Templo das Bacantes Vol. 2
33 Dois dias para Operação Terra Queimada.
Notas iniciais

Templo de Gêmeos, 07:50am
No quarto principal do Terceiro Templo uma sinfonia se apresentava, com direito a ranger de madeira, chiado de molas de colchão, cabeceira batendo contra a parede e um coro de duas vozes em plena sincronia que entoava gemidos, arfadas e palavras incompreensíveis.
Deitado de lado com o peitoral colado nas costas da amazona, instigado pelo calor, o cheiro e o gosto da pele macia dela, Saga distribuía beijos, lambidas, chupões e leves mordidas por onde alcançava, enquanto se movimentava agitado.
Ofegante e já delirando em gozo, Geisty cravava suas unhas na nádega firme do marido para puxá-lo para mais junto de si, pondo fim a qualquer espaço extra entre seus corpos, enquanto o sentia firme e pulsante dentro de si se esvaindo em prazer.
Era bem verdade que o casal levava uma vida sexual bastante ativa. Porém, nos últimos meses com a gravidez de Geisty o apetite sexual de ambos estava maior que o de costume. Talvez fosse ocasionado pela carga hormonal extra da futura mamãe, a qual aumentava sua libido e por tabela a de Saga, ou pelo simples fato de estarem vivendo um momento de felicidade genuína.
A razão ao certo nenhum dos dois sabia explicar.
E assim começava mais um dia para o casal que residia esporadicamente no Terceiro Templo.
Mesmo podendo escolher o quarto, já que dispunham de tantos, fosse o do geminiano, ou o da amazona no Templo de Baco, ou mesmo o quarto ocupado pelo Patriarca no Templo do Grande Mestre, o preferido dos dois era aquele, no seu novo lar na Casa de Gêmeos.
Abraçados, acalmavam seus corações e respiração agitados em um beijo terno acompanhado de carícias singelas.
Saga distribuía beijos pelo contorno da face da amazona até tocar com os lábios sua orelha e sussurrar amoroso:
— Está tão bom aqui... mas, infelizmente precisamos começar o nosso dia.
— Mas já começamos. E começamos da melhor maneira possível, amore mio.
— Sim... — disse o grego dando um sorriso — Mas, infelizmente precisamos nos levantar.
— Ah não, levantar não... — ela resmungou manhosa — Vamos ficar mais um pouco... Só um pouquinho, heim?
— Hum... amore mio, se eu pudesse passaria toda a vida aqui deitado com você nessa cama, abraçado, sentindo esse seu cheiro gostoso... fazendo carinho na sua barrigona, sentindo os nossos meninos chutarem... Mas precisamos ir. Até mesmo por eles. Hoje você tem consulta com Doutor Ulisses, e em seguida preciso resolver várias pendências. Meu dia será corrido. Quanto antes eu for, mais cedo eu posso voltar para ficarmos juntos.
— Sim, eu sei. Não precisa se explicar. Mas, não custa eu tentar te convencer a ficarmos mais um pouco aqui na cama, bem preguiçosos, não é verdade? Não custa eu tentar roubar um pouquinho mais do tempo desse meu marido tão atarefado... — disse sensual roubando um beijo do amado e o trazendo para junto de si em um abraço apertado.
— Hum... Não custa tentar... — disse Saga em meio ao beijo — Não custa mesmo! Mas não posso ceder.
— Hum...
— Mas eu posso quebrar o galho para essa minha grávida manhosa.
— Pode é?
— Posso. — fez uma pausa, encarou a esposa e disse sedutor — Posso ir à cozinha preparar um café da manhã bem gostoso para tomarmos na cama, depois tomamos um banho relaxante e vamos para o nosso compromisso. O que acha, heim? Está com fome?
— Estou. — respondeu no mesmo tom que ele — Você vai matar minha fome, vai? — mordiscou o queixo do cavaleiro enquanto deslizava as pontas das unhas por seu abdômen fazendo-o arfar.
— Vou... Vou sim. Só me dê uns minutos. — respondeu com um lindo sorriso sedutor e olhar provocante.
— Então eu espero.
— Isso, espere aqui. — Saga distribuía beijos ligeiros pelo rosto sorridente da esposa enquanto se levantava da cama e já ia vestir rapidamente um roupão de seda azul marinho — Eu não vou demorar.
— Enquanto isso pode se distrair com suas revistas. — disse o geminiano apontando para o criado mudo ao lado da amazona que continha várias revistas de decoração e arquitetura — Eu já volto.
Saga saiu deixando a jovem italiana no quarto.
Sozinha, Geisty se acomodou melhor na cama, cobriu-se com o edredom macio, pegou uma das revistas no criado mudo e se pôs a folheá-la. Corria as páginas com certo desdém até alcançar a parte que mais a interessava, a decoração de quartos infantis e para bebês.
Nas últimas semanas Geisty se distraia passando horas vendo revistas com decorações de quartos, e em cada uma achava um detalhe que lhe agradava, fazendo uma pequena anotação nas páginas para mostrar ao marido. Mas, por enquanto, estava apenas no plano das ideias, nada de concreto ainda tinha sido feito para o quarto dos bebês que em poucos meses nasceriam.
E, como de praxe, quando a futura mamãe se distraía com o assunto decoração o tempo passava sem que ela percebesse.
Perdida em fotos, cores, tons e sobre tons, bichinhos de pelúcia, berços, móveis, nichos e papéis de parede, logo viu Saga entrar no quarto novamente trazendo consigo uma farta bandeja de café da manhã contendo vários quitutes que tanto agradavam o paladar da esposa e o seu também.
O aroma do chá de maçã que perfumava o ambiente junto com o cheiro saboroso de manteiga de leite de cabra, que se derretia sobre as torradas, abriu seu apetite instantaneamente e roubou sua atenção.
Se sentando rapidamente na cama, Geisty puxou o edredom abrindo espaço para que o marido acomodasse a bandeja e a si mesmo, e deixou a revista aberta sobre as cobertas.
— Hum! Que cheiro bom! Parece estar uma delícia esse café da manhã! Que capricho, meu cavaleiro.
— Tudo para agradar essa minha amazona linda... — disse dando um beijo estalado nos lábios da esposa —... E também os bebês que estão aí dentro que há essa hora já devem estar famintos.
— Ah, eu não queria falar nada não, mas andaram reclamando aqui na minha barriga enquanto você esteve na cozinha.
— Ah, é mesmo é? — disse sorridente o geminiano correndo a mão por debaixo da coberta e acariciando a barriga da mulher na tentativa de sentir a movimentação dos bebês — Será que vão mexer?
— É fácil fazer eles se mexerem. Só eu comer que eles se agitam. — sorridente levava à boca uma torrada lambuzada de manteiga de leite de cabra provando com gosto — Hmm... Que delícia, amore mio. Ficaram ótimas.
— Que bom que gostou. Fiz como você gosta, ao ponto. — respondeu o cavaleiro enquanto servia duas xícaras de chá de maça com mel.
Enquanto sorvia o chá, Saga olhava para a revista esquecida na cama, então perguntou tentando não demonstrar grande curiosidade:
— E então, amore mio, encontrou algo que lhe interessasse na revista nova?
De súbito a italiana, que estava concentrada no sabor da torrada e do chá que acabara de experimentar, teve sua atenção roubada pela pergunta.
— Sim, olha que interessante. — respondeu ela, depois deixou a xícara na bandeja e enfiou o resto de torrada na boca enquanto se esticava para pegar a revista e mostrar ao cavaleiro o que havia encontrado — Esse nicho em detalhe azul clarinho. — disse apontando a peça que era exibida em uma ampla imagem de um quarto todo decorado.
— Ah sim, é bem bonito. — respondeu o cavaleiro atento a cada detalhe. Correndo os olhos principalmente nas informações da loja que era indicada na imagem.
Saga há algumas semanas trazia constantemente revistas sobre maternidade e decoração para que a esposa se inteirasse do assunto e tivesse ideias. Pelo menos isso era o que ele tentava passar a ela, mas na realidade estava empenhado em fazer uma surpresa para a sua amazona.
Sem que ela visse iria montar todo o quartos dos bebês gêmeos de acordo com os itens escolhidos por ela, e precisava se apressar, pois pretendia dar a surpresa no dia do aniversário da amada, o que ocorreria em poucos dias.
— Lindo, não é? — disse Geisty — Agora olha esse outro papel de parede que lindo... É com seres marinhos. Tem até polvo e golfinhos.
— Ah, os seus golfinhos!
— Claro! Adoro golfinhos, são fofos e alegres.
— Decidido. Iremos encher o quarto de golfinhos, do jeito que você gosta. — disse carinhoso o grego puxando a amazona para beijar-lhe os cabelos no topo da cabeça.
— E o quarto em azul com branco. — acrescentou a amazona.
— Acho ótimo! — disse sorrindo o marido — Azul é a minha cor preferida.
— Opa! — de súbito Geisty se afastou do abraço carinhoso de Saga olhando para a barriga — Estão se mexendo, olha!
Apontava para baixo afastando o edredom de si e expondo a barriga nua que parecia dar saltos.
Saga, que já era o que se podia considerar um pai coruja, acariciou a barriga da mulher com ambas as mãos, e como se tivesse de fato já com os filhos nos braços conversava com eles pleno em felicidade.
O casal curtia aquele momento gostoso e mágico de ver os bebês ainda dentro da barriga se remexendo ao ouvirem suas vozes. Mesmo que fossem curtos, os minutos de interação que tinham valiam muito à pena. Sentiam-se mais próximos dos filhos e mais ansiosos também por sua chegada, contando as horas para terem seus bebezinhos em seus braços.
Sem mais poderem procrastinar, por melhor que o momento em família lhes fosse, partiram para uma ducha rápida e em poucos minutos se dirigiam para o centro de Atenas, no agitado bairro de Plaka, onde se localizava o edifício em que estava instalado o consultório do obstetra que Geisty frequentava desde a descoberta da gravidez.
Doutor Ulisses se mostrou desde o início discreto e colaborativo, fazendo o mínimo possível de perguntas pessoais à sua paciente. Detinha-se somente ao estritamente necessário para o acompanhamento pré-natal dos gêmeos.
Nessa consulta em específico analisou os resultados dos últimos exames de ultrassom, sangue e urina que havia pedido à Geisty na consulta anterior. Por fim deu o seu parecer.
— Está tudo seguindo normalmente com a sua gestação. Os bebês estão com um desenvolvimento saudável e dentro da normalidade de período gestacional. Seu ganho de peso também está dentro do ideal, diria até que um quilo abaixo do esperado, mas ainda assim dentro limite aceitável. Porém, suas taxas de vitaminas estão baixas. Tem se alimentado corretamente?
— Sim. — respondeu a amazona sem deixar dúvidas.
— Tem tido um sono regular e feito repouso?
— Não muito.
— Bem, essa pode ser a causa da carência de vitaminas. Eu considero prudente, neste caso, lhe receitar um polivitamínico complementar.
— Além dos que eu já tomo? — questionou a amazona.
— Sim. Pode continuar tomando o que já vinha usando, mas é imprescindível que complete a reposição vitamínica com esses aqui... Eu acho que tenho umas amostras grátis.
Nessa hora o obstetra curvou-se ligeiramente para o lado para abrir uma das gavetas de sua escrivaninha. Durante o movimento correu a mão pela testa suada puxando nervosamente os cabelos para trás, num gesto tenso, mas tipicamente seu. Apanhou três caixas brancas do polivitamínico e as colocou sobre a escrivaninha de frente para Geisty, que estava sentada.
— Aqui está. Eu recomendo que comece toma-las hoje mesmo. Vou te dar uma receita para quando as amostras grátis terminarem. — apanhou o receituário, rabiscou rapidamente o papel e ao destaca-lo do maço o entregou a Geisty com a mão trêmula — Devem ser ingeridas meia hora antes das refeições. Caso se esqueça pode toma-las meia hora depois. Só não deixe de toma-las, sim?
— Sim, Doutor Ulisses, obrigada. — disse a italiana estendendo a mão para cumprimenta-lo, depois se levantou da cadeira e se colocou ao lado de Saga que já descruzava os braços para apertar firme a mão do médico em despedida.
— Obrigado, Ulisses, até a próxima. — disse seco o cavaleiro saindo do consultório e fechando a porta atrás de si para acompanhar Geisty até o carro estacionado no mesmo edifício e de lá seguirem para o Templo de Baco.
Por todo o trajeto que fizeram até o automóvel, Geisty fez uso de suas habilidades ilusórias ocultando sua gravidez e também sua real aparência aos olhos de qualquer civil que passasse por si.
Enquanto isso, no consultório de obstetrícia, sabendo que a paciente e seu companheiro àquela altura já estavam bem distantes, doutor Ulisses pegou o telefone com as mãos suadas e discou um número restrito, o qual sabia de cor.
Esperando ser atendido sentia o peito chiar em uma respiração sôfrega, tensa, ansiosa.
Após três toques uma voz dispensa de emoção atendeu a chamada com um breve “Alô”.
Sem perder tempo o obstetra disparou com voz receosa e espremida:
— Sou eu... Acabaram de sair... Sim, correu tudo como o planejado... eu... eu fiz conforme mandou. — ouviu do outro lado da linha o interlocutor concordar com um resmungo — Caso seja necessário eu entrarei em conta...
Antes que pudesse concluir a ligação foi encerrada.
O médico olhou para o telefone, ainda atônito, e o pousou no gancho.
***
Templo do Grande Mestre, 9:41am
Afrodite havia subido até o Décimo Terceiro Templo para pedir uma audiência com Gigars, o assessor particular de Saga, e para quem eram delegadas as funções administrativas referentes às Doze Casas do Zodíaco.
Peixes, agora que passava muitas de suas horas diurnas no Templo das Bacantes e muitos dos seus finais de semana na Rússia, precisava de um servo de confiança para cuidar de seu Templo e de seu tão especial jardim apenas quando ele e Camus estivessem ausentes do Santuário, por isso estava ali para pedir a Gigars que designasse Jacinto e Ágador para seus servos. Já os conhecia de longa data e, apesar de suas posturas um tanto quanto polêmicas — Ágador tinha o excêntrico hábito de usar sunga fio dental quando fazia faxina e limpava a piscina, e Jacinto só conseguia dormir se estivesse completamente nu — sabia que neles podia confiar plenamente, pois no passado foram bons amigos.
Enquanto Afrodite esperava na saleta de reuniões, um dos soldados que fazia a guarda daquele Templo foi chamar o assessor de Saga em sua sala. Bateu na porta com dois toques sutis e não recebendo resposta a abriu vagarosamente emitindo um chiado baixo das dobradiças, vendo Gigars de costas no fundo do cômodo a cochichar no aparelho celular.
Percebeu a voz pigarrenta em tom ridente e antes que pudesse se anunciar ouviu quando ele disse:
"Excelente, doutor! Tudo segue perfeitamente como o planejado e em tempo hábil. Muito em breve teremos os resultados esperados.”
— Senhor Gigars... — disse o soldado, por fim, temendo estar ali ouvindo além do que deveria ouvir.
Pego de surpresa o homem de baixa estatura, testa constantemente franzida e fartas entradas, estremeceu o corpo inteiro, e enquanto olhou para trás em espanto rapidamente desligou o celular.
— Mas o que é isso? — vociferou o velhote mal encarado — Como ousa entrar em minha sala sem se anunciar? Um mero soldado raso!
Gigars estava tão surpreso e nervoso que salivava, arregalando o único olho que tinha.
— Me perdoe, senhor Gigars. — desculpou-se o pobre sentinela que mais gaguejava do que se explicava — Mas, é que...
— É o que, por mil demônios? — reclamou o velho que num gesto visivelmente tenso meteu o aparelho celular no bolso interno do grande manto vermelho que cobria seu corpo.
— O cavaleiro de Peixes solicita uma audiência, senhor. — disse o soldado.
Irritado, temeroso e ainda abalado, Gigars respirou profundamente tentando se acalmar. Seu coração batia frenético dentro do peito. As palmas das mãos suavam frio, mas ele tinha que manter a calma. Não podia, em hipótese alguma, se deixar ser descoberto. Não naquela altura do campeonato quando finalmente a maré parecia correr a seu favor.
— Pois bem... mande-o vir até aqui. — disse caminhando até sua escrivaninha, então puxou a cadeira e se sentou soltando um longo suspiro — E nunca mais entre em minha sala antes que eu autorize, imbecil. — acrescentou antes do soldado deixar a sala.
***
Templo de Baco, 10:15am
Após falar com Gigars, Afrodite desceu ao bordel para ajudar Mu com as listas dos pedidos das bacantes que eram feitos mensalmente, já que a euforia e a ansiedade das meninas sempre deixavam o lemuriano meio perdido.
Quando chegou encontrou algumas delas conversando no salão e outras a se exercitarem na área dos fundos, logo deduziu que Mu ainda não as tinha convocado para dar início às listas, então foi procurar pelo lemuriano no escritório que ele ocupava ali.
Encontrando a porta apenas encostada, deu um toque sutil antes de empurrá-la e adentrar o recinto, surpreendendo-se ao ver Saga ali junto de Mu. Ambos pareciam tão concentrados no que faziam que nem notaram sua chegada, então caminhou silencioso até eles parando logo atrás.
Ficou nas pontas dos pés e olhou por cima dos ombros de Mu para ver o que tanto prendia a atenção dos dois cavaleiros, e viu que analisavam uma página de revista onde havia a foto de um gracioso quarto de bebê todo decorado.
— O que estão fazendo? — perguntou, chamando a atenção dos dois.
Ambos se assustaram com a entrada abrupta do pisciano.
— Dido! Me assustou, pensei que fosse a Geisty. — disse pondo a mão no peito.
— Alôca! Me falta pelo menos uns 15 quilos de franja para me confundirem com aquela lá. — retrucou Afrodite.
— Anda. Fecha essa a porta vem para cá. — disse Mu rindo do amigo — Estamos planejando uma surpresa de aniversário para ela... Na verdade já está quase tudo pronto, só estamos acertando os detalhes finais.
— Uma surpresa para mosca varejeira franjuda? Arrasou! — comemorou o pisciano enquanto fechava a porta e rapidamente se juntava aos amigos — Do que se trata a surpresa?
— Fala baixo, Afrodite. Pelos deuses. — Saga repreendeu o sueco, depois esboçou um sorriso animado.
— Desculpaaa... — sussurrou o sueco — Quando é o aniversário da Súcubo de franja?
Saga virou a cabeça na direção do pisciano e lhe lançou um olhar repreendedor.
— Você quer parar de chamar minha esposa por esses nomes? Será que nunca vai parar de implicar com ela? Ela já deixou bem claro que não tem nada contra você.
Afrodite fez um muxoxo, estalou a língua no céu da boca produzindo um ruído engraçado e encarou Saga com desdém.
— O dia que eu chamar a sua digníssima senhora pelo nome, o sobrenome e a patente dela ai sim, Saga, você deve se preocupar ou me dar bronca. Eu só ponho apelidos carinhosos em quem eu am...
De repente Peixes se calou, arregalou os grandes e vivos olhos aquamarines e em uma fração de segundos seu rosto foi tomado por um rubor extraordinário, arrancando risos dos amigos.
— Xi, acho que alguém acabou de ter uma revelação. — disse Mu — Você bem que tentou disfarçar e se fazer de difícil, mas tá na cara que gosta dela já faz tempo. Além dos seus apelidos carinhosos para com ela desde que ela chegou aqui, sua aura te denunciou para mim várias vezes.
— É sério isso? — verdadeiramente surpreso Saga alternava os olhares entre Mu e Afrodite.
Ainda mais corado, Afrodite tentou disfarçar revirando os olhos.
— E você ainda tem dúvida? A aura do Dido reluz quando chega perto da Geisty, e a dela também. Implicância demais quase sempre é amor reprimido. — disse Mu.
— Falou certo. Quase sempre! — disse Afrodite erguendo o dedo no ar — Há sempre exceções... Exceções cascudas de ventosas, aplique no cabelo e língua peçonhenta. O meu ódio pela Lagartixa é genuíno, tá boa?
— Ah, não vamos começar com isso, né Afrodite? — disse Saga — Eu devia era te dar uma punição. Que jeito estranho de gostar das pessoas... Sua implicância com Geisty me causou tantos problemas que quase me enlouqueceu.
— Minha implicância? Era ela que implicava comigo, santa. Acorda, Alice.
— Gente, foco. Deixa o amor encubado desses dois para depois. Vamos voltar aos planos do aniversário que a hora está passando e eu tenho um dia cheio hoje. — disse Mu.
— Certo. — respondeu Gêmeos — Afrodite, o aniversário de Geisty é essa semana, e quero dar de presente para ela o quarto dos nossos bebês já todo decorado com tudo que ela escolheu, móveis, brinquedos, papéis de parede, tudo.
— Uau! Que surpresa Odara*! — exclamou o pisciano — Mas... Como vai fazer isso sem ela ver?
— Eu estou ajudando, Dido! — disse Mu — Já faz quase um mês que estou comprando as coisas. Conforme ela vai apontando o que gosta nas revistas, Saga me fala, eu compro e monto tudo. Nenhum servo ou guarda suspeita das entregas, pois estou fingindo serem para o quarto do Kiki. Está tudo escondido em Áries.
— Sim, e está quase tudo pronto. Falta pouca coisa agora. Apenas alguns itens de decoração. — disse Saga.
— E são esses itens que Saga estava me mostrando na revista agora. Amanhã vou teleportar tudo para Gêmeos para já montar o quartinho. — completou Mu.
— Humm, olha só! Não é que o Miolo Mole está me saindo um excelente marido! Quem te viu, quem te vê, heim Saguinha. — disse o pisciano dando um tapa no ombro de Gêmeos — A mosca vai ficar maluca!... Ai, adoro surpresa! O aniversário surpresa do Mu no ano retrasado na sorveteria foi um arraso! Dadá! Um aniversário em uma sorveteria lotada, quem diria... Só podia ser ideia do Buda loirudo.
Mu riu ao se lembrar do evento citado pelo pisciano.
— Sim, foi demais. Shaka todo ano me faz alguma surpresa inusitada, e mesmo sabendo disso ele consegue sempre me surpreender de fato... Esse ano comemoramos meu aniversário sozinhos em casa, com nosso filhote, mas acredita que ele me deu um álbum só com fotos minhas com o Kiki que ele tirou sem eu saber? Aí ele fez toda uma historinha em torno das imagens juntando as lendas do povo Muviano... Foi uma surpresa de fato. — sorriu ternamente se lembrando do presente.
— Oh, quem diria que há ternura dentro daquele monge ranzinza. — disse Saga aos risos.
— Aquenda, Saga, quero participar da surpresa para mosca franjuda. O que tenho que fazer? — disse Afrodite.
— Certo. — respondeu o grego — Vamos logo com isso porque já estamos ficando sem tempo. O aniversário dela é daqui há três dias. — fez uma pausa para melhor elaborar a ideia que lhe surgia na mente — Acho que vou te deixar encarregado da parte mais difícil.
— Estava demorando para abusarem da minha boa vontade! — resmungou o sueco fazendo uma careta.
— Você vai ter que segurar a fera aqui no Templo de Baco no dia anterior ao aniversário dela. Vamos arrumar o quartinho e não quero que ela veja a movimentação. — disse Saga.
— Humm...
— Não pode deixa-la sair de jeito nenhum, Afrodite. Invente qualquer coisa, desde que não a coloque em risco, é claro, para ocupa-la aqui. — disse Saga — Ajudar as garotas, fazer crochê, contar lentilhas, lustrar maçãs, algo que seja bem demorado. Não a deixe, em hipótese alguma, subir para as Doze Casas antes de eu lhe dar um sinal, ou vai estragar a surpresa. Entendido? Consegue dar essa mãozinha?
— Até duas, santa. — respondeu o pisciano animadíssimo — Vai ser a missão mais difícil que você já me deu na vida. Segurar uma italiana, ariana e às vésperas de dar a luz, nesse Templo. Mas pode contar comigo. Daqui ela não arreda o pé!
— Ótimo! — disse Gêmeos com um sorriso largo, depois apoiou a mão no ombro do amigo — Bem, agora eu preciso retornar ao Décimo Terceiro Templo e às burocracias do Santuário, e Mu precisa seguir com os afazeres dele.
O Santo de Gêmeos deu um meio abraço no lemuriano.
— Obrigado, Mu. Sem sua ajuda nada disso seria possível. Ainda bem que posso contar com a sua falta de juízo para realizar as minhas ideias fora do comum.
— Que isso, é meu papel de padrinho. — Mu sorriu — Falando nisso, há várias roupinhas do Kiki novas sem usar que Shaka separou para os nossos afilhados. Kiki já está grandinho e não cabe mais nas de recém nascido. Deixarei em Gêmeos quando teleportar o restante dos móveis. — o lemuriano então fechou a revista já se aprumando para seguir com o dia — Então chega de papo. Já anotei os itens que quer, vou agora pegar as listas com os pedidos das meninas e partir para Atenas. O tempo é curto, então mãos a obra, que hoje meu dia será cheio!
— Certo. Até qualquer hora, Mu. Boa incursão até Atenas. — disse Saga — E Afrodite... Obrigado.
— Obrigado nada, quero um aumento no meu soldo de cavaleiro. — respondeu em tom de brincadeira, mas pensando que seria bom ter mais dinheiro, assim poderia mimar mais Hyoga sem precisar estourar o cartão de crédito de Camus.
— Oportunista! — Saga brincou rindo alto, depois deu um leve empurrão no ombro do sueco e caminhou até a porta — Até mais tarde.
— Até, chefinho.
Gêmeos deixou o bordel e subiu direto para o Templo do Grande Mestre.
Seu dia era curto para o tanto de tarefas que o aguardavam e decisões importantes a serem tomadas pelo Patriarca.
O mesmo valia para Mu. As compras em Atenas eram sempre exaustivas, e naquele dia, além de visitar fornecedores, Sex-Shops, perfumarias e o inferninho de Polifemo, também teria de visitar pelo menos três lojas de decoração infantil à procura dos itens apontados por Geisty, e uma floricultura, pois certamente chegaria atrasado para o jantar e encontraria Shaka emburrado.
Nada que um belo buquê de girassóis e um beijo apaixonado não resolvessem.
Dicionário Afroditesco
Odara— grande, estupendo, maravilhoso, grandioso.
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Nosso grupo no face "Fics trio ternura"
Tumblr da Ju com várias fanarts da fic .
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