Telma na Luta

20 E a luta continua


Os sorrisos contidos das poucas colegas presentes sinalizava que havia alguma coisa no ar aquela manhã quando Telma chegou no estágio. Nem bem aproximou-se da mesa, viu as flores e os docinhos dispostos a formar o letreiro Viva Telma. Logo em seguida as colegas emergiram dos fundos do escritório e puseram-se a bater palmas. Telma ficou surpresa sem entender o motivo da homenagem. A supervisora surgiu do meio e explicou:

— A Telma foi a nossa estagiária que mais obteve êxitos nos casos onde atuou, e é um exemplo para todas vocês! Ela acabou de ser promovida a orientadora!

Em seguida todos se sentaram na mesa de reuniões, e a supervisora repassou um a um os casos tratados pelo conselho, sempre destacando como a atuação de Telma fora bem sucedida. Telma escutava calada, procurando conter dentro de si a felicidade que mal lhe cabia no peito.

A efusão com que Telma beijou Ronaldo já fez o rapaz adivinhar que aquele estava sendo um ótimo dia para ela. Foram para a igreja, e tudo ali parecia céu de brigadeiro. O pessoal estava animado, o pastor estava inspirado e o coral soou divino. Telma fez o sinal de aprovação para Carla quando terminaram de cantar, e ela veio até ela com ar de novidade. Puxou pelo braço um garoto, e apresentou-o:

— Esse é o Carlos!

Telma já conhecia aquele rapaz ruivo e bonitinho que começara a frequentar a igreja, e achou graça de ver Carla ficando com um garoto tão quietinho e bem comportado. Sim, as coisas estavam mudando, e para melhor!

— Carla e Carlos, HAHA Tá ótimo! — Respondeu, gracejando.

No dia seguinte, após terminar a faxina, Carla veio atrás de Telma com o olhar ansioso.

— Telma, eu queria falar contigo...

— Estou ouvindo! — Respondeu Telma, bem humorada.

— Será que dava para você falar com a tia para ela me liberar para eu sair com o Carlos esse sábado?

Telma riu, e respondeu:

— Eu conversei muito com a tia ontem sobre você!

— E...

— Está liberado!

— Amigaaaa... legal! Escuta, será que dava para você pedir para ela liberar uma roupa legal lá daquelas que eu trouxe?

— Acho que não vai ser preciso...

— Ahn?

— Eu já disse, eu conversei muito com a tia sobre você ontem.

— E...

— Ela liberou uma coisa para você.

Telma exibiu a chave do armário onde o guarda-roupa de Carla estava guardado desde que ela chegara. Os olhos de Carla se arregalaram e o rosto dela iluminou-se.

— Mas isso não é presente, isso você conquistou! Agora vê se não vai desapontar a tia, senão...

Lá nos fundos da sala tia Vitória contemplava a cena com um sorriso de satisfação. Telma sabia que nada daquilo que estava acontecendo era por acaso, tudo fora o produto de uma longa luta. Pensou, a vida é assim mesmo, uma luta. E ela era somente uma lutadora.

A campainha tocou. Estavam chegando uns parentes que fazia tempo Telma não via. Os cumprimentos foram calorosos. Telma sentiu o orgulho da tia ao apresenta-la.

— Essa é a Telma, filha da Nilce!

— Oiii como vai, Telma?

Cercada de sorrisos e com tanta satisfação transbordando do peito, Telma fez força para não se sentir presunçosa. Discreta, respondeu:

— Na luta!

F I M

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