Tears Rose- Hiatus
3 A Colina dos Lamentos
Notas iniciais

Uma colina se erguia majestosamente ao canto abandonado de New Orleans que não havia sido gentil com o antigo monte de terra que separava a bela e agitada cidade da escuridão e da solidão de uma floresta, era conhecida como A Colina dos Lamentos.
Por ali pessoas lamentaram suas perdas há anos e anos atrás, o solo castigado presenciara a dor daqueles que perderam seus amados. Hoje não passava de um simples aglomerado de terra que se elevara, servindo apenas para dificultar quem por ali se atrevesse a passar.
O sol brilhava fraco no céu e nuvens teimavam em tapa-lo de vez em quando, andando graciosamente e lentamente três belas mulheres vestidas com tons escuros observavam o que um dia fora um local de sofrimento, eram tão parecidas, seus cabelos castanhos tinham um brilho quando o sol fraco os banhava, e seus olhos, da mesma cor de seus cabelos, pareciam belas joias a brilhar. Estavam silenciosas, e apenas o som de folhas secas e pequenos gravetos se partindo a cada passo que davam podia ser ouvido.
— Veja, irmã, essa é cidade que um dia fora tão bela, olhe no que se transformou agora, ela esta cheia deles. — apresentou uma das três belas mulheres para a mais nova a sua esquerda, ela tinha um semblante serio e observava com desgosto a cidade que se erguia á frente.
— Pragas! — amaldiçoou a mulher a quem o comentário fora dirigido.
— Não estamos aqui por eles, lembrem-se disso, minhas amadas filhas.— advertiu a terceira e mais velhas das três, mesmo com sua idade mais notável ela não deixava de ser bela, mas diferente das outras duas seus cabelos continham leves cachos e seus olhos eram mais sombrios.
— Vampiros bons, são vampiros mortos, você nos ensinou isso! — entoou a mais nova, olhando para a mãe com um sorriso malicioso na face.
— Dorothy, há anos que não sujamos nossas mãos com o sangue dessas criaturas... — começou a mais velha, seu tom de voz era severo, não havia nada de acolhedor naquela mulher.
— Há anos que eles tem nos deixado em paz, não faria sentido recomeçar uma batalha agora, cara irmã, você esta sempre tão sedenta para ver o sangue desses que infestam esse lugar. — a primeira mulher disse com um sorriso em seu rosto, esta era a de aparência mais acolhedora.
— Theodora, sempre tão correta. — bufou a que atendia por Dorothy, impaciente ela cruzou os braços e comtemplou o céu que agora já havia escurecido totalmente, e as nuvens impediam que as estrelas fossem vistas.
[...]
— Senhorita Rose Elizabeth Campbell, estamos arrumando tudo, e em algumas semanas, se os resultados de seus testes atingirem as expectativas, a mandaremos para o hospital infantil de New Orleans. — um velho senhor de cabelos grisalhos, mais brancos do que cinzas, informava a Rose que estava sentada em uma poltrona na sala extremamente branca. Por mais que estivessem em uma faculdade de medicina as paredes e piso eram brancas, Rose deduzira que era para que os alunos habituassem a um ambiente tão luminosamente branco.
— Ah, sim senhor, muito obrigada, estou ansiosa.
Mais tarde quando Rose enfim pode dar adeus aos seus estudos do dia ela encontrou-se com Alyssa, que como sempre estava linda, uma estudante de moda deve estar sempre linda.
— Hospital infantil? Pensei que iria para os grandes hospitais, afinal, você é boa! — Alyssa comentava enquanto as duas caminhavam pelas ruas da cidade.
— Preciso estudar mais, não posso ir para um grande hospital sem preparação, o semestre mal começou. — informou Rose enquanto com muito esforço tentava fazer com que sua mochila fechasse.
— Estamos aqui há quase um mês, achei que isso era mais rápido. — disse a garota, de fato Rose desistira de tentar enfiar na cabeça da amiga o quanto medicina era complexa e difícil.
— Vamos parar naquele restaurante, pelo amor de deus, acho que vou morrer se não comer algo. — Rose disse fazendo uma carreta alimentar-se bem não era uma coisa que andava fazendo.
As duas garotas entraram em um pequeno restaurante com aspecto rustico, era incrivelmente aconchegante e o delicioso cheiro de comida adentrou em suas narinas assim que respirou fundo. Alyssa foi logo escolhendo uma mesa distante próxima de uma janela que dava para o moimento lá fora, Rose que havia passado no banheiro para poder retirar uma peça de roupa estava voltando distraída para poder sentar-se quando, inesperadamente, sentiu seu corpo chocando-se contra o de alguma outra pessoa.
— Que droga, você é cego?— xingou a garota que estava ajoelhada ao chão recolhendo as coisas que caíram da mochila que ela desistira de tentar fechar, ela observou um belo par de sapatos sociais á sua frente e levantou o olhar para poder ver o rosto da pessoa que a fez cair.
Rose não podia acreditar no que estava vendo, era ele, aquele homem com quem havia falado no baile um mês atrás, ele tinha um semblante serio, mas com um leve sorriso em seu belo rosto, ele abaixou-se para poder ajuda-la, mas esta já havia acabado e logo levantou fazendo com que suas cabeças quase se chocassem uma contra a outra.
— Senhorita Campbell.— saudou o homem calorosamente, sua voz tinha um leve tom rouco que o deixava irresistível.— Enfim nos encontramos novamente!
— Você só sabe andar de terno?— questionou a garota, desta vez ela não estava nervosa, ela estava em um local que a deixava a vontade, aquela era a sua área. O homem abriu um sorriso maior ainda e confirmou com um aceno de cabeça.— É, combina com você. Olha eu o convidaria para se sentar conosco, mas parece que esta de saída.
— Posso me demorar mais um pouco, ainda tenho tempo.— ele disse e assim os dois seguiram até a mesa, quando Alyssa viu os dois caminham em sua direção abriu um sorriso tão grande que Rose se questionou como seu rosto o aguentava.
Elijah observava a garota que comia algumas batatas fritas, ela estava tão diferente, suas roupas agora não mostravam mais suas belas curvas, mas ela estava tão bela, os cabelos estavam presos em um coque preso com os próprios fios castanhos e isso a deixava o seu lindo rosto a mostra, ela era perfeita.
— Por que esta me olhando, nunca viu ninguém comer que nem uma morta de fome?— perguntou Rose com sua boca cheia, sua audácia surpreendeu o Original que franziu o cenho ao ouvir isso.
— Relaxa, ela é muito pior que isso.— Alyssa informou para o homem que agora mais do que nunca observava a garota a sua frente, a mesma o olhou de novo e deu um sorriso.— Pelo visto eu estou sobrando aqui, te vejo em casa mais tarde Rose.— a garota disse se levantando, ela contemplou o homem e o seu jeito de olhar para a amiga— Ou não!
Depois de muita conversa entre os dois na qual eles falaram de tantas coisas, tantos assuntos diferentes, os dois tinham pensamentos tão diferentes, Rose via um homem tão maduro á sua frente, tão decidido, educado e gentil. Enquanto Elijah conhecia uma garota engraçada, com muitas piadas na ponta da língua, muitas sem graças, mas sua beleza anulava isso.
Os dois caminham pelas ruas agitadas da cidade, pessoas passavam por todos os lados, apressadas, afundadas em seus próprios pensamentos, o Original estava acompanhando a garota até um ponto de ônibus para que pudesse ir para casa.
— Adoraria poder passar mais algum tempo com você, mas agora preciso realmente ir. Tenho assuntos importantes.— ele disse assim que chegaram ao ponto de ônibus que estava com poucas pessoas.
— Claro, e da próxima vez em que for estar no mesmo lugar que eu pelo amor de deus olhe para todos os lados.— ela brincou, os dois ficaram algum tempo pensando em como se despedir, tudo acabou com um aperto de mãos muito desajeitado.
[...]
— Doroteia, faz anos que não nos encontramos.— Elijah dizia para a mais velha das três mulheres, já era noite e as belas mulheres ainda estavam no topo da Colina dos Lamentos, elas permaneceram ali por todo um dia, apreciando a cidade.
— O mais velho dos Mikaelson, nunca esqueceria sua face, seu monstro!— praguejou a que chamavam de Doroteia, seus cabelos castanhos balançavam com o vento da noite, e seus olhos brilhavam como faróis.
— O que três das Dickens estão fazendo na minha cidade?— Marcel chegou da escuridão, sua voz era ameaçadora, mas pareceu não provocar nenhum efeito nas três mulheres.
— Sua cidade? Essa cidade não pertence a você, seu imundo.— Theodora se pronunciou, o vento havia aumentado, e ela soava tão ameaçadora quanto o vampiro á sua frente.
— Nisso eu concordo, bruxinha linda.— Klaus que até então mantinha-se calado ao lado do meio-irmão agora se pronunciou, seus olhos analisaram Theodora de cima a baixo sorrindo maliciosamente ao ver o pequeno decote de seu vestido.
— Se querem ficar na minha cidade terão que seguir as regras. Bruxas não podem usar sua magia.— informou Marcel com um tom superior.— Ou estão dispostas a recomeçar uma batalha?
— Você lembra quantos dos seus morreram há anos atrás, Marcellus, lembra do massacre, o sangue daqueles que chama de família foi derramado por toda essa colina— Doroteia disse caminhando em direção ao vampiro.— Quando você nos ameaçou, os seus morreram, e você fugiu com a cola entre as pernas.
— Não viemos aqui para recomeçar nada, não queremos mortes, nosso objetivo aqui é outro. E nem a sua arma secreta Marcel ira nos impedir.— Dorothy se pronunciou seus olhos faiscavam de raiva e Marcel arregalou os olhos ao ouvir que elas sabiam da existência de sua protegida.
— Nos acolha e a cidade permanece como esta, nos desafie, e ela vai para o chão junto com aquele que se intitula seu dono e toda a escória dos vampiros.— ameaçou Theodora, as três bruxas agora estavam muito próximas dos vampiros.
A Colina dos Lamentos mais uma vez estava abrigando Originais e as bruxas Dickens, o lugar que um dia tivera seu chão banhado em sangue de vampiros estava mais uma vez vivo de certa forma.
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