Technocracy

7 Kapitel 6 - Gefangener


Helene acordou assustada. Ela sentou-se na cama e olhou inquieta ao seu redor. Reconhecia aquele lugar muito bem: era seu quarto.

Kirstin entrou e caminhou até a cama de Helene — Oh, você finalmente acordou.

— Kirs... tin...? — ela se deitou novamente. Estava com uma dor de cabeça terrível.

Jürgem entrou logo em seguida, e se sentou na cama de Helene, dispensando Kirstin em seguida.

— Está se sentindo melhor? — ele tinha uma expressão de preocupação no rosto. Helene não fazia idéia do que ele estava dizendo. — Você desmaiou no apartamento de Jörn Anhert, recebeu uma pancada forte na cabeça. Kirstin a trouxe para casa.

— Jörn...?

— Sim. Eles o prenderam — Jürgem deu um largo sorriso para Helene.

— Mas Jörn estava...

Morto. Era o que Helene ia dizer, mas ela não conseguiu. Ela ficou pensando se tinha sonhado com tudo isto.

Jürgem a olhava fixamente, esperando que ela completasse a frase.

— Não é nada. Acho que eu tive um sonho estranho, só isso.

— É melhor dormir mais um pouco. Seu médico disse para descansar. Estará melhor amanhã.

Helene apenas assentiu. Talvez quando acordasse sua cabeça não estivesse doendo tanto quanto agora.

— Podemos sair amanhã — Jürgem continuou, — separei alguns lugares onde podemos ir. Você precisa se divertir um pouco — ele sorriu, e Helene só conseguiu assentir.

Talvez tudo o que precisasse era de um pouco de descanso. Algo que quebrasse aquela terrível rotina a qual sua vida chegara. Isso. Seria melhor sair com Jürgem. Além disso, ela gostava dele.

— Ótimo. Não vá sair por aí sozinha, ‘kay? Vou deixar a Kirstin de olho em você para me certificar de que você vai descansar de verdade — ele disse, rindo, depois saiu do quarto.

Helene fechou os olhos e tentou dormir. De algum modo, ela sentia que a preocupação de Jürgem não era apenas com o bem estar dela.

Ou talvez ela estivesse imaginando coisas. Tentou tirar tudo da mente e dormir. Quando acordasse pensaria melhor no assunto.

*****

Ela estava vestida com um jaleco branco e andava apressada pelos corredores. O destino dela era o último quarto à esquerda, onde a paciente aguardava.

Havia dois seguranças em frente à porta, ela mostrou a identificação e usou o cartão para abrir. Mais um corredor, que dava para outra porta. Ela usou novamente o cartão.

O quarto que ela adentrou tinha paredes azul bebê. Havia um sofá no meio e uma bela mesinha de centro com o que sobrou do café da manhã em cima. Sobre a cama ao canto estava uma jovem com fones no ouvido.

Eve olhou para Helene e sorriu. Depois fez um pequeno esforço para se sentar na cama. O corpo dela estava todo dolorido.

— Então, Eve, sente-se melhor hoje?

— Meus olhos estão me matando. Você poderia me dar uma daquelas injeções, doutora.

— Eu vou cuidar disso Eve, mas primeiro vamos à nossa rotina matinal.

Helene pegou uma cadeira e se assentou de frente para Eve, pegando uma prancheta com um formulário em branco.

— Você se recorda quem esteve aqui ontem?

Eve inclinou um pouco a cabeça e tentou se lembrar. Era uma tarde fria, alguém veio visitá-la. Não era Helene. Ela não se lembrava quem era. Ela não se lembrava nem como aquela pessoa era. Por fim, ela apenas balançou a cabeça e Helene escreveu algo no formulário.

— Okay, talvez você se lembre mais tarde.

— Era... uma pessoa importante?

— Tudo bem se não consegue se lembrar agora. Você me disse ontem que estava sentindo fortes dores de cabeça, não é?

— Elas são insuportáveis, doutora. É como se minha cabeça fosse explodir. Mas elas passam assim que você aplica aquela injeção.

— Entendo.

— Meus olhos estão doendo muito, doutora. Meu corpo inteiro está doendo muito. É como... se todos os meus órgãos estivessem derretendo e... — Eve tossiu. — é como se eu estivesse morrendo.

— Estamos aqui para lhe ajudar, Eve. Vamos fazer de tudo para curá-la — Helene forçou um sorriso para tentar confortar a jovem. Ela se acalmou um pouco. — Eu chamarei o enfermeiro.

— Obrigada, doutora. A senhora é um anjo.

Os enfermeiros vieram pouco tempo depois. Eram três. Dois deles seguraram Eve, enquanto a jovem olhava para Helene sem entender o que estava acontecendo.

Ela só queria um anestésico.

Um dos enfermeiros preparou a injeção e aplicou-a no braço de Eve. Ela começou a perder os sentidos. A dor estava indo embora, mas com ela estavam indo sua visão, olfato, tato, audição e paladar. Seus pensamentos estavam um caos. Eles se misturavam de forma desordenada.

Depois disso, Eve estava no chão do quarto. Helene e os três enfermeiros observavam o corpo imóvel à frente deles.

A mulher com o jaleco branco pegou o telefone e começou a falar com alguém. — EX-0412, distúrbio do sistema neural. Tempo de vida, cinco dias e 9 horas. — a voz rouca e masculina do outro lado apenas confirmou que entendera tudo. — A RL está pronta para os testes?

— Tudo pronto.

E isso era tudo o que Helene precisava ouvir no momento. Faria os testes com a nova cobaia.

*****

Helene acordou. Abriu os olhos rapidamente, tentando se certificar de que tudo o que passara em sua mente há pouco tempo atrás era um sonho. Era o sonho mais estranho que ela já viu em sua vida.

Ela tinha visto ela mesma, vestida em um jaleco branco e...

— Não! — Ela gritou, sem perceber.

Foi então que ela se deu conta de que não estava mais em seu quarto. Estava em um lugar escuro. Olhou para os lados, tentando reconhecer que lugar seria aquele.

Nada. Nenhuma pista.

— Kirstin! — Ela chamou, sem sucesso. — Kirstin! Kirstin! — Tentou de novo, mas seu auto-bot não apareceu.

Ela tentou se levantar. Precisava sair dali. Precisava encontrar Kirstin e Jürgem.

Mas ela não conseguiu. Seu corpo simplesmente não a obedecia. Seus sentidos estavam tão aguçados que ela podia sentir as imperfeições da cama em que estava, mas seu corpo não se mexeria um milímetro ao seu comando.