Tempo Ao Tempo

9 Capítulo 8 - O inevitável se aproxima.


Notas iniciais
Gente, era pra esse capítulo estar postado desde manhã. Mas eu fiz uma burrada que até tenho vergonha de comentar. Mas como sou zuera até comigo mesma, lá vai. Eu simplesmente postei esse capítulo em outra fanfic minha, Mistake. E só me dei conta quando uma leitora comentou. Cara, eu fiquei tipo: "Que porra é essa?!". Eu quase morri de rir e chorar. Essa vergonha ficará marcada pra sempre na minha vida. Cês queriam a prova que sou doida? Tá aí ;-; Bem, espero que não me deixem na mão T^T. A fic tá no fim e eu gostaria muito que vocês comentassem, okay? Boa leitura!

Pela manhã, Lucy foi acordada por um beijo, mas quando abriu os olhos, se encontrava sozinha na cama. Estava frio de manhã, por isso se levantou enrolada no cobertor. Lembrou-se da noite anterior. Das palavras não ditas, porém sentidas. E com um sorriso, saiu do quarto.

Assim que abriu a porta, seus ouvidos sensíveis ao acordar quase doeram com o barulho. O apartamento parecia mais um campo de batalha. Indo para o corredor, Lucy viu vultos azuis correrem para banheiro. Quando pôs a cabeça para olhar, os três estavam discutindo em frente à porta.

– Erza, sua inconveniente, tem mais pessoas querendo usar o banheiro aqui! – Levy gritava batendo repetidas vezes na madeira.

– Eu ainda nem tomei banho! – Jellal resmungou. Estava com uma toalha nos ombros e de pijama, assim como Levy.

– Juvia só queria escovar os dentes. – Murmura chorosa, com os objetos de higiene nas mãos. Ela já estava completamente vestida com um uniforme. Um uniforme escolar.

Era terça-feira, Lucy se deu conta.

Natsu surgiu em sua frente no instante em que ela viu Gray e Gajeel brigarem por comida na cozinha.

– Desculpa o barulho. Te acordaram?

– Na verdade, não. – Ela sorriu. – Bom dia.

– Bom dia.

Ela corou quando ele a beijou, mas graças aos céus ninguém pareceu perceber. Só então notou o que ele vestia. Assim como os meninos, um uniforme escolar. Consistia em uma calça bege, camisa social branca e um suéter também bege por cima, onde estava o brasão da escola no peito. Vê-lo com aquela gravata vermelha agitou algo dentro dela que não sabia o que era.

– Desculpe por isso. – Disse ele ao ver que ela analisava suas roupas. – Eu não queria ir e te deixar sozinha, mas infelizmente eu não posso faltar.

– Mentira! – Grita Gajeel de boca cheia. – Ele não ia mesmo, mas a Erza o obrigou.

Natsu massageou a cabeça com uma careta dolorosa.

– Você quis dizer torturou, né? – Gray o corrigiu e os dois riram.

– Não ligue pra eles. – Revirou os olhos. – Eu juro que vou chegar cedo, okay? Tudo bem você ficar sozinha?

– Não precisa se preocupar, eu vou ficar bem. Você não pode faltar a escola por minha causa.

– E por que você parece tão triste? – Ele perguntou ao acariciar seu rosto.

Lucy exibiu um sorriso tímido.

– Acho que porque eu queria ir com vocês, só isso.

Natsu ficou sério.

– Tudo bem! – Riu. – Não precisa fazer essa cara.

Nesse momento, Erza sai do banheiro completamente vestida.

– Bom dia, Lucy!

– Bom dia.

– Já comeu?

– Não...

– Então vem cá!

Erza rouba Lucy de Natsu, que fica emburrado, mas decide arrumar sua mochila.

Ao passar pelo banheiro Lucy vê um Jellal irritado do lado de fora. Parece que Levy e Juvia entraram juntas.

A ruiva empurra um monte de comida para ela, que nega a maioria apenas pegando um suco e algumas torradas. Depois de um tempo conversando com Gray, Gajeel e Erza, Juvia se junta a eles seguida de Levy, que, como sempre, inicia um assunto constrangedor.

– Então, Lucy. Dormiu bem?

A coitada fica vermelha com o tom malicioso da baixinha, que recebe uma cotovelada nada discreta de Juvia.

– O quê? – Ela revida. – Você nem pode falar nada, eu vi como você e o Gray estavam juntinhos!

– Juvia não estava...

– Estava sim! – Gajeel põe mais lenha na fogueira.

– Calem a boca, vocês. – Gray estava claramente envergonhado.

– Eu tenho provas.

E com uma expressão vencedora, Levy saca o celular e mostra uma foto estupidamente fofa onde Gray dorme na barriga de Juvia.

– Me dá isso aqui! – Gray, já vermelho, toma o celular de suas mãos com a intenção de apagar a imagem.

– Não adianta, meu caro amigo. Eu já enviei pro e-mail.

– Desgraçada.

Juvia se mantinha calada e rubra.

– Vocês não têm o que fazer não? – Erza reclama bebericando seu chá.

Gajeel ri diabolicamente.

– Por acaso você não se lembra, Erzita?

– De quê? – Ela faz cara feia para o apelido recém adquirido.

– Disso aqui! – O moreno mostra o celular a todos.

– Não creio! – Gray parece chocado.

Lucy, que apenas ria, se inclina para ver melhor.

Na tela exibia-se uma foto onde Jellal e Erza estavam agarrados e encolhidos no canto da sala.

– Isso foi por que vocês tomaram todo o espaço da sala. – Erza tenta se manter firme, mas sua voz falha.

– Não, não. E esse sorrisinho seu aqui, amiga?

– Cala boca, Levy.

– Não sei por que vocês estão zoando todo mundo quando não se olham no espelho primeiro. – Natsu chega de repente, fazendo todos pararem de rir.

– O que Natsu quer dizer? – Pergunta Juvia.

– Tô falando desses dois aí. – Aponta para Levy e Gajeel, que apenas dão de ombros.

– Não há nenhuma prova comprometedora de nós dois. – Diz Levy.

– Ah, não? – Natsu ironiza e pega seu celular. Gajeel arqueia a sobrancelha. – Então o que é isso aqui?

No minuto seguinte as gargalhadas explodem na cozinha, exceto do novo casal e de Jellal que acaba de chegar.

– O que houve?

– Isso!

Natsu mostra a foto a ele. Lucy ri, mas se mantém encantada pela foto, que Natsu provavelmente tirou pela manhã. Sentados no sofá, Levy está encolhida ao lado dele, que a pega pelo ombro num abraço. Suas cabeças estão encostadas e ambos parecem estar num estado de sonambulismo. Provavelmente apenas Natsu viu isso quando todo mundo estava acordando. E Lucy fica feliz ao ver que ele está interagindo bem melhor que antes. Será que a noite passada havia ajudado para isso?

– Se você mostrar isso a alguém...

– Mostrar? – Natsu interrompe Levy. – A essa hora todo mundo já viu.

– Como assim? – Gajeel pergunta, chocado.

– Por que eu postei no mural online da escola.

Levy abre a boca, chocada, enquanto o resto ri e vê Natsu sendo empurrado para sala por Gajeel e os dois começam a brigar.

– Meu Deus, olha a hora! – Erza grita. – Temos que ir.

– Mas eu nem... – Jellal é arrastado com um pão na boca.

Uma confusão se forma, mas todos vêm se despedir de Lucy um a um.

– Foi muito bom te conhecer, Lucy. Espero que nos vejamos mais vezes.

– Eu também, Erza.

– Juvia espera que as roupas tenham servido.

– Muito obrigada também.

Lucy abraça as duas e por último Levy.

– Lembre-se do que conversamos, ein?

Ela ri.

– Sim.

– Vai dar tudo certo. Eu tenho uma coisa pra te dar. – Ela retira um livro da bolsa. – Esse livro vai te ajudar bastante, depois me diz o que achou.

– Obrigada.

– Tchau, Lucy. – Os meninos a cumprimentam de longe. Quando ela vê Natsu de cara feia, percebe que provavelmente ele não queira que eles a abracem. Ciumento, muito ciumento.

Todos vão saindo aos gritos e ela vai até a porta para se despedir dele.

– Eu volto logo, okay?

– Tudo bem...

Lucy já fica em expectativa para um beijo de despedida, mas Gajeel o puxa pela gola da camisa e o sai arrastando pelo corredor.

– Espera... Me solta, porra!

– Não, estamos atrasados.

Lucy riu percebendo a pequena vingança do moreno e se trancou no apartamento quando os perderam de vista. Okay, estava tudo uma bagunça. Mas não tinha problema, por que pelo menos ela teria o que fazer. Tomou banho primeiro e em seguida guardou as sobras na geladeira. Lavou a louça com um pouco de dificuldade, afinal nunca fez isso em sua vida, mas no final conseguiu um bom resultado. Arrumou a cama, pegou os lençóis no chão e organizou todo o resto, em seguida espanando e varrendo.

As horas pareciam se arrastar e ela estava muito entediada. Não sabia como mexer no vídeo game, e na tevê não passava nada de interessante. Suspirou e pegou o livro que Levy a emprestou, indo para o quarto de Natsu. Olhar para a cama lhe trouxe lembranças quentes e para dispersar esses pensamentos ela decidiu explorar o guarda-roupa. Má ideia.

Gavetas com cuecas e meias. Penduradas estavam as camisas e camisetas e dois uniforme extras. Um igual ao que ele estava vestido de manhã e outro do mesmo modelo, só que mais escuro. No final das contas, ele era organizado. Havia bastante calças jeans e muitos sapatos, tudo simples e bonito, o que era a cara dele. Com os pensamentos a mil, pega uma camisa pólo preta e o imagina vestido nela. De novo Lucy sentiu algo que desconhecia, mas era algo estranho de um jeito bom. Tentando desviar os pensamentos mais uma vez, pegou o livro e se deitou na cama. Abriu numa página aleatória, tinha mania de fazer isso, e a leu rapidamente. Seu coração quase parou ao passo que ficava vermelha gradativamente da cabeça aos pés.

Era um livro adulto! Levy havia lhe emprestado um livro de conteúdo erótico!

“Isso vai te ajudar”, ela dissera. Ajudar? Lucy achou que fosse em relação a sua situação fugitiva e com seu pai, mas agora percebia que era de Natsu que ela falava. Como ela sabia? Claro que sabia, todo mundo sabia, ainda mais a Levy, uma baixinha intrometida. E quem sabe aquilo não ajudasse mesmo? Lucy não sabia de nada sobre essas coisas e agora mais do que nunca estava precisando de mais confiança em si mesma.

Por isso respirou fundo e voltou a ler, dessa vez do início. Empolgou-se tanto lendo, que pelo final da manhã já estava em mais da metade, com o rosto completamente vermelho e corpo quente ao imaginar todas aquelas cenas com Natsu.

Então, ouviu um barulho. Será que ele havia chegado? Deixou o livro na cama e correu saltitante para sala, porém se interrompeu ao ouvir melhor. Era um ruído estranho, baixo, como se alguém estivesse tentando entrar a força. Seu coração se acelerou e, quando finalmente teve coragem de olhar, seu estômago se contorceu e começou a gritar.


***

Natsu definitivamente não estava conseguindo se concentrar na aula. Enquanto o professor explicava alguma coisa sobre química, ele batia incansavelmente sua caneta no livro, com os pensamentos voando longe. Mais precisamente para seu apartamento, onde Lucy estava. Como será que ela estaria? Desde que se conheceram, eles nunca ficaram longe um do outro por tanto tempo.

De repente, seu peito doeu. E se ela fosse embora? Natsu não aguentaria, mas sabia que ela não seria capaz de ir sem ao menos dizer adeus. Mas e se a achassem? Não era de todo impossível, afinal sua família era rica o suficiente para localizá-la em questão de pouco tempo. Imaginava que tinham muita sorte por não terem sido encontrados. Ainda.

Que merda, queria mesmo era pular aquela janela e correr de volta para os braços dela. A noite passada ainda martelava em sua cabeça, especialmente a tão importante frase que não conseguiu dizer, mas que de algum modo foi respondida. Ou haveria sido sua imaginação? De qualquer forma, sabia que tinha de parar com esse orgulho idiota e dizer abertamente o que sentia, o que queria e o que pretendia. Lucy não é das garotas mais espertas, sendo mais inocente e gentil do que qualquer outra coisa. E pensando no que queria fazer com ela, no quanto queria tocá-la e amá-la, Natsu sentia como se estivesse violando um bem tão puro e precioso.

Mas então se lembrou do que haviam feito. Nem sempre o sexo quer dizer perversão. E Lucy apenas era uma garota inexperiente, mas ainda assim uma adolescente, com os hormônios à flor da pele, e com as primeiras investidas conseguiu se entregar ao prazer que sentia, mesmo que tenha sido pouco. Natsu queria mais. Ah, como queria. Mas pela primeira vez na vida ele estava amando alguém. E pela primeira vez na vida, queria fazer tudo certo, como tinha de ser.

O único problema nisso tudo, era a separação iminente dos dois. Que, infelizmente, ele sabia que estava mais próxima que imaginava.

– Natsu!

Se sobressaltou de leve com o grito, olhando confuso para a porta onde Gajeel e Gray o chamavam.

– Hora do almoço, cara. Onde você está com a cabeça?

– E você ainda pergunta? – Gajeel zomba. – Talvez numa certa loira, chamada...

– Cala a boca! – Irritado, ele joga o livro no amigo, que desvia e sai rindo. – Já estou indo.

Caminhando pelo corredor com as mãos no bolso, Natsu notou que as pessoas o olhavam com uma careta estranha. Não, surpresa era a melhor palavra. Sabia que era popular, e não, não era no bom sentido da palavra. Depois que seus pais morreram, não por escolha própria, Natsu mudou completamente. Mais agressivo, como se habitasse um animal selvagem em seu corpo, ele arrumou brigas por onde quer que passava, por motivos banais e até que não tinham a ver com ele. Com sua fama formada, pessoas que não o conheciam verdadeiramente nem sequer o encaravam nos olhos, quanto mais tentar iniciar algum tipo de diálogo. Então por que toda aquela atenção?

Quando passou por um dos espelhos decorativos do corredor, ele percebeu. Seu rosto havia mudado. Ainda eram os mesmos olhos verdes e puxados, a pele naturalmente bronzeada e os tão famosos cabelos róseos. A diferença era que agora, por alguma razão, a face sempre tensa e carrancuda tinha dado lugar a uma expressão mais suave, feliz até. Lucy era responsável por isso? Com certeza era! Mas ele nunca havia imaginado que a expressão que dizia que as pessoas ficam mais bonitas quando amam era verdade. Sem perceber, acabou sorrindo e foi de encontro com o pessoal.

Depois de colocar seu almoço, sentou-se à mesa com sua bandeja.

– Que cara feliz é essa? – Jellal foi o primeiro a notar.

– Digamos que eu esteja de bom humor.

– Já até sei por que. – Levy faz uma cara maliciosa.

– Hey, Levy. – Uma garota chega perto da mesa. Ela se inclina para cochichar com o grupo. – É verdade que você e o Gajeel estão namorando? A escola inteira está comentando.

Levy fecha os punhos em ódio e Gajeel se mantém de cabeça baixa, porém o rubor em seu rosto é evidente.

– Natsu! Isso é culpa sua.

Ele revira os olhos.

– Você deveria me agradecer, Levy! Pelo menos se assumem logo de uma vez...

Antes que uma discussão se iniciasse, Gajeel levanta de repente da mesa, arrastando Levy consigo.

Precisamos conversar.

A garota sai de perto, provavelmente para fofocar a novidade, enquanto o resto do grupo se mantém perplexo.

– Só faltam vocês. – Natsu diz despreocupadamente.

– O-o que você está querendo dizer com isso? – Erza se finge de desentendida.

– E você que nem se resolve? – Gray indaga, arqueando as sobrancelhas.

– O quê?

– Ele está falando sobre a Lucy. – Jellal continua. – O que vocês são um do outro?

Essa pergunta o havia pegado de surpresa. O que ele era de Lucy? Apenas um amigo? Namorado? Droga, ele nem se preocupou em deixar isso claro. E se Lucy pensasse que ele só estava brincando com ela? Como ele era burro!

– Pelo que ela falou a Juvia, vocês são apenas amigos. – Completa a azulada.

Natsu abaixa a cabeça, derrotado. Tinha que resolver esse assunto.

O resto do horário de almoço foi calmo, mas sem a presença do mais novo casal. Sabe-se lá o que eles estariam fazendo por aí. Esperava que estivessem se resolvendo. Quando ele se levanta para sair dali, Erza fala algo que lhe chama a atenção.

– Engraçado. – Diz ela, mexendo no celular. – Essa garota da notícia parece com a Lucy.

– Que notícia? – Jellal se inclina para espiar, porém Natsu rapidamente toma o celular de suas mãos.

– Ei.

Poucos segundos foram o suficiente para ele entender o que estava acontecendo. A notícia era mesmo sobre Lucy. A viram na boate em que ele a levou e os comentários maldosos eram terríveis. Muito provavelmente a essa altura já tinham descoberto pelo menos com quem ela estava. Com ele.

Não pensou duas vezes. Jogou de volta o celular nas mãos de Erza e se pôs a correr.

– Natsu!

Que se foda a escola, ela era muito mais importante. Sem perder tempo e chamando a atenção de todos, pulou a janela do refeitório, cruzando o jardim para logo em seguida pular o enorme muro do colégio.

Seu coração estava acelerado pela corrida desesperada. Mas principalmente, pelo pavor que sentia com a possibilidade de não vê-la quando chegasse.

***


Invadiu o hall do prédio como um furacão. Desejou com todas as suas forças que o elevador funcionasse, mas de tão velha que a edificação era, há muito tempo não funcionava. Subiu sete andares correndo, ofegando, quase morrendo. Tinha que saber se ela estava lá. Se estava bem. Se ainda tinham tempo.

Mas quando chegou até seu apartamento, ficou completamente paralisado. A porta estava escancarada. A sala, completamente revirada. Sua respiração acelerada só piorava, mesmo que tivesse parado de correr. Não podia ser. Isso não estava acontecendo.

– Lucy?

Finalmente entrou, com as mãos trêmulas. Tudo estava uma bagunça, mas aquilo com certeza não era obra da visita de seus amigos. Parecia que alguém havia lutado ali dentro. Lutado para não ser levado.

– Lucy? – Chamou mais uma vez, a voz quase embargada.

Sua garganta doía, sufocado com aquela realidade. Folgou a gravata no pescoço e se apoiou na parede, arrastando as costas por ela até sentar no chão. Então era assim que acabava? Simplesmente a tirariam dele e nunca mais se veriam? Aquilo era doloroso, doloroso demais.

Doía por que era real o que ele sentia por ela. E doía mais ainda, por que ele sabia que isso aconteceria, mas preferiu negar a si mesmo e tentar viver o quanto podia.

– Natsu!

Levantou a cabeça alarmado, quase sem acreditar. Seu coração se acelerou e as lágrimas que estava segurando quase escorreram pelos olhos. Lucy estava ali, parada na porta. Com uma expressão assustada, mas estava ali. Ainda estava ali.

– Lucy!

Correu até ela, a protegendo com seus braços. Ela ofegou, mas Natsu a apertou o mais forte que pode, querendo senti-la em seu corpo para acreditar que aquilo era mesmo real. Só então notou o quanto tremia. Seus braços, suas pernas, até seu coração parecia tremular. O medo que sentiu pareceu atingi-lo como uma droga paralisante, mas ver novamente seu rosto foi o suficiente para que reagisse e outra substância tomasse seu corpo com euforia: a felicidade.

– Natsu...

Ele não a deixou falar. Segurou-a pela nuca, analisando seu rosto com emoção.

– Eu pensei que tinham te tirado de mim! – Achou que ia chorar, porém outro pensamento lhe ocorreu. Começou procurar vestígios de uma agressão. – Você está bem? Te machucaram?

Lucy parecia envergonhada com aquela preocupação genuína, porém seu rosto expressava mais confusão que qualquer outra coisa.

– Natsu, do que está falando? Ninguém tentou me pegar.

Isso o fez parar. A afastou de leve e olhou ao redor, completamente confuso. Então como...?

– Eu ouvi os gritos da moça por que estava limpando as escadas. – Natsu ouve uma terceira voz. Parado na porta, do lado de fora, um senhor de meia idade parecia estar ali há algum tempo e ele nem havia notado. Era o zelador do prédio. – Vim ajudar, mas foi difícil pegar o bicho.

Bicho? – ele indagou, olhando pra Lucy que apenas parecia enojada. – Que bicho?

– Esse bicho. – Respondeu o senhor, mostrando um saco transparente onde jazia morto um rato gigante do tamanho do antebraço de Natsu, que fez uma careta.

Lucy grita e se esconde atrás dele.

– Eu ouvi um barulho estranho na sala, daí vim ver. Ele estava tentando sair – Ela aponta para a porta da sala, que estava um pouco destruída em baixo. – Por isso estava mordendo a madeira.

Natsu não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Então tudo aquilo tinha sido uma um confusão causada por um rato?

– Eu sinto muito, Natsu. – Lucy diz, quase chorando. – Ele era enorme e veio pra cima de mim, acabei destruindo sua sala.

– Tudo bem, Lucy. – Ele sorriu, imaginando seu desespero. – Não precisa se preocupar, está tudo bem. – Em seguida se virou para o zelador, tirando da carteira algumas notas como agradecimento. Merda, no desespero havia deixado sua mochila na escola. – Obrigado por ajudar.

Quando o homem foi embora, Natsu fechou a porta e suspirou, encarando Lucy. Ela parecia bastante culpada pela bagunça, mas no final ele não se preocupava com isso. Afinal, aquele tipo de rato de esgoto era uma verdadeira praga que aparecia de vez em quando para dizer olá. Ela vestia um short jeans e uma blusa rosa, de mangas curtas. Estava particularmente linda, com os cabelos presos num rabo de cavalo. Mas antes que pudesse falar alguma coisa, seu celular que estava no bolso tocou.

Ao ver que era Laxus, atendeu de imediato.

– Alô?

– Nastu. – A voz não era dele. Era de uma mulher. A amiga de Lucy, ele se lembrou da boate. Imediatamente ficou sério. – É Mirajane. Lembra-se de mim?

– Sim, lembro.

– Lucy está com você? Ela está bem?

Natsu olhou para Lucy, que o olhava curiosa com a ligação. Não estava gostando do tom urgente de Mirajane.

– Sim, está. O que houve?

– Estão falando sobre a Lucy em todos os jornais!

– Se é sobre o que saiu na internet hoje, eu já vi.

– Sim, eles já sabem que ela estava lá. Fui chamada para depor, porém aleguei estar bêbada e fui liberada, apesar de que confirmei que vi a Lucy lá. Isso eu não podia negar.

Natsu fica em silêncio.

– Eles estão chegando perto. – Mirajane continua. – Mas esse não é o real problema.

– Como assim? – Pergunta, desconfiado.

– Tem mais coisa. Se fosse só isso, vocês não precisariam se preocupar com mais nada além de não serem encontrados tão rápido.

– O que quer dizer com isso?

– Outras pessoas estão atrás da Lucy. Pessoas perigosas.

Natsu engole em seco, seu coração se acelerando num segundo.

– Pense comigo. Lucy é uma herdeira multimilionária da indústria da propaganda. A polícia não está muito preocupada por que devido à fama que ela tem, está bem claro que ela fugiu para curtir a vida. – Nessa hora, ele fecha os punhos em fúria. Como podem dizer isso de alguém tão doce quanto Lucy? – O que nós dois sabemos que não é verdade.

– Então quem mais está atrás dela?

Lucy se alarma com isso, aproximando-se dele com uma expressão angustiada.

Sequestradores, é lógico! Uma filhinha de papai que está solta por aí sem nenhuma proteção é um prato cheio para receber grana fácil. Eu já tive o desprazer de lidar com esse tipo de gente. E acredite, eles são perigosos e fazem tudo por dinheiro.

Natsu apertou o celular com tanta força que achou que poderia estraçalhá-lo. Não deixaria encostarem a mão em Lucy!

– Obrigado por avisar, Mirajane.

– De nada. Mas estou preocupada com ela, Natsu. Você não acha melhor entregá-la ao pai? Eu ajudo vocês dois, eu prometo. Mas você tem que ver que não tem recursos o suficiente para lidar com esse tipo de situação.

Droga, droga! Ela tinha razão, mas essa não era uma decisão ao qual poderia resolver sozinho.

– Eu vou falar com ela.

– Faça isso, por favor. Laxus vai te mandar meu número de telefone por mensagem, não hesite em ligar se for preciso. Quer falar com ele?

– Depois. Obrigado de novo.

Com isso, ele encerrou a ligação.

– O que aconteceu?

Natsu soltou o celular no chão e correu para abraçá-la, repetindo o que havia feito mais cedo. Ela o abraçou de volta, igualmente forte. Ela sabia que havia algo errado.

– Está na hora de ir, não é?

Ouvi-la falar desse jeito, com a voz embargada, fez seu peito doer tanto quanto sentir suas lágrimas molharem seu ombro. O cerco está se fechando. A separação nunca pareceu tão concreta quanto naquele momento. E ele percebeu que já estava mais que na hora de eles terem uma conversa. Enquanto podiam.

***

Não queria se soltar daquele abraço. Lucy sentia que se o fizesse, seria o fim. A realidade a pegaria de vez e a levaria embora daquele sonho. Como seu coração doía! Não acreditava que havia encontrado a felicidade apenas para perdê-la tão rápido. Mas amava Natsu demais para preferir que nunca o tivesse conhecido.

– Lucy. – Ele se separou e a segurou pelos braços, fazendo com que se sentassem no chão um de frente para o outro. Enxugou suas bochechas molhadas com o dedo e sorriu. – Como eu já te falei, eu perdi meus pais quando era criança.

Lucy arregalou os olhos. Natsu realmente falaria de seu passado? Aquele telefonema com certeza devia ter sido grave. Ele também estava se dando conta de que o tempo estava se esgotando.

– Mas será que apenas isso foi o suficiente para eu mudar minha personalidade? – Ele continuou. – Eu acho que você vai concordar comigo que a resposta é não.

– Por quê? – Ela perguntou, com a voz suave. Tocou sua mão e ele entrelaçou seus dedos.

– Eu fiquei morando um tempo com meus tios numa casa não muito longe daqui. Depois que meus pais morreram e a empresa faliu, tudo o que sobrou foi para comprar este apartamento que moro hoje. Mas quando eu era criança, uma das coisas que eu ficava mais revoltado era que nunca me diziam como eles tinham morrido. Claro que eu fiquei depressivo com tudo isso. Mas o ponto crucial para eu ter mudado tanto foi que descobri que eles na verdade foram assassinados.

Lucy fica horrorizada.

– Natsu, eu sinto muito.

Ele apertou sua mão e a olhou nos olhos.

– É, eu também. Foi aí que eu fugi para o parque e conheci a árvore. Fiquei lá por dias até me encontrarem.

Lucy imagina a cena. Um adorável garotinho de olhos verdes e bagunçados cabelos rosados, perdido na floresta, aos prantos, clamando aos céus para trazerem seus pais de volta.

– Você sabe quem os matou? – Sabia que não deveria fazer essa pergunta, mas algo dentro dela a compeliu a isso.

– Não. – Ele balança a cabeça. – A polícia nunca descobriu. Mas eu sei que foi alguém dos grandes. Uma empresa concorrente. Eu sempre via meu pai desesperado com ameaças ao telefone, mas era pequeno demais para entender.

Em uma parte enevoada de sua memória, Lucy entedia completamente.

– Minha mãe também morreu. – Ela conta, com tristeza. – Eu esse era muito pequena, mais nova que você. Meu pai se recusa a falar sobre isso, mas sei que foi por doença. Acho que por isso ele foi sempre tão superprotetor comigo.

– Sinto muito. – Ele disse.

Ela sorriu.

– Obrigada. Mas Natsu – Ela começou a falar –, por que está me contando tudo isso?

Não que tivesse achado ruim aquela troca de passados que só servia para deixá-los ainda mais próximos. O que queria realmente saber era o que ele tinha conversado no telefone com a Mira, que havia o deixado tão abalado.

Eu tive medo.

Lucy prendeu o ar com isso. Medo?

– Medo de te perder. – Ele continuou. – Depois que perdi meus pais, eu me foquei tanto em não me apegar a ninguém apenas para não sentir a dor de uma perda novamente, que agora que você está aqui, esse medo voltou com todas as forças.

Seus olhos se encheram de lágrimas com aquelas palavras. Oh, meu Natsu...

– Eu não posso te perder, Lucy. – Nesse momento, ele a olhou nos olhos. Os seus pareciam tão profundos quanto o esverdeado do mar, e ela se sentiu perdida naquela imensidão. – Não posso te perder por que eu te amo.

Lucy não sabia o que falar. Aquelas palavras lhe causaram tanta alegria que achava que poderia morrer! Entretanto, a tristeza vinha logo atrás. Iam se separar.

– Agora eu preciso saber se você sente o mesmo por mim.

No mesmo instante, ela pegou sua mão e a levou até seu peito, que batia descompassado.

– Está sentindo? – Ele fez que sim com a cabeça, com o rosto envergonhado assim como o dela. – Ele bate desse jeito desde a primeira vez que o vi. Não sei dizer se isso é amor à primeira vista, mas... Quanto mais eu te conheço, mais eu me apaixono por você. E é uma coisa tão forte que dói só de imaginar me ver longe de você. Então, sim. Eu te amo, Natsu. Mais do que eu poderia imaginar.

Natsu abriu um de seus maravilhosos sorrisos, parecendo realmente aliviado. Ele ainda tinha dúvidas disso?! Ela sorriu de volta e tomou a iniciativa para beijá-lo. Sentir suas mãos mornas contornarem sua cintura era tão bom quanto seus lábios nos seus. Mas antes que pudessem intensificar a situação, ele a afastou de leve.

– Lucy, eu estou muito feliz. Tão feliz como nunca me senti antes. Mas sobre o telefonema, a Mirajane...

Ela riu travessa e o derrubou no chão, ficando por cima dele. Natsu a encarava, incrédulo.

– Eu realmente não quero saber disso agora. Preciso de um tempo. Para fazer coisas mais... Interessantes.

Natsu fez uma cara pervertida.

– Você está muito ousada.

– Aprendi com você.

– Ah, é? – Ele riu, a fazendo corar. – E olha que eu nem te ensinei muita coisa.

– Estou pronta para aprender.

– Então aqui vou eu.

Com isso, ele a puxou para beijá-la de novo. Era bem verdade que estava preocupada com a ligação. Mas ali, em seus braços, preferia sentir todo o amor que ele confessou e deixar o medo de lado. Pelo menos por enquanto.

***

Natsu estava descalço e apenas vestido com uma calça, respirando com dificuldade apoiado na pia da cozinha. A ereção monstruosa parecia prestes a explodir a braguilha de sua calça, porém ele estava ocupado demais se concentrando em desacelerar o coração que esconder aquilo para que Lucy não visse. Afinal, ela tinha feito muito mais ver. Havia sentido.

– Natsu, me desculpa! – Ela chega até ele, também esbaforida. Estava apenas de calcinha e blusa, com o rosto completamente rubro e segurando sua gravata vermelha do uniforme na mão. – Eu me empolguei.

Ele bebeu um copo com água depressa. Porra, tinha perdido o controle. Ele que havia se empolgado demais. O amasso havia evoluído para uma quase preliminar. Lucy de encontrava muito desinibida quando havia tirado seu próprio short, friccionando sem dó suas intimidades. Ele a ajudou a retirar seu suéter e ela desabotoou sua camisa, arrancando a gravata e lambendo seu peito nu, para em seguida chupar com fervor. Já excitado para valer, Natsu havia apertado tanto suas nádegas, que quase se viu prestes a arrancar aquela calcinha preta com os dentes e tê-la ali mesmo.

– Não precisa se desculpar. Eu que peço desculpas. – Ainda com as mãos trêmulas, ele a virou de lado. Seu traseiro avantajado estava completamente vermelho com a marca de suas mãos. Droga, ele não tinha controle? – Eu te machuquei.

Lucy corou, porém agora ela não parecia estar tão envergonhada quanto antes. O que estava acontecendo com ela, afinal?

– Bom, eu gostei.

Natsu sentiu seu sexo pulsar. Cara, por que ela dizia essas coisas?

– Acho que devemos ir com calma. – ele disse, indo para o quarto. Quando tirou as calças para trocar de roupa, ela se virou de lado, porém perguntou:

– Você não quer continuar?

Ela parecia triste. Como Lucy era boba!

– É o que eu mais quero. – Respondeu, depois de vestir uma bermuda e uma camisa qualquer. – Mas acho que ainda é cedo. Por que não vamos aos poucos?

Lucy pareceu pensar por alguns instantes.

– Tudo bem. – Sorriu. – Mas para onde está indo?

– Comprar sorvete e pipoca. Pensei em passarmos o dia assistindo algumas séries clássicas de comédia.

– Séries?

– Não vai me dizer que nunca assistiu Um Maluco no Pedaço?

Ela sorriu sem graça.

– Não.

– Então você vai assistir comigo. – Ele pegou um boné pendurado atrás da porta. Depois do que ouviu Mirajane dizer, mesmo que ainda não tivessem ligado ele a Lucy, era bom esconder a identidade. Afinal, era meio difícil esquecer aqueles cabelos rosados. – Aposto que vai gostar.

Ela o acompanhou até a porta, parecendo confusa com algo. No fim, perguntou:

– Por que isso de repente?

Natsu fez a cara mais séria do mundo.

Eu realmente tenho que sair agora, caso contrário, vou rasgar todas as suas roupas e nos trancar no quarto.

Depois disso, ele saiu deixando uma Lucy completamente vermelha para trás.

***

Não acreditava que estava demorando quase dez minutos para escolher um sabor de sorvete! Ele simplesmente olhava para o pote e sua mente poluída só imaginava aquele doce derramado sobre a pele clara de Lucy, que se arrepiaria com a temperatura. Porra, será que agora ele só ia pensar nisso? Droga de perversão. Acabou pegando de morango, por que combinava com ela. E ironicamente, seu cabelo era da mesma cor. Vai entender.

Pagou no caixa com mais algumas besteiras e saiu rapidamente da loja de conveniência. Imaginava que algum de seus amigos idiotas iria atrás dele para devolver a bolsa, porém àquela hora ainda não haviam largado. Deu nos ombros e parou no sinal para atravessar a rua. Só esperava que eles não chegassem num momento inoportuno.

Esperando o sinal ficar verde para os pedestres, Natsu ajeitou o boné em sua cabeça, que estava apertado devido a sua enorme cabeleira rosada. Foi então que ele viu algo esquisito. Um cara mal encarado, vestido de policial, segurava um jornal do outro lado do sinal. Não aparentava ter mais de trinta anos, só que o intrigante era o que ele estava fazendo. A cada pessoa que passava, ele perguntava algo e apontava para o jornal. Desconfiado, Natsu apertou os olhos enquanto caminhava pela faixa de pedestres, agora com o sinal aberto. Mas quando viu que aquele jornal estampava a foto de Lucy, ele congelou no mesmo instante. Olhou mais para o cara e notou que ele usava sapatos Nike. Policiais não usavam aquilo.

Tentando parecer o mais normal possível, ele deu meia volta e de cabeça baixa retrocedeu pelo caminho que havia vindo. Daria um volta enorme no quarteirão e iria por um caminho mais longo, por que tudo o que ele menos precisava era ser descoberto. Ainda não sabia com certeza se já haviam associado sua existência à fuga de Lucy.

Mas enquanto andava rapidamente pela calçada, ouviu uma voz.

– Ei, você!

Porra, nem precisa se virar para ver quem era. Pelo canto do olho, viu o homem atravessar a avenida. Mas não se virou, torcendo para que não fosse com ele. Mas o cara gritou de novo, agora ele parecia apressar o passo.

Você, de boné!

Natsu parou, apertando os olhos e os punhos com força. Havia sido descoberto? Vendo que nem tudo estava perdido, se virou para ele. Aja normalmente.

– Sim, policial.

O cara o encarou por alguns instantes. Parecia desconfiado com algo, porém fez a mesma pergunta que estava fazendo as outras pessoas.

– Você viu essa garota?

Ele forçou uma expressão vazia.

– Várias vezes na tevê.

– Nunca a viu por aqui?

Como eu veria uma celebridade? Aliás, o que uma riquinha como essa estaria fazendo por aqui, na periferia?

Seu coração parecia que ia explodir no peito, e ele teve medo que o cara pudesse ouvir. Porém ele apenas o olhou e disse:

– Obrigado pela atenção.

Natsu acenou com a cabeça e se virou primeiro, sabendo que estava sendo observado. Sentia suas costas queimarem com o olhar, porém seguiu normalmente até virar a esquina. Quando estava fora de alcance, se permitiu respirar normalmente. O homem poderia não ser um policial de verdade, mas aquela arma que ele carregava na cintura com certeza não era de mentira.

Notas finais
E aí, cara! Agora a parada ficou séria. O que será que eles vão fazer? Natsu vai mesmo entregar Lucy ao pai, ou eles vão fugir o quanto puderem? Bem, espero que estejam aqui para descobrir. Como disse, TAT tá acabando e eu quero todos lendo até o fim (que terá uma surpresa :3). Reviews? Até o próximo. Amos vocês ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.