Teenage Nightmare
1 Missing : Tina Lewis
Ato I
A luz dos relâmpagos iluninavam aquele chão duro e molhado pela forte tempestade. Todo o ambiente estava escuro, e o que a luz dos clarões no céu revelavam eram corpos, muitos corpos, corpos de pessoas jovens, na mais tenra idade. Muitos corpos amontoados, como em um terrível holocausto.
Em meio a toda aquela carnificina, alguém caminhava a passos fundos pelas poças de água. Em sua mão, uma afiada faca de cozinha. Esse alguém era um garoto, um garoto muito jovem que caminhava com um olhar vazio e perdido entre aquelas centenas de corpos.
Em um susto, o jovem abriu seus olhos azuis e agora estava em um ambiente totalmente diferente, estava em um banco de um ônibus de viagem, que havia acabado de chegar ao seu destino, o terminal rodoviário da cidade de Shadow Hills.
Assim que acordou daquele estranho e terrível pesadelo, logo foi surpreendido por uma mão que batia na janela ao seu lado. Era o motorista, o ônibus como dito anteriormente, já estava em seu destino e todos os passageiros haviam descido.
O garoto, de estatura mediana, magro, cabelos loiros e arrepiados e olhos azuis, se levantou e pegou sua mala no compartimento acima do banco. Enquanto andava para fora do veículo, resmungava algo como : — Que porcaria de sonhos são esses? — Ou seja, dando a entender que o pesadelo era recorrente.
Seu nome era Rudy Sykes, tinha 17 anos e passou os últimos anos estudando em um colégio interno masculino na cidade de Fresno. Acabou sendo expulso do colégio por um certo incidente, e voltou a sua cidade natal, onde irá estudar no Commitment High School, o principal colégio secundário da região. Seu pai, Norman Sykes, é o xerife de Shadow Hills, e sua mãe, Rachel Sykes, uma renomada cirurgiã obstetra da cidade.
Rudy nasceu em Shadow Hills, mas devido ao internato, só visitava sua cidade natal nos finais de semana.
Ao por os pés na rodoviária, logo respirou o ar fresco, o que era característico de Shadow Hills, principalmente por ser uma cidade costeira. Enquanto caminhava, acabou por esbarrar em um pequeno garoto que caminhava distraído mexendo em seu celular.
— Hey, cuidado por onde anda, garoto!
— Oh, me desculpe! — disse sem nem olhar pra ele, estava vidrado no aparelho.
Rudy ficou parado procurando o carro de sua mãe, e pra sua frustração ela estava atrasada. O garotinho ainda estava ao seu lado, e como precisava "espairecer" enquanto esperava sua mãe chegar, decidiu puxar um assunto com ele.
— Com licença, garoto, mas o que está jogando no seu celular?
— Ah, não é um jogo, é um aplicativo que detecta a presença de fantasmas.
— Huh ... fantasmas?
— Sim, e pelo visto aqui está cheio, ele não para de vibrar!
Rudy deu uma breve olhada no celular do garotinho, o tal aplicativo tratava-se de uma tela com um ponteiro virtual que após girar bastante, formava uma frase na tela.
— Quando um fantasma se comunica, a fala dele aparece na tela, veja.
E de fato apareceu uma frase no aplicativo, dizendo "Caia fora dessa cidade".
Rudy riu, um pouco nervoso, mesmo que jamais confessasse isso, e em seguida disse : — Isso é tudo bobagem, essas frases são programadas, pode ver que depois de um tempo serão sempre as mesmas.
— Você acha?
— Claro que sim, isso é tudo enganação!
Naquele momento, a mãe do garotinho apareceu, o chamando para entrar no carro. Ele se despediu de Rudy e assim saiu dali.
Sozinho novamente, o rapaz agora voltaria a esperar por sua mãe. De repente, uma ventania começou, e um papel voou até parar em seu rosto.
Ao pegar o papel, viu se tratar de um desses cartazes de pessoas desaparecidas. Era uma linda garota provavelmente da sua mesma faixa etária, com longos cabelos castanhos aloirados e olhos azuis. Seu nome era Tina Lewis.
Ficou olhando o cartaz até que saiu de suas divagações com o barulho alto de uma buzina. Ao olhar pra frente, viu sua mãe, Rachel, acenando para ele, de pé ao lado do carro.
Rudy respirou aliviado e assim que chegou perto do carro, já recebeu os pedidos de desculpas de sua mãe : — Filho, me perdoe, eu sei que deveria estar aqui há 10 minutos, mas houve um acidente na estrada e eu acabei ficando presa.
Sua mãe era uma mulher de estatura mediana, magra e com cabelos loiros e lisos, presos em um rabo de cavalo, e os olhos azuis como os do filho (ou melhor, os dele eram azuis como os dela). Estava entrando nos 40, mas estava bem para a idade. Se vestia de forma bem social e tinha uma certa pose, assim digamos.
— Tudo bem, mãe, não perdeu muita coisa, só um pirralho mexendo em um detector de fantasmas para celular. — dizia Rudy enquanto entrava no carro.
Rachel fez uma cara estranha, mas não disse nada. Se ajeitou no banco do motorista, enquanto ligava o carro e perguntava : — Então, como foi a viagem?
— Eu dormi quase todo o trajeto, foi um tanto tediosa, mas não tanto quanto o período que passei naquele colégio.
Como já era de se imaginar, a sra. Sykes não reagiu muito bem a zombaria do filho, balançando negativamente a cabeça e dizendo : — Cuidado para não falar assim perto do seu pai.
— Imagino, ele deve estar me odiando mais do que tudo.
— Não diga asneiras, Rudy! É claro que o seu pai não te odeia. Ele só está desapontado.
Rudy não respondeu, apenas ficou quieto olhando para a janela, com o carro já em movimento. Sua mãe reparou no papel que ele segurava e perguntou : — O que é isso em sua mão?
— Ah, veio voando bem na minha cara. É um cartaz de pessoas desaparecidas, uma garota que parece ter a minha idade, Tina Lewis o nome. — dizia enquanto mostrava o papel.
— Hmmm ... é, seu pai está trabalhando nesse caso. Essa garota está desaparecida faz quase uma semana, completa uma semana amanhã.
— Vocês a conheciam? O que será que aconteceu?
— Eu já me encontrei com a mãe dela em alguns jantares, nada mais aprofundado do que isso.
Rudy ficou pensativo, estava estranhamente intrigado e interessado naquele caso de desaparecimento.
—--
Já em sua casa, o recém chegado agora estava na mesa do jantar com sua mãe e seu pai, ainda com as vestes de xerife, o sr. Sykes era um homem já com barbas e cabelos grisalhos, mas ainda assim era um homem muito bonito, alto e com um bom porte, além dos característicos olhos azuis dos Sykes.
Um silêncio sepucral era instaurado no momento do jantar, até que o patriarca da família o quebrou, dirigindo-se a seu filho : — Então, está preparado para a sua nova vida, Rudy?
Houve uma boa dose de sarcasmo e escárnio no "nova vida." Mas Rudy conhecia bem o temperamento de seu pai, e simplesmente deu de ombros e disse : — Sim, pai, estou preparado.
Norman respondeu com um riso forçado. Rachel olhou apreensiva para o marido e o filho e depois tentou desconversar, dizendo : — Norman, o Rudy viu o cartaz daquela jovem, Tina Lewis. Como estão as investigações?
— Não conseguimos nada, nem um único rastro, parece que a garota foi tragada pela terra.
— Céus, que coisa horrível! O que será que aconteceu com essa jovem?
— Os pais disseram que ela nunca mostrou sinais de rebeldia que pudessem ocasionar uma fuga de casa, sempre se deu muito bem com eles. Também não notaram nenhum contato com pessoas estranhas.
— É, isso é o que eles sabem, hoje em dia as coisas estão diferentes, não temos total controle na vida dos nossos filhos.
— A gente que o diga, não é, querida? — disse, mais uma vez se referindo a Rudy, olhando diretamente nos olhos do filho.
Rudy largou os talheres e se levantou da mesa, dizendo : — Ok, eu já entendi. Vejo que está feliz com o meu retorno, pai, eu posso ver. Eu vou para o meu quarto, não tenho interesse em participar da guerra fria.
— Meu filho, você nem tocou na comida. — disse Rachel.
— Eu perdi a fome, e estou cansado, preciso deitar. Se me permitem ...
Rudy se retirou da sala de jantar e subiu as escadas para seu quarto. Rachel estapeou o braço de seu marido com as costas da mão, dizendo em seguida : — Não deveria agir assim!
— Eu não sou como você, Rachel! Eu não irei agir com ele como se nada tivesse acontecido!
Rachel suspirou e levou as duas mãos a testa, fazendo um movimento de massagem enquanto dizia : — Eu não deveria ter suspendido o meu Valium!
Afinal, o que Rudy havia feito de tão terrível? Algo que ocasionou em sua expulsão e no total descontentamento de seu pai.
Aquilo provavelmente o incomodava também, pois ele estava agora deitado em sua cama, quieto e reflexivo enquanto olhava para o teto. O que essa "nova vida" iria lhe reservar?
—--
Era a manhã de um novo dia. Em um quarto escuro, o barulho do vibrar de um celular quebrava o silêncio matutino. Em sua cama, uma garota se revirava em meio as cobertas, até pegar no aparelho que vibrava ao lado com o som do despertador.
Se sentou, se livrando das cobertas. Tinha longos cabelos ruivos naturais, sardas no rosto e olhos azuis-esverdeados. Ao desligar o despertador, viu que havia recebido uma mensagem de sua mãe.
A mensagem dizia o seguinte :
"Sabrina, terei que passar mais uma semana fora. As coisas não estão muito fáceis.
Deixei um dinheiro na mesa da cozinha, dará pra você se manter nos próximos dias.
Beijos, sua mãe."
Ao ler a mensagem, Sabrina abriu um sorriso, estranhamente estava feliz em ficar sozinha, sem a presença de sua mãe.
Levantou e começou a fazer o trivial. Higienes matinais, banho, e logo estava arrumada para a escola. Sentou-se em frente a mesa do computador em seu quarto, com o café da manhã. Enquanto fazia sua refeição, decidiu fazer o que a maioria dos jovens fazem em frente a um computador, acessar suas redes sociais.
Acessando mais especificamente o facebook, Sabrina viu em seu feed de notícias uma postagem referente a Tina Lewis, a garota desaparecida. Resolveu então entrar no perfil desta, e o que viu foram muitas e muitas mensagens de amigos e familiares dizendo que estavam aflitos e que precisavam de respostas de seu paradeiro.
— Será que se eu desaparecesse teria tanta gente preocupada? — se perguntou enquanto mordia uma torrada.
Entre muita das mensagens, Sabrina viu uma em especial, de uma garota chamada Cora Winters. Imediatamente mudou a expressão de sua face para raiva e disse para si mais uma vez : — É, Cora, você é quem deveria ter desaparecido no lugar dela.
Saindo do perfil de Tina, Sabrina voltou para o feed e agora parava a seta do mouse na barra de buscas. Ficou com os dedos em cima do teclado e respirou fundo, pensando por alguns segundos, até que digitou um nome, e esse nome era "Rudy Sykes."
Entrou no perfil de Rudy, esse que não havia a opção de adicionar e apenas de seguir. Viu sua última postagem que dizia :
"Bom dia a todos os meus amigos e seguidores. Já estou em Shadow Hills, e agora que não estou mais em um colégio interno, terei mais tempo e espaço pra gravar. Quando voltar da escola farei um novo vídeo, fiquem atentos."
— Então ... ele já está aqui! — dizia a garota com um largo soriso de satisfação no rosto, como se já esperasse pela vinda de Rudy.
E pelo visto, ele tinha um vlog ou coisa assim.
—--
O Commitment High School já estava bem cheio de jovens aquela hora da manhã. O colégio tinha um enorme pátio com um canteiro, muitas árvores e um chafariz onde alguns estudantes se reuniam sentando-se em volta.
Uma viatura de polícia se aproximava, mas não era nada demais, tratava-se apenas do xerife deixando seu filho para seu primeiro dia de aula.
— Me sinto tão estranho em ser levado pra escola na sua viatura, parece que cometi um crime. — dizia Rudy enquanto abria a porta.
— Policiais também levam seus filhos a escola.
— Bem, acho que aqui que nos despedimos. Tenha um bom dia de trabalho, pai! — Rudy então quebrou o gelo dando um abraço em seu pai antes de sair do carro.
— E você tenha um bom dia de escola, por favor, Rudy, nada de se meter em confusão.
— Não vou me meter!
O xerife Sykes partiu com sua viatura pra longe dali e agora o jovem Rudy camihava sozinho pelo pátio, com todos aqueles alunos a sua volta. Se sentia estranho, pois não conhecia ninguém, mesmo que tenha nascido e crescido na cidade.
Se sentia estranho em meio a toda aquela gente estranha, será que conseguiria se entrosar? Bem, timidez nunca foi seu forte. E agora se sentia bem por também haver garotas ali, afinal, estudou durante um tempo só em volta de outros garotos.
Até que se deparou com uma cena um tanto quanto deplorável. Haviam uns três garotos perturbando um outro garoto menor. Esses três valentões estavam correndo em volta do garoto e atirando seu óculos um para o outro, deixando-o desorientado e obviamente sem enxergar direito.
Rudy olhava em volta e ficava abismado de ninguém fazer algo para impedir. — Como podem ser tão egoístas? — dizia.
Sendo assim, resolveu se meter e parar aquilo, não poderia deixar passar despercebido. Cerrou o punho e caminhou em passos firmes na direção dos bullies, parando no meio deles e dizendo : — Por que não deixam ele em paz, seus covardes de merda? Vão arrumar outra coisa pra fazer!
A atitude de Rudy só arrancou risos dos valentões. Um deles, que estava com o óculos do garoto menor na mão, andou na direção dele. Este era o maior dos três, tinha olhos azuis bem escuros e um cabelo loiro com um topete na frente.
— E você, quem pensa que é? Nunca te vi aqui. — com um sorrisinho de canto, ela já chegou crescendo pra cima de Rudy.
— Não importa pra você quem sou eu, eu só quero que pare com essa merda agora mesmo!
Aquilo só fez com que o valentão risse ainda mais, junto de seus companheiros.
— Escuta aqui, seu merdinha! Você não tem voz aqui nessa escola, ok? Sou eu quem mando aqui e você tem que aceitar!
— E se eu não quiser?
— Aí eu vou ter que partir esse seu rostinho lindo!
Rapidamente, Rudy segurou com força no braço do outro garoto, o braço que segurava o óculos, dizendo : — E se eu quebrar o seu braço antes?
— Tire sua mão de cima de mim, seu merdinha!
— Nem ouse tentar quebrar o óculos, ou eu quebro o seu braço! Acha que eu não posso fazer isso?
Os outros dois foram em direção a Rudy, mas ele logo disse : — Eu não faria isso se fosse vocês! Eu estou pronto pra quebrar o braço dele, qualquer músculo que mexerem e eu quebro!
O rapazinho que estava sendo incomodado pelos valentões observava tudo um tanto aflito, mas sem dizer nada. Rudy riu e depois disse : — E então, vai me dar o óculos ou não vai?
A face do valentão se encheu de ódio, mas ele acabou por afrouxar a mão e deixar o óculos livre. Rudy o pegou e segurou firme, dizendo : — Parece que eu quebrei as suas regras.
Apontando o dedo para Rudy e em um tom ameaçador, ele saiu dali com os outros dois, dizendo : — Você está muito fodido, garoto! Eu já marquei a sua cara!
— Isso era tudo o que eu precisava. Bem, acho que isso é seu. — Rudy então deu os óculos de volta ao garoto. Esse que por sua vez tinha cabelos lisos e castanhos, olhos da mesma cor e um corpo franzino.
— N-nossa, muito obrigado, de verdade! Eu realmente jamais poderia imaginar que você me ajudaria!
— Hmmm ... e por quê?
— Bem, não me leve a mal, mas você tem cara daqueles valentões de filmes. Sabe, aqueles que sempre aterrorizam um grupo de garotos desajustados.
Rudy fez uma expressão engraçada e depois riu, dizendo : — Não se leve muito pelas aparências, ok?
— A propósito, o meu nome é Andrew Bridge, e serei eternamente grato a você! — o nerdzinho se apresentou, estendendo a mão.
— Prazer, meu nome é Rudy Sykes. — respondendo o aperto de mão.
— O prazer é todo meu, Rudy!
— Bem, se cuida, Andrew! — Rudy acenou para Andrew e depois foi andando.
Porém, Andrew começou a seguí-lo, dizendo : — Espera, seu nome, Sykes, você é filho do xerife Sykes ou é impressão minha?
— Não é, eu sou mesmo filho dele.
— Nossa, que legal, bem ... não deve ser fácil ser filho de um policial, né?
— Nem um pouco.
— Talvez se o Lane souber disso ele fique com medo.
— Lane? Era aquele idiota?
— Sim, Lane Grey! Ele é um valentão como o dos filmes, e bem, agora você está bem encrencado, pois ele quer a sua cabeça!
— Eu sei, e a última coisa que o meu pai disse antes de eu descer do carro foi "Não se meta em confusão, Rudy!"
— Por que fez aquilo?
— Te ajudar?
— É!
— Por que eu não faria? Eu achei injusto e covarde, além de tantas pessoas aqui só olharem e não fazerem nada!
— Por que ninguém tenta nada contra o Lane Grey, e também, quem se importaria comigo? Eu sou apenas um desjustado!
— Bem, isso é ridículo!
— Sim, é, mas é a vida no ensino médio. Eu sou só mais um invisível.
Rudy não disse nada, mas continuou andando ao lado de Andrew, que por sua vez, continuou a falar : — É, se não se importa, eu iria gostar de andar contigo, sabe, você foi muito legal em ... em me ajudar daquele jeito, ninguém nunca havia feito isso por mim, e ...
— Tudo bem, Andrew, como quiser.
— É ... eu nunca te vi por aqui, onde estudava antes?
— Em um colégio interno pra garotos em Fresno.
— Wow ... intenso. E por que saiu de lá?
— Acho melhor não falarmos disso agora.
— Me desculpe, eu não queria tocar em um assunto que lhe incomodasse, e ...
— Está tudo bem, Andrew. Você não sabia.
— Eu imagino que aqui seja melhor. Por que ter que dormir aqui com certeza seria um pesadelo.
Enquanto falava, Andrew tirava o celular do bolso e verificava algo, dizendo depois : — Que droga, não acredito que ainda não atualizarem o Teenage Nightmare!
— Do que você está falando?
— Teenage Nightmare, é um jogo novo de celular.
— Nunca ouvi falar disso, sobre o que é?
— Nesse jogo, você cria um personagem e escolhe uma arma branca. Aí você tem que entrar em um colégio onde todos os outros alunos estão armados, você precisa enfrentar todos os que surgirem pelo seu caminho e fazer o maior número de pontuações possíveis.
— Hmm ... é só matança generalizada e sem um objetivo final?
— Pelo visto, sim.
— Qual a graça disso, então?
— Ajuda a descarregar a raiva e as frustrações.
— Pra isso existem terapeutas.
— Nah, o jogo é muito mais divertido que terapia! Mas ele não atualiza, nunca demorou tanto assim!
— Que tipo de atualização é essa?
— O jogo possui um ranking regional, atualizado a cada semana. Enquanto não atualiza, o jogo fica travado e impossibilitado de ser utilizado.
— Que droga, hein?
— Sim, e eu tô doido pra saber desse ranking. O último colocado é expulso do jogo, tipo, ele fica impedido de jogar pra sempre, mesmo se reinstalar o jogo, não consegue mais entrar.
— Bem, os programadores são um tanto radicais, eu diria.
— Tem razão, mas isso que deixa mais emocionante. Olha, se você estiver interessado, já aviso que não tem em nenhuma loja virtual, nem da Google, nem da Apple. Eu baixei por um link que disponibilizaram no Reddit.
— Ou seja, um jogo pirata.
— É, é isso!
— Não deveria jogar isso, com certeza pode causar sérios danos ao seu aparelho.
— Mas nunca aconteceu nada.
— Até agora, mas pode acontecer. Além do mais, não sabemos a origem desse jogo nem quem está por trás dele, pelo que disse, isso pode ser perigoso.
— Por que seria perigoso?
— Além de problemas com vírus você pode estar sendo vigiado por hackers.
— Não ... o jogo é inofensivo!
— A decisão é sua, mas quem avisa, amigo é.
— Eu vou te mostrar alguns prints de tela que eu tirei, você com certeza vai se interessar.
— Duvido, mas tudo bem, me mostre.
Os dois pararam no meio do caminho, e Andrew mostrou os prints para Rudy. Mostravam um boneco virtual semelhante a um personagem de anime, com uma faca na mão e muitos corpos ensanguentados em volta.
Essas imagens eram muito semelhantes para Rudy, eram totalmente iguais aos terríveis pesadelos que estava tendo. Ele chegou a se sentir tonto ao ver aqueles prints.
— Rudy? Algum problema?
Rudy levou uma mão na cabeça e depois a balançou, dizendo : — Não, não, está tudo bem, erm ... você pode me enviar essas fotos por mensagem?
— Claro, claro que sim, só me passar o seu número.
Algo de muito errado havia com aquele jogo, e Rudy tentaria descobrir o que.
—--
Em volta daquele chafariz que ficava no centro do pátio, dois garotos jogavam uma partida de Uno enquanto o sinal não batia. Um deles tinha olhos azuis, cabelos compridos, cacheados e castanhos, e uma expressão séria e fechada em seu rosto, enquanto o outro tinha olhos esverdeados, cabelos castanhos claros e uma visível melancolia no olhar.
— Droga, Bugsy! Você ganhou de novo! Eu não sei como ainda tento ... — dizia de forma frustrada na voz o garoto de cabelos curtos.
Bugsy deu de ombros e foi recolhendo as cartas. O outro garoto, esse se chamava Drake Barns, olhou a sua volta e disse : — Não está notando um clima estranho nessa escola?
Bugsy respondeu não com a cabeça. Drake mordeu os lábios e balançou a cabeça olhando pro nada e dizendo : — Parece que uma grande tragédia está pra acontecer.
O garoto de cabelos compridos pegou seu celular e pareceu estar digitando algo. Drake recebeu uma notificação de mensagem e ao ler, havia o que Bugsy digitou.
"Sempre parece que está pra acontecer uma tragédia aqui, nunca percebeu?"
Bugsy Silver era mudo, não de nascimento, mas por algo que ocorreu e causou a sua mudez. Provavelmente algum trauma , poucos sabiam a causa.
Sendo assim, ele se comunicava apenas por gestos e mensagens.
— É, eu tenho que concordar com você. Mas parece que as coisas estão mais intensas de uns dias pra cá.
"Tem algo a ver com o desaparecimento da Tina?" dizia a outra mensagem que Bugsy enviou para Drake.
— De certa forma sim, mas é como se esse desaparecimento fosse o prenúncio de uma tragédia ainda maior.
Bugsy respondeu com uma inclinada de cabeça e depois dando de ombros. Até que então, Sabrina Mills foi avistada por Drake, que abriu um sorriso e acenou para ela.
— Sabrina! Venha aqui!
A ruiva caminhou até onde os garotos estavam e se sentou entre eles. Primeiramente falou com Bugsy, lhe dando um abraço e parecendo bem próxima dele. Depois, olhou para Drake de forma estranha, falando com ele de forma menos amigável.
— Ah ... oi, Drake.
— Como você está? Soube que sua mãe anda meio ausente, está conseguindo se sair bem sem ela?
— Nossa, como as notícias correm, não? Mas sim, estou me saindo muito bem sozinha.
Ela enfatizou bem a palavra "sozinha." Drake ficou meio balançado, engoliu seco, dizendo em seguida : — Sabe ... não estamos mais juntos, mas não quer dizer que não goste de você. Eu me preocupo muito ... de verdade.
— Ok, Drake. Agora, se não for pedir muito, você poderia me deixar a sós com o Bugsy? Tenho algo importante para falar com ele.
O rapaz ficou bem sem graça, mas não tomou outra atitude a não ser atender o pedido de Sabrina. Se levantou dali e se retirou, deixando apenas ela e Bugsy juntos.
Sabrina revirou os olhos e depois voltou para Bugsy, dizendo : — O Drake não aceita mesmo que acabou e eu não quero mais nada com ele, não é? Ele comentou alguma coisa contigo a meu respeito?
Bugsy respondeu negativamente com a cabeça. — Menos mal! — respondeu Sabrina, olhando para os lados e depois voltando-se para o amigo, dizendo : — Bugsy, você não sabe! Ele está aqui! O Rudy! Ele chegou em Shadow Hills!
O garoto mudo respondeu com uma expressão de surpresa. Sabrina sorriu alegremente, dizendo : — Sim! Ele realmente está aqui, eu olhei a postagem no facebook hoje cedo. Ele chegou ontem na cidade, e provavelmente já deve estar aqui na escola. Eu não estou nem acreditando, está acontecendo, está mesmo acontecendo!
Bugsy pegou seu celular e mandou uma mensagem, essa que dizia "Agora só depende de você. Como vai se aproximar dele?"
— É, eu tenho que pensar muito bem nisso. Não quero parecer uma louca stalker, se bem que é o que eu sou, mas ...
Sabrina foi interrompida por Bugsy, que lhe cutucou e a fez olhar pra frente. Rudy vinha caminhando naquela direção, conversando com Andrew e alheio a tudo aquilo.
— Oh, meu Deus! Será que é agora que eu devo falar com ele?
Porém, assim que ela se levantou o sinal tocou. Rudy mudou o caminho pra lateral, indo em direção ao prédio do colégio, e logo uma multidão se formava indo na mesma direção. Sabrina bufou de frustração.
—--
Já dentro do prédio, Rudy caminhava meio perdido entre todos aqueles alunos. Andrew ajeitou os óculos e perguntou : — Qual a sua primeira aula?
— Eeeer ... biologia marinha, e a sua?
— Que pena, a minha primeira aula é de literatura. É aqui que nos separamos.
— Tenho que achar a sala, droga!
Uma mulher caminhava na direção dos dois garotos, olhando especialmente para Rudy. Essa mulher tinha pele negra, olhos castanhos e cabelos negros presos em um coque. Se vestia muito bem, com roupas sociais, um tanto parecidas com as roupas que a sra. Sykes usava.
— Bom dia, você deve ser Rudy Sykes, filho do xerife Sykes, não?
— Sim, sou eu mesmo. E a senhora, quem é?
— Permita-me me apresentar. Sou Ann Grier, a diretora do colégio.
— Ah, eu deveria ter imaginado. Muito prazer, diretora Grier.
— Rudy, se incomodaria de me acompanhar até a minha sala? Tenho algo pra falar com você, coisa rápida.
— Não, mas ... algum problema?
— Oh, nenhum problema. Eu só queria lhe esclarecer algumas coisas, nada de mais.
— Tem certeza de que não tem nenhum problema, diretora Grier? — perguntou Andrew.
— Nenhum problema, Andrew. Agora, pode se dirigir até a sua aula.
— A senhora poderia deixar o Rudy pelo menos me levar até a sala antes de falar com ele? É que ele é o meu segurança agora.
— Eu sou o quê??? — Rudy arregalou os olhos e fez uma careta engraçada com aquilo.
A diretora Grier apenas revirou os olhos e balançou a cabeça negativamente, dizendo depois : — Andrew, por favor, vá pra aula!
— Sim senhora! — Andrew fez um sinal parecido com "prestar continência" e correu dali.
Rudy foi acompanhado até a sala da diretora. Era uma bonita e pomposa sala, com uma longa mesa de mogno maciço e cadeiras acolchoadas em volta.
Sentou-se de frente para a séria mulher, que começou a falar : — Bom, Rudy, como eu disse, serei breve. Você sabe, seu pai é o xerife da cidade, é uma figura pública aqui em Shadow Hills, e uma pessoa íntegra por quem tenho muito apreço.
— Continue ...
— Deve imaginar que eu tenho conhecimento de que fora expulso do seu antigo colégio. Inclusive, um colégio muito renomado e não muito barato.
— Bem, aconteceu. Aqui estou, disposto a começar de novo.
— Espero que sim, Rudy. Já estamos passando por muitos problemas, principalmente com o desaparecimento de uma de nossas alunas. Temos que manter a paz e a tranquilidade do colégio, enquanto esperamos por boas notícias.
— Se o assunto era só esse, ok, pode contar comigo. — disse com uma leve dose de sarcasmo.
— Espero realmente que possa colaborar. Não é todo dia que recebemos um aluno expulso de outro colégio.
— Eu entendo a sua preocupação, diretora Grier, mas acho que a senhora também poderia averiguar melhor a conduta dos alunos que já estão aqui. Hoje mesmo eu intervi em um ato de bullying cometido por um aluno chamado Lane Grey contra o Andrew Bridge que estava comigo. Imagino eu que como toda escola, o Commitment High School não tolere bullying.
A diretora deu um breve suspiro e depois apoiou o queixo sobre as mãos, dizendo : — Sim, temos políticas contra bullying e já sabemos de outros casos do dito aluno. Tomaremos as medidas cabíveis.
— Eu espero que sim. Bem, há algo mais que queira dizer?
— Por enquanto é só, venha, irei levá-lo até a sala.
—--
Em um momento do dia de aula, Sabrina foi até o banheiro, onde após fazer suas necessidades, foi até a pia para lavar as mãos, enquanto se olhava no espelho.
Foi então que duas garotas entraram no banheiro. Uma de cabelos loiros e lisos na altura dos ombros, olhos castanhos e um forte batom vermelho nos lábios. A outra, ao seu lado, tinha olhos castanhos escuros, cabelos negros, lisos e bem compridos.
A garota loira estava com uma expressão bem irritada enquanto a de cabelos negros parecia estar um tanto quanto apreensiva. Sabrina viu as duas entrarem pelo reflexo do espelho e depois se virou com um sorriso bem debochado em seu rosto.
— A que devo a honra, Cora? — se referia a loira, sim, essa era a garota da qual olhou a postagem no facebook mais cedo. Cora Winters.
— Não se faça de cínica, Sabrina! Foi você quem fez aquele fake pra falar de mim no instagram, não foi?
Sabrina riu com ainda mais desdém e disse : — Fizeram um fake pra falar mal de você?
Cora se aproximou ainda mais, quase a prensando contra a pia. Com uma raiva intensa no olhar, ela continuou : — Pare de se fazer de debochada! É claro que foi você, quem mais perderia tempo pra fazer um perfil de ódio direcionado a mim?
— Bem, tenho novidades para você, Cora. Eu não sou a única que te odeia. Aliás, quase todos os seus amigos muito provavelmente te odeiam em segredo, até mesmo essa aí que você faz de escrava! — apontou com o queixo para a amiga de Cora, que chegou a recuar assustada.
Agora é que a srta. Winters ficou mais possessa ainda, se é que isso era possível. Em um ato de fúria, puxou a ruiva pela gola da camisa e a atirou para dentro de um dos reservados.
— Cora, não!! — suplicava sua amiga, mas ainda assim sem mover um único músculo.
Completamente enraivecida, Cora apontou o dedo para onde Sabrina estava e disse : — Você é completamente frustrada! Ninguém aqui gosta de você, a não ser o seu único amigo que é mudo e não pode pedir socorro!
— Cora, por favor, vamos embora ... — Sua amiga se aproximava e tentava tirá-la dali.
E sim, Cora foi embora com sua amiga, deixando Sabrina ali, com tanta raiva quanto ela, e pensando em muita coisa.
—--
O primeiro dia de aula havia terminado. Rudy caminhava pelo pátio da escola, a caminho de onde parava o ônibus escolar. Voltaria de ônibus, pois seu pai não estaria disponível para buscá-lo.
Enquanto caminhava, parou em frente a um mural que ficava ali, onde haviam alguns muitos cartazes de pessoas desaparecidas com o rosto de Tina Lewis.
Ficou observando as fotos e tentando entender o que poderia ter acontecido, estava mais entretido do que gostaria naquele caso.
Foi quando alguém se aproximou, e esse alguém era a amiga de Cora Winters.
— Ela era minha amiga ...
Rudy se surpreendeu com a menina que parou ao seu lado. Ela já chegou assim, falando, e ele nem havia percebido.
— Er ... me desculpe, eu não lhe vi se aproximando. Então, você e essa garota, Tina, eram amigas.
— Sim, éramos melhores amigas. Até hoje eu tento entender o que aconteceu, ela ter desaparecido foi como se uma parte minha tivesse ido embora.
— Eu sinto muito. A propósito, eu sou o Rudy Sykes. E você é? ... — disse, estendendo a mão.
— Muito prazer, Rudy! Eu sou a Sierra Christensen. — respondeu o aperto de mão, bem sorridente para quem estava tão triste.
— Prazer, Sierra! Então ... não faz idéia do que pode ter causado o desaparecimento de sua amiga?
— Não, ela nunca deu indícios disso. Estava sempre feliz, alegre, se dava muito bem com os pais e a família.
— Como ela estava no dia que desapareceu? — Rudy parecia ter herdado de seu pai policial a arte de interrogar.
— Nesse dia eu falei com ela aqui na escola, e depois não nos falamos mais durante o dia. Enquanto esteve comigo, ela parecia bem, mas no fundo, bem no fundo, eu sentia que ela estava apreensiva com alguma coisa.
— Apreensiva?
— É, mas eu não perguntei o que era e ela também não comentou nada comigo.
— Que estranho ... tem idéia do que poderia ter sido a causa dessa apreensão?
— Não, eu não faço idéia, isso é que torna tudo mais complicado.
— Eu sinto muito, de verdade. Nunca a conheci mas imagino como deve estar sendo para a família e para amigos.
— Obrigada, de verdade! Er ... Rudy, você é novo, não é? Eu conheço quase todo mundo desse colégio, mas nunca te vi.
— Sim, eu realmente sou novo. Não na cidade, mas no colégio. Eu estudei em outro lugar.
— Ah, entendo. Seja muito bem vindo, Rudy! — ela parecia convidativa demais com ele.
— Agradeço as boas vindas, Sierra.
— Er ... você está conseguindo se entrosar bem? Fez muitos amigos?
— Eu não diria "muitos".
— Olha, isso nós não costumamos fazer com qualquer novato, mas você parece ser uma pessoa legal. Minha amiga e também amiga da Tina, Cora, ela irá fazer uma reunião na casa dela hoje. Sabe, ela achou que seria bom reunir um grupo seleto de pessoas para não ficarem tão tristes pela Tina e para todos juntos tentarem, sabe, espairecer a mente.
Rudy notou que aquilo não fazia o menor sentido, mas não ia contrariar : — Eu entendo. Mas por que está me convidando?
— B-bem, é que ... a Cora disse que eu poderia convidar quem eu quisesse. E como eu não tenho ninguém pra convidar que ela não conheça e já não tenha convidado, acho que seria legal te chamar. Você sem conhecer a Tina parece estar tão preocupado, e também precisa conhecer pessoas.
— Ah, sim. Mas ... o que seria essa reunião? Um grupo de oração ou coisa assim?
Sierra riu de nervoso, passou a mão nos cabelos e depois respondeu : — Não, não, não é nada disso. Não quero que pense que somos insensíveis e estamos fazendo festa enquanto nossa amiga está desaparecida, não é bem uma festa, é que a Cora está sozinha esses dias pois a mãe está resolvendo assuntos de trabalho no Canadá, e então não queria ficar só, ela resolveu reunir algumas pessoas.
— Acho que eu compreendi um pouco melhor agora.
— Você pode ir se quiser, sabe, como o meu convidado. — Sierra realmente estava fazendo questão de que Rudy fosse.
— Eu não sei, Sierra. Não sei se seria bem recebido.
— É claro que você será, e se não for a Cora com certeza vai enxotar quem não lhe receber bem, eu prometo!
Rudy deu uma risadinha e coçou a parte de trás da cabeça, dizendo : — Bem, até lá eu vou pensar. Que horas começa?
— Começa as sete horas da noite. Eu posso anotar o seu número e te mandar o endereço por mensagem?
— É claro, pode anotar.
Rudy então deu o número de seu celular para Sierra, que anotou, e depois sorrindo alegremente, disse : — Está anotado! Espero que apareça, ficaremos muito felizes com a sua presença!
— Obrigado, Sierra. Eu vou indo, não quero perder o ônibus. Nos falamos depois!
— Claro, até mais! Não se esqueça de levar algo pra beber ou pra comer.
Rudy acenou para ela e se despediu, indo em direção ao ônibus escolar. A garota olhava pra ele se afastando enquanto ostentava uma cara de quem estava andando nas nuvens, até que saiu de suas divagações com a voz de sua amiga Cora.
— Sierra? Por que está com essa cara de paisagem?
Como quem está voltando de um transe, Sierra voltou-se para Cora e disse : — Ah, oi, Cora! Não é nada demais, bem, eu me vi na liberdade de convidar um garoto pra sua reunião de hoje.
— Que garoto?
— O garoto novo, Rudy Sykes. Ele se sentou perto de mim na aula de geografia hoje.
— Eu não sei quem é ele. Por que o chamou?
— Bom, ele parece estar triste pelo desaparecimento da Tina, mesmo não a conhecendo. Ele parece uma pessoa muito sensível.
Cora cruzou os braços, arqueou as sobrancelhas e depois disse : — Sei, você está gostando desse garoto, não está?
Sierra arregalou os olhos amendoados e começou a gaguejar. Cora gargalhou e continuou : — Tudo bem, que ele vá. Espero que realmente valha a pena.
—--
Rudy subiu no ônibus e assim que pôs o primeiro pé no veículo já ouviu a voz de Andrew vindo do fundo.
— Rudy, Rudy! Aqui, cara! — o seu "novo amigo" acenava constantemente pra ele sentar ao seu lado.
Rudy caminhou até o banco onde Andrew estava e se sentou ao seu lado, dizendo : — Cara, que mico, todo mundo estava me olhando.
— Me desculpe, mas eu não te via desde a hora da saída. Onde você estava?
— Conversando com uma garota.
— Hmmmm ... já está se engraçando com as garotas, é? Quem era ela?
— Não estou me engraçando com ninguém, cara. Essa garota era um tal de Sierra Christensen. Conhece ela?
— Claro que eu conheço, é uma das garotas mais populares da escola.
— Isso é serio? Ela me parecia um pouco tímida pra ser popular, elas normalmente são mais desinibidas.
— Sim, é sério! Mas ela é popular por andar com a Cora Winters, essa sim, manda no colégio Commitment, e não o Lane, ele é só mais um lacaio dela.
— Bom ... e se eu te disser que fui convidado pela própria Sierra para uma reunião na casa dessa Cora?
Andrew quase que levantou do banco em um impulso. Tirou e pôs os óculos novamente e depois de uns segundos de silêncio constrangedor, falou : — Uau! Você está bem visto, hein?
— Eu não sei, ela disse que por eu ter mostrado preocupação com o desaparecimento da Tina eu poderia ir a essa reunião como convidado.
— E você vai?
— Algo me diz que eu devo ir.
— Cara, tome cuidado, não pela Sierra, ela é só uma escrava. Mas pela Cora Winters, ela é o próprio Satanás encarnado em uma garota de 16 anos.
— Por que diz isso?
— Por que ela é cruel, ela é realmente cruel! Ela é do tipo que pisa em tudo e em todos se for possível. E pra variar, a família dela é endinheirada e tem uma grande influência na cidade.
— Acha então que eu não devo ir?
— Você é quem sabe. Se for, tome cuidado. A última coisa que vai querer na vida, estudando no Commitment, é ser odiado por Cora Winters.
— Você fala de um jeito ...
— Não é hipérbole, eu não estou exagerando uma única vírgula. Lidar com Cora Winters é como lidar com o Jeffrey Dahmer.
— Eu não consigo lhe levar a sério falando desse jeito, mas ok, eu vou tentar seguir o seu conselho.
— É o melhor que você faz.
— Mas e quanto a Sierra?
— Ela não é má pessoa, de verdade. Mas é um capacho da Cora. A Cora faz ela de gato e sapato.
— E por que é amiga de uma pessoa tão ruim?
— Bem, a recompensa por isso é a popularidade. Pra pessoas como a Sierra, é melhor odiar a sua vida mas estar entre os populares do que entre os perdedores.
— Isso é tão patético. Nunca entendi o porquê da maioria dos adolescentes levarem isso tão a sério.
— Não tente entender.
— Eu acho que eu vou a essa reunião. Eu acho que vou conseguir informações interessantes lá.
— Que tipo de informação?
— Eu não sei, mas algo sobre esse jogo de terror que você me falou, me fez pensar em algumas coisas.
— Que coisas?
— Bem, Tina Lewis está desaparecida faz uma semana. O ranking regional também atualiza semanalmente.
— E o que tem a ver?
— Algo me diz que há uma ligação bem estranha entre as duas coisas.
—--
Sabrina estava com seu aparentemente único amigo, Bugsy, em uma lanchonete. Ambos saboreavam batatas fritas que eram mergulhadas em potes de ketchup.
— Você tinha que ter visto, Bugsy! Ela apareceu lá, com aquela pose ameaçadora de ditadora! Desgraçada, ela pensa que eu tenho medo dela!
Bugsy respondia com seus gestos. Sabrina respirou fundo e continuou : — Pra variar não encontrei o Rudy! Preciso ser mais eficaz ...
Foi então que Bugsy pegou em seu celular e mostrou para Sabrina, que ao olhar, viu uma postagem que falava sobre a tal reunião de Cora.
— Há, que ridícula! A amiga desaparecida e ela vai fazer uma festa! Como pode ser tão oportunista?
Bugsy deu de ombros e depois guardou o celular no bolso. Sabrina coçou o queixo e depois ficou pensativa, logo abrindo um sorriso nada amigável em seu rosto.
Seu amigo inclinou a cabeça e ficou a observá-a como um gato curioso. Sabrina pôs o dedo em riste e disse : — É isso! Perfeito, Bugsy! Eu irei a essa festa!
Agora que o garoto não entendeu nada. Sabrina riu e enquanto mergulhava mais uma batata frita no ketchup, dizia : — Eu vou mostrar que ela não me intimida. Vou colocar a minha melhor roupa e dar as caras por lá. Ela vai ficar uma arara, e eu vou adorar ver isso! Hahahaha! Ela que me aguarde ...
E então, Sabrina estava decidida em ir a essa festa, ou reunião, como for melhor. Rudy provavelmente também iria. O que esse encontro poderia causar?
CONTINUA
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