Tempo Ao Tempo

8 Capítulo 7 – Lembranças futuras e palavras não ditas.


Notas iniciais
OMG, EU TÔ MESMO AQUI? AHHHHHHHHHHHHH~ le sai gritando. Meu povo, cês ainda estão aí? Caralho, faz quase um ano ;-; MAS EU NÃO DESISTI, PIPOUS! Primeiramente quero pedir perdão por esse atraso absurdo. Foi minha culpa, o Yoshida quase me matou nesse meio tempo ._. Mas aqui estamos nós! Quero agradecer a todos que ainda continuam aí, esperando. Você são lindos! Bem-vindos novos leitores, olá fantasminhas :v Olha, eu juro juradinho que não vai demorar muito pro próximo capítulo, até porque ele está quase pronto. Acreditem em mim só dessa vez? T^T Peço desculpas também se vocês esqueceram de tudo e tiverem que ler de novo. Eu sei como isso é chato pra caraca ç.ç Mas aqui está, espero que gostem. E... TAT tá perto de acabar. Ela foi diminuída de tamanho por vários fatores, mas eu tenho uma surpresa para vocês assim que postar o último capítulo. Boa leitura!

Eu te amo.

Era isso que estava entalado em sua garganta desde a noite passada. Era ridículo cogitar a ideia de que isso realmente era verdade, porém... Sabia que era.

Olhou para ela, radiante com seus cabelos loiros, andando ao seu lado enquanto saltitava e ria das palhaçadas de seus amigos.

Amava essa garota, mais do que poderia imaginar. Era uma coisa estranha e repentina. Mas existia. E Natsu nunca procurou isso. Simplesmente aconteceu e chegou como uma grande onda que quebra na praia. Forte e arrebatadora.

Lucy apareceu destruindo tudo o que era de mais concreto para ele. Sua amargura, sua tristeza e principalmente, seu desinteresse pela vida. Achava ele que algo desse tipo seria ruim, pois não queria jamais voltar a ser aquele garoto sensível que sofreu pelo simples fato de se importar e confiar nas pessoas. Depois daquilo, Natsu viu que o mundo era podre. Por que as pessoas que o regem são assim.

Mas, depois dela... Depois de ver que ela despertava nele todos os sentimentos bons que achou jamais poder sentir novamente... E ainda mais, sem quaisquer preocupações... Ele soube. Soube que, se pudesse viver em um mundo com ela, poderia aguentar a desgraça existente nele. Por que, o resto que se foda.

Eles poderiam fazer um mundo só deles.

Assustou-se ao contato de outra mão na sua, mas quando sentiu o toque aveludado das mãos de Lucy, seu peito se aqueceu. Tomou a iniciativa de entrelaçar seus dedos e encarou suas mãos unidas por alguns segundos. E seu deu conta de que não queria soltá-la nunca mais.

– Queria que ficássemos assim para sempre. – Ouviu ela dizer, como se estivesse conectada com seus pensamentos.

Quando a olhou de novo, viu que se mantinha de cabeça baixa com o rosto rubro, provavelmente envergonhada pelo o que dissera.

– Eu também. – Disse com um sorriso, apertando o toque.

– Me pergunto como meu pai está.

Natsu foi pego de surpresa com esse devaneio. Sabia que isso era o grande problema por trás de uma futura relação entre eles. Lucy estava fugida e ainda por cima era a herdeira de um grande patrimônio. Seu pai, com certeza, não aceitaria de bom grado qualquer justificativa. Ele podia até ser preso.

Suspirou. Era um risco enorme a se correr, mas tinha que resolver as coisas.

– Você quer... Ligar para ele?

Lucy parou de andar momentaneamente, deixando que o resto do grupo ganhasse distância enquanto gritavam e riam. Respeitou seus segundos de reflexão, até ela levantar a cabeça com lágrimas nos olhos e abraçá-lo de surpresa.

– Se eu ligar... Vai ser o fim. – Ela ofegou em seu peito, passando a sussurrar: – E eu não quero isso.

Apertou-a mais em seus braços, querendo nunca mais soltá-la. Sabia que um dia a achariam, era idiotice pensar que poderiam viver desse jeito para sempre. Mas bastava uma ligação, para tudo se desmoronar em questão de minutos. Queria prolongar essa despedida, mas isso era uma decisão que cabia a ela. E, além do mais, não iria desistir de Lucy. Jamais.

– Eu também não quero que isso acabe. Mas... Você sabe. – Respirou fundo, sua voz ameaçando vacilar. – Não podemos ficar desse jeito para sempre. Uma hora, você tem que dizer o que aconteceu.

Lucy fungou e se afastou dele apenas para olhá-lo nos olhos, como se suplicasse. Esboçou um sorriso de canto, ela era linda até chorando.

– Mas, eu não...

– Shii. – A calou com o dedo, em seguida enxugando suas lágrimas. – Não chore por isso, nem pense em nada agora. Podemos conversar sobre isso amanhã. Você não queria um piquenique com amigos? – Ela balançou a cabeça em resposta. – Então, vamos aproveitar esses idiotas. Pelo menos eles servem para te fazer sorrir.

– Eu ouvi, ein! – Erza grita de longe, estancada no lugar com os braços cruzados e uma carranca no rosto.

Lucy ri lindamente.

– Não disse? – diz Natsu, apertando sua mão novamente. Ela sorri, envergonhada.

– O que estão fazendo aí, parados como uma mula? Andem!

– Sempre mandona. – Ele resmunga, revirando os olhos.

– Ainda estou ouvindo!

Caminhando de novo, Lucy já apresenta um semblante alegre. Queria se esquecer dos problemas assim tão fácil como ela, pelo menos temporariamente. Mas decidiu que, não importa o que acontecesse, ele protegeria esse sorriso.



***



– Forrem a toalha e tirem as coisas da cesta. Quero mostrar o parque a Lucy.

– E por que você também não ajuda? – Levy retruca a autoridade de Erza, que se mantinha em pé observando-os como uma tirana. Só faltava o chicote. – Até parece, fica colocando a culpa na garota quando na verdade é você quem está dando pulos de alegria por dentro.

– O que você disse? – Perguntou, raivosa.

– Na verdade – Lucy as interrompe antes que Levy seja arrastada pelos cabelos mais uma vez. Se bem que ela provoca. –, eu já vim aqui.

– Como assim? – Indaga Gajeel. – Pensei que você era uma forasteira.

Natsu já sentando, olha entediadamente para o diálogo, enquanto Juvia e Jellal, os únicos que acataram a ordem da ruiva arrumam a toalha no chão. Levy começa a rir.

– Quem diz “forasteira”, hoje em dia?

– Eu gosto de filmes antigos, tá legal? – Rebate Gajeel, com o rosto ameaçando corar.

– Quando foi isso? – Gray pergunta.

– Quando chegamos hoje de manhã. – É Natsu quem responde.

Lucy olha para ele um pouco surpresa. Afinal, pelo pouco tempo em que pode observar, é raro ele se intrometer numa conversa quando não é chamado. Talvez ele estivesse mudando, afinal.

Sorriu com isso e se sentou ao seu lado, junto com os outros.

– Digamos que foi um pequeno acidente. – Lucy da uma risadinha e entrelaça sua mão à de Natsu, que fica desconcertado com a demonstração de afeto na frente dos amigos. Gray olha pasmo para o ato, mas Levy muda de assunto rapidamente, evitando maiores constrangimentos.

– Por que não vamos jogar antes de comer?

– Jogar?

– Eu trouxe uma bola. – Jellal mostra o objeto.

– Então vamos jogar! – Erza se levanta, animada. – Três contra três mais os goleiros.

Lucy engole em seco.

– Sabe, eu não sou muito boa em esportes. – ri sem graça.

– Tudo bem. – Natsu sussurra em seu ouvido. – Eu fico aqui com você.

Levy sorri enquanto os outros se entreolham sugestivamente. Lucy cora com o gesto atencioso, mas balança a cabeça de modo negativo.

– Não, pode ir se divertir. Eu fico olhando daqui.

– Tudo bem, Natsu. – a baixinha se pronuncia antes que ele possa retrucar. – Eu faço companhia a ela. – Pisca um olho.

– Está tudo bem. – Lucy aperta a mão dele, que ainda parece relutar.

– Okay. – ele sorri, beijando sua bochecha. – Volto logo.

– Obrigada, Levy-chan. – Diz ela, quando os outros se afastam aos risos.

– Que nada. Também sou péééssima em esportes. – as duas riem. – Mas sabe, eu que tenho que te agradecer. Na verdade, todos nós. – Observa a quadra improvisada no campo, onde Erza já marcou um gol em Natsu.

Lucy fica confusa.

– Acho que não entendi.

– Realmente fazia muito tempo que não o vemos assim. – Sorri com nostalgia para o contra-ataque que resultou em 1x1 no jogo. – Mesmo que um pouco, ele está voltando a ser o que era antes. E isso me deixa feliz. Por isso, obrigada. Você é realmente um anjo em nossas vidas.

– Não acho que tenha feito muita coisa. – Põe os dedos nos lábios, sentindo seu rosto se aquecer. – Eu sou só... eu.

Levy esboça um enorme sorriso.

Então obrigada por você ser quem é.

Lucy esconde o rosto com as mãos, sentindo vontade de chorar. Além de estar totalmente apegada a Natsu, também estava de seus amigos. Era mais um motivo para não partir, e mais uma coisa para deixar para trás quando tivesse que ir. Seria uma despedida mais dolorosa do que imaginava. Só queria uma maneira de evitar toda essa dor.

– Sabe o que eu queria, que não tem nesse monte de comida que a Erza trouxe? – Levy muda de assunto, se levantando animadamente.

– Não. – Levanta a cabeça e ri de seu entusiasmo.

– Picolé!

– Picolé... – Repete, com nostalgia. – Acho que nem lembro a última vez que tomei um.

– Então vamos ali na banca! – Puxa a loira do chão pelas mãos.

– Espera, eu não tenho...

– Eu pago, agora cala a boca e vamos.

– Não tem problema deixarmos as coisas lá? – Lucy pergunta enquanto é arrastada pelo parque até o outro lado da rua.

– O pessoal está lá e voltamos rápido. – Atravessam a rua e chegam a uma banca de revistas na calçada. – De que sabor você quer?

– Morango!

Levy sorri com ela.

– Meu preferido, somos mais parecidas que eu imaginava. – Se vira para o vendedor. – Dois picolés de morango, por favor.

Enquanto esperava os doces, Lucy olhava casualmente a banca. Até que seu sorriso e animação morrem de vez quando vê um jornal com sua foto estampada na primeira página, com a legenda “Raptada ou Foragida? Herdeira da terceira maior multinacional do país sumiu no sábado durante um voo para Clover”.

Seu coração acelerou e por um momento se esqueceu como respirava. Assustada, olhou ao redor, mas não havia nada suspeito por ali, apenas adolescentes e famílias curtindo a tarde num feriado de segunda-feira. Sabia que isso aconteceria, era absolutamente normal, além do que já havia aparecido em telejornais também. O problema era aquela enquete maldosa, onde falava tudo sobre Lucy, menos como ela realmente era.

Ali, estava a visão da mídia a sua pessoa. Uma garota rica e mesquinha, que nunca aparece nas ruas, por que na verdade sempre está viajando pela Europa, gastando todo o dinheiro da família. E que agora, aparentemente havia fugido para algum lugar isolado onde ocorriam as festas particulares de outros herdeiros. Ela tinha sim fugido, mas os motivos pelos quais o fizera eram totalmente o contrário do que falavam. Por que mesmo que fosse uma pergunta, o resto do texto não deixava dúvidas sobre a resposta: que Lucy era uma garota fútil e gananciosa.

– Lu-chan, aqui seu picolé.

Quando Lucy não respondeu e continuou olhando de modo assustado para a banca de jornais, Levy assumiu uma expressão séria. Dirigiu seu olhar para o mesmo lugar e a surpresa tomou conta de sua expressão. Pegou um dos jornais, lendo rapidamente aquela matéria leviana. Respirou fundo e olhou para Lucy, que chorava fitando as dezenas de fotos suas nas primeiras páginas do jornal, perdida em pensamentos angustiantes.

– Segura aqui! – Lucy só despertou quando a baixinha praticamente jogou os picolés em cima dela.

Seus olhos se arregalaram quando a viu pegar todos os jornais e colocá-los atrás de outros com uma matéria diferente, não antes de verificar se o dono do local não estava olhando.

– Por que você...

Levy sorriu como uma criança sapeca e pôs as mãos na cintura.

– Eu sei quem você é, Lucy Heartphilia! – Apontou para a loira, que virou a cabeça em confusão. – E definitivamente não é o que aquele jornal nojento diz.

Lucy arregalou os olhos e corou, abaixando a cabeça como sinal de sua vergonha por ter omitido sua origem.

– Me desculpe por não ter falado antes.

– Não tem nada para se desculpar! – Segurou suas duas mãos. – Não chore por causa dessa calúnia cruel. Eu não poderia negar aquilo até te conhecer, pois agora sei que você não é nada disso, Lucy. Você é uma pessoa linda, gentil e cheia de sonhos. Sei que você não se importa com dinheiro. E com sua pureza você conseguiu quebrar a barreira que o Natsu criou ao redor dele.

O choro veio mais forte, fazendo sua garganta doer.

– Eu não quero ir embora. Queria ficar com vocês para sempre!

Levy enfia o picolé em sua boca, fazendo-a ficar confusa. Mas quando Lucy olha melhor, percebe que ela também está a ponto de chorar.

– Não me faça suar pelos olhos, sua... Sua... – Não agüento mais segurar as emoções, a baixinha finalmente deixa uma lágrima cair e abre os braços para ela. – Vem cá logo!

As duas riem e choram agarradas no meio da rua, chamando atenção de quem passar por ali. Mas isso não é um problema.

– Vai ficar tudo bem, okay? – Levy sussurra para ela, que assente com a cabeça. – Vamos dar um jeito.

– Sim!

– Agora vamos antes que achem que fomos raptadas. – Lucy sorri com isso e se separa dela.

Quando voltam para lá, todo mundo está recarregando as energias com as guloseimas que trouxeram. E Lucy fica triste por ver que Natsu não está interagindo.

– Finalmente vieram! – Gray fala de boca cheia. – Onde estavam? Esse tapado estava enchendo o saco querendo saber onde você foi. – Apontou para o rosado, que fingiu não escutar, mas virou o rosto levemente corado.

– Fomos comprar picolé. – Declarou Lucy, lançando um olhar inquisitivo para Natsu.

Gajeel faz graça:

– Pra quê, se tem um gigante bem aqui? – Se referiu a Gray, dando umas de suas risadas estranhas. O moreno lhe mostrou o dedo do meio.

– Que nojo, Gajeel. – Replicou Erza. – Não acho que lamber o Gray seja gostoso.

Jellal cospe o sanduíche que comia, em seguida se engasgando com o ar, enquanto Levy e Gajeel choravam de rir, Lucy corava e Natsu se mantinha distante.

– Não entendi o escândalo. – A ruiva fica confusa.

– Lamber... – Juvia parece um camarão enquanto divaga. – Gray-sama...

– Juvia! – Agora Gray que cora, gritando e assustando a azulada.

– Juvia... Juvia... Precisa tomar um ar! – Depois disso, sai correndo com Gray em seu encalço.

– Dá pra vocês pararem de rir? –Jellal pede com uma calma controlada, ainda roxo por se recuperar da quase morte por engasgo.

– Isso tudo é ciúmes, Fernandez? – Gajeel pergunta com uma expressão maliciosa.

Antes que este possa responder, Erza se manifesta:

– Ciúmes do Gray? Pelo amor de Deus, Jellal. Ele é nosso amigo, deixe de coisa.

Jellal faz uma cara derrotada e Gajeel volta a rir. Levy bate em sua própria testa.

– Erza, não sei se você é burra ou apenas lerda.

Distantes da conversa do restante, Natsu segura a mão de Lucy.

O que houve? – Perguntou ele com a voz muda.

Ela balança a cabeça em resposta negativa. Não queria falar sobre a matéria no jornal, mesmo que ele tivesse percebido que tinha acontecido algo, sim. Em tão pouco tempo, ele a conhecia tão bem...

– Estava chorando? – Sussurra, passando o polegar em sua bochecha.

Ela arregala os olhos e abaixa a cabeça. Mas é salva por Levy antes que precise se explicar.

– Xii, vão namorar em algum lugar igual o Gray e a Juvia, vão.

– O quê? – Lucy quase fica sem voz. – Nós não...

– Gostei da ideia. – Todos arregalam os olhos quando Natsu se levanta do chão, puxando Lucy. – Vem, Lucy.

A loira faz uma careta desesperada enquanto é arrastada pelo rosado, porém só recebe um joinha de Levy.

– Para onde vamos? – Ela pergunta quando se afastam dos demais.

Natsu dá um de seus maravilhosos sorrisos e entrelaça seus dedos. Queria que você fosse sempre assim, pensa Lucy.

– Para um lugar que eu costumava ir quando era criança. Era meu refúgio.

Lucy ficou feliz por mais uma pequena descoberta que sabia sobre ele, por isso se animou de imediato.

– E onde é?

– Você já vai saber. Vamos logo, está quase na hora.

Pararam de caminhar quando chegaram num local mais isolado do parque, que não tinha nada demais para ver. Lucy fica confusa, mas logo percebe que Natsu se soltou dela e anda em direção a cerca que isolava a floresta. O rosado a chama com a mão.

– Aqui, antes que alguém nos veja. – Ela percebe que há um local aberto perto da grama, possibilitando que alguém consiga atravessar. – Temos que nos arrastar um pouco. Acha que consegue?

– Acho que sim... – Não acreditava que estava prestes a invadir uma floresta fechada.

– Ótimo, então vou primeiro pra te ajudar.

Natsu passou com agilidade e levantou a cerca, ampliando o buraco para ela. Depois de alguns galhos presos no cabelo, ela já estava do outro lado.

A floresta não parecia tão densa, mas considerando que estava quase para anoitecer, sabia que ela ficaria bem escura. Bem, pelo menos estava com Natsu. E também queria saber o que ele tinha para compartilhar com ela. Os dois continuaram a caminhar mais para dentro, com Natsu com aquele sorriso bobo nos lábios sempre que Lucy pergunta para onde iam. Depois de alguns minutos chegaram ao destino e ela entendeu o motivo para tanto suspense.

Em frente a eles, como se fosse o centro de toda a floresta, estava uma árvore enorme, tão grande quanto a cerejeira do parque. Diferente dela, essa tinha folhas comuns, mas o que realmente chamava atenção, era a forma disforme do troco e dos galhos. Parecia mais um emaranhado de cipós, com várias áreas abertas que serviam de abrigo para orquídeas e animais, e também dava a possibilidade de escalar com facilidade, que era o que Natsu com certeza queria que eles fizessem.

Ele apertou mais sua mão quando começou a falar.

– Essa árvore é muito importante para mim. – Ele sorriu ao admirá-la. – Sempre gostei do parque, mas foi para dentro da floresta que eu fugi quando descobri que meus pais morreram.

Levy arregalou os olhos, mas não quis interrompê-lo naquele momento sincero.

– Eu corri desesperado para cá. Tinha 11 anos, não sabia exatamente o que ter um ente querido falecido, porque nunca tinha passado por isso. Só sabia que eu nunca mais os veria. Eu fiquei com tanta raiva. Eu odiei o mundo por me deixar para viver sozinho. Eu queria meus pais de volta. – Dessa vez, Lucy afagou sua mão quando notou que ele tinha dificuldade para continuar, mesmo que não demonstrasse sinais de choro. – Mas então, eu cheguei até aqui. Lembro que caí de cara no chão com o susto. – Ela riu um pouco com ele. – Era tão grande. Lembro que pensei em como era possível uma árvore tão estranha, porém tão bela, existir. Mas eu parei de chorar e a escalei. E o que eu vi lá em cima, me fez ver que o mundo ainda tem suas belezas. – Nesse momento, ele estende a outra mão. – Quer ver comigo?

Com os olhos cheios de lágrimas, Lucy disse o mais sincero sim de toda sua vida. Ele a ajudou a escalar, o que não era nada difícil, mesmo com a altura. A cada subida, a diversificação de espécies que habitavam naquela árvore era tão maravilhosa, que não conseguia parar de sorrir. Era como uma árvore mágica. Mal esperava para ver o topo.

– Chegamos. – Natsu declarou quando chegaram a uma área uniforme do tronco, que se permitia até deitar se quisesse. – Vem mais para cá.

Lucy foi para mais perto, ainda de quatro, onde se sentou ao lado dele em frente a abertura do outro lado. Natsu continuava com aquele sorriso bobo.

– O que foi?

– Não quer admirar a vista?

Quando olhou para frente, seus olhos doeram devido à claridade e o mix de cores no horizonte. Perguntava-se como não tinha percebido antes. A paisagem que se seguia era no mínimo estonteante. O crepúsculo deixava o céu com tons de laranja e rosa. A floresta, que era no meio, se erguia a certo ponto até o outro lado da cidade. Os prédios, casas e rodovias, pareciam uma pintura em óleo, mas não acabava por aí. Se você olhasse melhor, podia ver o mar mais ao fundo, do lado esquerdo, onde o sol se punha no horizonte, como se entrasse no mar, apagando a grande bola de fogo.

Lucy nem sabia o que falar.

– Natsu... Isso é lindo. Não, maravilhoso!

Ele sorriu.

– Eu sei, por isso fiquei vindo aqui por anos todos os dias. Foi como uma terapia.

– Fico feliz que tenha compartilhado isso comigo. Muito feliz mesmo, de verdade.

– Eu também, Lucy. Eu também.

Lucy sorriu para ele e voltou a olhar a paisagem. Ainda não acreditava em tudo o que estava acontecendo. Natsu tinha se aberto para ela de uma forma tão linda, que tinha vontade de chorar. Descobrir mais sobre seu passado só fazia amá-lo cada vez mais, curar suas feridas, e uma vontade louca de lhe dar toda a felicidade do mundo pelo resto de sua vida.

– Lucy?

Ela virou o rosto em sua direção e percebeu que esteve sendo observada a todo tempo, o que a fez corar.

– O-oi?

Eu quero te beijar agora.

Seu coração falhou uma batida, fazendo-a estremecer da cabeça aos pés. Não sabia o que responder, mas seu corpo reagiu com um arrepio quando ele segurou suas costas, a trazendo para mais perto. Mesmo com toda vergonha do mundo, não conseguia deixar de olhá-lo nos olhos. Com a claridade, suas íris verdes pareciam tão límpidas e brilhantes, que aquilo a fascinou. Sua temperatura quente a aconchegou como uma lareira num dia de frio, mas que também podia queimar.

Sim, Lucy queimava. Seu sangue estava quente, mas também de dentro para fora. Ela queria isso tanto quanto ele queria. O queria de todas as formas possíveis. Por isso deixou que ele tocasse seu braço, contornasse sua clavícula e pescoço, até chegar aos lábios, que massageou de leve com seus dedos mornos e a puxou pelo queixo para mais perto.

Então ela entreabriu os lábios e o recebeu, com todo amor e carinho, enquanto se acariciavam ao por do sol.

***

Natsu nunca pensou que a criação de novas lembranças fosse tão importante até aquele momento. Nunca mais se lembraria da Grande Árvore e nem da maravilhosa paisagem da mesma forma melancólica que antes. Agora, quando pensava naquilo, só conseguia ver seus serenos olhos castanhos suplicantes, assim como seu cabelo dourado esvoaçante que parecia brilhar mais que o sol. De suas bochechas rosadas, respiração ofegante e pele arrepiada, antes de tomá-la serenamente para si. O toque de seus lábios era tão macio, que a sensação de pressioná-los contra os seus não saia de seu corpo.

Um beijo.

Provavelmente o primeiro beijo de Lucy. Pensamentos como esse que o impediram de tê-la ali mesmo, diante da imensidão do mundo, a amando com todo seu ser. Mas sabia que não podia, pelo menos ainda. Um único beijo nunca seria o suficiente, mas teve que ser naquele momento. Fora toda a perversão, de certa forma, ele queria que aquele momento ficasse guardado em suas memórias exatamente como havia sido: Puro.

Esperava que para Lucy tenha sido tão especial quanto foi para ele.

Ela mantinha um sorriso tímido no rosto enquanto voltavam, e pode-se dizer que ele não estava diferente. Se estar com Lucy já era o suficiente para que ele parecesse um idiota, imagine agora depois que se beijaram. Natsu tentava, com todas as suas forças, inibir aquele sorriso enorme que dava a cada segundo que se lembrava, evidentemente em vão. E como se não bastasse, os idiotas não paravam de jogar indiretas aos dois, o que só constrangia ainda mais a pobre Lucy.

Quando chegaram de volta ao apartamento, Natsu quis mandar todo mundo ir embora, mas antes que pudesse fazer algo, já estavam instalados e brigando para usar o banheiro. De novo.

– Da outra vez você foi primeiro, seu ogro! – Gray protestou. – Não é justo.

Gajeel riu.

– O mundo é dos vencedores, meu caro.

– Enquanto vocês brigam – Erza se pronuncia guardando as coisas do piquenique. –, o Jellal já entrou no banheiro.

– Ei! – Protestam os dois, batendo na porta.

– O mundo é dos vencedores, meus caros amigos. – Zomba o azulado lá de dentro.

Lucy vê os dois brigando no corredor.

– É sempre assim? – Pergunta, risonha.

– Nem sempre. – Diz Juvia indo até Erza.

– Na verdade é pior. – Responde Natsu, revirando os olhos. Em seguida se lembra de uma coisa e engole em seco. – Sobre dormir, eu acho melhor...

Sua fala é interrompida por um tapa “acidental” nas costas.

– Caralho! – Xinga, quase sem fôlego. Se vira para ver quem foi e se depara com Levy. – Mas que porra...

– Ah, foi sem querer, eu tropecei. Vem cá dar um abraço de desculpas.

Natsu fica pasmo quando ela o abraça bruscamente e sussurra em seu ouvido.

– Se você magoar ela, não só eu, mas Erza também te capa. Entendeu?

Ele não disse nada, apenas olhou para cara deslavada da baixinha que o encarava quando se separaram. Um Bob já não foi suficiente?

– Melhorou a dor? – Perguntou com um sorriso.

– Sim...

– Que bom, tchau.

– A Levy é engraçada. – Lucy riu quando ficaram sozinhos de novo. – O que você queria me falar? Sabe, eu nem sei como dizer isso, mas... – Ela comprimiu os lábios e abaixou a cabeça, na tentativa de esconder o rubor. – Estou ansiosa por hoje noite.

Natsu não soube o que pensar. Lucy queria passar aquela noite com ele também, mas aquilo estava mais parecendo um combinado para uma noite de sexo. Com toda certeza do mundo era o que ele queria, mas não sabia se era o que Lucy pensava. E se a resposta for sim, muito provavelmente ela não tem noção do quão importante isso é, e se estaria mesmo disposta a perder a virgindade com um cara que ela acabou de conhecer.

Levy tinha razão. Não podia magoá-la, nunca se perdoaria por isso. Mas com o que a magoaria? Natsu não sabia, mas tinha medo dessa possibilidade. Só que, no final das contas, o que estava tentando mesmo era não se magoar. Os dois sabiam que ela teria que ir embora uma hora, talvez para nunca mais voltar. Ambos são de universos diferentes demais agora, e todos sabiam o quão tradicional e superprotetor era o senhor Heartfilia. Fazer amor com Lucy só faria a partida ser mais dolorosa para ambos. Mas, em contrapartida, esse não seria justamente o motivo pelo qual deveriam fazê-lo? Aproveitar o máximo o que sentiam enquanto podiam?

Era isso que se perguntava, também. Entretanto, as coisas envolviam muito mais contras do que ele imaginava.

– Natsu? Está me ouvindo?

Ele voltou a si quando Lucy segurou sua mão. Então ele subitamente sentiu uma vontade avassaladora de abraçá-la, e o fez.

– O que houve? Está tudo bem?

– Não houve nada. Eu também mal posso esperar.

A acolhendo em seus braços, decidiu não dar espaço para pensamentos, que só geravam a duvida e a hesitação. Decidiu que faria o que seu coração mandasse, desde que isso fosse o que o dela também quisesse.

O resto da noite foi de total bagunça do grupo, que conversou e brincou até quase meia-noite, onde acabaram sendo vencidos pelo cansaço e dormindo amontoados no chão. Os únicos acordados eram ele e Lucy, eufóricos e envergonhados demais para o tão esperado momento a sós. De camiseta e calça de pijamas, Natsu estava inquieto em sua cama de casal, esperando Lucy voltar do banho.

Pela primeira vez na vida, não sabia se comportar em frente a uma mulher. Mas não era qualquer mulher, era a Lucy. A Lucy, cara. Ela era diferente. Não podia simplesmente chegar e fazer qualquer besteira. Não sabia se lia enquanto esperava , olhava pro teto, contava quantas manchinhas redondas de mofo tinha no papel de parede, ou se jogava da janela. A única coisa que ele fez foi congelar quando viu a porta se abrir.

Lucy entrou no quarto escuro de modo tímido, com a cabeça baixa e passos cautelosos. Quando ela fechou a porta com a chave e se encostou a ela, entrou quase em pânico. Caraca, ele parecia uma marica, com medo por estar trancado com a garota mais linda que já conheceu na vida e...

Que vestia um pijama que enlouqueceria qualquer homem que visse. Não, aquilo não era um pijama! Era uma roupa dos diabos que parecia atiçar cada célula do seu corpo, gritando: sexosexosexosexosexo.

Mas o que sentia não era apenas isso. Era uma mistura de medo, desejo, carinho, anseio... Amor. Retesou os músculos com aquela visão. O vestido rendado cobria apenas os seios com um forro interno, por que todo o resto era completamente transparente. O contraste do rosa com sua pele leitosa deixou o conjunto perfeito em seu corpo. Para azar de Natsu, ela vestia um short por baixo, mas o negócio parecia mais uma calcinha de tão curto. E no momento, ele só conseguia focalizar sua barriga lisa atrás do tecido. Seu corpo esquentou tanto que quase começou a suar, e agradeceu mentalmente por estar com uma calça de tecido mais grosso.

Parou de pensar em si mesmo e resolveu agir. Não sabia quantos minutos fazia que ela estava ali, parada na porta. Mas com certeza era por vergonha, ou talvez até medo. Não queria que ela sentisse isso por ele, por isso respirou fundo e se levantou, ficando de frente a ela.

– Lucy.

Ela se sobressaltou com isso, mas não levantou o olhar. Quando Natsu segurou seu queixo, notou que ela estava quase chorando.

– Hey, hey. Por que está assim?

– Eu... Não sei. – Desviou o olhar. – Eu só...

– Lucy. – Chamou sua atenção mais uma vez. – Nós não vamos fazer nada demais. Pelo menos nada que você não queira fazer. Quando disse que queria dormir com você, não foi nesse sentido.

E não foi mesmo. Mas também seria hipocrisia dizer que não queria aquilo.

– Não é disso que tenho medo. – As lágrimas finalmente escorreram de seus olhos. – Acho que é de que tudo possa acabar no minuto seguinte. Que eu seja levada embora pra longe de você e tudo que reste sejam as lembranças e a saudade.

Natsu sorriu ao enxugar suas lágrimas.

– Então apenas precisamos criar o máximo de memórias possíveis, não?

– Sim!

A levou até a cama, onde ele se sentou e retirou as cobertas convidando-a a deitar para dormirem abraçados. Sim, isso seria suficiente.

Porém, Lucy se pronunciou.

– Natsu. – O chama, segurando seu braço.

– Oi.

– Eu quero que você me beije.

Ele arregalou os olhos. O quê? Aquilo não era o que esperava ouvir. Engoliu em seco.

Lucy...

– Por favor. O que aconteceu hoje foi muito especial, mas... Dessa vez eu quero um beijo de verdade.

Quando ela segurou sua camisa e o olhou nos olhos, Natsu se sentiu tremer. Não sabia se era medo ou desejo, talvez os dois. Mas um dos motivos de não tê-la beijado como deveria, ou queria, era justamente por isso. Uma coisa mais intensa desse tipo poderia desencadear atos que provavelmente a assustaria e depois se arrependeria amargamente por isso.

– Natsu. – Ela voltou a falar quando percebeu que ele estava distante. – Eu não tenho medo de você. Na verdade – Se aconchegou entra suas pernas, quase sentando em seu colo, aproximando-se do seu rosto. –, é totalmente o contrário.

Manteve-se de olhos arregalados quando ela fechou olhos, esperando que ele a beijasse. Seu coração batia tão forte quanto nunca pensou antes que poderia bater por alguém. Por uma mulher. Naquele momento, não quis mais pensar no que poderia ou não acontecer. Ambos queriam aquilo com todo seu coração. Por isso a segurou pela nuca e tomou para si.

Sabia que a inexperiência de Lucy o limitava em ser cauteloso, mas isso era favorecido naquela situação, pois não queria ir depressa demais, mesmo sabendo que o seu tempo juntos era curto. Ela abriu timidamente os lábios, permitindo que suas línguas se encontrassem. Natsu quase gemeu com isso, deleitando-se ao momento. O beijo foi ficando mais intenso a cada segundo, o que possibilitou outros tipos de contato. Lucy ergueu os braços e rodeou seu pescoço, o que fez com que ele a puxasse para ainda mais perto. Quando suas delicadas mãos puxaram de leve os fios de sua nuca, ele quase perdeu o controle, fazendo mais que apenas acariciar seu pescoço. A segurou pela cintura e a colocou em seu colo com facilidade, dessa vez encaixados de frente um para outro. Aquela posição aguçou todos os sentidos do seu corpo, endurecendo mais ainda seu sexo ao mesmo tempo em que amolecia seu coração.

Sentiu os seios fartos através do tecido fino, com os mamilos agora endurecidos pela excitação crescente que ela também parecia sentir. E foi quando ela se mexeu.

Lucy subiu involuntariamente seus quadris, gemendo em sua boca, roçando suas intimidades através das roupas que agora se tornaram incômodas. Sentiu seus dedos delicados por baixo de sua camisa e não hesitou e ajudá-la a retirar. Mesmo que ainda vestida, a sensação de seus seios em seu peito nu era ainda mais enlouquecedora. Não foi preciso muito tempo para que ele fosse à loucura. Não aguentando mais aquela posição estupidamente excitante, porém limitada, a deitou na cama com certa urgência, se desprendendo de seus lábios. Ao olhá-la nos olhos, percebeu que ela não estava assustada nem com vergonha. Apenas igualmente excitada, com o rosto vermelho, o corpo quente e entregue. Assim como ele.

– Lucy. – Sussurrou em seu pescoço, onde descansava a cabeça e ofegava lentamente. – Eu...

– Por favor, não para. – Ela respondeu do mesmo modo, puxando seu cabelo de leve. Ele beijou seu pescoço e ela estremeceu. – Por favor.

Natsu continuou trilhando sua pele com beijos quentes, descendo para clavícula, entre seus seios e, finalmente, a barriga. Levantou o tecido rendando, encontrando a pele lisa e perfeita, que agora subia e descia conforme sua respiração acelerada. Quando a beijou um pouco acima de seu umbigo, ela se contraiu e murmurou algo incompreensível. Desceu mais um pouco e beijou a base de sua barriga, com as mãos ao redor de seu quadril, onde desceu um pouco o cós de seu short.

Foi aí que ele parou.

Mordeu os lábios, respirou fundo e se sentou novamente. Lucy abriu os olhos e o olhou confusa, mas ele apenas sorriu e acariciou seu rosto. Ainda não era hora. Ele sentia isso, uma coisa estranha lá dentro o dizia que haveria uma hora mais propicia. Onde estariam completamente cientes de seus sentimentos e também completamente sozinhos.

– O que houve? – Ela perguntou com a voz baixa.

Ele simplesmente deitou ao seu lado e os cobriu com o cobertor.

– Isso é o suficiente para mim agora.

Lucy pensou por alguns instantes. Então corou, sorriu e se aconchegou em seu peito.

– Obrigada.

Ele não respondeu, apenas sorriu mais uma vez ao acariciar seu cabelo, a puxando para mais um beijo, dessa vez calmo e sereno.

– Lucy?

– Hm? – indagou já sonolenta aninhada a seu corpo.

Ele ponderou por alguns instantes. Porém, mais uma vez, aquelas três palavrinhas ficaram apenas em sua cabeça.

– Nada. – Acabou dizendo. – Boa noite.

– Boa noite, Natsu. – Ela respondeu e em seguida ele pode jurar que ela sorriu e sussurrou baixinho: – Eu também te amo.

Mas quando olhou para seu rosto, ela já estava em sono profundo.

Notas finais
E então, que acharam? No próximo capítulo vai surgir um mistério que a balará a paz do nosso casalzinho. Tá muio perfeito, não acham? :v Por favor, comentem para eu tão saber que cês aí! E EU TÔ MUITO INSEGURA DEPOIS DE QUASE UM ANO SEM POSTAR AQUI, MDS Ç.Ç Beijos e até o/