Templo das Bacantes Vol. 2
28 Você é o meu sonho bom.
Notas iniciais

Santuário de Atena, 02:17am
Em um piscar de olhos Saga e Geisty surgiram em seu destino.
Animado o geminiano chamou pela esposa que em seu colo ainda se mantinha de olhos fechados com os braços em torno de seu pescoço.
— Pode abrir os olhos, amore mio, nós já chegamos! — ele disse num tom de voz baixo e radiante.
Assim que Geisty os abriu a primeira visão que teve foi do rosto de Saga. Olhou para ele sério e fixo, notando em seu semblante um ar de expectativa, e logo em seguida desviou a mirada para o redor com certa urgência constatando onde estavam.
— Mas, estamos no Santuário... E essa é... a sua casa. — disse surpresa e confusa enquanto olhava para a entrada do Terceiro Templo.
— Sim, estamos na entrada do Templo de Gêmeos. Eu sou o protetor deste lugar e essa é a minha casa por direito, porém agora que estamos casados é a sua casa também. Nossa casa! — disse Saga com um sorriso no rosto e o espírito agitado.
— Nossa... casa? — repetiu a amazona ainda incrédula.
— Sim!
— Mas, Saga... nós não...
— Shii... — fez o grego encostando seu nariz ao da italiana num gesto carinhoso, depois abriu um largo sorriso —... Isso não é tudo. Eu tenho uma surpresa para você.
— Uma surpresa? — ela lhe sorriu de volta, entregando-se aquele momento único — Quero ver!
Curiosa como sempre, Geisty tentou descer do colo do cavaleiro, mas este a conteve de pronto.
— Calma, calma, mocinha. — disse alegre com o entusiasmo dela — Eu faço questão de carrega-la enquanto te mostro a nossa nova casa. — deu um beijo estalado no rosto que lhe fitava ansioso.
Mais que depressa adentraram o Templo de Gêmeos e seguiram aos risos por um corredor de chão de calçamento de pedra. Estre compreendia a área de trânsito comum, que era por onde os demais cavaleiros de Ouro, servos e também soldados passavam, e todo o ambiente estava à meia luz.
Para a amazona nada parecia estar fora do normal naquele lugar, até Saga tomar à esquerda e entrar na parte residencial da Terceira Casa. A partir desse ponto a surpresa foi instantânea.
O primeiro cômodo de entrada era um pequeno hall, o qual ela já conhecia, afinal já estivera naquele lugar muitas vezes, porém agora ele se mostrava bem mais aconchegante.
Havia uma poltrona branca de dois lugares encostada à uma parede pintada de azul índigo e mais à sua frente uma pequena mesa redonda de centro, a qual estava enfeitada por um jarro de vidro com lindas rosas silvestres que espalhavam um aroma doce e agradável por todo o ambiente.
— Mandei fazer uma pequena modificação nesse hall para quando recebermos algum mensageiro do Santuário que seja preciso esperar, assim ele aguardará do lado de fora sem invadir a privacidade da parte residencial. — explicou o Santo de Gêmeos enquanto cruzava aquele espaço.
Enquanto era carregada Geisty olhava para tudo tão feliz quanto admirada, até que ao atravessarem um arco de pedra percebeu o som dos passos de Saga ganharem nova entoação, então olhou para baixo e notou a mudança do assoalho que agora era calçado por um tipo de taco lustroso.
Ao adentrarem no novo ambiente, Geisty ergueu o olhar e teve uma nova surpresa.
A ampla sala de estar que guardava vagamente em sua memória, e que sustentava uma aparência sóbria repleta de tons fechados, agora dava lugar a um ambiente bem mais descontraído, jovial, todo pintado e decorado em variados tons de azul, onde também predominava o branco e tons pastéis, muito bem iluminado e com cheirinho de madeira nova. Esse provavelmente vinha dos móveis embutidos nas paredes que continham toda a sorte de tecnologia áudio visual de ponta disponível no mercado. Estofados amplos e visivelmente confortáveis em tons claros davam um ar de conforto e aconchego, e a aparência rústica das paredes milenares tinha sido suavizada por belos quadros de cores amistosas.
Geisty olhava para tudo aquilo encantada, quando a voz do geminiano a tirou de seu momento contemplativo.
— E então, gostou das mudanças?
A amazona suspirou piscando os olhos e arqueando as sobrancelhas enquanto dava um largo sorriso.
— Sim! Muito! Eu adorei! — disse animada — Ficou linda a nova sala... Mas, por que você alterou a decoração toda?
— Porque... — Saga fez uma pausa pensando por uma fração de segundos se deveria dizer o real motivo daquela mudança toda, mas como havia prometido na cerimônia de sua união com Geisty que não haveria mais segredos entre eles decidiu-se por falar — Porque eu quero poder viver nesta casa com você e fazer dela o nosso lar, o nosso verdadeiro lar, para juntos criarmos nossos filhos e sermos felizes como os deuses assim nos permitirem, mas eu não conseguiria fazer isso tento a sombra do passado pairando ainda aqui.
Geisty assumiu um semblante mais sério, e acariciou ternamente o rosto do amado.
— Eu quis dar novos ares, uma nova cor a esse lugar. — Gêmeos continuou — Sem contar que era preciso adaptar a casa para receber a nova moradora e lhe proporcionar conforto, não é mesmo? Não apenas à nova moradora, mas também aos novos moradores que estão a caminho!
Geisty sorriu e beijou os lábios do geminiano com paixão e carinho. Em seu íntimo não podia negar que havia sido pega de surpresa, e por isso não conseguia calar o medo que ainda afligia seu coração.
A condição secreta de seu relacionamento com Saga ainda era um problema a ser enfrentado por eles, e que lhe causava constante preocupação.
— Saga... — ela disse interrompendo o beijo — Eu não sei dizer o quanto estou feliz e lisonjeada por esse seu gesto, esse... cuidado todo e esse carinho. Pelos deuses! Eu jamais imaginei poder ter uma casa toda planejada para a nossa família, pelo menos não agora... — emocionada ela olhava fundo nos olhos jades do cavaleiro com os seus marejados — Mas, não posso deixar de pensar na nossa situação, e se vir morar aqui com você não é arriscado demais, digo, além dos cavaleiros de Ouro por aqui transitam servos, soldados... E depois... tem a maldita Vory... Quem garante que não há espiões no Templo de Baco atentos ao menor sinal de um deslize nosso?
— Sua preocupação é a minha também, amore mio, e ela é legítima. — disse Saga com voz calma enquanto descia a amada de seu colo, mas ainda abraçado à sua cintura — Mas, acredite em mim. Não há lugar mais seguro nesse planeta para você e nossos bebês que este Templo, o qual eu sou o guardião. Além de ser a minha casa, Gêmeos é um espaço à parte que se mantem incólume do resto do mundo a partir da minha vontade. Esta casa está diretamente ligada ao meu Cosmo, e a partir dele eu posso ocultar do mundo exterior tudo o que se passa aqui dentro, lhe permitindo a privacidade necessária para se manter segura e aos nossos bebês... Quanto à Vory, Camus me deu sua palavra de que vai garantir sua segurança. Ele é o espião dos russos, lembra? Logo, não temos o que nos preocupar. Aquário pode ser uma péssima pessoa, mas é meu subordinado, me deve obediência e lealdade, e é um homem de palavra. Enquanto estivermos pagando a dívida também não levantaremos suspeitas com o corno do Dimitri.
— Detesto ter de confiar no porco do Camus. — resmungou a amazona.
— Acredite, eu também detesto, mas não temos outra escolha. E nele podemos confiar. Ele irá me informar pessoalmente quando os miseráveis dos russos vierem sondar o bordel, e nesse dia você está lá, linda! Passeamos pelo salão, damos a eles o que eles querem, e voltamos para cá, para nossa casa, usando a passagem dos fundos que dá às ruinas. Só nos, cavaleiros de Ouro, temos acesso a essa passagem. As bacantes porventura podem dar por sua falta em alguns dias, mas já instrui Afrodite, Marin, Shina e Aldebaran a dizer que você teve autorização para voltar a residir no alojamento das amazonas, afinal nunca deixou de ser uma amazona... A mais bela de todas... A minha amazona. — beijou a esposa com entusiasmo enquanto a apertava forte contra seu corpo — Ah! E quando você precisar sair deste Templo para ir a algum lugar, basta sair no horário do intervalo dos servos ou na troca de turnos deles. Vocês estarão protegidos da percepção e da intromissão de terceiros enquanto estiverem aqui no nosso lar, nesse pedaço de mundo que é só nosso.
Geisty fitou o rosto do amado com alívio, orgulho e gratidão.
Saga havia pensado em tudo para que pudessem finalmente viver a felicidade que tanto sonharam apesar das dificuldades que se apresentaram desde o início de seu relacionamento.
— Puxa, você pensou em tudo mesmo! — Geisty sorriu — Obrigada, amore mio, por se preocupar e pensar em cada detalhe. — disse beijando delicadamente o rosto do grego.
— Não precisa me agradecer. — ele respondeu hipnotizado no belo rosto de sua amada — Mas ainda tem mais!
— Mais? Hum... Agora eu fiquei curiosa! Quando você fez todas essas mudanças, heim?
— Durante esta semana.
— Como? Você esteve ocupado a semana toda, tanto que mal nos vimos... Oh, pela deusa! Como que não percebi? — questionou indignada.
— Ora, eu tive ajuda, óbvio! — Saga sorria astuto — Pedi para que Shina, Marin e Afrodite a mantivessem bastante ocupada com os assuntos relativos ao casamento, sob ordens expressas para que você não saísse do Templo de Baco. Enquanto isso, movimentei todo o departamento de edificações e manutenção do Santuário para que trabalhassem aqui na obra de Gêmeos. Bem, na verdade as obras foram poucas, a maioria foi montagem e arrumação da mobília, mas tudo já tinha um projeto prévio, e contratei com um decorador de Atenas.
— Você trouxe um civil aqui? No Santuário? — a italiana tinha os olhos arregalados em ligeira perplexidade.
— Claro que não! Todo o projeto foi feito com base na planta e fotos do ambiente.
— Ah, seu safado! Você me enganou! — Geisty disse rindo.
— Mas foi por uma boa causa, não? Mesmo porque se eu contasse não seria surpresa.
— Sim! Estou muito feliz por essa sua atitude. E adorei a decoração, ficou tudo lindo. — disse sorrindo a noiva ao depositar um beijo estalado na bochecha do amado.
— Hum...Tudo? — perguntou em tom zombeteiro o cavaleiro — Mas, você ainda não viu tudo ainda.
— Tem mais coisa?
Sem responder, apenas soltando uma risada confiante, o grego novamente pegou a amazona no colo e caminhou eufórico residência adentro para apresentar-lhe cômodo por cômodo.
Detiveram-se por um tempo na cozinha para que a amazona pudesse apreciar cada mínimo detalhe. O ambiente tinha passado também por uma rica mudança, até mesmo em suas estruturas, tendo destaque a enorme mesa de jantar com oito lugares na copa adjunta, com espaço reservado para um par de cadeirinhas de alimentação para bebês que em breve estariam ali.
E foi justamente esse detalhe que fez Geisty se emocionar ainda mais. Enquanto olhava para as duas cadeirinhas ela deitou a cabeça no ombro do geminiano pensando no quanto ele estava imerso na ideia de ser pai, e no quanto os filhos que estavam por vir já faziam parte de suas vidas.
Tudo ali tinha sido estruturado para acolher uma família numerosa, e pouco importava para Gêmeos quando finalmente a tão sonhada paz viria. Para ele ela já tinha chegado, ali, naquele pequeno universo onde viveria com a mulher que amava e os filhos.
Animado Saga mostrava para Geisty cada detalhe, desde a geladeira de porta dupla até os pequeninos vasinhos de pimenteiras e manjericão que adornavam as janelas amplas da cozinha espalhando um perfume herbáceo pelo ar.
Mas, dentre os tantos detalhes graciosos foi um quadro comprido que se estendia quase até o teto onde estava pintada em tinta óleo uma vinícola que chamou a atenção da amazona.
Súbito ela sentiu como se aquela imagem aguçasse as suas capacidades sensoriais, remetendo a sua memória olfativa ao cheiro de terra molhada misturada a folhas de vinha maceradas. Era uma sensação gostosa, mas que durou pouco, pois a voz do marido a trouxe de volta para a realidade abruptamente.
— Gostou do quadro? — Saga perguntou curioso, pois a esposa parecia estar perdida em contemplação.
— Adorei! — respondeu a jovem de pronto.
— E a adega, gostou?
— Que adega?
— Como que adega? Aquela logo abaixo do quadro, elétrica, que irá conservar nossos vinhos por longos períodos em temperatura ideal. — disse orgulhoso.
— Ah sim, a adega! Maravilhosa, Saga! Só para me causar água na boca... Você sabe que não posso beber por enquanto.
— Disse tudo. Por enquanto! — ele sorriu — Em breve poderá voltar a saborear seus tão amados vinhos, amore mio. E faço questão de estrearmos com o melhor Chianti. — prometeu com um beijo nos lábios da amazona enquanto a carregava agora em direção a mais um cômodo que havia reformado, porém esse era bem conhecido pela amazona. Lembrava vagamente pela localização, e se sua memória não falhava era para o antigo quarto de Kanon que estavam indo.
Assim que a porta se abriu um ambiente muito diferente de um dormitório se revelou. Agora era uma sala de leitura que de tão bem equipada mais se assemelhava a um escritório. De fato aquele era o quarto do antigo suplente de Gêmeos, mas Saga fizera questão de apagar qualquer resquício que fosse de seu antigo dono, até mesmo mandou alterar os revestimentos das paredes e as portas dando um novo ar ao lugar.
Gêmeos não queria naquela casa nada que lembrasse a presença do irmão. Inclusive tocar em seu nome naquele dia tão especial, e já sabendo, e pensando da mesma forma Geisty fez o mesmo, apenas elogiando o cômodo que estava muito bem decorado.
Na porta seguinte Saga fez uma pausa antes de entrar, recebendo um olhar interrogativo da italiana.
— Eu não mandei decorar esse cômodo, apenas mandei que o preparassem de forma básica para receber em breve uma nova decoração, que será escolhida por você. — sorriu para ela.
Dito isso, Saga abriu a porta revelando um cômodo amplo, de paredes de gesso alvas e janelas que deixavam a brisa entrar através de cortinas de voil brancas. Não havia nenhuma mobília, e no centro, sobre o chão de taco claro, figurava sozinha uma caixa azul de presente enfeitada com um laço lilás chamativo.
Saga em princípio achou estranho, já que não havia colocado caixa nenhuma ali.
— Escolhi esse cômodo para ser o quarto dos nossos bebês. — disse ele enquanto olhava para a caixa no chão — Mas, queria que você escolhesse a decoração, já que todo o resto da casa eu escolhi sozinho, o que não quer dizer que não possa, e deva, dar o seu toque em tudo que desejar. Vamos passar bastante tempo nesse quarto, junto dos nossos filhos, então, nada mais justo que ele fique do seu agrado, e que atenda às necessidades de vocês três. Além do mais, eu não podia expor para os funcionários da manutenção que aqui seria um quarto de crianças, seria arriscado, além de por a perder toda a vantagem da Casa de Gêmeos que possibilita a vocês se manterem incógnitos.
— Hum, acho justo ficar à minha escolha a decoração do quarto dos nossos bebês. E vou escolher tudo com muito carinho, e com a sua ajuda. — disse ela sorrindo charmosa, dando um beijo na bochecha do grego — Mas... O que é aquela caixa de presente ali? É outra surpresa?
— Eu não faço ideia do que seja! Não fui eu quem a deixou aí. — disse Saga, e então desceu delicadamente a amazona de seu colo e foi apanhar o objeto no chão — Vamos ver o que é... Tem um bilhete junto do laço.
— Lê em voz alta. — pediu Geisty se aproximando do cavaleiro e o abraçando pela cintura.
“De Kiki para meus amiguinhos.
Como os nossos dias foram muito corridos, não pude dar o meu presentinho a vocês. Papai me contou que titia Geisty espera dois menininhos! Por isso, ajudei o Bába a fazer esse presentinho para eles. Estou muito ansioso para brincar pelo Santuário com meus dois novos amiguinhos.
Abraços para os meus futuros amigos e para os seus pais. Desejo muitas felicidades na casa nova.
Risadinhas e beijinhos do Kiki.”
— Pela deusa Saga! — Geisty levou ambas as mãos ao rosto abrindo a boca num largo e efusivo sorriso.
Saga, em contrapartida, parecia aéreo. Ainda processava aquela informação quando trocou um olhar entusiasmado com a esposa e juntos abriram a caixa.
Dentro dela havia um par de lindos conjuntos de macacões para recém-nascidos, ambos azuis com detalhes em branco, com a disposição das cores em padrões opostos.
O casal se olhou mais uma vez, agora eufóricos, e Geisty mais que depressa pegou um dos macacões pequeninos o levantando na altura dos olhos enquanto sorria para Saga, que pegou repetindo o gesto da amada.
— São dois meninos, amore mio! — exclamou Geisty.
— Sim! Dois cavaleirinhos! Nem posso acreditar! — disse um todo sorridente cavaleiro que mal cabia em si de tanta alegria.
Expansiva como era, aos risos a amazona abraçou o macacãozinho contra o próprio peito apertando a peça com força, depois a levou ao rosto e aspirou o perfume delicado que exalava dela, um misto de cheiro de talco com suaves pegadas florais que remetiam aquele tão característico cheirinho de bebê.
— E olha essa roupinha, que coisinha mais fofa! Tão pequena... Mu e Shaka sempre tão carinhosos e atenciosos. — ela disse com voz terna.
— Sim. Eles estão nos ajudando desde o momento que descobrimos os nossos bebês. Acho que as nossas crianças já têm seus padrinhos! — o grego disse animado — O que acha?
A resposta veio na forma de um sorriso iluminado que se formou de imediato no belo rosto da amazona.
— Acho perfeito! Mas tem certeza? Você e o Shaka...
— Eu e ele já nos entendemos, não foi? O passado é passado.
— Ah, que bom, amore mio, tenho certeza que os nossos amigos vão ficar muito felizes e honrados. — ela suspirou contente, em seguida devolveu a pecinha de roupa à caixa e olhou para Saga — Mas, deixemos isso de lado por hora. Temos algo mais importante para fazer no momento, não temos?
Enquanto falava com a voz instigante, Geisty tomou das mãos do marido a caixa de presente e a colocou de volta no chão, depois olhou diretamente nos olhos jades que a fitavam com ansiedade comedida.
— Sem dúvida! — Saga respondeu com voz sedutora, se aproximando mais da esposa. A abraçou pela cintura enquanto tinha seu pescoço enlaçado pelos braços esguios dela.
— Falta você me mostrar como ficou o nosso quarto. Estou curiosa para conhecê-lo. — disse Geisty, sussurrando a última frase de forma maliciosa enquanto encostava seus lábios aos do amado, que sedento os tomou com beijo urgente.
Sem interromper o beijo, Gêmeos pegou a amazona novamente em seu colo e seguiu a passos apressados para o cômodo ao lado. Empurrou a porta que estava encostada revelando outro ambiente todo maravilhosamente redecorado.
O antigo quarto do geminiano agora tinha se tornado um luxuoso dormitório de casal, que em sua decoração transmitia muito da alma grega do guardião daquele Templo, mas também de sua nova moradora.
Esses estavam presentes nas paredes alvas como a cal, nos quadros e peças de decoração em tons variados de azul que transmitiam a amplitude e tranquilidade das águas gregas, assim como nas janelas azuis decoradas com floreiras de violetas e cortinas brancas de tecido fluido que em seu balançar imitavam as ondas do Egeu.
Os moveis planejados em tons claros acompanhavam a arquitetura do ambiente, onde, bem no centro, entre criados mudos marmorizados e iluminados à meia luz por abajures de cristais, estava disposta a cama. Essa era bem ampla e para aquela ocasião estava feita com lençóis de seda branca bordada com delicados arabescos azuis. Sobre o colchão haviam pequenas orquídeas roxas e lilases salpicadas que se espalhavam também pelos travesseiros e tapete, perfumando todo o ambiente.
Geisty, que já havia apartado o beijo quando entraram no quarto, olhou para tudo surpresa e encantada deixando escapar um sorriso.
Não era nem preciso dizer que havia gostado de tudo, pois o brilho em seus olhos e o entusiasmo em seu rosto já respondiam por si só.
Foi quando a voz provocante do geminiano sussurrada em seu ouvido fez arrepiar toda sua pele bronzeada.
— Esse agora é o nosso quarto, amore mio... E eu não via a hora de estrearmos ele. — sorriu mordiscando o lóbulo da orelha da amada — Só os deuses sabem o quão difícil foi esperar.
O suspiro excitado da amazona foi a melhor resposta que ele poderia ter.
Olhando fixa para o rosto do cavaleiro, Geisty inquiriu sedutora roçando a ponta de seu nariz no dele.
— Me leva para aquela cama. Quero ser sua, Saga. Toda sua!... E só dormir quando o dia amanhecer.
Com o coração e a alma em festa Saga tomou novamente os lábios de Geisty, agora com um beijo afoito e apaixonado, e como resposta ao pedido caminhou com ela em seus braços até a lateral da cama, onde a desceu suavemente de seu colo a deixando se por de pé.
Enquanto se beijavam apaixonadamente já se livravam das roupas que Saga vestia, uma a uma, e cada parte do corpo nu do cavaleiro que se revelava era tocada calorosamente pelas mãos lépidas da amazona.
Já totalmente nu, e com o coração ladrando em emoção e desejo, Gêmeos apartou o beijo para divisar o rosto de sua amazona, então lhe fez uma carícia na testa e em seguida a virou de costas para si. Lentamente desceu o zíper do vestido enquanto distribuía beijos demorados no pescoço exposto, sentindo-se entorpecido e instigado pelo perfume delicioso de jasmim que exalava da pele aveludada dela.
Contudo, quando o grego se preparava para retirar o vestido, Geisty se virou de frente o pegando de surpresa, e capturando por completo sua atenção recuou um passo curto para trás enquanto lhe direcionava seu mais provocante olhar.
Saga mordeu os lábios, entusiasmado, enquanto lentamente Geisty o provocava deslizando as mangas do vestido pelos ombros até deixa-lo completamente solto em seu corpo para que deslizasse suavemente até o chão, amontoando-se entre seus pés e revelando sua nudez quase completa, oculta apenas por uma calcinha delicada de pura renda branca.
A visão do corpo escultural da amazona apenas despertou mais ainda a cobiça e desejo do geminiano, que a tomou nos braços a trazendo para um beijo delicado.
Este por sinal, não foi tão longo quanto os outros, pois logo Saga ergueu Geisty de forma inesperada a pondo de pé sobre a cama.
— Quero te ver por inteiro. Assim! Com a luz do luar te iluminando. — disse ele de pé em frente à cama, encarando os olhos violetas hipnóticos e sedutores — Zeus, como você é linda! Parece uma obra de arte, e é minha, minha esposa! Meu amor! Todos os deuses devem sentir inveja de mim nesse momento. — dizia o cavaleiro enquanto tocava as pernas torneadas da amada a fitando com um olhar apaixonado e o sorriso bobo que só os que morrem de amores possuem.
— Vamos mata-los de inveja então, meu cavaleiro. Vamos esfregar a nossa felicidade na cara dos deuses! Essa noite é nossa! Toda nossa! — respondeu Geisty com voz sensual e olhar penetrante, fazendo todos os pelos do corpo do grego se arrepiarem em excitação.
Sem mais se conter, Saga se aproximou dela e mergulhou o rosto entre suas coxas, beijando a pele perfumada enquanto deslizava as mãos pela carne firme até alcançar a lingerie melindrosa de renda e puxa-la sem pressa para baixo. Ao retirar a peça a abandonou ao pé da cama enquanto via Geisty se ajoelhar no colchão, e agora ambos na mesma altura se abraçavam trocando beijos cheios de volúpia até se deitarem juntos sobre os lençóis alvos e convidativos enfeitados por orquídeas.
Como em uma dança sincronizada as mãos de ambos exploravam seus corpos nus, sentindo a textura e o calor abrasador de suas peles.
Enquanto acariciava os cabelos negros de sua amada amazona Saga também delineava com seus dedos os contornos de seu rosto tão belo, e entre beijos delicados aproveitava sem pressa alguma aquele corpo que desejava com a alma.
Amava aquela mulher de uma forma devota, sempre desejara tê-la para si, mas não queria somente seu amor, desejava-lhe loucamente o corpo, todo ele, belíssimo e instigante como era, e alma plena e cativante. Por isso mesmo é que o apreciava lentamente, cada centímetro, pois naquela noite, mais que em qualquer outra, tomar a mulher que amava era especial, para ambos. Era a união de suas almas e corpos diante da benção dos deuses. Era pelo o que ele havia esperado por tanto tempo em sua vida e ela nos últimos anos. Era a conjunção plena do amor que prometeram levar até o fim de suas vidas.
Gêmeos fazia um caminho de beijos ardentes que desciam pelo pescoço, ombros, seios, abdômen, ventre e intimidade da amazona. Nessa última se demorou longos minutos, ele mesmo se deliciando com o ato e instigando sua amada a ponto de lhe arrancar suspiros e gemidos de prazer, então retornou beijando a pele bronzeada pelo mesmo caminho que fizera antes, detendo-se agora nos mamilos convidativos e deliciosos que se entumeciam assim como toda a pele em volta que se arrepiava devido ao toque quente e úmido da boca do cavaleiro.
— Ah... Saga, eu quero você!
Os suspiros e o pedido feito pela voz arfante soaram para Gêmeos como a mais deliciosa melodia que seus ouvidos já escutaram, e de imediato ele o atendeu.
Acomodando-se no abraço caloroso da italiana, Saga matou sua sede nos lábios que o aguardavam entreabertos enquanto ambos esfregavam seus corpos um no outro obedecendo a uma necessidade urgente. O geminiano sentia seu baixo ventre se aquecer e sua excitação crescer de forma desmedida. Seu sexo já latejava de desejo na ânsia de se aprofundar no calor daquele corpo quente e úmido que o enlouquecia.
Enquanto se remexiam sobre os lençóis Gêmeos se acomodou entre as pernas de Geisty sentindo as mãos delicadas dela deslizarem por seus flancos, tateando sagazes cada músculo trabalhado arduamente durante anos de treinamento duro, até pararem em seu quadril onde as unhas longas arranharam sua pele e os dedos fortes o puxaram para aprofundar o contato entre os corpos, um claro convite para que a possuísse.
Saga então se entregou ao desejo, o qual já era sufocante para ambos, e com uma das mãos guiou seu membro rígido e latejante pela entrada úmida e morna de sua amada amazona, a invadindo lenta e continuamente até o limite de seus corpos, fazendo ambos estremecerem em prazer.
Em uma sincronia perfeita sentiam suas peles se arrepiar, os músculos estremecerem, e deixavam os gemidos escaparem entrecortados de suas bocas cálidas. Trocavam as respirações arfantes e os hálitos quentes enquanto se beijavam e se movimentavam lentamente.
Saga a possuía com cuidado, mantendo um ritmo cadenciado, ondulando seus quadris para não causar muita pressão ao ventre da esposa que estava grávida, mas para Geisty isso não era um problema em absoluto, por isso ela corria suas unhas afiadas pela pele eriçada do cavaleiro e remexia os próprios quadris insinuante, o instigando, mostrando a ele que poderia se aprofundar mais em seu corpo sem receio algum.
Assim Gêmeos o fez, mergulhando com luxúria ansiosa no calor daquele corpo agitado aumentando gradativamente a cadência de seus movimentos, que eram cada vez mais firmes e rápidos, enquanto trocavam beijos efusivos.
— Ah... Saga... Amore mio, olhe para mim! Olhe pra mim... — dizia Geisty entre gemidos e beijos.
— Aaah... Minha amazona, nem se eu quisesse conseguiria parar de te olhar... E acredite... Eu não quero parar! — respondeu o grego, que com a respiração ofegante entrelaçava os dedos nos fios negros e caprichosamente penteados da amazona.
— Eu te amo, Saga... Aaaah! Eu te amo, meu cavaleiro! — ela se declarava em meio ao ato, mergulhada nas íris jades que a fitavam enevoadas pelo prazer.
— Minha amazona! Ah... Aaaah... amor da minha vida. Aaah... Eu te amo... Amo muito. — disse o geminiano, entorpecido pelo prazer e enfeitiçado pelo poder daqueles olhos instigantes de um violeta profundo.
Ao entrelaçar seus dedos aos dela a penetrou com ainda mais paixão, sentindo todos os pelos se eriçarem, em euforia e louco de tesão. Gemia o nome de Geisty em frenesi, ao mesmo tempo em que sentia o corpo sob o seu contrair-se em espasmos deliciosos e estimulantes.
— Ah... aaah Geisty, Geisty, assim... Humm...
— Saga... aaaahh... amore mio... não para... Aaaah... Delicioso, você é deli... aaah ... Isso, assim! Te amo tanto! Tanto! Aaaah... Você é meu amor... Te quero para sempre. Sempre! Hmm Saga!
A amazona gemia enquanto era arrebatada por um delicioso e intenso orgasmo que a fez tremer dos pés à cabeça. Agarrou-se com a pouca força que lhe restava ao corpo másculo do amado ainda sentindo os espasmos enquanto ele acelerava o ritmo da penetração.
— Geisty... Geisty... Vou ser sempre seu... Sempre! — disse o grego com voz entrecortada devido aos gemidos de prazer às vésperas de render-se a um orgasmo pleno que esvaiu suas forças e seu raciocínio.
Ainda sofrendo os deliciosos espasmos do gozo o casal se movimentava lentamente num vai e vem cadenciado, trocando beijos ruidosos e carícias, aproveitando até os últimos resquícios do prazer que os arrebatava de forma tão plena antes de se entregarem de vez à exaustão.
Com as peles levemente suadas ardendo em calor e os rostos corados adornados por um sorriso bobo de felicidade eles se olharam com paixão, então abraçaram-se sentindo os corações agitados um do outro aos poucos se acalmarem.
Deitado de lado ainda abraçado ao corpo da amazona, Saga descansava a cabeça no travesseiro sem conseguir tirar os olhos do rosto dela, que lhe devolvia o olhar acariciando os fios azuis de seus cabelos.
— Obrigada por ter entrado em minha vida... Mesmo que de uma maneira... digamos... nada convencional, muito contraditória, um tanto quanto problemática... — ela riu fazendo graça.
— Eu que agradeço por você não ter desistido de mim mesmo diante de tanta contradição e problema. — Saga sorriu de volta — E te agradeço por me permitir entrar na sua vida. Não é todo dia que se aceita um maluco apaixonado para dividir os seus dias.
— Eu fico só com o apaixonado, ok? Vamos esquecer o maluco. — ela brincou, depois beijou o rosto do cavaleiro — A vida não vem com uma cartilha, amore mio. Não há uma fórmula que nos guie a agir de determinada forma a determinada situação... O coração é quem manda... O amor... Obrigada por ter me proporcionado essa noite tão maravilhosa... Nosso casamento, a festa... a noite de núpcias... Foi tudo perfeito, amore mio. — disse Geisty ainda um pouco ofegante.
— Você merece muito mais. Breve, muito breve, seremos totalmente livres, e te darei tudo que merece. A você e a nossos filhos. — disse o grego enquanto se debruçava sobre ela para lhe dar um beijo estalado nos lábios ao mesmo tempo que acariciava seu ventre.
Geisty sorriu feliz.
— São dois meninos! — comentou meio aérea ainda com a novidade – Você suspeitou em algum momento que fossem dois meninos?
— Não. — ele respondeu sorrindo, e escorregando pelos lençóis encostou o rosto no ventre da amazona — Para ser sincero, não tinha preferência entre serem meninos ou meninas, mas sabia que não seria um casal. Obrigatoriamente seriam do mesmo sexo por serem univitelinos assim como eu fui.
— É verdade... Tinha me esquecido desse detalhe. — a amazona então se pôs a observar o marido que deitado com o ouvido em seu ventre tentava escutar algum som que pudesse ser um sinal dos bebês — Acho que não vai dar para escutar nada, eles devem estar dormindo. Sem contar que eles ainda são muito quietinhos, nem se mexem ainda. Não reparou que eles ficaram quietinhos ainda agora? — comentou com um sorriso sacana.
— Percebi, claro que percebi. — Saga encostou os lábios no ventre da esposa e mandou um recado direto aos bebês — Obrigado meninos! É isso aí! Tem que colaborar com o papai. — deu uma risada divertida e um beijo em seguida na barriga da esposa.
— Olha vocês três ai de cochichos, heim! Eu estou presente!
O clima descontraído entre o casal era um refrigério para a vida tão conturbada que viviam, mas os filhos que estavam a caminho eram a promessa de mudança em suas vidas, uma promessa de felicidade, e enquanto gargalhavam e simulavam conversas e situações com os futuros membros da família a amazona atentou para um detalhe muito importante.
— Amore mio, sabe, agora que já sabemos o sexo dos nossos bebês, o que acha de pensarmos nos nomes? Assim não ficamos só os chamando de bebês ou meninos... Chamaremos pelos nomes, fica algo mais pessoal. Sem contar que eles já são uma realidade nas nossas vidas... Então, o que acha?
— Acho ótimo! Podemos pensar já. Como são dois meninos podemos escolher cada um o nome. Ou dois nomes, depois decidimos os que mais gostamos... Ou escolhemos os dois juntos. O que você prefere, minha amazona?
— Hum... Acho que podemos cada um escolher um nome, mas o outro tem que gostar também do nome.
— Certo, concordo. Começa com você.
— Comigo?
— É, oras, com você, a ideia foi sua.
— Certo. Éh... bem... — Geisty se pôs a pensar por alguns segundos e logo respondeu — Eu gosto muito do nome Heitor. Além de ser um nome muito bonito, a história do personagem é bem interessante. O Herói e herdeiro do trono troiano que morreu defendendo sua nação e sua família!
— Sim! — respondeu pensativo o cavaleiro.
— Sem contar que, se um cara boa pinta chega e se apresenta com um nome desse, imponente, tipo: — Oi, prazer, me chamo Heitor. — Geisty engrossou a voz na tentativa de imitar uma voz masculina — Tem grandes chances na vida, não acha?
— Talvez tenha! — disse Saga às gargalhadas — Gostei da imitação, e gostei do nome. Um deles será Heitor. Decidido.
— Agora escolha você um.
— Hum... O que você acha de Dario? Grande imperador e personalidade histórica também. Sem contar que é um nome bem popular na Itália, porque nada mais justo que fazer uma homenagem a sua terra natal.
— Dario... Dario... — Geisty repetiu pensativa — É! Até que é um nome bonito. Acho que dá uma boa impressão... Eu gostei! — disse por fim sorrindo para o cavaleiro.
— Então está decidido. — falou Saga voltando a deitar sua cabeça no ventre da esposa — Heitor, Dario, continuem tirando o cochilo de vocês que a mamãe e o papai vão conversar mais um pouco. — se esticou todo para beijar os lábios da amazona.
Geisty prendeu o corpo do amado com as pernas e o girou na cama mudando as posições, ficando agora por cima dele sentada sobre seu quadril.
— Sim, a mamãe e o papai têm muito assunto ainda para conversar até o Sol nascer. — sorriu maliciosa.
Tomando os lábios do marido com um beijo apaixonado teve seu corpo puxado pelos braços fortes e agora novamente rolavam juntos entre os lençóis.
Se amariam ainda até que os primeiros raios de Sol daquele fim de outono invadissem o quarto através das cortinas pálidas tocando seus corpos nus e exaustos na cama.
Mesmo que ainda não pudessem assumir seu amor e comprometimento aos olhos do mundo, aquela era a realidade que sonhavam alcançar em breve. Um lar, paz e liberdade, e a promessa de formarem juntos uma família numerosa.
Lutariam com todo afinco para isso.
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