Teenage Dream
6 Último Capítulo
Notas iniciais
FELICITY SMOAK
Um dia para o casamento.
Falta apenas um dia.
Olhei para cima e encarei o céu estrelado, estava frio e eu não havia me importado de trazer algo mais quente para me cobrir, mas ainda assim me sentia completamente incapaz de descer do telhado ainda. Os últimos dias haviam sido uma loucura, toda a casa havia se transformado em um quartel general, cada sala, cada recinto era destinado para alguma determinada missão nesse gigantesco casamento. Eu havia pensado que ia ser algo pequeno, apenas família, amigos íntimos e um ou outro empregado da Queen Consolidated.
Eu não poderia estar mais errada.
Minha mãe jamais deixaria ser assim, a ideia em si era ilusória demais.
E bem, ela era a noiva, o que podia fazer a não ser obedecer?
Então, como eu era inútil em qualquer coisa relacionada a planejar um casamento eu apenas fiz o que qualquer filha decente faria, eu acenei e concordei com cada palavra que saia de sua boca. Ela estava tão irritantemente alegre e apaixonada que eu não conseguia ir contra qualquer vontade sua, até mesmo com o enorme e ridicularmente roxo vestido de dama de honra eu concordei, olhando para o enorme sorriso em seu rosto quando me mostrou e foi impossível dizer que o eu realmente sentia sobre o vestido, seria o equivalente a chutar um filhote de cachorro, e eu amava cachorros, mais do que isso, eu amava minha mãe, então fingi alegria, e forcei um sorriso, e não disse nada do que pensava sobre o vestido.
Era horrível.
Horroroso.
Enorme e ridículo.
Era uma desgraça roxa descendo sobre a terra e dominado toda a humanidade. O vestido não só me deixaria mais gorda, mas como me fazia sentir como uma cebola roxa, cheia de camadas, o vestido tinha até mesmo o poder de fazer alguém chorar ao encara-lo.
Eu odeio aquele vestido.
Mas minha mãe estava feliz, e apaixonada, como eu nunca antes tinha visto.
Robert Queen realmente parecia ser um homem bom.
Então eu seria a cebola roxa mais sorridente neste maldito casamento.
Suspirei tentando me concentrar novamente nas estrelas, mas estranhamente as constelações dessa vez pareciam formar uma cebola, fechei meus olhos, determinada a não fazer nada além de deixar minha mente limpa do casamento, de vegetais feios e da verdadeira razão por eu ter subido nesse maldito telhado em primeiro lugar.
Oliver maldito sexy Queen.
Meu futuro meio irmão.
Desde o dia em que nos conhecemos eu só o havia visto um par de vezes em encontros com nossos pais. Encontros nos quais eu ansiava por fugir, mas não podia, não quando o propósito era tão... Inocente.
“Para nos conhecermos melhor”.
Como se eu realmente o quisesse conhecer melhor.
O pobre coitado bem que tentou, mas eu era dura na queda, não com muito orgulho.
Eu havia ficado calada, enquanto Oliver tentava iniciar uma conversa, uma e outra vez, mas acabava desistindo após minhas respostas monossilábicas. Depois disso foram meses sem nos vermos, o que eu estava completamente bem com isso, nosso primeiro encontro havia sido constrangedor demais, eu não precisava vê-lo, por que eu sempre me lembrava daquele maldito sorriso enquanto eu segurava uma camisinha, ou do cenho franzido quando eu praticamente gritei em sua cara que não, minha mãe não estava noiva e essa devia ser a pior brincadeira que alguém já havia feito.
Eu não queria revê-lo, por que aquele homem era sexy como o inferno, e era um cara mais velho, um que literalmente estava entrando na categoria de irmão.
E eu odiava isso.
Então, Oliver havia chegado ontem para o casamento e estava hospedado aqui em casa, já que a do seu pai estava sendo preparada para a chegada do casal, mas eu com todo sucesso consegui evitar ficar sozinha com ele, assim eu podia evitar ficar babando enquanto o encarava e não acabava dizendo algo completamente idiota, como só eu sou capaz de fazer. Eu consegui com sucesso, até agora. Minha mãe saiu para aproveitar um momento com as amigas, o pessoal da organização deixou tudo pronta para amanhã e foi embora, e Oliver, bem Oliver ficou.
E quando ele perguntou se eu queria fazer algo eu espirrei e disse que tinha que ir para o quarto.
Imediatamente.
Eu inventei um espirro.
Havia sido o espirro mais falso que eu ouvi em toda minha vida.
Tudo por que eu não queria ter que ver, ou pensar em Oliver Queen.
Nada de seus 1,85 m de pura gostosura.
Nadinha.
Talvez quem sabe, eu pudesse vê-lo sair do banheiro secando os cabelos com uma toalha e a outra envolvendo sua cintura? Perigosamente perto de cair. Isso é claro se ele saber que eu o estava vendo.
Deus eu iria para o inferno.
— No que você está pensando? – Pulei institivamente ficando sentada, minha mão agindo por si só ao escutar a voz masculina perigosamente perto, foi instintivo, foi antes mesmo que eu pudesse reconhecer a voz, antes que eu pudesse raciocinar que apenas uma pessoa estaria subindo esse telhado agora, mas era tarde demais, eu já havia o acertado em cheio, punho fechado e tudo. O encarei com choque gemer enquanto uma mão cobria seu olho.
Eu havia acertado Oliver Queen no telhado da minha casa.
Oh merda.
— O que diabos... –Murmurei ainda fixando-me patética. – Oliver!!!
— Você é muito forte! – Exclamou surpreso. – Como?!! – Perguntou sem sequer se importar em parecer aborrecido, pelo contrário, ele parecia até mesmo um pouco admirado diante aquele feito.
— Por que você me seguiu até aqui? – Perguntei exasperada. Optei por ignorar seu olhar confuso diante minha rispidez. – E como você subiu um maldito telhado tão silenciosamente? – Meneei a cabeça ainda surpresa por ele está ali. — Você é um perigo para todas as garotas Oliver Queen! – Deixei escapar. Um sorriso foi o que recebi. Bufei fazendo com que ele meneasse a cabeça com diversão, então parecendo finalmente levar em conta minha irritação, exalou um suspiro audível.
— Eu chamei você. – Reclamou. – Duas vezes. – Frisou. O encarei esperando que dissesse algo mais, mas tudo o que fez foi levar a mão ao olho novamente, a dor aparentemente longe de ser esquecida. – Droga, isso doí, talvez seja melhor eu colocar gelo. – O observei tocar com leveza a área. – Você é perigosa, não eu. – Acusou-me.
Então algo diferente de irritação me dominou por fim. Culpa.
Eu soquei o filho do meu padrasto.
— Deixe-me ver. – Pedi tentando me aproximar Ele ergueu uma mão segurando meu pulso, impedindo minha ação.
— Você nunca vai chegar perto do meu olho novamente. – Falou soltando meu pulso. – Nunca. – Repetiu.
— Bebê chorão. – Soltei de forma impulsiva, Oliver me encarou ofendido.
— Você sabe que sou dez anos mais velho que você? – Perguntou.
— Você sabe? – Retruquei com ironia. Ele piscou incrédulo.
— Eu acredito que você me deve um pedido de desculpas. – Falou após um período de silêncio.
— Isso não é minha culpa. – Me apressei em me defender. – Eu estava deitada, foi você que sorrateiramente subiu um telhado. – Cuspi as palavras. Já pensando que seria nessa ordem exata que eu falaria para minha mãe quando ela viesse perguntar com toda sua delicadeza que merda na cabeça quando acertei o precioso Queen mais novo. — Eu só me defendi, você poderia ter caído do telhado e seria sua culpa. – Acrescentei. Por pura sorte e seus reflexos ele realmente não havia caído, Oliver estava sentado agora, eu só podia imaginar que ele tinha estado meio curvado quando falou comigo. E eu simplesmente o ataquei, brilhante, nada em nossa relação seria normal?!! – Isso é sua culpa. – Repeti.
Oliver me analisou deixando-me um pouco incomodada.
— Ok, eu posso pegar 50% da culpa. – Concedeu.
— 80%. – Retruquei. Eu não cederia fácil, e pode ter certeza que não sairia daquele telhado, ou o deixaria sair até ele confirmar essa mesma história para minha mãe.
— Talvez 75%. – Encarou-me com desafio. O que não havia saído tão sério quanto ele queria, por que a área já exibia uma marca que logo se tornaria roxa.
— 75% então. – Aceitei. Ele sorriu, e tive que desviar meu olhar, por que eu realmente não queria ser agora viciada no sorriso de um cara. Desse cara. Após um momento em que fingir ter minha atenção na rua abaixo o encarei com desconfiança. – Por que você subiu aqui?
— Por que você estava aqui. – Respondeu. Oh Deus. Esse homem, não sabia como suas inocentes palavras podiam ter tamanho impacto e seduzir uma pobre garota de 16 anos como eu. Era injusto. Inclinei minha cabeça esperando por ele dizer algo mais. – Eu não pude deixar de perceber que você está me evitando.
— E você resolve vir até o lugar em que eu claramente queria ser deixada sozinha. — O encarei com dúvida, eu sabia que estava sendo rude, mas rude era melhor do que começar a ficar toda boba perto dele.
Eu não podia ficar toda boba perto dele.
— Eu só quero consertar o que quer que esteja errado, antes do casamento dos nossos pais. – Respondeu em tom apaziguador. – Eu gosto de sua mãe, e não quero que isso... – Apontou de um para o outro. – Esse estranho conflito, se torne ainda mais estranho e recorrente sempre que nos encontremos.
— Que será...
— Raramente. – Respondeu. Segurei a todo custo um suspiro de alívio. – Eu não estou aqui para mudar sua rotina Felicity, eu não tenho motivo para vir aqui direto, eu visito meu pai raras vezes e na maioria das vezes ele vai até Coast City, então não precisa se preocupar. – Então, Oliver estava dizendo que quase não estaríamos no mesmo radar? Por que isso soava desapontador para mim? — Eu sei que comecei com o pé esquerdo com você...
— Eu não acho que precisamos falar sobre o lance da camisinha. – Neguei.
— Eu não ia. – Falou. – Eu ia falar sobre o lance “Contei sobre um noivado antes mesmo que sua mãe pudesse fazê-lo”. – Sorriu.
— Oh. – Merda.
—Oh. – Acenou. – Mas agora percebo por que você se sente tão constrangida perto de mim.
— É bobagem. – Falei apressadamente. – E você não deveria parecer tão divertido com isso.
— Por que não? Você não fez nada de errado. – Sorriu. – Foi engraçado, não a parte em que tive que me explicar com o atendente, mas eu não ligo para isso. – Deu de ombros. — Você não deveria se fechar por conta disso. Não comigo. – Ele me encarou sério. – Você parece ser uma garota legal, e estamos fazendo parte da mesma família, eu não estarei aqui sempre, mas eu quero que saiba que caso precise de um...
— Por favor, não diga irmão. – Falei deixando de encara-lo. Eu não poderia lidar com isso agora. – Eu sei que posso ter a idade o suficiente para isso, mas eu não quero e nem preciso de um irmão, e mais do que isso, eu não quero que você ache que precise ser o meu. – Confessei. – Sim, nossos pais vão se casar, e sim, isso vai nos tornar algo, seremos mais próximos do que outras pessoas, mas não, não vou chama-lo de irmão, nunca. – A forma que falei mais parecia uma promessa do que uma declaração de fato, Oliver piscou surpreso, antes de sorrir.
Aquele sorriso realmente se tornaria a origem de todos meus problemas.
— Eu ia dizer amigo. – Falou por fim. – Eu estou aqui para ser o que você precisar que eu seja, incluindo um amigo. – Deixou claro. – Posso ser até mesmo a pessoa irritante que você soca no telhado.
Seu tom leve, seu sorriso pequeno, sua atenção totalmente voltada para mim, fez com que fosse impossível eu não sorri em retorno. Fez com que fosse impossível eu não considerar o que havia dito.
Ele é um cara legal, ele não tinha culpa se mexia com o coração de jovens garotas. E que isso fosse um tanto quanto impróprio.
E realmente não teria como estar sempre fugindo dele. O melhor que eu poderia fazer é em talvez encara-lo como um amigo, e quem sabe esse desconforto acabaria sumindo?
Eu não poderia ter uma paixonite por Oliver para sempre, poderia?
Era ridículo.
Pisquei enquanto tudo o que pude fazer foi assentir em concordância. Oliver tornou a sorrir percebendo meu silêncio o que me fez questionar se ele era tão alheio assim ao que o seu sorriso fazia comigo, com meu coração.
O maldito parecia nesse momento estar em uma corrida.
Eu ia ter um infarto.
E o causador era nada mais que o sorriso de Oliver Queen.
— Ok. – Murmurei por fim, percebi que ele realmente estava esperando que eu dissesse algo. E não era justo ignorar Oliver apenas por que ele era ridicularmente bonito. Minha escola estava cheia de garotos bonitos. Eu só precisava voltar a focar em garotos em vez de homens. Ele realmente parecia ser um cara legal, e eu não queria perder isso, por que eu era uma idiota que ficava imaginando ele de toalha. – Podemos ser amigos.
Estendi minha mão, ele piscou surpreso pelo gesto, mas a envolveu com a sua. E simples desse jeito, com o seu calor envolvendo minha pele, eu me arrependi de ter tomado a brilhante ideia de toca-lo.
— Certo. – Assentiu. – Agora eu preciso descer e colocar algo... – Apontou para o olho. – Em fim, você vai descer agora?
— Eu preciso de mais um tempo aqui. – Confessei.
— Ok. – Concordou embora franzisse o cenho. O observei se arrastar até a borda do telhado e se equilibrar para descer para minha janela. Só que antes de fazer isso, Oliver voltou a me encarar. – No que você estava pensando antes?
Em você.
Sempre você.
— Cebolas. – Menti. Ele franziu o cenho não compreendendo. – Melhor não perguntar.
— Ok. – Assentiu novamente. – Boa noite, Felicity.
— Boa noite, Oliver. – Murmurei o observando partir, só então me lembrei de duas coisas, Primeira: com a saída de Oliver o frio havia voltado, e segunda: Oliver ia estar no altar ao lado do seu pai me vendo entrar vestida de cebola roxa.
Está tudo bem.
Eu com certeza seria a única a combinar com aquele olho roxo dele.
OLIVER QUEEN
Atravessei o corredor carregando uma pilha pesada de caixas e caminhei até a cozinha, eu mal conseguia ver o caminho direito enquanto equilibrava tudo, e apenas conseguia escutar vagamente o som da voz feminina enquanto cantarolava uma canção completamente desconhecida para mim.
— Onde eu devo colocar isso? – Perguntei tentando enxerga-la. Felicity sorriu antes de se aproximar e tirar a pequena caixa que estava acima das outras duas.
— Onde você achar melhor. – Murmurou antes de me beijar brevemente, fazendo com um sorriso resultasse daquele pequeno carinho. Eu mal podia acreditar que realmente estávamos fazendo isso.
Hoje era o dia da mudança.
Literalmente.
Ela estava trazendo todas suas coisas para essa casa, nós escolhemos juntos. Minhas coisas já haviam chegado e estavam todas empilhadas no quarto vago destinado a ser meu escritório, ainda não tínhamos móveis, apenas uma televisão, por que havia sido a única coisa que tinha sido entregue a tempo, fora isso não tinha sequer o colchão, a rede elétrica ainda não funcionava e podíamos apenas contar com água, mas nada poderia estar mais perfeito.
A entrega da casa atrasou.
Os móveis atrasaram.
E meu pai ainda estava com cara fechada.
Mas eu tinha Felicity.
E isso bastava.
— No que você está pensando? – Felicity perguntou enquanto se abaixava e colocava a caixa no chão já a abrindo. Eu nem sabia por que ela estava fazendo isso, já que ainda não tínhamos um armário para colocar as coisas, mas eu não ia questionar ela agora.
— Eu estou feliz. – Falei finalmente colocando o restante das caixas contra a parede no canto.
— Bom. – Sorriu, mas então seu sorriu se esvaiu. – Eu estou preocupada. – Confessou.
— Com o quê? – Perguntei me aproximando e me agachando a o seu lado. – Isso é sobre meu pai? – Perguntei afastando seu cabelo e envolvendo seu rosto com minha mão, ela inclinou em direção ao toque, seus olhos se fechando. Eu adorava quando ela fazia isso, Felicity era tão receptiva ao menor toque que fosse, ela era carinhosa, e não hesitava em expressar isso, e pela primeira vez em anos eu podia desfrutar isso sem me sentir culpado. Eu não queria que ela sentisse culpa por estar comigo, tudo por que meu pai desaprovava nosso relacionamento.
— Não. – Negou por fim. – Seu pai está se fazendo de durão Oliver, com você, ele já conversou comigo. Estamos bem. – Pisquei confuso. – Eles só está se divertindo as suas custas. – Explicou.
A encarei tomando meu tempo para assimilar o que dizia e a irritação me dominando. Meu pai vinha constantemente me criticando, minhas escolhas, e meu relacionamento. Por pura diversão?
— Que tipo de ideia de diversão ele tem? – Perguntei aborrecido. Felicity inclinou a cabeça como se avaliasse meu humor, provavelmente preocupada em ter criado um novo atrito entre nós dois. Respirei fundo buscando calma, não querendo deixa-la se sentir culpada. Deixando toda a irritação de lado voltei a focar em Felicity. – Sobre o que você está preocupada? – Ela forçou um sorriso e deu de ombros, seu rosto virando-se, com o queixo ela apontou para a porta que dava para os fundos. Tommy estava limpando a piscina enquanto Sara estava deitada na grama ocupada em tomar sol.
Supostamente era para eles nos ajudarem.
Mas esses eram Tommy e Sara.
Eram inúteis.
Ok, talvez eu estivesse sendo duro e um pouco injusto. Mas havia sido eles que insistiram em nos ajudar com as coisas, só que invés disso resolveram fazer absolutamente nada. Algo que Tommy era expert.
Ele resolveu subitamente que era um bom momento para entrarmos na piscina e fazer uma festa, mesmo não tendo fogão para fazer comida, ou geladeira, ou qualquer coisa que ajude no conforto de uma “festa”.
Quando falei isso, Tommy deu de ombros e saiu da casa.
Voltou com a rede para limpar a piscina, um cooler com bebidas, e sacolas com aperitivos.
Ele só era inútil no que não lhe interessava.
— Por que você está preocupada com Tommy e Sara? – Perguntei após um suspiro.
— Eles estão estranhos. – Falou se erguendo. – E tem meses disso. Eu não aguento mais um dia com meus melhores amigos agindo dessa forma. — Reclamou.
— Eu não acho que deveríamos nos meter nisso. – Falei também me erguendo e cruzando meus braços. Tentei falar com isso com naturalidade, mas Felicity estreitou os olhos. Isso não podia ser bom.
— Você sabe o porquê deles estarem assim. – Murmurou direta. – Oliver. – Chamou-me alerta. – Sequer era uma pergunta.
— Sim. – Respondi temendo que negar só ia acabar a irritando, e este estava sendo um dia perfeito até então. Eu não ia estraga-lo por conta de Sara e Tommy.
— Então...
— Sara não te contou nada? – Perguntei desconfiado.
— Sara só me conta as coisas quando ela se sente preparada para lidar com elas. – Explicou, deixando uma nota de irritação soar. — Ela não gosta que eu dê conselhos que ela na verdade não quer ouvir. – Deu de ombros.
— Mais uma razão para você não se meter nisso. – Apontei.
— Você vai me dizer do que se trata isso ou não? – Eu conhecia aquele tom, era o tom de que dependendo da resposta eu poderia muito bem dormir sem sexo esta noite.
— Tommy foi rejeitado. – Falei sem hesitar. – Ele disse que possivelmente a ama, e ela disse que ele não sabia do que estava falando.
— Ele realmente usou possivelmente? – Perguntou franzindo os lábios.
— E?
— E Tommy é um idiota. – Respondeu. – O que ele esperava?
— Estou meio perdido aqui. – Confessei.
— Se você possivelmente me ama, isso significa também que possivelmente você não ama. – Respondeu. – Na verdade, esse “talvez” virou uma certeza. Ou você ama alguém ou não ama, a partir do momento que há dúvidas, significa que na verdade não há. – Tentei em vão acompanhar seu raciocínio. Limitei-me a assentir concordando. — Tommy confundiu seus sentimentos e correu para contar para Sara, e agora o idiota possivelmente estragou a melhor relação de amizade que já teve.
— Você está sendo muito dura com ele. – Comentei não resistindo a vontade de defender meu melhor amigo. – É bastante semelhante conosco.
— Não, não é. – Negou prontamente. A encarei confuso. – Ou ao menos eu acho que não, eu nunca duvidei do que sentia por você, negar talvez, mas nunca duvidei. – Concluiu. Seus olhos me analisaram antes de prosseguir. — Você duvidou?
— Não. – Murmurei percebendo onde ela queria chegar. Então sorri. – Eu te amo. — Murmurei sem hesitar.
— Eu te amo. – Respondeu de volta e abraçou minha cintura. – E eu tenho certeza que eles se amam, mas não da mesma maneira. Eles são amigos, eles farão qualquer coisa para ver o outro feliz, mas eles não estão apaixonados. – Falou categoricamente. Respirei fundo assimilando o que disse e abracei de volta, com ela em meus braços eu posso admitir sem qualquer culpa que meus pensamentos dificilmente estavam mais naqueles dois, e quando a beijei, eu sequer me lembrava do estávamos falando antes.
— Arrumem uma cama. – Escutei a voz debochada de Tommy falar, levantei minha cabeça o encarando com ódio. – Oh, esqueci. Vocês não têm uma. Grande erro Ollie, a cama vem sempre em primeiro lugar.
— Precisa de algo, Tommy? – Felicity perguntou virando-se em meus braços e encostando-se em meu peito. – Um curativo para seu coração ferido talvez? – Tommy me encarou com desgosto.
— Você falou para ela? – Dei de ombros não estando pronto para pedir desculpas por isso.
— Tommy. – Felicity murmurou interrompendo sua próxima frase que com toda certeza não seria formada com palavras gentis para mim. — Converse com Sara.
— Eu tentei, mas ela...
— Não. – Felicity o interrompeu. – Não converse com ela como o cara rejeitado que quer fingir que aquilo nunca aconteceu. Fale com ela como seu melhor amigo.
— Ela não me vê mais assim. – Negou. – Eu estraguei isso.
— Não, você não estragou. – Respondeu. – Ou ela apenas o trataria como um conhecido. Ela está estranha por que sente sua falta, e não sabe como falar disso com você, mas ela ainda é sua amiga. – Falou com convicção.
— Está bem. – Tommy suspirou tão parecendo tão certo assim. – Mas eu vim aqui para dizer que a piscina está limpa e pronta para entrarmos.
— Oh não vamos entrar. – Felicity falou fazendo com que Tommy a encarasse com aborrecimento.
— Então por que vocês me deixaram limpar a maldita piscina? – Perguntou sem paciência.
— Por que eu não queria fazer isso. – Respondi com um sorriso que apenas teve o poder de irrita-lo mais ainda.
— Mas eu trouxe comida! – Protestou.
— Não dissemos que não vamos comer Tommy, apenas não vamos entrar na piscina. – Felicity falou saindo dos meus braços e segurando sua mão. – Vamos, eu adoraria ver o que você trouxe.
— Eu ainda estou irritado com você. – Ralhou.
— Sim, eu sei, mas isso não vai durar muito. – Rebateu o puxando fazendo com que eu sorrisse com a cena.
Eu amava aquela mulher, e estava exigindo muito da minha parte, não fazer o maldito pedido.
Mas não adiantava muito fazer uma pergunta cuja resposta eu já sabia que seria “Não”.
FELICITY SMOAK
Terminei de cobrir o colchão e passei minhas mãos em algumas rugas invisíveis. Ainda de joelhos observei ao redor, o quarto estava cheio de velas dentro de potes de vidros. Tudo isso seria muito romântico se não tivesse certa dose de drama, mas tudo ficaria bem amanhã.
Tommy havia saído bufando de casa, ralhando como erámos péssimos amigos e não o merecíamos. Oliver me encarou confuso e achou que ele realmente havia ido embora quando Tommy surpreendentemente voltou com um colchão de casal. Oliver agradeceu e preferiu omitir o fato de que enquanto ele havia saído o nosso já havia chegado.
Fora isso, tudo continuava o mesmo.
O cara da manutenção prometeu ajeitar a parte elétrica antes de anoitecer, e os móveis finalmente chegariam amanhã. Com alguma sorte eu receberia uma mensagem de Tommy falando que ele e Sara se acertaram e tudo estaria no lugar no mundo novamente. Olhei para meu celular pensando em pedir uma pizza, mas preferi discutir isso com Oliver, talvez ele quisesse sair, mas era incerto.
Desde que começamos a namorar Oliver vinha me surpreendendo cada vez mais. Eu sabia como era tê-lo como amigo, como protetor. Eu não estava pronta para tê-lo como namorado. Ele era perfeito é claro, Oliver era romântico e seguia fazendo meu coração pular sempre que me dava um de seus sorrisos, mas era diferente tê-lo como meu, meu Oliver, meu amor, apenas meu.
Estar com ele vinha sendo mais do que imaginei, e o que eu havia imaginado era muito bom. Oliver havia elevado tudo. É claro, nós brigávamos, por que nunca seria a garota que concordava com tudo cegamente, até mesmo me mudar para cá rendeu uma série de prós e contras. Nos amávamos? Sim, ainda temia que algo pudesse errado? Claro que sim. O “seguro” nunca faria parte do amor.
Eu estava recém-formada, tinha meu próprio emprego e até certo ponto, minha própria rotina. Oliver também, ele havia assumido a Queen Consolidated, havia se desentendido com o pai por alguns meses, e apenas minha mãe foi capaz de controlar tudo com certa graça. Ele sempre deixou claro que queria os próximos passos comigo. Todos eles, mas eu sempre achei que a melhor forma de ganhar uma maratona não era correndo de forma desenfreada, tínhamos que encontrar nosso ritmo. Eu quero todos os passos com ele, eu darei cada próximo passo com ele. Não precisamos fazê-lo de uma vez.
Não agora que estávamos juntos.
Então não pulamos de imediato do “Eu te amo” para “Vamos morar juntos”, tomamos nosso tempo, e eu só então compreendi o que ele quis dizer antes. Sobre não ter dito antes que estava apaixonado por mim. Eu não tinha conseguido compreender, por que no fundo eu ainda era a garota que entrou na igreja vestindo o vestido roxo, e percebeu que sem dúvida alguma já havia perdido aquela batalha, ao encarar Oliver lindo, vestido perfeitamente sua beleza sendo destoada, apenas por conta do hematoma que eu havia provocado... Eu percebi que acabaria me apaixonando por Oliver.
E quando ao me encarar ele soltou uma risada fazendo-me perceber que ele finalmente havia entendido o significado de cebolas na nossa conversa... Eu percebi que na verdade já estava me apaixonando.
E que estava perdida.
— No que você está pensando? – Ergui meu rosto para encarar Oliver que havia chamado minha atenção. Mas então invés de respondê-lo, encontrei-me distraída, Oliver saia do banheiro, uma toalha envolvendo sua cintura, enquanto com uma menor secava seu cabelo, pisquei tentando lembrar qual havia sido sua pergunta, mas minha mente estava meio... puff. – Felicity?
— Cebolas. – Falei por fim. Oliver franziu o cenho antes que finalmente pudesse me acompanhar.
— Seu vestido roxo, no casamento dos nossos pais? – Perguntou com a sombra de um sorriso.
— Mais sobre sua risada discreta quando me viu com ele. – Falei me erguendo e indo até ele, Oliver exibia um sorriso divertido.
— Eu não tenho culpa, foi o vestido mais feio que vi uma mulher vestir. – Deu de ombros. Tomei a toalha de suas mãos e sem demora bati em seu ombro com ela. – Ei, isso doí.
— Desculpe, essa não havia sido minha intenção. – Falei com ironia. Oliver sendo Oliver não ligou para o meu tom, ele apenas ignorou o fato que ainda estava molhado e me abraçou, e eu seria a maior idiota do mundo se fosse protestar por isso. Não, eu muito orgulhosamente apertei aqueles músculos, e apoiei meu queixo em seu peito enquanto tentava encara-lo. – Que tal pizza?
— Pizza sempre funciona. – Concordou com um aceno.
— Bom. – Sorri. – Eu peço mais tarde.
— Mais tarde? – Franziu o cenho.
— Mais tarde. – Repeti antes de me erguer nas pontas dos pés para um beijo. Eu não tinha ideia de quais os planos de Oliver, se ele tinha combinado algo com alguém, ele não me disse, mas eu definitivamente não perderia a oportunidade que todo o pós-banho pode me dar.
Se Oliver tinha algum plano, ele também não parecia se importar muito, pois se curvou rodeando minha cintura com os braços e me puxou ainda mais para si enquanto aprofundava o beijo, meus dedos seguraram seus cabelos molhados, enquanto sua boca mudava de trajetória, indo até minha orelha, sua respiração quente descendo pelo meu pescoço, o contato sendo cortado pelo tecido da minha camisa.
Oliver não hesitou, suas mãos muito rapidamente resolveram o problema, segurando a barra e a puxando por minha cabeça, a bagunça em meus cabelos o divertindo, ele sorriu, seus dedos correndo por meus cabelos os arrumando, e com suas mãos em concha segurou meu rosto para um novo beijo.
Beijava-me como se quisesse em apenas um beijo, provar cada declaração que já havia me feito. Cada doce palavra, cada gesto carinhoso, cada abraço. Seu beijo era intenso, mas doce.
Como o próprio Oliver.
Eu amava isso nele.
Ele era tão atencioso, cada beijo significava algo. Cada toque, cada respiração entrecortada. Sexo nunca era apenas sexo com ele.
Por que era ele.
Senti meu corpo estremecer quando sua mão escorregou para frente acariciando meu ventre antes de subir, seu toque a queimando quando atingiu seus seios. Oliver delicadamente mordeu meu lábio inferior, trazendo um novo gemido, sua língua acalmando a dor antes de entrar em contato com a minha novamente. Com minha respiração pesada e ainda sentindo seu toque pouco abaixo do meu seio olhei para baixo, minha mão puxando a toalha.
Eu estava ansiosa por toca-lo, meus dedos coçavam por isso, mas Oliver interrompeu-me com mais um beijo, suas mãos habilmente brincaram com o fecho do sutiã, e em poucos segundos eu conseguia ver a peça sendo jogada por sobre seu ombro. Não tomei meu tempo protestando, prioridades antes, e a minha era ajudar Oliver a tirar minha calça, com mais destreza que eu julgava ser possível no momento, eu finalmente estava nua, meu corpo entrando em contato com o seu que parecia mais uma fornalha de tão quente. Acariciei suas costas, e deixei minhas mãos brincarem em seu peitoral antes de mordisca-lo, prendendo a carne e estremecendo com o som rouco que obtive como resposta.
Oliver se tornou feroz.
Seu corpo empurrou o meu com urgência até o colchão, colocando-me em pé lá, antes de se ajoelhar, sua boca beijando minha barriga, e então meu quadril, seus lábios descendo, fazendo com que todo o meu corpo estremecesse, afundei meus dedos em seu cabelo em busca de equilíbrio, enquanto Oliver seguia segurando-me com um braço impedindo de cair, sua boca fazendo maravilhas e arrancando gemidos que perigosamente aumentavam de volume, incontroláveis, todo meu corpo fico tenso, aquele delicioso momento antes da ruptura e logo eu escorreguei para o chão em seus braços. Oliver respirava sobre meus seios, enquanto eu ainda me recuperava do orgasmo, seu corpo subindo sobre o meu, o abrindo, sua ereção cutucando-me, mostrando-me que ele estava pronto e ansioso, espalhei minhas pernas, meu corpo cedendo ao seu e suspirei sobre sua pele, minhas mãos fechando-se mais uma vez em seus músculos, enquanto o sentia entrar.
Oliver pairou sobre mim, seus olhos encarando os meus, seu rosto próximo, nossas respirações buscando uma a outra. Aquela conexão era tudo para mim, quando ele me deixava ver o quanto nós erámos importante para ele. O quanto aquilo era, era nesse momento, que eu conseguia me ver dentro dele, meus sentimentos, meus medos, tudo. Levei minha mão até seu rosto, o segurando e o beijei, o instigando a continuar.
Então Oliver empurrou completamente, meu corpo alongando-se em resposta, eu vi seu sorriso cretino quando se retirou, eu vi que ele sabia que era bom assim, quando voltou a penetrar seu rosto era repleto de concentração, seus esforços aumentando uma e outra vez, os sons que fazíamos, o suor em nossa pele, a intensidade daquele desejo, era perfeito. Oliver manuseou meu corpo com destreza, cada toque trazendo-me mais perto, minha respiração ficou ainda mais pesada, nossos corpos se encontravam com ainda mais brusquidão, nosso momento íntimo reduzindo-se ao carnal, ao urgente, meu corpo tornou a ficar tenso, aquele nó se formando novamente e então lá estava eu, convulsionando-me em um novo orgasmo momentos antes que Oliver também se entregasse ao seu.
Ficamos assim, em um emaranhando de braços e pernas, meu peito colado ao seu, seu rosto em meu pescoço, nossas respirações lentamente recuperando-se.
— Então... – Oliver murmurou erguendo seu rosto para encara o meu. – Pizza? – Eu não pude fazer outra coisa se não descansar minha cabeça em seu peito e rir, por que eu amava aquele idiota. Amava-o demais, e não achava que haveria um momento em que isso pudesse mudar.
— Oliver. – Murmurei tornando a erguer meu rosto, Oliver me encarou confiante, com aquele sorriso que me conquistou de primeira. Ergui minha mão e acariciei sua mandíbula, sentindo a aspereza de sua barba. – Case-se comigo. – Murmurei o surpreendendo. Ele não me soltou, mas eu percebi que havia o desejo de recuar.
— Você só está dizendo isso por que ainda está na névoa pós-orgasmo. – Falou. – Você não quer isso. – Franzi o cenho diante a certeza com que disse.
— Sim, eu quero. – Falei afastando-me e apoiando-me no cotovelo. – Eu amo você.
— Eu sei, e eu amo você também. – Respondeu. – E eu sei que você quer casar comigo, mas não agora, você mesma falou, tudo em seu tempo.
— Você não quer casar comigo? – Perguntei confusa.
— Por mim, eu já estaria casado com você, Felicity. – Falou. – Todo mundo sabe disso, você é o amor da minha vida.
— Então? – Estreitei meus olhos.
— Eu não vou apressar as coisas por conta de um orgasmo. – Rebateu.
— Primeiro de tudo, foram dois. – Esclareci fazendo com que ele sorrisse, apesar do meu tom não ter sido para piada. – E segundo, é por todos os orgasmos que posso ter como uma mulher casada.
— Você pode sem estar casada comigo. – Retrucou. – Eu não uso orgasmos como chantagem.
— Ok, você não está entendendo o ponto aqui. – Falei irritada. – Eu pensava que queria tomar tempo sim, mas eu tive essa grande realização...
— Também chamada de orgasmo. – Interrompeu-me.
—... Em que eu percebi que quero estar casada com você. – Continuei o ignorando. – Eu percebi que eu estava dando tempo para os rumores, eu já ouvi tantos absurdos desde o momento em que passamos a ser um casal, que estava dando um tempo para essas pessoas. – Falei sincera. – Mas quer saber? Fodam-se, você é minha vida. Eu amo você, e eu quero estar casada com você, então, Oliver Queen, você aceita se casar comigo?
Oliver piscou, percebendo que eu realmente falava sério.
Nem eu havia percebido quão séria eu estava sendo, eu não tinha percebido que realmente havia me importado com os outros, não até que eu o disse em voz alta. Minha mãe não foi um problema, Donna Smoak nunca era, mas Robert foi difícil de lidar, ele não queria nos magoar, não queria ser um babaca, ele realmente me amava como filha, e para ele foi natural achar que Oliver havia abraçado esse sentimento também, Oliver nunca tinha dito ou feito algo em sua frente que o tivesse preparado para o momento em que confessou seus sentimentos para mim, então eu não fiquei chateada quando ele não foi nosso fã número um. Tommy, Sara e Helena estavam entre os fãs, mas o restante? Pessoas que mal nos conhecia que só conheciam nossa família de vista nos julgou, e eu realmente não me importava com eles, mas se eu escutei todo tipo de comentário, o que Robert não estava escutando?
Então eu resisti.
Eu precisei ir devagar, por mim, mas também por ele.
Agora, eu achava que já havia segurado o freio demais, estávamos morando juntos, finalmente, por que não oficializar isso? Meus sentimentos por Oliver não mudariam, e eu acreditava verdadeiramente que os dele por mim também não. Então, por que esperar ainda mais?
Segui encarando Oliver em espera por sua reposta, e notei o momento em que ele finalmente havia chegado a uma, seus olhos mudara, e pude lentamente as dúvidas se extinguirem até não mais existir, seu sorriso voltou, ainda mais brilhante do que antes, e então eu percebi que eu mesma sorria.
— Eu preciso que isso seja um sim. – Comentei trançando aquele sorriso com a ponta do dedo.
— Eu presumo que você não comprou um anel. – Retrucou fazendo com que eu franzisse o cenho.
— Hey, eu já fiz minha parte, o anel claramente é sua. – Respondi. – E Oliver? Eu ainda não ouvi minha resposta. – Ele meneou a cabeça, seu sorriso nunca deixando seu rosto, e então se afastou, o acompanhei com o olhar, e tentei em vão não levar meus pensamentos para a luxúria e devassidão, mas ele ainda estava nu. O que eu poderia fazer?
Como se adivinhasse meus pensamentos, Oliver foi até sua mala e vestiu uma calça, o que ele estava fazendo? Deixando-me literalmente sem uma resposta?
Sem demora Oliver jogou uma camisa sua, e eu prontamente a vesti.
Mas o quê...
— Eu quero fazer isso direito, e me sinto mais a vontade sem estar nu. – Deu de ombros. Levantei-me indo até ele, Oliver tornou a dar as costas indo até sua mala novamente.
— Eu não queria pressiona-lo. – Murmurei abraçando suas costas, o interpretando errado. Oliver deu um passo para o lado, permitindo-me ver o que estava em suas mãos.
Uma pequena caixa preta, eu já sabia o que estava li dentro é claro, o que eu queria saber era desde quando.
— Sim. – Murmurou me encarando sério. – Você sabe que sim, eu te amo e chega a ser ridículo o quanto, eu quero casar com você, eu quero ter filhos com você, quero envelhecer com você. Quero estar ao seu lado em cada momento feliz e apoia-la em cada momento triste, eu só... Eu quero ser feliz com você. – Oliver sorriu, sua mão afastando meu cabelo. — Eu estou aqui para ser o que você precisar que eu seja, um amigo, um cara irritante que você soca no telhado, um marido. – Meu coração errou uma batida. — Felicity Smoak, você quer se casar comigo?
— Você tinha que tirar meu momento, certo? – Falei meneando a cabeça. – Eu estava invertendo as coisas aqui, seria a história que eu contaria para os nossos netos. – Fingi indignação.
— Sim, ou não? – Perguntou impaciente.
— Que romântico. – Ironizei.
— Eu estava sendo romântico e você estragou isso. – Retrucou.
— Você acabou com o meu momento primeiro. – Apontei.
— Eu não acabei com nada. – Negou.
— Sim, você acabou. – Respondi.
— Eu disse que sim. – Lembrou-me.
— Eu também. – Retruquei.
— Não, você não disse. – Pisquei rebobinando todo o momento em minha cabeça.
— Oh, sim, claro que sim! – Sorri ao perceber que realmente havia o aborrecido. Eu não me surpreenderia, se fosse outro eu tinha certeza que apenas de picuinha ele pegaria o anel guardaria de novo, mas esse era Oliver, então quando eu disse sim, seu rosto se transformou, ele sorriu e me abraçou, e só após ter certeza que o anel estava em meu dedo, ele me beijou.
— Não podemos deixar Donna planejar esse casamento. – Falou.
— De jeito algum. –Concordei. – Ou teríamos uma verdadeira salada, eu seria o repolho.
Oliver riu do meu comentário e voltou a me abraçar.
— Sabe o que poderíamos fazer? – Perguntei contra seu peito.
— O quê?
— Você já ouviu falar em Las Vegas?
— Felicity Smoak, você não vai dar esse desgosto a sua mãe. – Repreendeu-me.
Não, eu não ia.
Mas eu não podia deixar de pensar, como seria chegar em nossa casa, abrir a porta e gritar:
“Mãe, advinha só quem casou?”
Oliver me encarou como se analisasse a direção dos meus pensamentos, algo deve ter me traído talvez o sorriso de gato, que com toda certeza exibia em meu rosto.
— Felicity, não. – Negou, embora não tão enfático como ele parecia querer soar.
Senti meus músculos faciais moverem-se, alargando ainda mais meu sorriso.
Oh sim, eu ia.
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