Notas iniciais
Quando Mal recebe o terceiro número de telefone como gorjeta em um dia, ela sabe que tem algo errado. Ela também sabe que a culpa provavelmente é de Jay, então é a ele que ela confronta, quando a cafeteria em que eles trabalham se esvazia, a população de estudantes que é clientela ali na aula ou coisa assim.
–Então você finalmente percebeu? — Ele franziu o cenho, e Mal esperou pela resposta. — Que merda, mano, eu tinha essa aposta com o Ben que você não ia perceber até, tipo, a quinta vez ou coisa assim.
–Perceber o quê, exatamente? — Mal perguntou, cruzando os braços, e ela pode notar que, para Jay, era como se o Natal tivesse chegado mais cedo.
–Então você não percebeu? Legal, mano, valeu! — Jay disse, as costas eretas, e Mal fica confusa até que Carlos — Deus abençoe o coração dele — suspira, vindo dos fundos.
–Eles escreveram no quadro de sugestões. — Carlos suspirou, e Mal foi verificar o que raios estava fazendo ela ganhar números ao invés de gorjetas.
A resposta dela estava ali, escrita na caligrafia chique de Ben (é claro que era chique, ele era rico ou coisa assim), anunciando que o seu barista de hoje era "muito gay" e "solteirona", e que a sugestão do dia era "você me dar seu número".
Mal se perguntou de maneira vaga se ela conseguiria se livrar da cadeia após matar seus dois amigos, mas então o sino sobre a porta tocou, e ela tinha dois segundos, no máximo, para se colocar atrás do balcão com um sorriso no rosto. Portanto, ela perdeu o olhar e o sorriso da garota quando ela viu o quadro, mas Carlos e Jay, não.
–Olá, bem vinda a Auradon's, qual o seu pedido? — Mal perguntou, ouvindo Carlos suspirar, provavelmente dando uma cotovelada em Jay, e ela finalmente consegue dar uma boa olhada na garota em frente a ela.
–Oi! — Ela responde, analisando com olhos castanhos o menu atrás da cabeça de Mal, cabelo azul com uma trança complicada num coque. — Eu vou querer...
A garota então dita o que soa como o perfeito caminho para ter diabetes, e Mal anota com cuidado, mantendo os olhos de maneira respeitosa na garota.
Como é que ninguém havia dito para ela que Afrodite (Afrodite era a mais bela, não?) tinha voltado para a Terra e estava pedindo um monte de açúcar de uma só vez? Ela mal conhecia ela e já estava meio apaixonada.
–Mas é claro. Posso pegar seu nome, senhorita? — Mal perguntou, já se arrependendo das palavras saindo de sua boca. A garota sorriu.
–Meu nome é Evie, e se você me der cinco segundos e uma promessa de que vai ligar você pode pegar meu telefone.
Mal piscou uma vez, e então duas. A garota (Evie) continuou sorrindo, então Mal anotou o nome de Evie no copo (e se ela colocou o próprio número de telefone ali também, não era da conta de ninguém. Certo? Certo?) e passou o copo de isopor para um sorridente Jay, enquanto a garota de cabelos azuis deixava uma tira de papel dobrada no balcão, e foi esperar sua bebida/bomba açucarada.
Quando Evie foi embora, Mal lançou um olhar mortal para Jay, antes de colocar o papel no bolso.
–Eu perdi a batalha, mas ganhei a guerra. — Jay proclamou, deslizando para perto de Mal. — Entãão, eu talvez tenha visto alguns números bem familiares no copo. Algo a dizer sobre isso? Você planeja ligar pra ela?
–Você deveria pagar o que deve pro Ben. — Mal respondeu, dando de ombros. Ela, com certeza, não ia falar que ia ligar para Evie.
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