Passaram-se 10 anos desde que derrotaram no Naraku e a Shikon no Tama ser destruída. Kagome tem dois filhos com Inu-Yasha, Rin continuou sob os cuidados de Kaede e a família de Miroku e Sango não parara de crescer, o que não surpreende ninguém. Tudo estava na maior 'paz', mas não se podia dizer ao mesmo sobre o coração de uma, agora, jovem de 18 anos. E essa jovem era Rin, que agora, já crescida podia tomar decisões sobre sim mesma e tudo que envolve sua vida e seu futuro.

Depois de viver 4 anos com Kaede, e receber treinamentos de Kohaku, tornou-se uma taijia. E ao completar 15 anos resolveu viver sozinha, não queria ser estorvo para ninguém. E assim ela viveu nos últimos 3 anos, trabalho em aldeias, mas nunca permanecendo nelas. Sentia falta de todos, mas somente Sesshoumaru não sai de sua cabeça 24 horas por dia. Não sabia o que sentia, e por não saber sempre achou que os sentimentos que nutriu por ele eram como de uma filha por um pai... Bom, até ao seu reencontro. Apesar de tudo Rin não ficou chateada nem triste por Sesshoumaru-sama não a ter visitado mais. Ela já sabia que isso iria acontecer.

Rin passava por um vilarejo nas terras do leste quando avistou ao longe um youkai de duas cabeças. Embora ele seja bem familiar, ela não consegue lembrar de onde o conhece.

-Ssshoumaru-Ssama... — ouviu ao longe um berro que lhe fez voltar aos pensamentos, que antes, estavam esquecidos. E a primeira coisa que lhe veio à mente foi à imagem de um 'ser' verde e pequeno, portador de um cajado de duas cabeças, correndo e, conseqüentemente, caindo. Ela sorriu ao lembrar do amigo.

-Jaken-Sama... — ela suspirou acordado de seu devaneio e pondo-se a andar. — Ele continua escandaloso como sempre. Coitado de Ah-nu.

-Rin... — ouviu uma voz forte e grave pronunciar seu nome, como antigamente, que lhe fez novamente parar. Ela se virou lentamente, com medo de cair em mais uma armadilha de sua mente. Sentiu seu coração bater forte, como se quisesse sair de seu peito.

-Sesshoumaru-sama... — ela não acreditava que o estava vendo novamente, parecia uma ilusão.

-Parece que você cresceu, não é? — ele a olhava, ou melhor dizendo, a estudava.

-Esperava que eu ficasse criança para sempre? — Sesshoumaru se surpreendeu com essa resposta e sentia que Rin não estava com medo de afrontá-lo assim. Na verdade tudo nela mudou, não somente fisicamente, mas algo mais havia mudado e ele não sabia dizer o que era. Ela percebera que Sesshoumaru tinha ficado mudo com a sua resposta e resolveu aproveitar um pouco. -Se surpreendeu com a minha resposta? Ou por eu não ter sentindo medo ao falar? — ela sorriu.

-O que aconteceu com você? Não é a Rin que eu conheço. — ele disse olhando em seus olhos e se surpreendendo novamente por ela não ter desviado o olhar, como sempre acontecia.

-Caso não tenhas percebido, Sesshoumaru-sama, eu cresci e com isso tive que amadurecer também. Não podia continuar sendo aquela criança boba e ingênua, não acha? — ela cruzou os braços.

-Não me referia a isso, e sim ao jeito que você está. E o que seria isso que você traz em suas costas?

-Nunca lhe vi tão curioso, Sesshoumaru-sama. E isso se chama katana. — ela tirou a katana do compartimento em suas costas, mostrando-a para Sesshoumaru. Aos olhos de outros, ela parecia bem pesada, mais Rin a manejava como se fosse feita de papel.

-É diferente das que os humanos usam. — ele estava, realmente, intrigado com Rin.

-Ah Sesshoumaru-sama... O que lhe faz crer que ainda sou humana?- os olhos de Sesshoumaru arregalaram-se, demonstrando o quanto ele estava surpreso com isso.

-Ssesshoumaru-Ssama... — Jaken gritou e parou rapidamente. — Rin?

-Olá Jaken-Sama. — ela sorriu, ignorando completamente Sesshoumaru.

-Nossa! Como você cresceu.

-Queria poder dizer o mesmo sobre o senhor. — ela riu. O pequeno Youkai, sorriu.

-Você irá nos acompanhar Rin?

-Não poderei senhor Jaken, com certeza atrapalharei. Até porque provavelmente iremos em direções diferentes. — ela disse, girando a katana e a guardando.

-Para onde você está indo?

-Para um castelo nas terras do oeste. Do Kuro-sama.

-Estamos indo também para as terras do oeste. Espera...Kuro? Ssesshoumaru-Ssama, esse não é o nome do humano que toma conta do castelo de seu pai? — Jaken se virou para Sesshoumaru.

-... — como sempre, Sesshoumaru continuou calado. Rin revirou os olhos.

-Jaken eu acho que esse silêncio de Sesshoumaru-sama significa um sim. — Rin riu.

-Então menina... Irá nos acompanhar?

-Claro! Bom… Se o Sesshoumaru-sama não se opuser. — ela olhou para o Youkai.

-Vamos. — foi tudo que ele se limitou a dizer, virou as costas e começou a caminhar, deixando os dois para trás. Como no passado.

-Vamos Jaken-sama? — Rin sorriu, andando lentamente ao lado de Jaken e Ah-nu.

"O que ela quis dizer com 'O que lhe faz crer que ainda sou humana'? O que será que aconteceu nesses 8 anos que não a vejo?" Sesshoumaru refletia enquanto descansava em uma árvore, olhando de longe Rin e Jaken conversando. Ela realmente tinha mudado muito, parecia mais forte e ágil do que quando a tinha visto pela última vez. E parecia que ela não o odiava, conseguia ver isso nos olhos dela. Eles continuavam doces, embora agora pertencessem a uma mulher e não mais a uma criança. Sesshoumaru não acreditou em seus próprios pensamentos. Ele não a via mais como uma criança e sim como uma mulher. Uma mulher bela e independente.

Todos já tinham ido dormir, exceto Rin, que fora treinar. Trançou seus longos cabelos negros. Vestiu sua armadura preta e roxa, pegou sua katana e se afastou do grupo. Não queria interrompê-los, Embora a mesma soubesse que nada passaria despercebido por Sesshoumaru.

Após passar quase toda a madrugada treinando, descansou um pouco no tronco caído de uma árvore. Estava tão imersa em pensamentos que não percebeu uma aproximação, somente quando a mesma estava a menos de 5 metros de si. Retirou 6 dardos se um compartimento de sua armadura e lançou na direção do som. Sua reação foi de surpresa quando saindo da escuridão, Sesshoumaru apareceu com o 5 dardos em suas mãos, cada um preso entre seus dedos.

-Está louco Sesshoumaru-sama? Poderia ter lhe ferido. – Prendendo o sorriso.

-Humn... Sabe muito bem que sou rápido. — respondeu ele, com um tom de sarcasmo na voz.

-Sério? E o que este dardo está fazendo preso na manga de seu kimono? — Sesshoumaru olhou para seu kimono, mais o dardo não estava mais lá, Rin já o tinha retirado e agora o girava em seus dedos. -O que o senhor disse sobre ser rápido?

A irritação passou pelo rosto de Sesshoumaru, e o mesmo se segurou para não matá-la. "Como ela ousa falar assim com este Sesshoumaru?" ele gritava em sua mente, enquanto voltava para onde estavam acampados. Estava tão irritado que nem perguntou o que queria.

Rin sorriu, e riu internamente do seu antigo senhor. Mas não poderia fraquejar, não poderia lhe contar a verdade. Sempre achou que Sesshoumaru a considerava fraca, por isso ele a abandonou naquele vilarejo. E por esta razão recorreu a Harun. Mas depois de um tempo, já crescida entendeu sua decisão. Sabia que o Dai-Youkai não iria ficar sendo sua babá para sempre. Sabia que logo ela teria de perceber que não poderia mais ficar junto de Sesshoumaru, e foi com um pensamento assim que a fez fazer o que fez. Somente depois de perceber o que tinha feito, concluiu que isso não iria mudar em nada. Sesshoumaru ainda a veria como uma humana fraca, mesmo ela deixando de ser uma.

Suspirou fundo e trocou de roupa. Deveria chegar o quanto antes neste castelo, fazer o que tinha que fazer e nunca mais ver Sesshoumaru. E com essa idéia em mente, voltou para perto da fogueira, adormecendo logo em seguida, mas permanecendo sempre alerta.