Tempo Ao Tempo

4 Capítulo 3 – Uma noite agitada.


Notas iniciais
Gente, mais de mês depois eu estou de volta. E eu dizendo que não ia demorar... Sei que tem gente que fica chateada, mas vocês têm que ver que ando muito ocupada (sem ironias) e também tem que existir a disponibilidade do Vitor. ~ Quero agradecer a todos os comentários e favoritos, quem será que nos dará a primeira recomendação? *u* ~ Fantasminhas, apareçam sim? Eu amo todos vocês. Bom, o capítulo está particularmente engraçado (novidade u3u), so enjoy!! Romance surgindo no ar, acho que no próximo vocês vão pirar, se o Vitor deixar eu fazer o que estou pensando S2 Eu sempre faço de tudo para postar rápido gente e sempre digo que vou fazer isso. Obviamente vocês nem acreditam mais nas minhas promessas, mas eu preciso dizer e tentar mesmo assim! Dependendo dos meus planejamentos, o próximo vai sair rapidinho. Boa leitura!!

Lucy sabia que estava fazendo a maior loucura de sua vida, mas a sensação de liberdade que estava sentindo era impagável. O rosado ainda segurava sua mão enquanto corriam pelas ruas em direção a algum lugar. Seu toque era quente e firme, e ela sentiu suas bochechas esquentarem assim como seu coração passou a bater mais rápido. Óbvio que não tinha absolutamente nenhuma experiência com garotos, mas ela teve certeza de que ele a fazia se sentir estranha de um jeito bom, a cada vez que seu coração se derretia quando seus olhares se encontravam. Não sabia se ele sentia o mesmo, mas isso era uma coisa que nunca poderia ler em suas ações. Era um garoto fechado, a tratava com educação, mas ainda assim existia certa irritação e desdém em suas atitudes. Talvez fosse sua personalidade, porém ela realmente não se importava com isso, pois o encanto por ele surgiu no exato momento em que o olhou dentro dos olhos.

Havia passado alguns poucos minutos desde que estavam correndo como balas pelas ruas, com o vento frio da noite batendo em ambos. Sentiu-se um pouco gelada, afinal suas roupas estavam um pouco mais curtas que o normal, mas a mão dele a esquentava em vários aspectos.

– Vamos. – ele a chamou para atravessarem a rua.

Lucy apenas assentiu, respirando mais rápido para recuperar o fôlego. Quando chegaram a calçada do outro lado, as luzes de neon encandearam em seus olhos. Olhou para cima encontrando um enorme letreiro colorido com o nome “Jonx”. As paredes da construção eram todas espelhadas e ela pode perceber seus cabelos emaranhados junto com os fios rosados do garoto que ainda segurava sua mão, e parecia procurar algo com o olhar. O lugar aparentava ser uma espécie de casa de shows, pois do lado de fora podia-se ouvir o som alto que fazia o chão vibrar. Havia várias pessoas numa fila enorme que rodeava a boate, todas com roupas escuras ou brilhantes, com jeitos descolados e rebeldes. Lucy se sentiu animada para entrar naquele lugar, mas não sabia por que ele havia a levado até ali.

– Vamos entrar pela lateral, para a outra sessão daqui. Aí é a discoteca. – avisou ele depois de um tempo. Pareceu perceber que ainda segurava a mão de Lucy, já que ficou constrangido e a soltou com se o toque queimasse. Ela ficou um pouco triste, mas logo se estapeou mentalmente dizendo que acabara de conhecê-lo e não era como se fossem se casar e ter filhos só por causa daquilo. Mas sua mão era tão quente...

– Você não vem? – ele perguntou meio que bufando, abaixando as sobrancelhas num olhar entediado. Ele ficava tão... atraente com aquela expressão.

Suas bochechas esquentaram um pouco e ela balançou a cabeça para espantar os pensamentos indecentes. O que estava acontecendo com ela, afinal?

Ela o seguiu pela entrada lateral que chegava a um beco e em seguida a uma escada subterrânea. Lucy sentia o som de cima ficar mais abafado a cada degrau que descia. Logo se encontravam num túnel bem abaixo do nível da rua, com uma única porta vermelha aveludada no centro da parede de mármore negro. Ele bateu na porta que logo em seguida se abriu revelando um homem mais ou menos do mesmo biótipo de Capricórnio, só que ele não usava óculos escuros e era mais musculoso. Lucy se escondeu atrás dele se sentindo intimidada, e pode senti-lo tremer um pouco quando ela agarrou sua camiseta.

Sem diálogo, o homem com um olhar brigão apontou com o queixo para eles, como se perguntasse “O que é?”. O rosado respondeu prontamente, nem um pouco acanhando com o clima de tensão:

– Vim para o Show principal – porém ele não parecia muito animado ao dizer isso, se bem que ele falava assim com qualquer coisa, mas agora Lucy pode sentir o tom de extremo desânimo em sua voz.

– Mas e ela? – se pronunciou o segurança com sua voz grave, se referindo a Lucy que o olhava por cima do ombro do rosado.

Ele virou a cabeça para olhá-la pelo canto do olho e ela quase teve certeza de que ele iria sorrir, mas acabou com todas as esperanças da garota ao estalar a língua e voltar a sua costumeira entoação enjoada.

– Ela... Está comigo.

O segurança pareceu ponderar um pouco, mas logo abriu mais a porta dando passagem para entrarem. Lucy sentiu que o garoto estava um pouco incomodado com sua aproximação insistente, na verdade ela estava quase entrando dentro dele. Limpou a garganta e se pôs ao seu lado, porém ainda próxima. Parando para olhar ao redor, percebeu que estavam numa espécie de ante-sala, com um pequeno bar e uma área com poltronas em forma de círculo, com uma mesa de centro no meio. A luz levemente amarelada estava tênue, mas pode ver que era um ambiente elegante com a decoração em tons de vermelho e preto, contendo espelhos em vários lugares estratégicos. Quando ia perguntar por que estavam ali, viu um homem musculoso e grande passar num vulto amarelo por ela, quase derrubando o rosado quando o empurrou. Lucy soltou um mini gritinho e se encolheu.

– Porra cara, onde você se meteu, seu dá o rabo? Está quase na hora, eu ia te caçar no inferno se você não chegasse! – o loiro exclama ameaçadoramente para o outro e Lucy só assistia perplexa. Ele parecia estar com raiva e a cicatriz em forma de raio que ele tinha no rosto o tornava mais assustador.

– Vai te fuder. – diz Natsu mais irritado que o normal – Eu tive uns imprevistos aí, mas não cheguei? Então para de grasnar como uma galinha.

Antes que pudessem continuar com a troca de elogios – só que não – Lucy os interrompeu automaticamente:

– Quem grasna é pato, a galinha cacareja. – os corrigiu, se arrependendo logo em seguida.

Os dois a olharam incrédulos e então o loiro se inclinou para gargalhar, porém o rosado ainda a olhava com uma expressão indecifrável. Lucy começou a se envergonhar ainda mais quando até o segurança começou a rir, e ela teve vontade de bater sua cabeça contra a parede. Mas puxa! Foi incontrolável, as palavras saíram sem pensar e... puff! Já havia falado! Por que ela não podia ser menos idiota?

– Eu... adorei essa garota! – diz o loiro se apoiando no ombro de Lucy para se recuperar das risadas. A coitada apenas sorriu sem graça – Sou o Laxus, um dos únicos que tolera esse idiota – se referiu ao outro que apenas bufou em resposta – Prazer em conhecê-la! – pegou sua mão beijando-a galantemente. Ele era legal no final das contas.

– Sou L-Lucy – disse timidamente recebendo um sorriso em resposta. Malicioso até demais...

– Mas cara, você ein? – abraçou o amigo pelo pescoço, com os olhos estreitados em travessura – Aí dizendo que não queria ninguém e agora me aparece com uma gata dessas!

Lucy não pode deixar de corar com o elogio. Já o outro, furioso, empurrou Laxus e revirou os olhos.

– É uma história muita longa, não tenho tempo para isso agora – desdenhou com as mãos e depois se aproximou dela – Eu prometi que iria ajudá-la por isso ela vai ter que me esperar até termos terminando essa por... – ponderou ao falar palavrão na frente de Lucy, se bem que foi inevitável a alguns segundos atrás. – ...caria de trabalho.

Laxus, que só agora pareceu perceber a falta de calçados nos pés delicados de Lucy, arregalou os olhos seguindo uma linha de raciocínio:

– Cara, ela não é....?

– Claro que não! – proferiu o rosado antes que ele terminasse a frase, se irritando com tamanha estupidez do amigo. Ele achava que Lucy era uma prostituta. Ah, mas ele sabia que não, e que ela tinha mais dinheiro do que poderiam imaginar, só era meio maluca e retardada, considerando as circunstâncias que a levaram até ali.

– Ah, claro. Ela é bonita e inteligente demais para ser uma. – Laxus sorriu.

Lucy não estava entendendo nada com nada, talvez fosse uma piada interna entre amigos ou algo assim. Ou talvez não, já que ela era meio lenta.

– Bom, então vamos para o camarim. – disse o loiro os guiando por um corredor. Lucy ainda estava curiosa pelo o que eles fariam ali, mas tinha vergonha de perguntar.

– Hey, agora deu para andar seminu por aí? – disse o rosado, referindo-se ao roupão branco que o amigo usava.

Laxus apenas sorriu.

– Já estou pronto para estrear por baixo desse pano.

Ele fez cara de nojo.

– Imagino a merda que você está usando aí por baixo.

– Já, já estaremos no mesmo barco, meu amigo.

– Eu mereço.

Quando Laxus abriu uma porta lateral, Lucy sentiu todo seu corpo ficar vermelho gradativamente. Dentro do camarim havia vários homens de cueca e alguns vestindo fantasias eróticas. Ai meu Kami. Os homens a olharam com leões e o rosado pareceu bem surpreso, e empurrou Lucy para o lado, tampando a visão com seu corpo.

– Você enlouqueceu cara, estamos com ela aqui! – exclamou fechando a porta.

Lucy colocou as mãos frias no rosto na tentativa de fazer suas bochechas voltarem a temperatura normal. Nunca tinha visto, pessoalmente, homens com aquele tipo de vestimenta – ou sem ela. Laxus apenas coçou a nuca e fez cara de demente.

– Eita, foi mal mesmo.

Lucy balançou a cabeça afirmando que estava tudo bem, mas a imagem não saia de sua cabeça fazendo-a ficar mais vermelha a cada segundo. E como um presente para dispersar o seu constrangimento, e a raiva do rosado, que estava prestes a discutir com o loiro, uma figura um tanto quanto saltitante e alegre surgiu no meio deles.

– Oh, Laxus-kun, seu amigo chegou! – exclamou ele juntando as mãos e as colocando como apoio para a bochecha.

Lucy segurou o riso quando o olhou, quase não se aguentando mais ainda para a face totalmente perplexa e de nojo (?) do rosado. O home era careca e gordo, usava roupas femininas com direito até a batom e cílios postiços. Sua voz era mais afeminada que a de Lucy e a maior comprovação de que ele era gay era o modo como ele olhava o rosado. Seus olhos brilhavam apaixonados.

Nyah! Acho melhor você se aprontar logo querido, o show já vai começar.

O rosado ignorou tudo e puxou Laxus pelo pescoço, fazendo uma parede de costas para os outros dois enquanto cochichavam:

– Que porra é essa?

– Ah, cara. Ele quem contratou agente. – Laxus riu da cara que ele fez.

– Velho, eu não vou deixar essas porras comerem meu rabo.

– Não, irmão. Relaxa, vamos nos apresentar para mulheres, é uma despedida de solteira.

Lucy só observava os dois perplexa, será que eles não viam que dava para ouvir tudo nitidamente? Bateu na própria testa quando os viu se virar e fingir que nada tinha acontecido, mas o estranho senhor purpurina parecia não ligar.

– Vamos, rosadinho.Tenho algo perfeito para você.

Ele engoliu em seco tentando sorrir falsamente, mas nem isso conseguiu. Laxus foi entrando no camarim – dessa vez tomando cuidado para não escancarar tanto a porta e Lucy teve que se controlar para não se esticar e espiar – e o outro se deteve antes de seguir o amigo.

– Er... senhor...?

– Pode me chamar de Bob, querido! – se apresentou alegremente e Lucy pode vê-lo se arrepiar um pouco, deu uma risadinha. Estava claro que ele havia gostado dele, gostado até demais se é que entendem.

– Poderia cuidar dela, por favor? – perguntou apontando para a loira, que abaixou a cabeça em constrangimento.

– Oh, mas é claro que sim, lindinho – foi o empurrando camarim a dentro, com aquele jeito simpático e alegre, o que era irritante na percepção do garoto.

– Eu volto de... – foi interrompido por Bob que fechou a porta.

Ele se virou para ela, batendo as mãos animadamente.

– Qual o seu nome querida?

– Lucy, senhor. – sorriu.

– Ah, me chame de Bob, amor. Então, você é a namorada dele?

Ela corou.

– Na-ão, eu...

Bob pareceu desapontado.

– Oh, mas que pena. Vocês ficam tão lindos juntos – falou sonhadoramente, e ela nada respondeu. – Mas depois damos um jeito nisso, vamos... AI, POR AFRODITE! – Gritou ele de repente, tampando a boca horrorizado, fazendo-a dar um pequeno salto pelo susto.

– O-o quê?

– O que aconteceu com você, minha querida? – ele não a deixou responder – Seus pés estão machucados, seu cabelo está todo despenteado – passou a mãos pelos fios loiros – Oh, não. Vamos, venha comigo. Vamos dar um jeito em você.

Lucy se deixou ser arrastada até outra porta, que se revelou ser um camarim enorme com vários cabides de roupas e fantasias, dessa vez femininas. As penteadeiras eram bem iluminadas e coloridas, com vários tipos de maquiagens organizadas em cima.

– Seu vestido não está ruim, precisamos só ajeitar seu cabelo e te calçar e... Ah, não vamos nos esquecer da maquiagem!

– Bob-san, não precisa disso...

– Oh, querida! Não tenha vergonha – a interrompeu, empurrando-a para frente de uma das prateleiras de sapatos. – Vamos, pode escolher qual você quiser.

Ela olhava curiosa para os sapatos de salto gigantes que estavam a sua frente, já ficando um pouco desanimada por que já usara salto demais em sua vida, e ela estava realmente cansada para isso. Mas aquele senhor estava sendo tão gentil com ela, seria uma desfeita recusar. Pôs o dedo no queixo enquanto analisava os sapatos, até que botou os olhos em um e sorriu pegando o par. Eram cravejados em pedras brilhantes.

– Esse.

– Ótima escolha querida – sorriu – Agora sente ali! – apontou para uma das penteadeiras e logo Lucy o fez.

Bob pegou uma escova e passou a pentear os cabelos de Lucy.

– Geralmente aqui é cheio de garotas da sua idade – começou a comentar – Mas o show hoje são apenas dos garotos, então demos uma folga a elas.

Agora tudo fazia sentido para Lucy. Ela era realmente muito lenta mesmo, como não havia entendido que o rosado e Laxus iriam se apresentar naquela boate, e por isso entraram no camarim com aqueles outros caras? De repente saber que poderia ver o garoto que a salvou seminu a deixou um pouco sem ar e já ficou rubra antecipadamente. Será que ele sempre teve aquele tipo de trabalho? Não que Lucy o julgasse, mas não sabia quase nada sobre ele. E agora que ela veio perceber que não sabia seu nome, e nem ele havia se apresentado. Mas que maravilha, estava confiando num homem que nem sabia quem era. Porém isso era algo irrelevante, pois seu coração dizia que ele era totalmente confiável.

Perdida em devaneios, nem percebeu quando Bob havia terminado de pentear seu cabelo.

– Pronto querida, agora vamos para alguns acessórios.

Ele abriu uma gaveta onde continha uma pilha de jóias, mas logo Lucy percebeu que eram falsas, porém muito bonitas. Ele escolheu apenas um maxicolar para ela, do mesmo material que seu sapato. Lucy levantou os cabelos para ele colocar a peça em seu pescoço e gostou do resultado do brilho em seu colo.

– Você é tão linda, querida – disse ele baixinho, segurando seu rosto por trás a fazendo olhar para o próprio reflexo. – Eu não vou estragar essa beleza natural com maquiagens, por isso usarei apenas um batom.

Ela sorriu agradecia e deixou que ele o fizesse, quando terminou olhou o destaque que seus lábios vermelhos faziam em contraste com sua pele alva, gostando mesmo estranhando um pouco. Não costumava usar batons escuros, especialmente vermelhos. Mas hoje ela estava ali para quebrar todas as regras.

– Pronto, magnífica! – exclamou alegremente, enquanto Lucy girava o corpo para entrar no clima. – Agora, venha comigo.

Não andaram muito até chegar a uma porta dupla, a prova de sons. Bob segurou sua mão e logo eles entraram no salão. Era um lugar enorme iluminado apenas por aquelas luzes de neon que existem em discotecas. Havia mesas e cadeiras vermelhas altas, típicas de boates, mas também sofás enormes e algumas poltronas espalhadas nos cantos do lugar, e o local já estava cheio de mulheres com roupas despojadas, porém elegantes. De frente para essa área tinha um enorme palco, que por sinal estava com as cortinas vermelhas fechadas. Sentiu-se nervosa ao imaginar que ele sairia dali, vestido sabe-se lá como. Achou que seu coração não iria aguentar.

Bob a deixou no enorme bar lateral e ela logo tratou de sentar em uma das baquetas.

– Eu vou deixá-la aqui, para apreciar o show – sorriu para ela. Depois se dirigiu ao barman – Igor, quero que a trate devidamente, dê qualquer coisa que ela quiser. Ela é minha convidada hoje.

O barman de claríssimos cabelos azuis sorriu para ela e logo voltou a preparar seus drinks. Bob se despediu a deixando sozinha. Curiosa, tornou a olhar para as mulheres que aguardavam o show, percebendo que pertenciam a alta sociedade. Poxa, não sabia se ficava em choque ou se escondia em algum canto. Alguém que a conhecia poderia vê-la e todo o seu plano de ser livre iria por água a baixo. Mas também não pode deixar de rir um pouco com aquilo, afinal a maioria daquelas mulheres eram bem recatadas e comprometidas, mas agora estavam ali esperando ver homens quase pelados. Decidiu que se ficasse quietinha na penumbra ninguém a veria, por isso se virou de frente para o balcão.

– Er... Com licença. – chamou timidamente o barman, que parou de enxugar alguns copos para respondê-la. – Poderia me dar um copo d’água?

Lucy ficou ainda mais envergonhada quando o viu dando uma risada gostosa, com certeza era raro alguém lhe pedir algo que não tenha álcool.

– Por que não experimenta alguma coisa bem fraquinha, prometo que vai gostar!

Lucy ponderou um pouco, nunca tinha ingerido álcool na vida, e bombons de licor não contavam. Acenou que sim e decidiu se arriscar, hoje ela estava se permitindo a fazer algumas loucuras. Depois de bater vários ingredientes naquele copinho e ainda fazer algumas manobras com a bebida a fazendo rir, ele colocou num copo colorido um líquido espesso e levemente avermelhado.

– Vamos, prove! – incentivou e logo ela pôs o canudinho nos lábios, ainda receosa.

Primeiro veio um gosto doce de leite condensado, em seguida morangos e por último o leve queimor do álcool. Era uma delícia e bem fraquinho, como ele havia dito.

– É muito bom, obrigada.

Ele piscou um olho para ela.

– De nada, sabia que iria gostar. Qualquer coisa é só me chamar.

Lucy continuou tomando aquela coisa maravilhosa como uma criança e nem percebeu quando uma mulher se sentou no banco ao lado.

– Um Martini, por favor. – fez o pedido, fazendo Lucy olhá-la.

Era uma mulher elegante, com um vestido negro de alças grossas, mas um pouco curto demais. Sua pele era bem pálida e logo ela viu que seus cabelos eram prateados. Era uma albina bonita com olhos de um azul intenso e lábios pintados de rosa. Ela sorriu para Lucy quando a notou observando-a.

– Olá, querida. Sou Mirajane. – entendeu a mão para ela e se cumprimentaram.

– Lucy.

A loira lembrava vagamente desse nome, mas seu sobrenome não lhe vinha a cabeça, pois se soubesse lembraria a qual família pertencia. Os sobrenomes na alta sociedade eram como lendas e assim que pronunciados até os menos favorecidos sabiam de quem se tratavam. E também, sua figura não lhe era estranha, mas Lucy não conseguiu lembrar-se de onde a conhecia.

– Espera aí, esse é meu vestido? – ela perguntou de repente, levemente surpresa.

Lucy demorou alguns segundos para entender ao que ela se referia, quase pulando da cadeira em seguida. Mas é claro, Mirajane Strauss, a famosa estilista! Era modelo e depois passou a se concentrar mais em suas criações, e era de sua coleção o vestido azul que usava. Ou o resto dele. Sentiu-se envergonhada pelo que tinha feito a peça, ela deve ter se sentido ofendida.

– Oh, eu... Eu não... – não sabia o que dizer.

Mas Mirajane apenas riu, fazendo-a ficar confusa.

– Ora, ora, deixe estar! Eu até gostei do que fez, muito melhor do que estava antes. Essa coleção não foi muito boa em minha concepção, pois tive que seguir as tendências de Londres para criá-la. Mas quer saber? Eu não gostei nem um pouco, ficaram todas mecânicas demais. Melhor assim.

Lucy sorriu, Mirajane era bem simpática no final das contas.

– Pode me chamar de Mira... Mas eu acho que te conheço de algum lugar...

A loira congelou. Droga, droga. Sabia que isso iria acontecer! Deu um sorriso sem graça, já se preparando para despistá-la e sair correndo dali, ou seria seu fim. Porém Mira foi mais rápida.

– Ah, Lucy Heartphilia, como poderia esquecer? – sorriu graciosa, abraçando a loira – Uma vez quando éramos mais novas fizemos uma sessão de fotos juntas para uma campanha da publicidade, mas acho que não se recorda.

– Claro que lembro! – lembrava nada! Mas mesmo assim ela sorriu de volta, estava tensa demais para prolongar uma conversa.

– Mas seu pai sabe que está aqui? – fez a pergunta que Lucy não queria ouvir. E pela cara que a loira fez, Mira entendeu tudo – Ah, tudo bem, querida! Veio escondida, né? Pode deixar, eu não vou contar a ninguém, já fiz isso tantas vezes que já perdi a conta!

– Obrigada.

Mira pegou sua bebida no balcão no mesmo instante em que a luzes se apagaram ainda mais, deixando em destaque apenas o palco. Uma música sensual começou a tocar.

– O show vai começar,vamos ver! – arrastou Lucy para frente do palco, onde sentaram à mesa.

As mulheres já começavam a gritar e a assobiar loucamente, e Mira estava tão animada quanto as outras. Lucy sentiu suas mãos suarem, daqui a alguns segundos veriam homens em trajes inapropriados, seu pai a mataria se soubesse disso. Mas estava mesmo ansiosa para ver o garoto de cabelos róseos por quem adquiriu uma mini paixão à primeira vista. Se ele era bonito com roupa, imagine sem? Lucy passou a se abanar com mãos, seu corpo estava quente.

Quando finalmente as cortinas se abriram, as mulheres quase foram a loucura e até Mira ficou de pé gritando loucamente. Os homens fantasiados surgiram em seu campo de visão, se balançando com aquele jeito erótico, porém ainda masculino. Se já estava vermelha, agora havia ficado roxa. Os garotos tinham corpos impecáveis, com os músculos do peito malhados, barriga de tanquinho e coxas grossas. O primeiro que viu foi Laxus, ele era enorme e estava vestido de policial. As mulheres gritavam por eles, colocando notas altas em suas cuecas e acariciando seus músculos. Quando olhou para lado viu que Mira havia sumido e já se encontrava ao lado do loiro com outras mulheres.

Os grupos foram se formando com cada garoto. Alguns continuavam dançando em cima do palco e outros foram para as mesas e sofás, com várias meninas ao seu redor. Procurou entre eles fios rosados, mas só percebeu que o garoto vestido de bombeiro – e que estava parado de braços cruzados – era ele quando olhou em seus olhos. Aquele olhos ela reconheceria em qualquer lugar, mas não era para eles que ela olhava agora. Sem dúvidas, para Lucy, ele era o mais bonito de todos os garotos presentes ali. Usava apenas uma cueca vermelha e o chapéu de bombeiro. Seu corpo era esguio, com os músculos sutis e bem definidos, nada muito exagerado. E aquele olhar misterioso, de quem não está nem aí? Lucy quase teve um ataque cardíaco! E aquela bunda extremamente redonda? Ela daria tudo para apalpá-la.

Suas orelhas estavam queimando de tão rubra que estava. Mas tudo se esfriou rapidamente quando um grupo de mulheres arrastou o rosado para um sofá, todas se aglomerando ao redor dele. Ela não gostou nada, nada daquilo. Espera aí... Estava com ciúmes?

***

Tudo o que Natsu pensava era que porcaria ele estava fazendo ali. Não acreditava que era ele mesmo, usando aquelas roupas ridículas e se deixando ser quase molestado por aquelas mulheres sem vergonha. Não havia achado Lucy por ali, era até melhor, pois não queria que ela o visse naquele estado. As garotas faziam milhares de perguntas a ele, como que perfume ele usava, ou quantos anos tinha e ele só respondia entediadamente com diálogos curtos, sendo ele mesmo. Mas elas pareciam gostar dele cada vez mais, não entendia o que se passava na cabeça delas. Talvez fossem masoquistas.

– Qual é o seu nome, querido? – perguntou uma delas, uma morena que quase o comia com olhos.

– Isso não interessa. – respondeu prontamente. As mulheres deram gritinhos histéricos, dizendo o quanto ele era misterioso e sensual. Pronto, agora ser grosso era sexy, todas as mulheres eram malucas no final das contas.

Estava largado de qualquer jeito no sofá, até que uma delas tentou passar a mão por sua cueca. Natsu a deteve, segurando seu pulso de modo firme.

– Aí não. – balançou a cabeça – Não tem permissão para me tocar.

As mulheres derreteram com aquilo, ele era tão difícil.

– Nem para colocar isso? – ela falou manhosamente, balançando nos dedos uma nota de cem dólares. Natsu não deu outra, estava ali para ganhar dinheiro mesmo, oras!

– Ai pode – concordou, abaixando um pouco da barra da cueca e mostrando os músculos abdominais que desciam em forma de “v” para sua pélvis, onde a garota colocou o dinheiro. Elas quase infartaram. Depois de muitas notas, Natsu decidiu dar mais liberdade a elas para o tocarem. Teve que se controlar para não ficar duro ali, pois de feia elas não tinham nada e as vezes exageravam nos toques. Ele as detinha nessas horas. Passaram bastante tempo ali, com elas conversando lorotas em seu ouvido. Velho, elas não cansavam não? Quando notou, tinha mais mulheres ao seu redor do que imaginava, e pelas suas contas o show estava quase por acabar, já tinha ficado muito tempo ali. Quando estava preparando sua deixa, Lucy surgiu no meio das mulheres, com uma cara maliciosa demais.

– Meninas, infelizmente ele agora vem comigo. – o puxou pelo braço, fazendo as garotas ficarem desapontadas. Mas logo foram atrás de outro garoto.

Chegaram a mesa que antes Lucy estava sentada e ele se assustou com a grande quantidade de copos vazios na mesa. Ela havia bebido aquilo tudo?

– Nyah! – se esfregou em seu peito como um gato e Natsu não pode evitar de ficar duro quando a bunda redonda e avantajada de Lucy encostou em seu sexo – Você ficou só com elas, nem ligou para mim.

Onde estava aquela menina extremamente tímida e recatada de algumas horas atrás? Aparentemente não existia mais.

– Lucy, você está bêbada! – disse a afastando de si, mas ela teimava em ficar perto dele.

– Não, eu quero dançar!

E como se fosse outra pessoa, Lucy começou a dançar se enroscado nele, fazendo passos sensuais até demais. Ela arranhou seu peitoral desnudo e foi rebolando até o chão no ritmo da música. Natsu suspirou para se controlar, afinal era homem e Lucy era muito bonita. Ele agarrou seu pulso antes que continuasse.

– Você não está bem, vamos sair daqui.

Lucy fez um bico e foi tomar mais um gole da bebida em sua mão, mas Natsu logo tratou de afastá-la do álcool. Aquilo era um perigo. Tratou de começar a procurar por Laxus, arrastando Lucy que ria escandalosamente de sabe-se lá o quê. Mas ela estivada estupidamente bêbada e se já era maluca, agora estava pior.

***

Mira tomou mais um gole de sua vodka, enquanto ainda flertava com Laxus, que estava sentado ao seu lado no sofá. As mulheres que estavam perto dele saíram assim que notaram o clima entre os dois. A noiva que iria se casar era conhecida da Mira e estava por aí bebendo todas. Ela queria aproveitar essa noite, quem sabe Laxus não daria a ela a diversão que procurava?

– Então, você é estilista? – Laxus perguntou retoricamente, depois que ela havia comentado sobre isso. Já estavam tão íntimos que a conversa já havia passado para o nível pessoal.

Ela sorriu.

– Sim, eu na verdade estou no último ano de Design de Moda, mas já trabalhava como modelo antes. Depois de um tempo percebi que queria vestir as pessoas e não ao contrário. Não foi difícil ganhar fama com minhas criações, pois já era conhecida no mercado. Mas e você, trabalha sempre com isso?

Laxus riu e Mira sentiu sua pele formigar com o delicioso som de sua risada. Sua voz era rouca e ela achou aquela cicatriz extremamente sexy. Ele tinha cara de ser selvagem na cama e isso a deixou bem mais animada.

– Na verdade isso aqui é mais para tiração de onda mesmo. Faço Engenharia Elétrica e esse é meu último ano. Cada um da turma arranjou alguma coisa escrota para arrecadar dinheiro.

– Entendo – assumiu uma feição divertida – Eu nem ia vir hoje, mas foi bom ter vindo.

– Posso saber por quê?

– Por que eu conheci você.

Mira não gostava de rodeios e era bem direta. Laxus sorriu malicioso:

– Digo o mesmo.

Ela colocou o copo vazio na mesa de centro assim que ele se levantou.

– Vamos sair daqui? Não posso nem ao menos beber alguma coisa enquanto estiver vestido desse jeito.

– Claro – aceitou sua mão estendida –, vamos para um lugar mais reservado.

Os dois foram andando para saída, mas antes que pudessem chegar lá, Natsu se atravessou por eles arrastando Lucy pelo braço, que mal se aguentava em pé e estava bem risonha.

– Cara, eu estou indo! – o rosado diz meio desesperado, apoiando Lucy em seu ombro para que não caísse.

– O que aconteceu com a Lucy? – Mira quem perguntou, fazendo os outros dois ficarem confusos.

– Você a conhece? – Natsu perguntou surpreso. Opa, isso poderia ser um problema.

Ela fez que sim.

– Conheço sim, para onde vai com ela?

Ele suspirou.

– Mira-chan! – Lucy desperta, indo em direção a albina e se segurando na mesma – Eu fugi de casa mesmo! Não aguentava mais aquela coisa toda – gesticulou fazendo uma careta. Sorriu em seguida: – E agora eu estou com ele, vamos nos casar e ter 27 filhos!!

Nastu se engasgou com o nada e Laxus se pôs a gargalhar. Mira riu um pouco e suspirou, entregando Lucy de volta para ele.

– Cuide bem dela. – pediu, mas ele continuou com a face preocupada – Não se preocupe, não vou contar nada a ninguém. Lucy tem que resolver seus próprios problemas, confio ela a você. Vocês são amigos, certo? – perguntou se referindo a Laxus e os dois assentiram – Pois bem, quero notícias dela, por isso Laxus depois dá o meu número para você.

– Tudo bem, valeu. – falou Natsu. Ele entendeu que Laxus estava prestes a traçar a albina ricaça, mas não sabia se era ao contrário, também. Certamente os dois estavam querendo a mesma coisa.

– Mais tarde apareço por lá, cuide bem da loirinha – Laxus disse, dando uma piscadela e sumindo com a albina, deixando Natsu sozinho com Lucy que estranhamente tinha começado a chorar.

– Por que você não diz nada? Você não quer casar comigo? – perguntou chorosa. Natsu ficou desesperado, a garota estava rindo e agora chorando, falando coisas sem nexo.

Por todos os deuses, ele estava ferrado.

Notas finais
Reviews?