê?
Deitei do seu lado e ele me abraçou.
– Porque eu te amo Drake e você é irreal.
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