Tempestuoso
19 Sonhos Eróticos
Notas iniciais
— Estou orgulhoso de você. – Falei para Sam enquanto saímos da sala.
— Também estou, é muito difícil fazer aquilo que você fez. Eu, particularmente não teria essa coragem que você teve, ao se expor e se mostrar como alguém humano e que se machuca com os comentários dos outros.
— Agora parando para pensar direito, foi meio impulsivo, não acham? – Sam parecia meio balançado.
— Eu acho que foi perfeito. – Sorri para Sam. – Foi sincero e de coração, então...
— Obrigada. – Ela retribuiu o sorriso.
Me perdi nos meus pensamento ao observá-la, Beth e elas conversavam enquanto caminhávamos até o auditório. Sam parecia guardar muita coisa dentro de si, por mais que sempre sorrisse na maioria das vezes, pela primeira vez reparei que os seus olhos guardavam uma espécie de angustia, como se algo a matasse ou a torturasse todos os dias.
— [...] só sei que ao detonarem a ala masculina, gerarão mais retaliações e desmoralização para o movimento. – Voltei a prestar atenção nelas.
— Eu sei que foi errado, mas eu não deixo de aplaudir a menina que fez isso. Me sinto de alguma forma vingada por todo esse sofrimento, mesmo que de forma mínima. – Sam admitiu.
— Sim, sim, mas mesmo assim. Por mais que a violência do oprimido nunca se compare com a violência do opressor, nunca conseguiremos nada se não formos políticas, infelizmente é assim que as coisas funcionam.
Conforme se aproximávamos mais alunos nos faziam companhia até lá.
— Eu gostaria de saber quem é que fez isso, tenho minhas desconfianças...
— Também tenho as minhas...
— A mesma pessoa, né.
— Exato. – Riram uma para outra, enquanto falavam em códigos.
— Quem acham que foi? – Perguntei por não entender a quem se referiam.
— Acho melhor não falar. – Beth pareceu misteriosa, trocando olhares de confidencia com Sam.
— Charlotte. – Sam falou contrariando a outra.
Imediatamente fiquei vermelho, pois era exatamente a responsável pela depredação.
— Acham isso só pelo jeito dela ou sabem de alguma coisa?
— Pelo o que eu conheço da Charlotte desse ano e do ano passado, eu acredito ser exatamente o tipo de coisa que ela faria. Ela é bem sensível a esses tipos de acontecimentos.
— Isso não seria um pré-julgamento? – Perguntei nervoso.
— Exato, Blake. Samantha, eu acho melhor não acusar ninguém antes dessa reunião, nunca se sabe quem pode escutar e acontecer depois disso. – Beth indicava ao grupo de Irmãs inspetoras próximas atrás de nós.
— Exatamente. – Sam entendeu o que ela dizia. – Mas ainda acho que foi ela. – Sussurrou no meu ouvido.
Fiquei ainda mais vermelho, eu nunca fora a melhor pessoa para se guardar esse tipo de segredo, uma bomba que poderia explodir e prejudicar muita gente.
— Tem algum problema, Blake? – Beth virou e olhou para mim, entre nós estava Sam. – Está vermelho, está escondendo alguma coisa?
— Não. – Minha entonação e meu olhar claramente me desmentiam.
Um flash de Charlotte passou pela minha mente, dela correndo pelo corredor e de certa forma, pedindo para eu não vê-la.
— Depois nos conte tudo. – Beth riu.
Suspirei aliviado, sabia que podia confiar nelas, um segredo compartilhado pesava bem menos do que um individual. E saberiam trabalhar melhor com aquela informação, de forma que eu jamais trabalharia.
Tive a noção da proporção daquela reunião com os alunos quando enfrentamos um pequeno congestionamento na entrada do auditório, ao entramos nos deparamos com o espaço cheio quase em sua total capacidade. Todos alunos, funcionários e freiras deveriam estar presentes e era quase impossível localizar um lugares vazio para se sentar três pessoas juntas, apenas alguns poucos dispersos e solitários.
— Venham, achei um lugar para nós três, é melhor irmos rápido, antes que sejam ocupado. – Sam falou puxando Beth pelo pulso.
Ela nos guiou até o topo do auditório na linha tão próxima do raio possível de visão do palco que só conseguíamos vê-lo de lado.
— Que lugar péssimo. – Comentei.
— Está falando isso por causa deles? – Beth perguntou no meu ouvido.
Eu não tinha reparado nas pessoas a nossa volta, quanto mais nas que estavam sentadas envolta dos nossos lugares, ficava olhando para o público se acomodando no auditório e como era instigante ter aquela sensação diretamente do palco. Ao escutar minha amiga, voltei minha atenção a ela.
— O que? – Perguntei.
Seus olhar me apontou para o fim da fileira que seguíamos, e antecedendo nos lugares estavam Yerik e Jesse, meu rosto esquentou.
— Não tem outros lugares? – Perguntei para Sam, mordendo internamente a minha bochecha.
— Não. – Ela olhou para mim.
Estava certa, examinei cada canto e esquina daquele auditório a procura de lugares e os poucos vazios iam sendo ocupados. Sem outra opção seguimos para aqueles lugares.
— Engole o sapo e aja como se nada tivesse acontecido. – Beth segurou minhas mãos.
— Mas não era para eu estar assim.
— Por que?
— Porque não aconteceu nada para eu me sentir assim ou ter que engolir algum sapo.
— Algo que você se lembre pelo menos. – Sam comentou.
— Ai meu deus. – Comecei a respirar aceleradamente. – Deveria ir me confessar?
— Não, por deus!
— O problema é o conjunto e não cada um isolado. – Tentei me acalmar.
— Ótimo, porque teremos que sentar separados. – Sam falou, olhando para trás. – Acabaram de destruir o nosso trio.
Uma alma solitária se sentou no fim da fileira, só deixando dois acentos entre ele e os outros dois.
— Tem um banco vazio do lado deles, você pode sentar com lá.
— Tá maluca? – Sam riu de mim. – Eu vou sentar na ponta.
Como se o destino quisesse acabar comigo, outra pessoa apareceu e sentou no meu lugar pretendido, sobrando apenas os dois em cada lado deles.
— Não podemos mais sentar lá, não tem mais lugar para nós três. – Falei.
— Ótimo, então eu fico por aqui. – Beth falou, se dispersando do grupo e descendo para a fileira debaixo e sentando no único lugar disponível no meio dela.
— Deixa eu sentar aí. – Eu gritei para ela.
— Não. – Ela e Sam riram do meu percalço.
— Te deixo escolher entre o Jesse e o Yerik. – Sam falou.
— Jesse. – Respondi.
Ela foi para o banco ao lado do Yerik e eu sentei no outro, olhando diretamente para frente, percebendo os olhares dos outros dois recaindo sobre mim.
— Olá, Blake. – Jesse me cumprimentou, assustando-me de modo que dei um pulinho no meu lugar.
— Oi. – Lhe respondi sem manter o contato visual.
— Hoje no Coral foi muito legal o que sua amiga fez.
— Sim. – Concordei com a cabeça, nervoso, e ainda evitando e desejando que ele parasse com essa tentativa de diálogo.
Por sorte, as luzes do auditório piscaram indicando que o quer que a direção quisesse anunciar seria anunciado, consequentemente Jesse não falou mais, porém pude vê-lo pelo canto do olho trocar confidências com Yerik.
Eu não prestei muita atenção do que elas falavam, por estar muito tenso com os meus vizinhos e perdido em minhas divagações pessoais.
— [...] não se pode começar uma guerra civil entre os sexos dentro da escola, deve-se haver respeito mútuo [...] – Escutava alguns trechos do que a diretora falava.
Me atrevi olhar para minha amiga mais distante e ela estava concentrada no que falavam, se ela olhasse para mim veria meu pedido de socorro no olhar.
— [...] se isso não acabar medida mais severas serão tomadas no próximo ano letivo. Todas as opções estão sendo consideradas, desde voltar com as normas da diretora afastada até a mais radical, que é a separação completa dos gêneros.
A comoção negativa foi generalizada, alta e longo o suficiente para Irmãs pedirem silêncio de maneira mais enérgica.
— Agora meninos e meninas não poderão mais conviver, é isso? – Yerik perguntou para Jesse, sua voz estava ainda mais carregada de sotaque do que de costume.
— É uma opção em aberto pelo que parece. – Jesse respondeu.
— Silencio. – A Irmã pediu, dando prosseguimento ao que falava. — Mas é claro, que também existe a possibilidade de nenhuma medida ser tomada, se o comportamento de meninas e meninos mude e se torne exemplar ao que esta instituição estipula[...]
— Blake. – Escutei Jesse sussurrar meu nome.
Contrai meus dedos.
— O-oi. – Lhe sussurrei de volta, olhando para o carpete evitando contato visual.
— Olha pra mim, por favor, não gosto de falar com as pessoas sem olhar para elas.
Virei minha cabeça lentamente e o encarei. Um par de olhos azuis celeste me observava de longe, me analisando, não possuíam mais aquele brilho costumeiro que tinha ao me olhar antes. Yerik era pela primeira vez inexpressivo, este estado me deixava ainda mais desconfortável dada a situação, percebi que pequenos fios claros despontavam do seu rosto, sua barba estava por fazer. Essa pequena analise do búlgaro demorou frações de segundos, então rapidamente olhei para o par de olhos esverdeados que me chamara.
— Bem melhor. – Jessie esboçou um sorriso. – Eu queria saber se poderíamos fazer um dueto?
— Que?
— Um dueto, eu e você, para a tarefa do Coral. Que nem antes, quando eu lhe ensinava a dançar.
A ideia não me parecia boa, fiquei hesitante em aceitar, principalmente sabendo e lembrando superficialmente dos acontecimentos da festa de Ano-novo e da perspectiva do outro que nos observava.
— Sei que estamos um pouco distante, que na verdade nunca fomos próximos, mas essa seria uma oportunidade de voltarmos a ter a proximidade que tínhamos durante os ensaios.
— Eu acho melhor...
— O que te impediria? Temos alguém problema que eu não sei?
Pensei em três possibilidades sobre o motivo dele fazer aquela pergunta, ou realmente não se lembrava de nada, o seguiu em frente como se nada tivesse acontecido ou estava sendo cínico e pronto para armar alguma coisa contra mim.
— Eu vou fazer um dueto com a Beth...
— Acho que ela não vai se importar em fazer um solo. Na verdade, acho até que ela prefere performar sozinha, aquela coisa que ela fala sempre de protagonismo. – Sam se intrometeu quebrando a minha desculpa.
— Aceite. – Yerik falou, atraindo minha atenção que seria direcionada como olhar reprobatório para minha amiga.
Lhe encarei, seu olhar era carregado de malicia, ele lembrava de tudo.
— Você sabe de alguma coisa? – Jesse perguntou para ele, enrugando a testa.
— Não. – Ele respondeu sorrindo com a sobrancelha arqueada e com um sorriso arteiro.
— Tudo bem... – Falei por vencido e não querendo prolongar aquilo.
Fiquei atônito em meus pensamentos por longos minutos e só voltei a prestar atenção no meu entorno e no que as Irmãs falavam quando elas estavam prestes a encerrar.
— [...] e por esses motivos tentamos acalmar os ânimos. Algumas garotas se ofereceram para recuperar a área degrada na ala masculina, como uma medida de paz e em troca, como uma recompensa, transformamos o baile de primavera em um baile sadie hawkins
— O QUE?! – Alguém gritou da plateia.
— Para quem não conhece o baile sadie hawkins, ele é igual aos outros com o diferencial das garotas terem que convidar os garotos. Seria uma maneira, segundo as representantes das garotas de inibir uma exclusão e pressão que muitas garotas sofrem na expectativa do baile.
Uma gritaria iniciou-se na plateia, garotos gritavam contra as garotas e elas lhe respondia a altura, em contra partida, as Irmãs gritavam com todo mundo tentando, em vão, apartar a situação.
— Isso não devia ser uma espécie de assembleia de reconciliação? – Yerik comentou com Jessie.
— Aparentemente era.
— Vamos aproveitar e irmos embora enquanto brigam.
Jessie concordou, ambos se levantaram e espreitaram até a saída, mas não antes de Yerik me encarar e chutar “não propositalmente” meus pés.
— Não sabia que estava brigando com o búlgaro. – Sam pulou dois acentos e sentou ao meu lado.
— Nunca estamos de bem, mas admito que dessa vez é minha culpa. – Falei massageando meus pés.
— Você é uma pessoa complicada, quando não está sofrendo por sua irmã, está por seus demônios internos, como acho que prefere chamar. — Fiquei vermelho com a verdade exposta. – Mas o seu principalmente problema desde que entrou foi com ele, pode pelo menos tentar mudar de parceiro no final desse ano.
— Acho que seria a solução mais eficiente. Mas a briga em questão não é sobre meus demônios internos, mas foi em defesa de vocês. Ele fez uma brincadeira infeliz e meio que as coisas fugiram de controle, e acabei descontando algumas coisas nele.
— Diz sobre o vídeo do ano novo?
— Sim.
— Devia pedir desculpas.
— Devia, né?
Fiquei contemplativo.
— Que confusão. – Beth comentou se juntando a nós. – Muita desarmonia acumulada e controlada em um só lugar, até nos contamina. – Passou as mãos pelos braços como se estivessem impregnados por algo. – Vou precisar me desintoxicar quando saímos.
— O que vai acabar acontecendo no fim? – Perguntei para Sam.
— Vão continuar gritando um com os outros, vão se acalmar e a decisão das Irmãs prevalecerá. Fim.
— Brigam por tão pouco. – Comentei observando a confusão.
— Podemos ir embora. — Beth soou pedinte.
Nos levantamos e fomos emhora sem sermos impedidos por ninguém. Felizmente, o jantar já estava sendo servido e consequentemente tivemos um refeitório quase que particular. Havia somente outra pessoa presente, Alex. Inicialmente pensei em socializa-lo com minhas amigas, porém sua cara de poucos amigos me deteve.
— Seu amigo é um tanto suspeito. — Sam comentou.
— Como assim?
— Caladão e desconfiado, como um gato arrisco. Aposto que se assustassemos agora, ele iria pular e ficar de ponta cabeça no teto.
Não pude evitar de rir.
— Não tenho bons sentimentos sobre ele. — Beth comentou. — Sinto ele como alguém, espiritualmente, desarmónico.
— Vocês estão julgando ele sem nem ao menos conhece-lo. Não esperava isso de vocês. — As repreendi. — Eu converso com ele as vezes, acho que posso considera-lo quase como um amigo. Esse só é o jeito dele.
— Está bem, está certo, o estamos julgando previamente. Mas que fique anotado aqui minha teoria de que se acontecesse um massacre aqui, ele seria o assassino.
— Essa foi pesada. — Beth contorceu o rosto.
— Está repreendido. — Falei. — Deus não deixaria isso acontecer, não aqui.
— Eu não contaria tanto com a fé. — Ela riu.
A risada foi interrompida por uma tosse seca, áspera e sofrida.
— Você está bem? – Perguntei preocupado.
— Estou. – Ela falou depois de ter se recuperar.
Com as costas das mãos havia tampado a boca, pude vê-la suja de sangue quando rapidamente as escondeu debaixo da mesa. Sam possui um olhar nervoso, como se escondesse algo, Beth lhe encarava apreensiva. Percebi que escondiam algo de mim, preferi não indaga-las para não gerar desconforto.
Sem percebêssemos, Alex se aproximou da nossa cama e ofereceu um lenço de tecido perolado para Sam. Ela se assustou com a atitude e a chegada inesperada.
— Tome. – Ele ofereceu, como sempre sua face transmitia frieza.
Por mais que estivesse oferecendo o lenço para Sam, seus olhos recaiam sobre mim.
— Obrigada. – Sam pegou de sua mão.
E da mesma forma que se aproximou da nossa mesa, se afastou para a sua.
— Devia ir na enfermaria tomar algum xarope. – Sugeri tentando quebrar a tensão que se instalara na mesa.
— Na verdade eu tenho um no meu dormitório. Acho melhor eu ir indo. – Ela estava fugindo. – Vem comigo, Beth.
— Tchau, Blake. – Beth foi arrasta por Sam para fora do refeitório.
Se eu pensei que ficaria sozinho no refeitório sem a presença delas, fui piamente enganado.
— Eu jamais faria um vídeo daquele ou destruiria nossa ala. – Alex falou, chamando minha atenção assim que a porta do refeitório fechou. – Escutei sua amiga falando que eu era suspeito. – Se explicou.
— Não acho que ela ache isso. – Respondi nervoso, o mais simpático possível. – Creio, que ela só tenha se expressado mal.
— Não importa. – Soou indiferente, se levantando. – Só queria deixar as coisas clara.
Engoli em seco.
— E ela deveria procurar um médico urgentemente, conheço muito bem esse tipo de tosse, o que causa ela e o que pode acontecer, se não tratar.
— O que seria? – Lhe perguntei tardiamente, pois já tinha ido embora.
—x-
Eu senti meu corpo vibrar, como se uma leve corrente elétrica ou um fio de água gelada o tivesse percorrido, e consequentemente me despertado. Ainda era noite e tudo estava absolutamente silencioso e escuro, nem a vida noturna produzia ruídos através da janela aberta, por onde entrava uma gélida brisa noturna que movia as cortinas com lentidão.
Minha visão estava nevoada, acreditei que fosse pela falta dos óculos. Pela falta desta, meus outros sentidos estavam aguçados e me alertavam de algo suspeito à espreita. Senti a presença de alguém se aproximando, quando fui ver quem era, ele já estava em cima de mim.
Inesplicavelmente minha visão melhorou e pude ver o seu rosto com clareza, mas não por muito tempo, pois logo ele me atacou, mas não no sentido literal.
Yerik segurou na minha nuca e me puxou na sua direção, beijando-me com um misto de aspereza e delicadeza. Foi quente e intenso, nenhum pensamento me ocorria naquele momento, apenas aproveitava a situação. Eu tentava acompanhar o ritmo dos seus lábios, mas era dificil devido a intencidade do contato.
Seu corpo se aproximava cada vez mais do meu, ele usava uma cueca apertada turquesa que lhe marcava tanto na frente quanto atrás, eu me encontrava vestido como ele, só que a cueca era branca. Nos corpos suavam e o fino lençol que os separavam grudava em ambos. Uma de suas mãos foi intrusa e por debaixo do lençol apertou minha coxa para depois arranha-la, não me incomodei pois com as minhas lhe arranhava os ombros e costas.
Quando finalmente começa lhe responder o beijo a altura, ele se afastou, fazendo-me inclinar para frente na tentativa de prolongar o contato. Porém, ele só tinha dado espaço para mais outra pessoa, deslocando levemente para minha lateral esquerda. Era Jessie, ele não esperou qualquer reação minha para repetir a mesma ação do anterior.
Era um beijo diferente do Yerik, era menos intenso, mas não necessariamente pior. Parecia ter mais delicadeza e carinho, seus toques eram sutis e combinados com os de Yerik que nos acaraciava. Diferente do outro, tomou a iniciativa e tirou o lençol que nos separava e antes que eu percebesse ele estava no meio das minhas pernas. Jessie interrompeu o contato dos nossos lábios e desceu os seus para o meu pescoço. Ele o beijava dando a impressão de que ia morde-lo, mas não mordia, deixando apenas a sensação.
Eu percebi que estava excitado quando senti as ereções de Jesse e Yerik sobre o meu corpo, o búlgaro havia nos abraçados pelo lado passando as mãos em nossos corpos ao mesmo tempo.
Senti carência quando ambos se afastaram do meu corpo, tinham sido afastados por outra pessoa.
Marc encontrava-se imponente sem camisa na minha frente, não pude evitar e examinar cada pedaço do seu corpo, estava completamente nu. A pele não muito escura, que indicava sua miscigenação parecia exalar algum tipo de feromônios que me atraia como um inseto para uma planta carnívora.
Ele se aproximou de nós, ajoelhando-se na cama, me puxou de supetão rasgando minha cueca no processo. Seus braços eram fortes e rígidos, gritavam virilidade como se acabassem de ter saído de uma sessão de treinos de bíceps. Seu corpo fervia contra o meu. Nos encarávamos, seus olhos reluziam desejo, porém não via meu reflexo nele, eram outra pessoa. Refletiam outra pessoa, bem parecida comigo, minha irmã.
Antes que eu pudesse refreá-lo, sua mão desceu pelas minhas costas, na lombar até o meio das nádegas. O senti acariciar a região, tomando-me de uma estranha sensação, desejando por mais.
— Desejo. – Ele sussurrou no meu ouvido como se lesse meus pensamentos.
— Tesão. – Yerik sussurrou no outro ouvido, acomodando se atrás se mim e beijando a base do pescoço.
— Luxuria. – Jessie também sussurrou atrás de Yerik.
Podia sentir as ereções dos dois roçando contra o meu corpo, atiçando ainda mais a minha.
Marc me invadiu com o seu dedo, iniciando um movimento de vai vem com ele e seu corpo, enquanto tomava meus lábios, seu pênis roçava na minha barriga. Yerik me puxou um pouco mais para trás, afastando meu corpo do de Marc, no entanto, sem interromper o que o outro fazia comigo.
O búlgaro posicionou o queixo sobre o meu ombro para poder morder minha orelha e roçar sua barba. Seu pênis roçava na lateral da minha nádega. Por esse mesmo lados, subiu sua mão direita por minha coxa, me arranhando no processo até o meu pênis, começando a me masturbar.
Senti a pressão do corpo de Yerik aumentar sobre o meu e mesmo impossibilitado de olhar para trás, sabia que Jessie o estava penetrando. Conforme o ritmo do outro aumentava, a masturbação do búlgaro aumentava consequente. Mal conseguia respirar, Marc não liberava meus lábios para isso.
Ele se aproximou mais de mim, senti seu pênis encostar no meu, era pelo menos cinco centímetros maior. Yerik começou a nos masturbar junto.
Não demorou muito e uma sensação de puro êxtase, desejo, felicidade e tesão misturado invadir o meu corpo conforme meu pênis expelia em esguichos um liquido espesso, branco e viscoso. Marc me acompanhou, mordendo minha boca no processo. Doendo ao ponto de desperta.
Acordei ofegante e suado, apesar da noite janeira invernal. Olhei para o meu companheiro de quarto e ele dormia no mais profundo sono. Não o tinha visto chegar na noite anterior, após a estranha conversa que eu tivera com Alex fui direto para o quarto e ele não havia chegado.
Me mexi na cama e senti algo quente, úmido e pegajoso na cueca. Me levantei e fui correndo para o banheiro, abaixei as calças e vi que meu pênis estava meio duro e coberto por um fluido branco, o responsável pela sensação. Eu não sabia exatamente o que era, me limpei com o papel higiênico e lembrei de uma conversa que eu tivera com o Mick em que ele falava sobre algo parecido.
Um temor percorreu toda minha espinha, naquele momento sabia o que significava e a lembra do sonho ainda recente, respondia o que a causara. Cai no chão e comecei a chorar, era errado e sujo. Passava a mão pelo meu corpo com repulsa. Eu estava sucumbindo ao pecado, ele estava entrando dentro de mim e me corrompendo cada vez mais.
Olhei para o céu e pedi perdão para Deus, me debulhava em lágrimas.
— Me perdoe. – Me ajoelhei na frente da janela do banheiro, olhando para o céu sem estrelas, com as mãos unidas na frente do meu rosto. – Me perdoe. – Repetia sussurrando. – Eu sou fraco, estou pecando. Eu preciso de sua ajuda. Por favor, Deus, me ajude.
Fiquei assim por algumas horas até me acalmar o suficiente para me arrumar e ir para igreja. Eu sabia que ela estaria aberta, já se passavam das cinco horas da manhã, horário do início da primeira missa das freiras.
A escola estava completamente vazia, silenciosa e gélida. Ao ter contato com a parte exterior fui recebido por uma forte lufada da geada que caia. O céu estava completamente escuro como se estivesse ainda no meio da noite, as luzes dos poste de luz pareciam lutar em se manter acessas no cenário desolador.
Foi fácil reconhecer o caminho até a capela, pela trilha que as Irmãs deixara. A camada de neve acumulada deveria passar dos trinta centímetros, por sua espessura ao comparada com a trilha. Não foi um caminho fácil até a capela, o gelo em muitos lugares estava liso, inevitavelmente cai pelo menos uma dúzia de vezes, sendo uma delas muito dolorosa e que provavelmente me deixara com um grande hematoma nas costelas. Em certos momentos duvidava se seguia pelo caminho correto pelo tamanho breu e confusão que a escuridão e o cenário causava na minha imaginação.
Encarei cada um daqueles empecilhos como provação ao meu pecados. Quando finalmente cheguei a capela, as irmãs já saiam dela, apressadas para chegarem até a escola e se aquecerem. Discretamente entrei da igreja, sem ser percebido, fiz o sinal da cruz e me ajoelhei em um banco mais lateral e menos chamativo.
Comecei minhas preces em silencio, inevitavelmente recomecei a chorar. Sentia que algo de errado crescia dentro de mim ao longo desses meses e por mais que o tivesse ignorado, ou combatido em raras ocasiões, uma medida emergência deveria ser tomada antes que me consumisse completamente.
— Um pouco cedo para ir à igreja. – Vi Alex ajoelhar ao meu lado e fazer o sinal da cruz.
— Nunca é cedo ou tarde para ir à igreja. – Lhe respondi fungado com minha cabeça abaixada, evitando que me visse chorar.
— Está chorando? – Me perguntou.
Não lhe respondi, tudo permaneceu silencioso. Ficou por um tempo esperando minha resposta, até que desistiu e começou suas próprias preces.
— Estou. – Parei de rezar, e ainda de joelhos sentei em minhas pernas de forma incomoda.
Desta vez foi a sua vez de estar concentrado e ignorar.
— Por que chora? – Me perguntou depois de um tempo, me imitando na posição.
— Algo dentro de mim, me faz pecar. Ou melhor, querer pecar e ter pensamentos e sonhos pecaminosos. – Lhe sussurrei rouco.
— Interessante. – Me sussurrou de volta. – E o que seria esse algo dentro de você.
Fiquei super temoroso de falar, mas dada a situação e o emocional em que eu me encontrava, falei.
— É muito embaraçoso falar sobre isso...
— Apenas continue, eu não vou falar para ninguém. Vai ser nosso segredinho. – Seus olhos carregavam malicia, mas tamanha era minha vontade de desabafar que continuei.
— Eu tenho vontade de... de... de... – O loiro me olhava em expectativa. – ficar com garotos. — Falei rápido e ainda mais baixo.
— O que?
— Eu... – Comecei a soluçar.
— Fica mais fácil falar e aceitar o problema quando se consegue dize-lo. – Pela primeira vez, vi um lado mais humano dele.
Seu olhar sempre frio, agora demonstrava preocupação.
— Eu já falei, não sei se consigo repetir. É tudo tão errado.
— Eu não escutei. – Limpou as lágrimas que escorriam do meu rosto com mão. Seu toque me pegou desprevenido, assustando-me e arrepiando-me. – Fale novamente. Se te conforta, também posso dividir algo meu com você.
Respirei fundo e por alguns segundos ficamos em silencio.
— Eu sinto que gosto de garotos. – Meus lábios e olhos tremeram ao dizer aquilo.
Esperei apreensivo sua reação.
Algo totalmente inesperado aconteceu.
Ele se aproximou lentamente de mim e colou nossos lábios.
Fiquei estático, tinha durado no máximo um segundo aquele pequeno toque e eu não conseguia processar o que acontecera. Alex e eu mantínhamos contato visual, novamente não transmitiam absolutamente nada.
— O que foi isso? – Minha respiração começou a se acelerar, pensei que iria hiperventilar.
— O que sentiu? – Ele ignorou minha pergunta. – Se acalme. – Ele segurou nos meus pulsos, pois começara a ficar agitado.
— Eu não sei. – Estava me descontrolando cada vez mais.
— Eu sinto exatamente o que você sente todos os dias e luto com isso, fugir não é a melhor situação. Encare a situação, carregue essa carga nas costas e faça o possível para não ceder.
— Eu... eu... eu...
— Eu sei que é pecado, rezo todos os dias para que melhore, que mude isso dentro de mim. E o máximo que consigo e ficar com mais raiva de mim.
— Pensei que você cristão. Você vai a igreja todos os dias, estamos em uma agora...
— Eu sou, vou todos os dias e acredito que se Deus me fez assim foi para algum proposito, assim como fez os deficientes e os doentes. Temos algum proposito nessa vida, se eu nasci com o pecado dentro de mim, preciso lida-lo da melhor forma possível para não fazer algo pior.
— Eu... eu... eu... – Eu não conseguia se quer formular uma frase completa em minha mente.
Uma avalanche de informações desmoronavam na minha mente, era muito para se absorver.
— Eu posso ajuda-lo, se permitir.
— O que quer dizer com isso? – Consegui finalmente falar.
— Quero que sejamos parceiros.
— Isso é errado, homens não namo...
— Não seriamos namorados. Só compartilharíamos alguns momentos como esse para suprirmos nossas necessidades.
— O que? Eu não posso fazer isso. – Me afastei dele. – Eu não posso. – Me levantei.
— Blake. – Ele falou calmo.
— Eu preciso...
Sai correndo a esmo para fora da janela para dentro do boque do St. Agnes. Corri por um curto período de tempo, a camada de neve era tão grande que me venceu e cansou com facilidade. Quando dei por vencido, cai de cara na neve.
Meu rosto repudiou o gelo, um pouco de neve ficou grudado nele pelo suor quando me virei e fiquei de costas deitado, meu corpo afundou na neve. As lagrimas voltaram a escorrer pelo meu rosto, um dilema moral me atormentava. Vi quando o dia clareou antes de adormecer.
—x-
— Blake. – Escutei alguém me chamando. – Blake.
Abri os olhos e vi que era Yerik.
— O que você faz aqui? – Me levantei de supetão. Olhando para o lugar desconhecido em que me encontrava. – Aonde estou?
Era um ambiente completamente branco e amplo, com uma dúzia de camas e alguns armários. Eu estava coberto com uma coberta e com roupa hospitalar.
— Não se levante de uma vez. – Eles quis me empurrar de volta para cama, mas repudiei o seu contato.
Tal ação me fez lembrar dos últimos acontecimentos, uma profunda angustia me tomou.
— Tudo bem. – Percebi que ficar chateado com a minha reação. – Você está na enfermaria. O esquisito do Alex te achou perdido no bosque, dormindo, o que é ainda mais esquisito e te trouxe pra cá.
— Foi? – A proposta de Alex ainda me assombrava.
— Foi. Depois me chamaram, por dividirmos o quarto acharam que éramos próximos. Você está com princípio de hipotermia, vão banhá-lo em agua quente.
— Não! – Gritei alto, o assustando. – Eu não vou tomar banho.
— Você precisa. – Yerik se afastou indo em direção a porta. – Falaram que estará bem até o horário do almoço. – E saiu.
Assim que ele saiu, pensei em quais eram minhas possibilidades de fuga, o que menos precisa agora era de um banho. Sai da minha cama e fui até a janela ver qual era a altura que me separava do chão, se eu pulasse mesmo com a neve amortecendo meu corpo, provavelmente acabaria com mais ossos quebrados do que inteiros. Olhei para porta, que era minha única outra opção e quando fiz menção de ir até ela, ela se abriu e duas enfermeiras entraram.
Tivemos uma breve discussão, eu não estava pleno dos meus sentidos e uma breve tentativa de fuga pelo corredor, porém com a chegada de mais duas Irmãs fui neutralizado e arrastado até uma sala de banho.
Elas me despiram e me colocaram em uma banheira arcaica, de madeira que mais lembrava um baldão gigante, do que uma banheira, de água quente que cobriu o meu corpo até o pescoço. Me contorci lá dentro como se estivesse me afogando, batendo o meu corpo nas extremidades.
— Deixe-me sair! – Gritei.
— Ele está descontrolado. – Ouvi alguém falar, antes de apagar.
—x-
Quando acordei, estava novamente na enfermaria. Só que desta vez, meus braços e pernas estavam presos por grosas tiras de cinto de couro. Pela luz na janela, supus que fosse da metade para o fim do dia.
Olhe para os lados a procura de alguém, mas não encontrei ninguém. Demorou cerca de uma hora até uma enfermeira aparecer.
— Boa tarde, Sr. McCarthy. – Ela foi educada.
— Boa tarde, Irmã. – Lhe respondi calmo.
— Vejo que já está mais calmo depois do banho.
— Sim, Irmã. Eu tenho problemas com água, como deve ter visto na minha ficha escolar.
— Nós verificamos, posteriormente.
Eu percebi que meu corpo tremia, mesmo sem estar molhado, a sensação da água na minha pele ainda era recente.
— Posteriormente...
Não olhei mais para ela, preferia desviar o olhar.
— E lamentamos muito pelo ocorrido, fizemos o que achamos melhor para a sua saúde naquele momento. O Senhor estava com princípio de hipotermia e o método padrão da escola usado nessas situações é esse...
— Quando poderei retornar as minhas atividades como estudante? – A interrompi.
— Logo pela manhã seguinte.
— Obrigado.
Pela minha atitude, a enfermeira entendeu que eu não queria conversar.
— O seu responsável já foi comunicado sobre o incidente...
— Meu pai é advogado, o que ele acho do método que vocês utilizaram comigo.
Eu conhecia meu pai e ele conhecia o meu trauma, e de como ele sempre tivera as maiores precauções em relação a ele. Com toda certeza, certificaria de que a instituição fosse responsabilidade pelo o ocorrido.
— Ele aceito o nosso pedido formal de desculpas e a garantia de que nunca irá se repetir. Ainda ressaltou que o alertasse do perigo de andar na neve desacompanhado e no escuro. Lhe contamos que se perdera na ida até a capela, como o Sr. Smith nos contara.
Consenti com a cabeça decepcionado.
— Ele virá me ver?
— Não, só nos pediu que o contatasse caso seu estado piorasse. O que não foi o caso, já que se encontra estável e apto.
— Mas alguém veio me ver?
— Os Srs. Smith e Stanilau, as Srtas. Grant e Willy e sua irmã.
— Victoire?
— Ela estava aqui agora a pouco. Foi dispensada das aulas de hoje, assim como o Senhor.
— Obrigado.
Não nos falamos mais, ela pediu minha temperatura, que estava normal, verificou o soro quente no meu braço, me soltou e foi buscar o meu jantar. Neste meio tempo, alguém entrou na enfermaria.
— Finalmente acordou! – Vick falou assim que me viu.
— Vick! – Falei animado.
— Eu não acreditei quando me falaram o que fizeram com você. – Falou afetada. – Eu sinto muito.
Ela sentou na minha cama.
— Não está mais com raiva de mim?
— Estou. – Ela pegou na minha mão. – Mas a situação é acima disso.
— Eu nunca quis te magoar. – Comecei a chorar, senti ela dando tapinhas nas minhas costas consolando-me.
— Você sempre tem essa mania de querer inverter as situações. – Ela riu. – Querido você estava morrendo na neve, te jogaram na água, quando você é hidrofóbico. A última coisa que eu estaria fazendo era pedindo desculpa.
Ri singelamente.
— Como está se sentindo?
— Como toda as vez que eu tomava banho até os seis anos. E papai não vai fazer nada.
— Como não? – Ela estava indignada.
— A enfermeira me contou tudo. Papai não ficou tão aborrecido para tomar qualquer atitude.
— Eu vou ligar pra ele... – Ela fez menção de digitar o número dele no celular.
— Não precisa, Vick. Não se estresse por isso.
Ela me olhou estranho.
— Tem mais alguma coisa que queira dividir? Pelo o que te conheço, poderia ir de olhos vendados no meio de uma tempestade de neve até aquela capela que não se perderia. Aconteceu alguma coisa que o fez parar no meio do bosque?
— Eu fugi. – Confessei.
— De quem? Do Marc? – Ela ficou irritada. – Se ele te fez alguma coisa...
— Não, não. – A interrompi. – Não foi ele.
— Foi quem então? Sabe que posso fazer a vida dessa pessoa um inferno.
— Não foi exatamente alguém. Na verdade, sou eu. Algo que está me matando por dentro, me corrompendo.
— Você está com um câncer?
— Não. Eu... – Desviei o olhar para cima. – Sinto algo diferente por garotos.
— Você é Gay? – Ela perguntou de supetão, me assustando.
— Não! Eu não sou gay! – Gritei.
— Só sinto algo diferente.
— Você diz atração, então é gay!
— Não diga isso, Vick.
— Estou dizendo a verdade, se está começando a enxerga-la, que a enxergue por completo.
— Tenho medo que se dizer isso, se torne verdade.
— Algo que é, não se torna.
— Eu sou horrível, como pude permitir isso? Não fui fiel à Deus e fui corrompido.
— Para com esse papo de ser corrompido. Isso não existe, você está tão bitolado na sua fé que está começando a se odiar, se tornando alguém auto destrutivo.
— Mas...
— Pare de pensar tanto e se ame um pouco. — Fiquei pensativo. – Se Deus te fez assim, como acredita, ele te ama assim também.
Lhe sorri fraco, ela pegou a minha mão e a apertou. O que ela dizia parecia fazer tanto sentido quanto não parecia. Alex e ela não tinha ideias parecidas sobre o assunto, mas pareciam concordar no mesmo quesito. Eu deveria aceitar o que eu era e parar com a negação.
— Parece que trai tudo o que eu acreditei a minha vida inteira. – Suspirei. – Parece que eu nasci errado.
— Blake, eu não sou uma cristã devota e você sabe muito bem disso. Porém, eu acredito que independente de qualquer coisa, Deus nos julga a partir de nossas ações uns com os outros, não exatamente pelo o que somos. Não sei se soei clara. – Ela pareceu confusa.
— Entendi. – Falei por falar, era difícil absorver e digerir tudo de uma vez.
— Eu já fiz coisas muito piores, para seus os valores e mesmo assim você nunca deixou de me amar. Eu não vou deixar de ama-lo por isso, e você também não deve. Já sofremos demais em pouco tempo de vida para ficarmos nos odiando.
Apertei ainda mais a mão dela. Ela encostou na cabeceira da cama e eu repousei minha cabeça no seu colo e voltei a chorar silenciosamente.
— Lembra de quando tínhamos acabado de perder a mamãe, você sempre ficava assim no colo dos outros. Especialmente no meu e no da Emy. – Balancei a cabeça em concordância. – Nada mudou muito. – Ela riu.
— E o papai? O que ele vai achar disso.
— Não pense nisso agora.
Não conversamos mais, ela ficou mexendo nos meus cachos enquanto eu permanecia encolhido no seu colo, era de certa forma nostálgico, como ela bem dissera. Segui sua sugestão e não relacionei meu pai a essa questão.
Passados alguns minutos, a enfermeira retornou com meu jantar, o deixando na mesinha de cabeceira.
— Deveria comer. – Vick sugeriu.
— Não estou com fome.
— Sabe que momentos como esses são propícios para seus problemas voltarem. Come logo que é melhor. – Foi bruta.
Me levantei do seu colo, me sentei na cama, peguei a bandeja na mesinha e comecei a comer.
— Lhe devo desculpas sobre o vídeo da noite de ano ano-novo, foi minha culpa. – Parei de comer e a encarei. – Eu que o fiz viralizar de propósito para ferrar com você.
— Eu lhe devo explicações sobre a noite de ano-novo... – Iniciei pegando em suas mãos.
— Olha, o que aconteceu naquela noite, eu prefiro não saber. Eu já superei isso por você, quero dizer, já me vinguei e passou.
— Só foi um beijo, eu juro. E veio da parte dele, ele pensava que eu fosse você. – Falei rápido, ao resgatar na memória os acontecimentos da festa.
— Pensou que fosse eu?
— Pensou, dizia seu nome.
— Então, ele gosta de mim?
— Não sei se ele é a melhor pessoa para você.
Ela me olhou fria, soltando a minha bruscamente em seguida.
— Por que diz isso? Por acaso, está afim dele?
— Não, Vick! Jamais!
— Por que diz isso, então? Ainda mais depois de tê-lo beijado.
— O beijo nunca devia ter acontecido, ele estava bêbado e me confundiu com você...
— Deveria estar muito bêbado para confundir isso. – Passou a mão nos próprios seios. – Com um pinto. – Apontou para o meu.
— Só acho que você mereça alguém melhor do que ele.
— Quem aqui seria melhor do que ele?
— Qualquer um que não te fizesse sofrer como ele faz. Criou uma disputa entre Cami e você, por ele...
— Não foi ele que criou nada, Blake! – Ela gritou comigo, me assustando. — Então ele realmente gosta de mim, apesar de ficar um pouco cego quando bêbado. – Falou mais para si do que comigo.
Preferi ficar em silencio até ter coragem de perguntar algo que me encodava desde que se responsabilizara pela repercussão do meu vídeo bêbado.
— Você não está envolvida com o vídeo das meninas, está?
— Jamais. – Ela respondeu séria. – Prezo por minhas meninas, jamais as exporia dessa forma, até mesmo Camille.
Suspirei aliviado, voltando a comer.
— Eu vou ir jantar. – Ela falou assim que terminei. – Não volto mais hoje.
— Tudo bem. – Lhe respondi. – Amanhã já terei alta. – Lhe estendi a bandeja para que ela levasse. – Pode leva-la de volta ao refeitório?
— Não. – Ela ignorou a bandeja. — Isso é trabalho da criadagem.
— Isso é muito feio de se dizer.
— Não me importo. – Sorriu, prestes a sair.
— Por favor, ao menos traga meu notebook.
— Eu mando alguém trazer. – Ela falou já do corredor.
A enfermaria era um local solitário, por isso, logo voltei a adormecer.
Quando acordei já era noite e a escola estava em um absoluto silencio, provavelmente deveria ser madrugada. Eu estava sem qualquer equipamento medico e na mesinha de cabeceira repousava meu computador.
Assim que o liguei, na área de trabalho já se destacava mensagens do Mick:
MICK:
Está tudo bem?
Me contaram que você passou o dia na enfermaria...
Assim que ver essa mensagem, por favor, me responder. Estou preocupado.
Blake McCarthy:
Oi. Mick.
Eu realmente passei o dia e noite na enfermaria, mas amanhã já terei alta.
Amanhã te conto com mais detalhes o que aconteceu...
Pensei que ele só visualizaria a mensagem de manhã, no entanto, logo mostrou-se que ele estava digitando.
Mick:
O que aconteceu para você parar na enfermaria?
Blake McCarthy:
Eu tive um sonho pervertido e acordei assustado. Fui até a capela rezar e me perdi no caminho de volta e acabei tendo início de hipotermia por adormecer na neve.
Mick:
Só isso?
Me parece uma versão bem resumida e omissa do que realmente aconteceu.
Mick me conhecia bem, porem isso não me impedia de ficar receoso em contar o que realmente aconteceu para ele. Voltei a digitar e lhe contei toda verdade, incluindo os meus sentimentos e tormentos internos, omitindo apenas a proposta de Alex.
Mick:
Pela primeira vez, devo concordar com sua irmã. Mas acho que não sou a melhor pessoa para dar conselhos sobre sua sexualidade.
Como muito bem sabe, eu sou gay. Então sou tendencioso no que falo.
Blake McCarthy:
Você é meu melhor amigo, claro que aceitaria seus conselhos. De quem mais deveria aceitar?
Mick:
É muito bom ler isso, mas enfim...
Se de um tempo, para se descobrir e realmente se entender. Não se preocupe com nada e ninguém, apenas em tentar se descobrir e se compreender.
Muitos conselhos só podem te atrapalhar e nem tente se classificar como: gay, hétero, bi e afins. Isso só vai te prender a rótulos, que carregam pesos que no momento só iriam piorar a situação.
Blake McCarthy:
Obrigado, Mick.
Foi o melhor conselho que ouvi hoje. Sinto que me ajudou de verdade.
Mick:
Já falou com suas amigas sobre isso?
Blake McCarthy:
Elas veio me ver quando eu estava dormindo então ainda não tive a oportunidade de contar nada. E não quero falar sobre isso por mensagem.
Mick:
Você está gostando de algum garoto?
Essa pergunta me pegou desprevenido, mesmo sendo por mensagem me causou rubor.
Blake McCarthy:
Por que pergunta isso?
Mick:
Por seu sonho erótico.
Blake McCarthy:
Não, acho que só foi fruto da minha imaginação.
Mick:
Se está dizendo, quem sou eu para contestar.
Blake McCarthy:
Não entendi.
Mick:
Mesmo se quisesse não conseguiria.
Enfim, deixa pra lá.
Já são quase 03hrs:00 da manhã, melhor dormimos
Blake McCarthy:
Está chateado com alguma coisa?
Te aborreci de alguma forma? Por que mudou de repente?
Mick:
Você não fez nada. Só eu que estou um pouco cansado.
Fiquei acordado esperando você me responder, agora preciso descansar.
Blake McCarthy:
Que fofo, mas não deveria ter me esperado. Nós acordamos cedo e tudo mais.
Mick:
Realmente não deveria mais esperar por você, mas enfim, uma hora eu aprendo.
Boa noite e melhoras.
Ps: Reflita um pouco sobre esse seu sonho, ele pode ter algum significado.
Blake McCarthy:
Obrigado pelos conselhos, boa noite.
A última mensagem dele me deixou encafifado, acabei adormecendo novamente pensando nela.
—x-
No dia seguinte fui acordado bem cedo pela enfermeira que me informara minha alta, sem nenhuma ressalvas. Voltei para o meu dormitório com a mesma roupas que tinha saído para me preparar para as aulas daquele dia, por sorte, teria Coral.
Quando cheguei no quarto, Yerik tomava banho. Aproveitei a sua ausência e rapidamente me troquei, peguei minhas coisas e fui para refeitório tomar meu café da manhã. Novamente alguns olhares voltaram a me seguir, no mínimo deveria ter se espalhado pela escola que eu me perdera no bosque.
Por sorte, encontrei Sam e Beth já no refeitório na mesa costumeira.
— Olá, lost boy. — Sam riu ao me cumprimentar.
— Bom dia a todos.
— Você está detonado. – Beth comentou. – Consigo perceber isso na sua aura.
— Beth, não se diz isso para alguém que acabou de ser liberado da enfermaria. – Sam a repreendeu.
— Mas digo a verdade, Blake está exausto, por mais que não aparente isso fisicamente, eu consigo perceber. Estou errada? – Beth me perguntou.
— Não. – Concordei.
— Viu.
— Blake, tem uma longa história para nos contar sobre ontem. – Sam olhou para mim apoiando o queixo nas duas mãos em expectativa.
Lhes contei absolutamente tudo, não poupando detalhes, desde o sonho, Alex e Mick.
— Eu falei que esse Alex era suspeito! – Sam falou alto demais.
— Ele não é suspeito, só é estranho. – Beth defendeu. – Isso vindo de mim, é realmente estranho. Acho que ele passa pelo mesmo problema que você, mas a forma que ele falou pareceu como de um dependente, o que vocês sentisse você uma espécie de vicio. Eu acho esse tipo de comparação completamente errada.
— Tome cuidado com ele, Blake. Não o vejo como uma pessoa boa que quer te ajudar, promete que vai se cuidar e não vai fazer nada sem pensar?
Assim que ela terminou de fala, como se atraísse, Alex entrou no refeitório. Percebi que imediatamente seus olhos me procuraram, porem assim que me encontraram se desviaram. Imediatamente fiquei constrangido, pouco tinha pensado em sua proposta, na realidade, só voltara naquele momento pois as meninas tinham tocado no assunto. Não me sentia tendencioso nem em aceitar e nem em recusar, querendo ou não, enfrentávamos a mesma situação.
— Não posso me afastar dele. – Suspirei.
Elas não o tinha visto chegar, inevitavelmente o procuraram com o olhar.
— Ele está te chantageando? – Sam perguntou desesperado.
— Não! Como vocês falaram, ele passa exatamente pelo o que estou passando, acho que podemos nos entender juntos.
— Cuidado! – Beth me alertou.
— Você já falou isso.
— Não, realmente cuidado. – Ela apontou para acima, onde uma gelatina em um copinho plástico voava em minha direção.
Rapidamente me joguei na cadeira, a tempo de ver a gelatina a sujando, no exato no lugar em que eu estava.
— Essa foi por pouco. – Suspirei.
Do outro lado do refeitório podia ouvir as risadas vinda da mesa de Marc, ele mesmo gargalhava.
— Eu vou atacar esse cretino! – Sam avisou.
— Não perca seu tempo. – Falei, me sentando na cadeira vazia ao lado.
— Ele é um tremendo babaca, você deveria falar para todo mundo que ele te beijou, agora que se aceitou como gay.
— Eu não sou gay. – Rosnei.
— Tudo bem. – Ela revirou os olhos, depois tossindo.
Novamente a mesma tosse seca, dessa fez durou mais.
— Já foi no medico ver essa tosse? – Lhe perguntei.
— Sim. Ele já me receitou um xarope. – Me respondeu depois de limpar a boca com o lenço que Alex lhe dera na última vez, vi que ele estava sujo de sangue.
Fiquei desconfiado.
— Queríamos saber se você gostaria de ser nosso par no baile? – Beth perguntou mudando o foco.
— O que? – A pergunta me pegou de surpresa.
— O baile vai ser no dia dos namorados, queríamos que fosse com a gente. Não queríamos que ficasse sozinho, e somo praticamente um trio inseparável. Tirando a parte intima entre Sam e eu.
Sam riu, voltando a tossir.
— Seria uma honra. – Sorri atordoado.
— Ótimo. – Ela riu para mim.
— O que deu todo o conflito entre meninas e meninos?
— Não deu em nada, como eu disse antes. A decisão das Irmãs foi soberana, o baile sadie hawkings vai acontecer e nesse final de semana reformaremos nossa ala.
— Algum outro conflito?
— Não. E mesmo que quisessem, as represálias que as Irmãs impuseram não vale a pena.
— Como assim?
— Suspensão sumaria na última semana de provas, então, praticamente a retenção.
— Pelo menos acabou com as brigas.
— Foi uma maneira esfarrapada de apaziguar os ânimos. – Beth revirou os olhos.
O sinal tocou e seguimos para nossas aulas regulares. Infelizmente durante todo o dia, as dividi com Alex, por mais que eu quisesse evitá-lo, não conseguia. Por mais que se mostrasse indiferente nas poucas vezes que me olhava e eu percebia, eu lhe devia alguma resposta. Quando finalmente chegou o horário do Coral, respirei aliviado por não ter que carregar toda aquela pressão por mais tempo.
Estava quase dobrando o corredor para chegar no Coral quando encontrei Marc.
Assim que me viu sua postura mudou, se antes ele estava apoiado na parede relaxado, naquele momento ficou estático como um soldado. Devia estar me esperando.
— Estava te esperando. – Sua voz mesmo depois de todo aquele tempo ainda me surpreendia, não completamente oposta ao seu porte físico, mas aguda o suficiente para se contrastar com alguém que se espera algo grave.
— Sobre o que seria. – Tentei me manter estável.
Marc já era naturalmente intimidador com seus quase 1,9m e porte de atlético de jogador de futebol americano, porém ficava ainda pior quando era intencional. No entanto, toda as essa postura era quebrada quando o lhe encarava, seus olhos possuía um brilho infantil, quase bobo.
— Você contou pra Vick, sobre a noite de ano-novo?
A pergunta não me pegou de surpresa, até esperava por ela.
— Confirmei aquilo que ela desconfiava. – Falei arrastado olhando para o chão.
— Por que fez isso? Eu estava bêbado aquele dia e te confundi com ela, não aconteceu nada demais. – Percebi que ele se aproximava de mim, senti que poderia ser agredido.
— Ela merecia saber. – Falei firme, mas com as pernas bambas e recuando para trás.
— Você não tinha o direito de contar! – Vi ele levantando sua mão para trás, um burro no mínimo estava a caminho, me preparei para o impacto.
— Então deveria ter feito. – Minha fala o pegou desprevenido, pois o fez recuar. – Você deveria ter falado pra ele, independente de quem fosse.
— Eu não sou gay, cara. Não tenho problema com isso. Mas vocês são muito parecidos e eu estava louco naquele dia.
— Diga isso a ela, não me deve nada. – Recuei um pouco mais, estabelecendo uma distância segura dele. Percebi que o tinha feito refletir. – Eu também não sou gay. – Falei para ele, tentando novamente me convencer.
Ele riu.
— Engane outro. Meu irmão é assumido a três anos, convivi com ele e seu “amigo” a vida inteira, sei muito bem que você é igual a ele.
— O assunto não sou eu. – Desviei do assunto. — Você gosta da minha irmã?
Antes inquieto, com a pergunta o fez parar. Coçou a nuca e o queixo, olhando para cima pensando.
— Gosto.
— Ela te ama. Vocês já passaram por tanta coisa... Pare de fazê-la sofrer, eu te peço. Eu não sou alguém de confronto, mas por ela eu viro. Sei que queria e me esperou aqui para me bater, se fizer isso e deixar minha irmã em paz, faça agora.
Lhe ofereci o rosto. Ele me olhou impressionado, se virou e saiu correndo para longe. Marc não iria para aula.
— Covarde. – Jessie falou assim que passou por mim, estava sozinho.
— Você ouviu nossa conversa?
— Em partes. Mas nada de novo. – Ajeitou seus óculos. – Sou colega de quarto dele a três anos e covarde com certeza é um adjetivo para ele.
— Você acha que ele ama minha irmã?
— Ama. Mas ambos precisam amadurecer para dar certo.
— Não imaginei que soubesse tanto sobre o relacionamento dos dois. – Começamos a caminhar até a sala.
— Você não imagina o quanto.
Assim que entramos na sala nos separamos, eu fui ficar com minhas amigas e ele com Yerik. Não demorou dez segundos e Camille entrou depois, ela parecia bastante satisfeita.
A Sra. Underowood deu início aula dando alguns detalhes do baile.
— Será no dia doze de fevereiro no ginásio poliesportivo da escola. As vendas dos ingressos se iniciaram na próxima segunda, ao meio dia e se encerrarão no dia doze no mesmo horário. Para mais detalhes procurem a equipe da organização do baile, Abigail faz parte dela. – Apontou para garota. — Somente será permitido a compra dos ingressos por garotas[...]
— Vejo muita gente não indo. – Camille soltou rindo.
— [...] A escola nos pediu que ficássemos responsável pela música, e eu de bom grado concordei. — Todos vaiaram. – Será rotativo, podem se apresentar em grupos, duplas ou solo...
Ela continuou falando do baile, até que Camille saiu e levou consigo a maior parte dos garotos e Joanne, justificando que se trocariam para a apresentação da tarefa semanal.
— Alguém mais se apresentará hoje?
— Não. – Os que permaneceram disseram, menos Beth.
— Aos que ainda não se apresentaram: Jessie, Yerik, Blake e Marc, tem até semana que vem para apresentarem algo, se não estarão fora. Avisem ao Sr. Cruz, por favor.
Jessie acenou para mim, me lembrando do nosso dueto.
Quando Camille retornou ela estava completamente fabulosa, seus cabelo estava preso em um coque elegante, deixando evidente as pedrarias prateada que usava do pescoço. Vestia-se com um vestido elegante rosa no estilo sereia com luvas de mesma cor e xale de pelo sintético de coelho branco. Seus lábios estava pintado em um vermelho rosado que destacava seus olhos azuis com delineador e lápis preto.
Os garotos vestiam um smoking preto elegante com uma faixa rosa no peito. Joanne estava parecida com Camille, só que mais simplista, o seu vestido era dois ou três tons mais claros e aparentemente menos caro do que o dela.
— Que produção. – A Sra. Underwood falou surpresa.
— Lembre-se disso quando for escolher a solista, professora. – Camille falou antes de iniciar sua apresentação.
Some boys kiss me, some boys hug me
I think they're o.k.
If they don't give me proper credit
I just walk away
They can beg and they can plead
But they can't see the light, that's right
'Cause the boy with the cold hard cash
Is always Mister Right
'Cause we're living in a material world
And I am a material girl
You know that we are living in a material world
And I am a material girl
Some boys romance, some boys slow dance
That's all right with me
If they can't raise my interest then I
Have to let them be
Some boys try and some boys lie, but
I don't let them play (no way)
Only boys that save their pennies
Make my rainy day
'Cause we're living in a material world
And I am a material girl
You know that we are living in a material world
And I am a material girl
Boys may come and boys may go
And that's all right you will see
Experience has made me rich
And now they're after me
'Cause we're living in a material world
And I am a material girl
You know that we are living in a material world
And I am a material girl
Eles fizeram uma apresentação esplendida, quase idêntica a original da Madonna. No entanto, eu não sabia se aquela música transmitia a mensagem que era pedida para tarefa. Olhei para Sam e Beth e elas pareciam tão confusas quanto eu.
Aplaudimos e eles se sentaram.
— Parabéns ao envolvidos! Foi uma apresentação memorável, no mínimo. – A Sra. Underwood parecia muito animado.
— Passou a mensagem? – Me atrevi a perguntar a minhas amigas.
— Superficialmente, mas acho que sim. – Beth sussurrou de volta.
A Sra. Underwood ficou falando sobre apresentação e durante toda sua fala Camille não tirava os olhos de mim, causava me incomodo. A ideia dela ter me escutado mais cedo parecia cada vez mais provável.
Sam voltou a tossir atraindo minha atenção, não foi continuo como das outras vezes, mas tão desagradável quanto. A memória de uma fala do Alex me deixou em alerta: “Ela deveria procurar um médico urgentemente, conheço muito bem esse tipo de tosse, o que causa ela e o que pode acontecer, se não tratar.”
Olhei apreensivo para Beth, enquanto Sam limpava a boca.
— Srta. Grant queira se apresentar, por favor. – A professora chamou Beth.
— Claro. – Ela falou se levantando, ainda encarando-me.
Foi até o centro da sala e começou a cantar:
I suppose I should tell you what this bitch is thinking
You'll find me in the studio and not in the kitchen
I won't be bragging about my cars
Or talking 'bout my chains
Don't need to shake my ass for you
'Cause I've got a brain
If I told you about my sex life
You call me a slut
Them boys be talking 'bout their bitches
No one's making a fuss
There's a glass ceiling to break
Uh hu, there's money to make
And now it's time to speed it up
'Cause I can't move at this pace
Sometimes it's hard to find the words to say
I'll go ahead and say them anyway
Forget your balls and grow a pair of tits
It's hard, it's hard, it's hard out here
For a bitch it's hard
(for a bitch, for a bitch)
For a bitch it's hard
It's hard out here
For a bitch it's hard
(for a bitch, for a bitch)
For a bitch it's hard
It's hard out here
Sam voltou a tossir sem parar. Beth prossegui cantando e performando, apesar de continuar a olhando apreensiva.
If you're not a size six
And you're not good looking
Well, you better be rich
Or be real good at cooking
You should probably lose some weight
'Cause we can't see your bones
You should probably fix your face
Or you'll end up on your own
Don't you want to have somebody
Who objectifies you
Have you thought about you butt
Who's gonna tear in in two
We've never had it so good
Uh hu, we're out of the woods
And if you can't detect the sarcasm
You've misunderstood
Nesse momento, todos olhavam para Sam, ela ainda tossia e parecia cada vez piorar mais. Eu comecei a me levanta para acudi-la, percebi que a Sra. Underwood estava prestes a interromper a apresentação.
Sometimes it's hard to find the words to say
I'll go ahead and say them anyway
Forget your balls and grow a pair of tits
It's hard, it's hard, it's hard out here
For a bitch it's hard
(for a bitch, for a bitch)
For a bitch it's hard
It's hard out here
For a bitch it's hard
(for a bitch, for a bitch)
For a bitch it's hard
It's hard out here
(a bitch, a bitch, a bitch, bitch, bitch)
(a bitch, a bitch, a bitch, bitch, bitch)
(a bitch, a bitch, a bitch, bitch, bitch)
Sam parou de tossir, aliviando-me.
Inequality promises
That it's here to stay
Always trust the injustice
'Cause it's not going away
Não demorou muito e ela recomeçou a tossir.
Inequality promises
That it's here to stay
Always trust the injustice
'Cause it's not going away
Beth parou de cantar e gritou, assim que viu Sam caindo no chão desmaiada.
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