Notas iniciais
Coldwater, ESTADOS UNIDOS.
Três meses atrás.

Eu estava em meu quarto dormindo, tendo sonhos horrivelmente perfeitos, até que acordei assustada, logo me situei tentando saber o que estava acontecendo, meus ouvidos ficaram atordoados com os gritos vindos do andar inferior. Imediatamente fiquei com muito medo, na verdade, entrei em pânico. Depois de segundos angustiantes que pareciam horas, eu resolvi verificar o que era que estava acontecendo.

Decidi calçar as minhas pantufas no lugar de chinelos para fazer o mínimo de barulho possível, mas infelizmente quase nunca conseguia andar sem derrubar algo. Fui descendo a escada devagar degrau por degrau torcendo para que não me escutassem. Lá em baixo o som das tábuas rangendo na varanda se aproximava, até que a porta de repente se abriu e alguém vinha caminhando lentamente rindo na direção da escada, na minha direção, aquilo era sinal de que provavelmente eu fora descoberta, certamente; eu ainda escutava o som da minha mãe gemendo de dor lá em baixo, aquilo me torturava e o que não saia da minha cabeça era: quem era aquela pessoa? O que ela queria conosco? E por quê? Bom, pensar nisso agora era provavelmente inútil, eu precisava de respostas – mas concordara comigo mesmo que esse não era o melhor momento para consegui-las – eu precisava fugir dali, o quanto mais rápido possível.

Corri até a escada que se localizava na lateral esquerda do corredor, e a subi em uma velocidade incrível pensando somente em um plano para salvar a minha mãe – eu precisava salvá-la, nesse momento ela precisava de mim, caso contrário eu nunca me perdoaria, ela era a minha mãe, apesar dos defeitos dela, eu a amava e nunca deixaria de amar, ela cuidara de mim em todos os momentos da minha vida e eu sabia que agora quem precisava de ajuda era ela e eu estava determinada a tira-la dali o quanto antes, mesmo que isso custasse a minha vida. Eu já havia perdido meu pai, perder minha mãe seria como perder a minha vida. – quando de repente eu parei de correr e percebi que havia chegado ao sótão, no mesmo momento eu lembrei-me do que a minha mãe havia me dito no dia anterior, ela falara que se algo estivesse acontecendo e eu quisesse salvá-la eu precisaria sair da casa primeiro e lembrei-me que no lado direito do sótão tinha uma porta pequena escondida que levava até uma passagem secreta que dava em um túnel subterrâneo sob a casa, esse túnel terminava numa espécie de terreno abandonado que mais parecia um matagal, esse terreno ficava a três quilômetros da casa. Essa era a minha única solução, afinal eu morava numa casa numa fazenda na área rural e os vizinhos mais próximos dali ficavam a pouco mais de oito quilômetros de distancia. Parei de perder tempo pensando em possibilidades, abri a portinha a fechei e tranquei imediatamente com a chave que minha mãe me dera no dia anterior. Quando virei para encarar o túnel escuro percebi que havia uma tocha pendurada na parede, peguei-a e imediatamente comecei a andar pelo túnel examinando cada canto da passagem estreita, eu procurava qualquer sinal de vida que pudesse denunciar a minha presença ali, mas me tranquilizei quando percebi que estava sozinha; aquele local era úmido e aterrorizadoramente silencioso; logo a frente havia uma grande escadaria – por um momento questionei-me por existir uma escada ali, mas lembrei-me que estava no sótão e precisava chegar num túnel subterrâneo – Comecei a descer as escadas o mais rápido que conseguia, e continuava correndo com a tocha em punhos, procurava ficar alerta para qualquer sinal de que estava sendo seguida lá dentro.

Depois de alguns minutos eu consegui chegar no túnel subterrâneo e consegui percorrer ele em segurança, até que achei a saída para o matagal e a partir daí a ultima coisa de que eu me lembro era de alguém encapuzado e vestido todo de preto se aproximando. Depois me senti em uma queda livre, senti o orvalho da grama percorrer o meu rosto o molhando, eu não conseguia enxergar mais absolutamente nada, fui jogada na total escuridão, eu havia perdido os sentidos, não me lembrava mais do que havia acontecido, só sabia que precisava sair dali por um motivo muito importante, mas eu não conseguia retornar ao mundo real, não conseguia me lembrar do que eu precisava fazer, ou quem precisava salvar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.