Tears in Heaven
2 You and Me
Notas iniciais
—Pode entrar— Melissa disse.
Quando Flávia abriu a porta, eu fiquei encantado com o que vi. Era um quarto muito bem organizado, todo pintado de rosa, com ursinhos de pelúcia em cada local que você poderia imaginar. A cama ficava no centro e nela estava Melissa. Ela olhou pra mim, deu o sorriso mais lindo que já tinha visto na vida e disse:
—Olá. Muito prazer, me chamo Melissa.
Naquele momento eu fiquei petrificado. A voz de Melissa era encantadora, o sorriso então, nem se fala. Era uma garota linda, tinha 15 anos e um rosto angelical. Eu continuava parado na porta igual um bobo até que Flávia me deu um empurrãozinho e eu voltei a realidade. Fui em direção a cama de Melissa, peguei sua delicada mão, dei um beijo e me apresentei:
—Meu nome é Lucas, e é um prazer conhecê-la.
Flávia não aguentou e riu.
—Nossa, que cavalheiro, o que acha Melissa?
Melissa apenas sorriu, me vendo envergonhado
Me sentei em uma cadeira próximo a cama de Melissa e comecei a conversar com ela. Enquanto conversávamos, notei que ela estava assistindo Death Note. Eu, como um bom nerd, já tinha assistido ele por completo e começamos a conversar sobre animes.
Percebi que ela adorava animes de todos os tipos. Ano Hanna, Another, Death Note, Blood C... Não importava o gênero, ela amava assistir.
Durante o primeiro dia, conversamos sobre várias coisas, e cada vez mais eu ficava encantado com aquela garota que eu tinha acabado de conhecer.
O dia se passou e eu mal podia acreditar que um projeto de escola que eu não tinha o mínimo interesse de participar, me fez conhecer umas das garotas mais encantadoras que já havia conhecido em minha vida. No final da tarde eu me despedi de Melissa e combinei de que separaria alguns animes e traria para assistirmos juntos.
Mal podia esperar para que chegasse logo a próxima quinta-feira, pois o diretor da escola deixou explícito que nós poderíamos apenas ir na casa da família no dia selecionado. Enquanto não chegava o dia, eu ficava em casa planejando o que fazer para passar o dia com Melissa e nos divertirmos enquanto eu estivesse lá. Comecei a separar alguns animes que eu já tinha no meu computador, baixei episódios de alguns que não conhecia mas queria assistir e coloquei todos em um pendrive para levar e assistir junto com Melissa.
Quando o dia finalmente chegou, eu não aguentava de ansiedade. Terminei tudo que tinha pra fazer na escola, fui correndo pra minha casa, almocei, tomei banho, me arrumei do melhor jeito possível e fui direto para a casa de Melissa. Nem me importei com o horário e acabei chegando lá bem antes do horário.
Flávia novamente me recebeu com um sorriso no rosto e disse que Melissa não parava de perguntar quando eu viria novamente, por que tinha preparado várias coisas para fazermos juntos.
Eu não pude evitar em me sentir feliz com o que Flávia havia acabado de me contar. Pedi licença e fui correndo em direção ao quarto de Melissa. Bati em sua porta e a mesma voz doce e encantadora pediu para que eu entrasse.
Quando entrei no quarto, fui recebido por aquele sorriso que só ela tinha e que me deixava bobo. Sorri junto com ela e dei boa tarde.
Ela me deu boa tarde e pediu para que eu me sentasse na cadeira ao lado da cama. Eu me sentei e ela começou a me falar sobre os animes que ela tinha escolhido para assistirmos hoje. Comentei com ela que tinha escolhido alguns também e começamos a ver. Quando era mais ou menos cinco horas da tarde, a mãe dela veio no quarto com um lanche para nós dois. Comemos, e me ofereci para ajudá-la a lavar a louça enquanto Melissa ia assistindo alguns animes que eu tinha levado.
Flávia aceitou e me levou para a cozinha. Lá, enquanto lavava a louça, eu conversava com ela. Ela comentou que, sempre que tinha tempo, levava Melissa para passear em um parque perto da casa dela. Eu perguntei se podia acompanhá-la em um desses passeios. Ela concordou.
Voltamos ao quarto de Melissa e Flávia a colocou na cadeira de rodas. Melissa, é claro, estava vermelha de vergonha, por eu ter visto ela sendo colocada na cadeira de rodas. Eu sorri pra ela e disse que o rosto dela ficava mais lindo ainda quando estava com vergonha. Ela ficou mais vermelha ainda e disse, com uma cara emburrada pra irmos logo.
Eu fui conduzindo a cadeira de rodas enquanto nós três íamos conversando. Notei que Melissa adorava o ar livre, ia sempre comentando sobre o quanto gostava de animais e do cheiro das flores. O dia estava chegando ao fim e voltamos para casa de Flávia. Chegamos no portão e me despedi. Dei um beijo na testa de Melissa e um abraço em Flávia.
As semanas se passaram voando. Eu e Melissa passávamos horas assistindo animes juntos e passeando pelo parque. Logo o segundo mês estava chegando ao fim. Na última semana eu fui visitar Melissa novamente e não pude deixar de me sentir um pouco pra baixo.
—Está tudo bem, Lucas? O que aconteceu? — Melissa perguntou.
—O projeto da escola está chegando ao fim. Essa é a última semana que eu vou poder te visitar. — Eu disse um pouco abatido.
Ela chamou Flávia e perguntou se eu poderia continuar vindo visitá-la mesmo após o projeto ter acabado, pois sentiria muito minha falta e que eu fui o único amigo a ficar tanto tempo assim ao lado dela.
Flávia não pode conter a emoção e começou a chorar, me agradecendo por tudo que eu tinha feito e que me agradeceria eternamente se eu continuasse visitando Melissa sempre que eu pudesse.
Eu nunca tinha ficado tão feliz. Falei que eu iria visitá-la sempre e que nunca deixaria ela sozinha.
Mais de cinco meses haviam se passaram e eu ia todo dia após a escola ver Melissa. Nós sempre assistíamos animes e passeávamos no parque, conversando sobre a vida. Em um dos dias que eu fui visitá-la, nos começamos a assistir Angel Beats. No episódio 10, descobrimos que a Yui era, também, tetraplégica. Não pude deixar de notar a coincidência e comentei com Melissa sobre Yui. Ela olhou pra mim e perguntou:
—Lucas, você gostaria mais de mim se eu fosse diferente? Se eu pudesse caminhar ao seu lado, segurar sua mão e te abraçar como eu sinto vontade...
Com lágrimas escorrendo em meu rosto eu a abracei o mais forte que pude, senti sua respiração, seu coração batendo junto ao meu peito, olhei em seus olhos e disse:
—Você é perfeita do jeito que você é, eu te amo como nunca amei outra pessoa na minha vida, nunca duvide disso. Eu te amo exatamente do jeito que você é.
E essa foi a primeira vez que abracei minha esposa.
Fale com o autor