Tempesta Di Estate
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Dedico esta fic a Argie, do RP Hetalia Chat, como presente de Amigo Oculto. Espero que ela goste - e que não coma meu cérebro depois de ler isso aqui.
Eis uma tarde linda da primavera européia, os pássaros cantando animadamente sobre as copas das árvores, crianças brincavam nos jardins repletos de flores com borboletas a circularem sobre as cabeças de quem transitava no local. Exceto uma pessoa. Seu nome: Lovino Vargas, mais conhecido como Sul da Itália. Função: ficar emburrado, não importa o dia nem a época do ano, ainda mais quando o destino lhe traz a casa de seu antigo patrão Espanha, vulgo, Antonio Fernandez Carriedo. Embora não gostasse da companhia do espanhol, na parte mais íntima e profunda de sua mente sentia falta do seu antigo patrão.
O italiano de cabelos castanhos avermelhados para em frente a uma casa simples do subúrbio de Madri. A janela ao lado da porta estava aberta, mostrando um rapaz moreno ocupado com os afazeres na cozinha. Parecia um tanto atrapalhado, já que a massa de pizza caiu bem em seu rosto enquanto Lovino o espiava relutantemente vermelho. Assim, mesmo “relutante” ao bater na porta, o fez e foi prontamente atendido pelo espanhol. Este, além de sua costumeira roupa de tons terrosos, estava com um avental estampado com vários tomates. — Que bom que você veio, meu fusoso! – disse ele, o abraçando e causando mais irritação no italiano. — Já falei que não quero que você faça isso. – respondeu irritado. – Está tentando fazer uma pizza? – diz, apontando para a massa na cabeça do espanhol. — Ah, sim! Era para ser uma surpresa, mas, bem você sabe... – disse um tanto atrapalhado. Lovino, já mais irritado do que era costume, resolveu pegar a massa e dar um jeito na pizza do espanhol. Enquanto isso, Antonio abriu um vinho que tinha guardado de sua última viagem à Itália. Uma viagem um tanto esclarecedora, mas que o caro amigo italiano tinha vontade de esquecer. O espanhol ofereceu uma taça ao seu “pizzaiolo” e pegou outra para si. — É bom se animar, hoje vai ser uma noite longa. — Só você mesmo para me fazer vir num final de tarde para fazer pizza, sendo que posso comer isso lá em casa. — Mas não é só isso que eu quero. – disse o espanhol com um olhar no qual Lovino não se sentia confortável. – Vamos assistir um filme hoje. Mas, antes disso quero saber: porque aceitou o meu convite? — Não vim por causa de você, se quer saber. Eu estava sem opção: o potato-macho iria visitar meu irmão lá em casa e não queria ser um castiçal ambulante, se é que me entende?! — Você ainda não aprova aquela amizade entre os dois? — Se aquilo você chamar de amizade... – diz isso botando a massa para assar e picando alguns tomates para fazer um molho e deixar pronto. — Bom, mudando de assunto, tenho uns DVDs aqui de filmes que poderíamos assistir. Deixa eu ver... – pega uma pilha de DVDs que estavam empilhadas na mesinha da sala e começa a citar os nomes... – Bem, temos O Iluminado, Alien O Oitavo Passageiro, Predador, O Grito, O Chamado, Jogos Mortais, Cloverfield... — Deixa eu advinhar: você pegou sugestão com o Homem-Hamburguer? – disse entediado, olhando para a panela com o molho no fogo. — Na verdade, ele se ofereceu na última reunião com os países...- responde um Espanha contrariado. — Você que é o bobo de levar aquelas sugestões à sério. — Isso veremos, com você ao meu lado assistindo. – diz Antonio sedutoramente ao pé do ouvido do italiano... Os cabelos da nuca de Lovino se arrepiaram, mas tentou não demonstrar. Não quer que se repita aquela noite na Itália da outra vez. Aquela noite, que tentou esquecer em vão... Espanha, vendo que o italiano só estava enrolando para terminar o molho, desligou o fogo e o arrastou para o sofá, onde colocou um dos DVDs qualquer no aparelho e botou para rodar o filme. Embora o sofá fosse um pouco pequeno, ou melhor, propositalmente pequeno, Lovino insistia a ficar do lado oposto ao do espanhol. O filme começou e o italiano já viu que não iria gostar. Não era fã de suspense, ainda mais quando se juntava terror no meio da história. E o filme era a união dos dois, com o bônus da câmera tremendo para simular realismo do ponto de vista dos personagens. Espanha, com o canto dos olhos, prestava atenção em cada reação de seu amigo e tentava, lentamente, se aproximar do rapaz. Mas algo chamou atenção antes que colocasse suas intenções em prática: cheiro de algo quase queimando. Como quase que ligado do torpor que estes filmes de suspense lhe causavam, Lovino levantou-se abruptamente e foi automaticamente para a cozinha rechear a pizza. Enquanto isso, Antonio pausou o filme e foi buscar mais vinho. Ele percebeu que, quando o italiano sentia medo, em desde demonstrar mais claramente, ele tomava goles de vinho de sua taça para disfarçar, até acabar a garrafa. Mas, sabia que precisaria mais do que uma garrafa para Lovino se embebedar. — Vamos precisar mais de vinho, não, Lovino? — Sim. – disse ocupado com o recheio da pizza. Porém, Lovino não aparentava estar tão bem assim: ao pegar o azeite, quase o derrubou e causou um desastre culinário, se não fosse as mãos ágeis e cuidadosas do Antonio ao segurar o vidro de azeite e, sem querer, relar seus dedos nos dedos de Lovino. Um choque foi transmitido neste toque, mas nenhum dos dois resolveu comentar sobre o assunto. Automaticamente, Lovino, com as faces levemente rubras, colocou a pizza já com recheio no forno enquanto o Antonio terminava de guardar os restos dos ingredientes da pizza na geladeira e pegava outra garrafa de vinho.
Os dois se sentaram ao mesmo tempo no sofá, enquanto Espanha apertava o “play” do aparelho de DVD, Lovino enchia mais uma taça de vinho. O filme começou de onde parou, assustando rapidamente o italiano, que a cada susto, enchia mais um tanto de vinho em sua taça. Espanha, desta vez, foi se aproximando lentamente de onde o Lovino estava sentado, até que, numa cena em que finalmente o monstro do filme aparece, o italiano se esquece que está na casa do espanhol e se agarra na primeira coisa que estava próxima dele: o próprio anfitrião. Nisso, derrama vinho pela camisa, que o espanhol automaticamente tira e deixa Lovino sem jeito. A temperatura da sala aumenta uns graus, mas não a ponto de surgir algo a mais que apenas os olhares de dois caras mais que amigos, mas que não querem assumir algo especial entre si. Mais uma vez, impedidos pelo cheiro convidativo da cozinha: a pizza estava pronta. Antonio, atordoado ainda pela cena ocorrida no sofá da sala, levanta-se sem camisa mesmo e termina de colocar os pratos na mesa. Lovino, tentando não lembrar da cena no sofá, que remeteu a uma cena na Itália, da última vez que se encontraram, ocupou-se de tirar a pizza no forno e fatiá-la. Mas não conseguia se concentrar muito, pois o espanhol não se deu conta que estava sem camisa e a imagem daquele vinho percorrendo seu tórax definido ainda não saia de sua cabeça. Ao se sentarem a mesa, embora sem uma palavra, os olhares se cruzavam como faíscas em noites de tempestades, como se, a qualquer momento, o vento e a água resolvessem se unir numa dança no céu. Porém, ao chegar na sobremesa, a lata de sorvete escorregou da mão de Lovino e, como já estava aberta, caiu parte do sorvete em cima da sua roupa. Bem, então a tempestade começou, e não tinha filme, nem pizza, nem sorvete, nem vinho e, muito menos camisas, que pudesse parar o que aqueles dois precisavam resolver.
Notas finais
Agradecimentos especiais a Hamiko, do RP Hetalia, que me ajudou (e muito) a bolar a idéia desta fic e à Ninaheartbroken, também do RP, que revisou minha fic carinhosamente e me incentivou a postá-la aqui. Espero que gostem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
Fale com o autor